Estudando o Espiritismo

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sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Se Alguém Vos Bater Na Face Direita, Apresentai-lhe Também A Outra

Se Alguém Vos Bater Na Face Direita, Apresentai-lhe Também A Outra

"O Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo XII, itens 7 e 8"

Estudo Espírita
Promovido pelo IRC-Espiritismo
http://www.irc-espiritismo.org.br
Centro Espírita Léon Denis
http://www.celd.org.br

Expositora: Bianca Cirilo
Rio de Janeiro
27/11/2002

Dirigente do Estudo:

Marcio Alves

Oração Inicial:

<Moderador_> Senhor Jesus, neste momento, em que mais uma vez nos reunimos para o estudo da Boa Nova, vimos pedir ao Teu coração generoso a paz que necessitamos neste momento. Possam as Tuas vibrações nos alcançar e nos suavizar, amparando assim as nossas mentes para que o tema proposto nos alcance os corações. Assim, que possa ser em Teu nome, mas acima de tudo em nome de Deus, que possamos dar por iniciado mais um estudo em torno de "O Evangelho Segundo o Espiritismo"

Que assim seja!

Exposição:

<Bianca_Cirilo> Boa noite a todos!

No livro "Nascente de Bênçãos, Joanna de Ângelis, ao tratar o problema da irascibilidade nos diz que a criatura humana, na atualidade, tende a encontrar-se sempre armada, numa posição defensiva, aguardando "motivo real ou imaginário" para colocar para fora a sua agressividade.

Sendo assim, assistimos a dificuldade humana de nos posicionarmos de forma serena frente aos dissabores da vida; buscando agir sobre os mesmos e não meramente reagir como se vítimas fôssemos do destino.

Em sua obra "Jesus e o Evangelho", no capítulo sobre a vingança, Joanna também nos esclarece sobre o nosso tema de hoje, de não resistirmos ao mal que nos queiram fazer; elucidando que oferecer a outra face significa não se colocar na posição de vítima, pois isso representa uma "patologia do Ego insubordinado" que não aceita a dor como crescimento e acredita-se como injustiçado diante das circunstâncias.

Apresentar a outra face é não vingar-se, não retribuir o mal com o mal, salvaguardando o direito de defesa, desde que defender-se não se confunda com revanche.

A questão central de nosso estudo está em avaliarmos até que ponto estamos sendo no nosso cotidiano reativos, gerando inimizades e desconfortos com a nossa presença.

Ainda no livro "Nascente de Bênçãos", Joanna, na mesma lição que citamos no inicio de nossa exposição, coloca que o problema da irascibilidade responde pelo desequilíbrio das emoções, destilando fel nas relações sociais e criando antipatias devido ao alto grau de exigência para com os outros.

Nos tornamos solitários devido a maneira impositiva e rude que passamos a adotar para com as pessoas. Isto, sem dúvida, contribui para que companheiros menos felizes do plano invisível sintonizem-se conosco exacerbando o nosso grau de suscetibilidade frente aos desencontros.

Nos dias atuais, torna-se trabalhoso resistir às provocações alheias, tendo em vista o cultivo crescente de nossa personalidade e fatalmente de nosso orgulho. Somos assaltados diariamente com sugestões de falsa superioridade e ilusória vaidade que nos cegam o discernimento.

Daí, nutrimos fantasias de privilégio, considerando-nos melhores do que os nossos semelhantes, exaltados pelo excesso de amor próprio.

A lição da noite nos convida ao auto-exame e a busca real de nosso valor.

Este valor depende da conscientização de que somos criaturas divinas marcadas pela necessidade de progresso. Com isso, muitas vezes, os golpes desferidos pelos nossos irmãos de jornada são sinalizadores da necessidade de mudança interior, de nossa reformulação de posturas e atitudes.

Para isso, é preciso estarmos dispostos a assumir a crítica externa, de que não reagir seria sinal de covardia. Jesus nos disse que o reino dos céus, ou seja, a paz de consciência, é dos mansos e pacíficos. A mansuetude pressupõe passividade e é essa confusão, muitas vezes, que faz com que acreditemos que "oferecer a outra face" significa covardia.

Como seguidores do Cristo, Joanna nos diz que nossa tarefa atual está em realizar a maior soma de bem possível, em apaziguar discórdias, em sermos àqueles trabalhadores lúcidos da mensagem do mestre.

São chegados os tempos em que nós devemos ser reconhecidos como cristãos mediante às ações e sentimentos fraternos que denotam a diferença no trato com as pessoas e as dificuldades.

Daí é preciso que reflitamos sobre a forma como temos nos relacionado com os ensinos espíritas, no sentido de esmiuçarmos a mensagem cristã. Jesus não convidou a conformação diante dos insultos, mas sim a serenidade de compreender a posição daquele que ofende, avaliando primeiramente se não oferecemos algum motivo para estarmos recebendo aquele tratamento descortês. Em seguida, avaliar o lugar que o nosso irmão se encontra e que talvez esteja passando por dores maiores do que a nossa.

De fato, se a agressividade desmedida e o revide consistissem em soluções para os problemas modernos, nosso mundo já estaria pronto para vivenciar os bons valores.

Ao contrário, testemunhamos uma crescente insatisfação diante das reações explosivas, impulsivas e no fundo, imaturas. Por isso precisamos reconhecer as inúmeras perdas que estamos tendo ao optarmos pela defesa através do ataque.

Façamos pois, uma escolha pela nossa tranqüilidade de consciência e pelo compromisso de auxiliarmos na obra do Mestre.

Jesus aguarda a nossa contribuição para a construção do mundo novo, sem utopias, mas sim com a certeza plena da Lei do Progresso e a conseqüente melhoria da nossa condição de vida física e espiritual.

É preciso nos habituarmos as palavras doces, aos gestos nobres, a leveza dos sentimentos sublimes, reconstruindo assim nossa natureza real - a natureza divina.

Outrora, fizemos escolhas equivocadas que ainda respondem por condicionamentos agressivos na atualidade de nossas ações, contudo a opção pelo jugo leve e pelo amor do Cristo nos é lícita e necessária, como o único meio de permanecermos nos estado real de dignificação pessoal e coletiva.

Muita paz.

Oração Final:

<Bianca_Cirilo> Senhor Jesus, nós Te agradecemos pela valiosa oportunidade de sermos úteis à Tua seara de amor e de luz. Pedimos ao Teu coração que nos fortaleça para que possamos colocar em prática tudo o que foi dito na noite de hoje. Rogamos a Tua paz, a Tua proteção para as nossas provas do dia-a-dia bem como coragem de Te seguir em dias tão conturbados como os dias atuais.

Que assim seja!