Estudando o Espiritismo

Observe os links ao lado. Eles podem ter artigos com o mesmo tema que você está pesquisando.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

ÓDIO, REMORSO,VINGANÇA E AGRESSIVIDADE

10 - ÓDIO, REMORSO,VINGANÇA E AGRESSIVIDADE
A - Ódio ou Cólera
"Em suma, a cólera não exclui certas qualidades do coração, mas impede de fazer muito bem e pode levar à prática de muito mal. Isto deve ser suficiente para induzir o homem a esforçar-se para dominá-la. O espírita é concitado a isso ainda por outro motivo: o de que a cólera é contrária à caridade e à humildade cristãs. "
(Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiri­tismo. Capítulo IX. Bem-aventurados os Bran­dos e Pacíficos. A Cólera.)


- O que é o ódio?
O ódio é uma manifestação dos mais primitivos sentimentos do homem animal, que ainda guarda no espírito em evolução os resquícios do instinto de conservação, sob as formas de defesa, de amor-próprio.

- Quais os vários modos pelos quais o ódio se manifesta em nós?
Desde os aspectos mais sutis, dissimulado na hipocrisia social e nas formas de antipatias, aos atos mais cruéis e brutais de violência.

- Como o ódio se apresenta dentro de nós?
Como um sentimento, uma emoção incontida, um impulso que, ao nos dominar, expressamos através de palavras ofensivas, quando contraímos o coração, cerramos os maxilares, fechamos os punhos e soltamos faíscas vibratórias de baixo padrão, sintonizados com as entidades malévolas, que assim podem nos envolver, instigando-nos até ao crime.

- E até que limites pode o ódio nos levar?
Nesses momentos, podemos ser levados a cometer os atos mais indignos de violência, de agressividade, causando dissensões e até mortes, contraindo, muitas vezes, as mais penosas dívidas em nossa existência.

- Quais os motivos que nos levariam a odiar alguém?
Em geral, os ódios são despertados pelas humilhações sofridas, ou quando injustiçados, maltratados, traídos no afeto, na confiança ou quando ofendidos. Encontramos, igualmente, em muitas antipatias indecifráveis que possamos sentir por alguém, os ódios recônditos de outras existências, quase sempre frutos de nossas paixões.

- As manifestações de ódio são sempre instiladas pelos espíritos inferiores?
Podemos realmente deixar campo aberto para as infiltrações das entidades maldosas, que estão quase sempre à espreita para nos levar aos cometimentos do ódio. Entretanto, esses auxiliares que nos ajudam no nosso fortalecimento no bem, pelos testes que nos proporcionam, só conseguem nos atingir quando descemos aos níveis vibratórios ao alcance deles. Está, realmente, em cada um de nós, as origens das manifestações de ódio.

- Quais os sentimentos decorrentes do ódio?
Junto ao ódio encontramos o rancor, que é a permanência dele, nas promessas feitas a nós mesmos de revide. A vingança é sua decorrência. A agressividade às vezes externa um estado íntimo também decorrente das nossas manifestações de ódio, rancor, de cólera. Invejas, cobiças, ciúmes, inconformações, ressentimentos podem gerar ódios.

- É o ódio a ausência de amor?
Amor e ódio são sentimentos opostos. Um pode dar lugar ao outro em frações de segundos, dentro de nossas reações íntimas. Muitos ódios refletem expressões de um amor ainda possessivo, em criaturas que foram preteridas nos seus afetos mais profundos. Os arrependimentos copiosos por males antes nutridos em ódios distantes são os primeiros lampejos de um amor despertado, fazendo finalmente vibrar as fibras sensíveis do coração, que assim quebra a casca endurecida que o envolve. Aquele que odeia está a reclamar direitos. Aquele que ama dá de si sem esperar recompensa.

- Como podemos combater o ódio?
Perdoando aos que nos ofendem. E o nosso Divino Mestre já nos deu a fórmula: "não apenas sete vezes, mas setenta vezes sete", ou seja, infinita e plenamente.

- O que fazer quando o ódio nos invade a alma?
O primeiro passo é segurá-lo de todos os modos, não deixá-lo expor-se à vontade. Calemos a boca, contemos até dez ou até cem, caso seja preciso. Logo em seguida, procuremos um local onde possamos nos recolher: aí iremos nos acalmando e mentalmente trabalharemos para serenar nosso ânimo exaltado. Então, dominá-la. O espírita é concitado a isso ainda por outro motivo: o de que a cólera é contrária à caridade e à humildade cristãs. " Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo IX. Bem-aventurados os Brandos e Pacíficos. A Cólera.)
Tomemos uma página esclarecedora de um livro ao nosso dispor e meditemos recorrendo ao Amigo Protetor. Não demorará muito e já nos reequilibraremos, vendo a fogueira que conseguimos ultrapassar.

B - Mágoas, Ressentimentos, Inconformações

É muito comum ouvirmos algumas pessoas dizerem: "Ah! Eu perdoei fulano, mas não esqueço o que ele me fez!" Nesse caso, perguntamos, será que houve mesmo o perdão? Houve um começo, uma parte digamos, um entendimento racional da necessidade de perdoar. Em outras palavras, mentalmente o indivíduo se dispôs a não alimentar rancor ou ideias de vingança. Está, por ele mesmo, convencido de não odiar.

No campo emocional, no entanto, ainda ficaram impregnados os resquícios daqueles sentimentos, que, embora não identificados como impulsos de cólera, manifestam-se sutilmente em forma de mágoas, ressentimentos, inconformações, desgostos, amarguras e descontentamentos.

Acautelemo-nos quando esses sentimentos, ou esses lampejos de impressões, estiverem ainda presentes em nossas emoções, nos nossos solilóquios, curtidos no silêncio, ao flutuar vagamente a nossa imaginação.

Não nos deixemos levar ou iludir por essas manifestações desavisadas. Elas são ainda modos de expressão do ódio que está ali nos corroendo e desagregando a nossa resistência.

Guardar ou manter em nós os ressentimentos, as mágoas, as inconformações é nos deixar envolver, ainda, pelas teias da cólera; é não termos realmente perdoado. Isso é enganoso e muito grave no nosso comportamento. São as maneiras de não aceitação das ofensas recebidas. Atingidos em nosso orgulho, sentimo-nos assim e permanecemos, então, ruminando inconformações, amarguras. É o amor-próprio ferido, os direitos que exigimos, a retratação de quem nos feriu.

Renunciemos corajosamente a esses direitos e inconformações, mesmo cobertos de razões, e deixemos que o tempo e o amadurecimento natural realizem as transformações naqueles que julgamos terem errado conosco. Façamos a nossa parte, perdoemos incondicionalmente, sem quaisquer restrições.

C - VINGANÇA 

"Vingar-se é, bem o sabeis, tão contrário àquela prescrição do Cristo: 'Perdoai aos vossos inimigos', que aquele que se nega a perdoar não somente não é espirita, como também não é cristão. A vingança é uma inspiração tanto mais funesta quanto tem por companheiras assíduas a falsidade e a baixeza."
(Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritis­mo. Capítulo XII. Amai os Vossos Inimigos. A Vingança — Júlio Olivier.)

- Como se apresenta em nós a vingança?
A vingança se manifesta no nosso íntimo como uma reação carregada de forte emoção, por uma ofensa a nós dirigida. São também as formas dos revides, em discussões acaloradas, quando trocamos grosserias, os propósitos violentos de vingar crimes cometidos a familiares. Em geral, são as emoções muito fortes do ódio que levam as criaturas a atos criminosos de vingança.

- É comum o sentimento de vingança?
Quem é agredido por palavras ou ações, dificilmente passa por tais situações sem revidar aos impropérios ouvidos ou às pancadas recebidas. Estamos longe de oferecer a outra face àquele que nos bata numa. A atitude, a disposição íntima de quem é agredido, para ser fiel ao ensinamento evangélico, deve se revestir de uma coragem muito grande, e de um autocontrole gigantesco. O que em geral ocorre é a perda total do equilíbrio, desencadeando-se lutas corporais, ou discussões em altas vozes, com palavras de baixo calão.

Como, nos nossos dias, podemos vencer os impulsos de vingança? Mantendo-nos vigilantes no equilíbrio interior, alicerçado num profundo amor ao próximo, sem nos deixar cair nas teias da nossa animalidade inferior. Ainda aqui, o perdão é o antídoto.

- Podemos angariar conquistas nos capacitando ao perdão?
O bom combate se inicia dentro de nós e as conquistas, mesmo quando lentamente obtidas, vão aumentando nossa capacidade de perdoar. Para avaliar nossa atual condição, observemo-nos diante das situações em que alguém nos fira, até mesmo fisicamente, e analisemos os sentimentos que ainda despontam em nossa alma, a intensidade deles, até que altura eles nos dominam e até onde conseguimos esquecer o fato e as criaturas que nos atingiram. Se os guardamos por muito tempo, e alimentamos as emoções desagradáveis, é sinal de alerta, que nos deve levar à meditação na tolerância e a redobrar nosso esforço no perdão, prosseguindo para melhores resultados.

— Como justificar o combate à vingança?
Para não sermos infratores às leis de causa e efeito, de ação e reação, para não fazermos ao próximo o que não gostaríamos que alguém nos fizesse. Pelo sentido de saldar os erros cometidos no passado, não mais repetindo-os na atual existência. E pelo amor Universal que a todos une, numa confraternização de verdadeiros irmãos que já receberam os exemplos dignificantes de um Mestre como Jesus.

"A vingança é um dos últimos remanescentes dos costumes bárbaros que tendem a desaparecer dentre os homens." (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo XII. A Vingança - Júlio Oliver.) Embora não sejam as ocorrências de vingança revestidas de tanta crueldade como nos tempos bárbaros, parece acontecer, em nossos dias, com surpreendente frequência, como resultado das ofensas não-perdoadas: as mortes por vingança, os crimes por desonra em casos passionais, os ódios íncontidos, fazendo vítimas, etc.

"O homem do mundo, o homem venturoso, que por uma palavra chocante, uma coisa ligeira, joga a vida que lhe veio de Deus, joga a vida do seu semelhante, que só a Deus pertence, esse é cem vezes mais culpado do que o miserável que, impelido pela cupidez, algumas vezes pela necessidade, se introduz numa habitação para roubar e matar os que se lhe opõem aos desígnios. Trata-se quase sempre de uma criatura sem educação, com imperfeitas noções do bem e do mal, ao passo que o duelista pertence, em regra, à classe mais culta."(O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo XII. Item 15. O Duelo — Agostinho.)

Poderá hoje, entre os seguidores da Doutrina dos Espíritos, ou entre seus leitores, constituir-se em grande dilema a questão que deriva dessa abordagem do espírito de Santo Agostinho, ou seja, o da defesa pessoal, na contingência de ser atingido por assaltantes na rua ou em sua própria casa. Deve o espírita portar arma para se defender? Preocupado com sua segurança e com a de seus familiares, no receio de serem violados na integridade física e até moral, precisam, portanto, estar prontos para se protegerem?
Mesmo que essa defesa implique na morte de algum assaltante? Entendemos que quem tem amor no coração nada deve temer. A segurança está na confiança que devemos ter na Justiça Divina, na proteção dos Amigos Espirituais, na aceitação das provas reservadas a nós e a nossos familiares, por mais cruéis que possam ser. É preferível não se arriscar em eliminar a vida de alguém, e por isso mesmo é preferível evitar o uso de armas. A Espiritualidade tem recursos muito maiores de proteção do que possamos imaginar, e os mesmos podem ser colocados em ação em frações de tempo.

D - AGRESSIVIDADE

"Se ponderasse que a cólera nada soluciona, que lhe altera a saúde e compromete a sua própria vida, reconheceria ser ele próprio a sua primeira vítima. Mas, outra consideração, sobretudo, deveria contê-lo, a de que torna infelizes todos os que o cercam. Se tem coração, não sentirá remorsos por fazer sofrer as criaturas que mais ama? E que mágoa profunda não sentiria se, num acesso de arrebatamento, cometesse um ato de que teria de arrepender-se por toda a vida!"(Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo IX. Bem-aventurados os Brandos e Pacíficos. A Cólera.)

Podemos, de maneira geral, identificar as nossas manifestações de agressividade nos diferentes campos, que compreendem as emoções, os pensamentos, as palavras e os atos.

- No Campo das Emoções
Os impulsos de agressão brotam no nosso campo emocional como reflexos do ódio, do rancor, dos desejos de vingança, da cólera. A agressividade pode ser um estado permanente no indivíduo, para com tudo e para com todos, como um sintoma da cólera, situação que retraía o endurecimento do sentimento de criaturas nos estados íntimos mais penosos e difíceis. São as pessoas fechadas no entendimento, inflexíveis no coração.

A agressividade pode, no entanto, apresentar-se momentaneamente em algumas ocasiões, principalmente quando reagimos às ofensas recebidas. Mesmo aí, é também consequência da nossa condição ainda primitiva de reações animais, em que os instintos ancestrais de defesa emergem das camadas profundas, embora muito vivas, do nosso subconsciente.

Em ambos os casos, permanente ou momentânea, a agressividade surge como impulso emocional, de maior ou menor intensidade, dependendo da condição da criatura, do seu grau de consciência e do esforço que realiza no combate à predominância do mal. O Aprendiz do Evangelho, que busca localizar essas ocorrências, deve dirigir suas atenções para as manifestações do campo emocional.

É esse o seu terreno de trabalho, é nele que conscientemente vai exercendo seu domínio, refreando, inicialmente, seus impulsos, para controlar-se e, em seguida, trabalhando mentalmente, de modo a dosar, com o conhecimento, novas disposições, novos sentimentos, como alguém que substitui uma emoção forte de violência por uma vibração suave de carinho.

- No Campo dos Pensamentos
Quando cedemos às emoções e nelas nos envolvemos, ficamos impregnados daqueles sentimentos de animosidade que levam ao campo mental os correspondentes impulsos, geradores de pensamentos agressivos. São os diálogos íntimos que têm lugar no nosso consciente, quando nos deparamos brigando dentro de nós mesmos com alguém, nos armando assim das disposições de transmitir a outrem o veneno que armazenamos mentalmente.

Emitimos ondas vibratórias densas na direção de quem nos provocou. Ficamos, às vezes, horas arquitetando e elaborando, detalhe por detalhe, todas as palavras que iremos dirigir ao nosso algoz, que já se tornou nossa vítima, antes mesmo do entrevero. A agressão por pensamento talvez seja a maneira mais comum em que expressamos a nossa cólera. Embora essa forma ainda não tenha se concretizado numa realidade física, direta, de agressão, já provocou seus efeitos maléficos pelas vibrações emitidas ao nosso contraditor.

Do domínio obtido na nossa esfera emocional, onde possamos ter conseguido atenuar e controlar as erupções do vulcão que regorgitava em impulsos de violência, vamos agora sanear a nossa atmosfera mental, afastando dos nossos pensamentos as idéias de revide, os planos de vingança, os propósitos de reivindicar direitos por ofensas injustas, etc. Para isso, alimentamos os nossos pensamentos com idéias de tolerância, de perdão, de renúncia. Vamos nos desarmando dos projéteis mentais que estamos lançando ao próximo, envolvido nas nossas tramas. Vamos suavizando nossas emissões mentais, até conseguirmos vibrar amor em nosso íntimo, sem restrições ou condicionamentos, em direção do nosso opositor. Não importa qual virá a ser a reação ou aceitação do nosso contestador; importa, sim, a nossa atitude de tolerância e perdão para com ele, importa realizar a nossa parte, dar o nosso testemunho evangélico.

- No Campo das Palavras
Imantados nos envolvimentos magnéticos de ódio, podemos reproduzir ou devolver agressões, concretizadas nas palavras pronunciadas com intensa carga vibratória, em altos sons, de efeitos desequilibradores. À força magnética da palavra somam-se os componentes emocionais e mentais. São verdadeiros petardos explosivos que lançamos àqueles que agredimos com a nossa voz.

Os impropérios pronunciados, os desaforos, as ofensas que dirigimos são as diversas maneiras de agredirmos por palavras. E quando não represamos de início a torrente de palavras que jorra continuamente numa discussão, é mais difícil nos dominar depois. Como é desagradável e penoso o clima que se sente numa discussão, numa troca de ofensas. Os contendores ficam pálidos, mudam de expressão, se desequilibram, tremem, se envenenam mutuamente e permanecem por muito tempo nesse estado, nervosos, alterados, em profunda infelicidade. E para quê? Com que proveito?

De nada adiantam as gritarias, as altas vozes. São maus costumes que em nada ajudam. "Uma boa palavra auxilia sempre", mas pronunciada serenamente, com profundidade, aí sim ela penetra e cala, transformando a criatura que a recebe. Conter as palavras que possam ser pronunciadas, com resquícios de ódio, rancor, é o grande desafio aos Aprendizes do Evangelho. Articulá-las exclusivamente quando houver a certeza que ao serem pronunciadas efetivamente beneficiarão criaturas e induzirão bons propósitos.
Muito cuidado, portanto, no "falar" e sobre "o que falar", lembrando sempre que não será por muito falar que seremos ouvidos ou convenceremos alguém, a não ser simplesmente pelas nossas atitudes e pelos nossos exemplos, incluindo-se entre esses o silenciar nas horas propícias.

- No Campo dos Atos
A agressividade atinge sua manifestação mais desagradável e perigosa quando transborda incontidamente para o campo dos atos físicos, das agressões corporais. É o que assistimos, às vezes, entre amigos, colegas ou familiares, que, trocando ofensas, chegam às lutas corporais, não raro com ferimentos, fraturas e escoriações dos contendores, quando não aos extremos casos de morte.

É incrível observar, em nossos dias, a crescente onda de violência entre as criaturas, a reagirem por nada, sacando uma arma e cometendo, até involuntariamente, trágicos crimes. É o que constatamos nos casos mais chocantes, comentados pelos jornais, nos crimes passionais, nas próprias diligências policiais e nos campos de encontros esportivos. E como se não bastasse, o assunto é explorado pela imprensa, rádios e emissoras de televisão, com requintes de competição, nas disputas de maiores audiências, pelos seus produtores, além de ocuparem os temas preferidos nos filmes policiais e de guerra, onde a melhor técnica e todo o avanço na arte cinematográfica são utilizados para evidenciar os aspectos mais terríveis e deprimentes da violência humana.
As platéias continuam vibrando com as demonstrações de força e desamor. Transfere-se, para o relacionamento entre as criaturas na sociedade, o mesmo comportamento observado e induzido pelos exemplos degradantes, apresentados nos filmes, jornais, revistas, programas de rádio e de televisão.

Somos induzidos, pelas imagens que se fixam subconscientemente, a cometer os mesmos atos de agresssividade, as mesmas demonstrações de violência. E nesse contexto o Aprendiz do Evangelho é solicitado a dar com esforço os seus testemunhos de brandura, compreensão e perdão, desenvolvendo sua capacidade de não se deixar levar pelos impulsos de agressão física, incompatíveis com seus ideais de amor e tolerância, que podem muitas vezes pegá-lo de surpresa, em momentos como no trânsito, no relacionamento familiar, no trabalho, nas aglomerações, nos salões de espetáculos, etc.

CONHEÇA MELHOR O ÓDIO E A AGRESSIVIDADE 

Responda ao Questionário:

1ª - É a agressividade um efeito do ódio?
______________________________________________________________________________________________
 - Como, ou de que modo, a agressividade pode se manifestar?

a) Por pensamentos. Dê exemplos.
b) Por palavras. Dê exemplos.
c) Por atos (corporais). Dê exemplos.

 - O ódio é considerado como uma deformidade mental, ou, se quiser, como o oposto ao amor. Você concorda? Por quais razões?
______________________________________________________________________________________________
 - O ódio consome muito mais depressa aquele que odeia do que aquele que é odiado. Por quê?
______________________________________________________________________________________________
 - Segundo um psicólogo, em geral, o ódio manifesta-se de cinco modos:

I. atos agressivos;
II. palavras ofensivas;
III. 
desconfiança;
IV. fuga;
V. inveja.

Procure identificá-los em você mesmo, lembrando, como exemplo, as manifestações de desconfiança, fuga e inveja. Para isso, damos abaixo algumas pistas:

III - Desconfiança:
A amizade desentendida induz à dúvida e à suspeita. Sentimentos traídos levam à revolta, ao ódio. Origens: amor-próprio ferido, intolerância. Remédio: perdão, tolerância, paciência.

IV - Fuga:
Quando se fere alguém injustamente vem o remorso, o ódio a si mesmo. A falta de coragem em enfrentar a própria insensatez leva o indivíduo a fugir das situações que possam aproximá-lo da pessoa por ele ofendida. Zangado, consome a si mesmo.
Origens: insegurança, medo.
Remédio: coragem, reconciliação.

V - Inveja:
Não-aceitação da condição relativamente superior de alguém, ou de uma situação de vida de outrem melhor que a sua, leva à inconformação, ao ódio, procurando ferir e destruir o objeto da inveja.
Origens: insegurança, ambição.
Remédio: tolerância, conformação.

6ª - Pode o ódio tornar-se um hábito da personalidade? Como? É uma questão de colocação íntima?
______________________________________________________________________________________________
 - Comente cada um dos incidentes descritos no quadro abaixo e as reações negativas ou positivas que teria:
______________________________________________________________________________________________
INCIDENTE
REAÇÃO NEGATIVA
REAÇÃO POSITIVA
Você é punido quando criança."Meus pais não me amam.""Eu errei, estou arrependido."
Como adolescente, você não é convidado para um grupo que você cobiçava."Eles são uns convencidos. Não quero nada com eles.""Perguntarei a meus pais o que eles pensam sobre o caso."
Você é despedido de um emprego."O patrão tem os seus protegidos. Eu me vingarei.""Que poderá esta experiência ensinar-me, que me auxilie no próximo emprego?"
Você perde um filho."Como Deus pôde fazer isso comigo?""Aceito a vontade de Deus acima da minha."
Você é atingido por alguma grave enfermidade."O destino me pregou uma peça.""Aprenderei como conviver com ela."
Você perde sua independência financeira."Fulano e sicrano são responsáveis por isso.""Tenho saúde, darei um jeito."

 - . Desde a leve irritação, até a paixão violenta, o ódio se manifesta. Já pensou que isso tudo tem uma única origem? Qual é?
______________________________________________________________________________________________
 - . Uma autocorreção poderá auxiliá-lo a vencer o ódio?
______________________________________________________________________________________________
10ª - Acha que o amor e o perdão são os verdadeiros antídotos do ódio?
______________________________________________________________________________________________
FAÇA SEU PRÓPRIO TESTE - AVALIE O ÓDIO EM VOCÊ:
Abaixo estão arroladas 20 características importantes na análise de seu problema do ódio. As 10 primeiras referem-se à causa. As 10 seguintes, ao combate dos efeitos. Se nenhuma delas se aplica a você ou ao seu caso, marque três pontos a seu favor na coluna das notas. Confira o grau de cada uma que se aplica a você. Caso não possa decidir entre duas delas, marque na coluna estreita entre duas delas. A nota do grau de cada causa ou cura encontra-se acima de cada coluna. Seja justo consigo mesmo. Ponha os valores na coluna das notas, some-as e verifique o total.
CAUSA
GRAU
1
2
3
4
5
NOTAS
1ª.- IMPACIÊNCIAMinha família considera-me uma pessoa muito impaciente Demonstro impaciência várias vezes por dia. Sou conhecido como uma pessoa muito paciente. 
2ª- PALAVRAS
ÁSPERAS
Sou franco e rude. Uso-as quando me provocam. Aprendi a refrear-me. 
-SARCASMOReceio usá-lo com frequência. Uso-o talvez uma ou duas vezes por semana. Creio que não o uso mais do que uma vez por mês. 
4ª.- MEXERICOS
ou maledicências
Gosto de ouvir e repetir novidades picantes. Creio que sou normal nesse sentido. Às vezes também me envolvo nisso. Aprendi a fechar meus ouvidos e meus lábios nesse sentido. 
5ª.- DesconfiançaTodos têm suas "manhas", eu me acutelo. Aprendi a confiar em algumas criaturas.   
6ª.- Intolerância
(religiosa, racial,
política, etc...)
Evito as pessoas cujas crenças sejam diferentes das minhas. Algumas dessas pessoas são boas. Tenho bons amigos de difrentes raças, religiões e opiniões políticas. 
7ª. - Ressentimento (ódio) pensamento sombriosReceio passar uma hora diária com essa atitude. Talvez essessentimentos me assaltem uma hora por semana. Não muito seguido; não mais do que uma hora por mês. 
8ª.- Raiva violenta
dirigida contra alguém
Perco as "estribeiras" talvez uma vez por semana. Uma vez por mês. Uma vez por ano. 
9ª.- Inveja ou cobiçaInvejo muitas pessoas. Queria ter o que elas têm Confesso que invejo algumas pessoas. A inveja praticamente não passa pelo meu pensamento. 
10ª.- CIÚMETenho muito ciúme de quem amo. Sinto ciúme, porém, procuro vencê-lo. Esta é uma emoção que praticamente não me incomoda. 
CURA
VERIFIQUE A EXTENSÃO DO USO QUE FAZ DESSES MEIOS
11ª.- SUPRESSÃO
das fontesdo ódio
Lembro-me constantemente de pessoas odiosas. Procuro ignorar minhas fontes de ódio. Procuro compreender as causas das ações odiosas. 
12ª.- Reação Demorada
quanto à irritação
Eu ainda reajo impetuosamente em algumas situações. Procuro refrear as reações repentinas, nas situações irritantes. Adquiri o hábito da deliberação, de ponderar. 
13ª.- FÉ nas pessoasPerdi a fé na integridade da maioria das criaturas. Tenho fé naqueles que me provaram merecê-la. Acredito que a maioria das pessoas quer fazer o que é direito 
14ª.- AUXÍLIO àqueles que você odeia/invejaJá experimentei: não deu resultado. Algumas vezes experimentei com êxito. Realmente tento fazê-lo quase sempre. 
15ª.- PERDÃO aos
que o ofendem
Eu guardo rancor, procuro vingar-me. Ignoro, porém não perdôo. Perdôo e esqueço prontamente. 
16ª.- RELAXAR conscientemente à tensão muscularUma parte do tempo eu fico tenso; dá-me cansaço. Fico tenso quando me irritam. Aprendi a relaxar conscientemente a tensão muscular. 
17ª.- ATIVIDADE
FÍSICA
Uso os quatro grandes músculos do meu corpo quatro horas por semana ou menos. Oito horas por semana Doze ou mais horas por semana. 
18ª.- EXAME
MÉDICO
Há cinco anos ou mais me examinei pela última vez. Há três anos. Faço um exame anualmente ou com mais frequência. 
19ª. ORAÇÃOExperimentei sem resultados. Oro quando não posso vencer sozinho o ódio. Oro regularmente; dá-me paz de espírito e compreensão. 
20ª. - Os pensamentos
positivos substitutos dos pensamentos depressivos
Não consigo fazer isso. Às vezes me livra do malefício do ódio. Uso-os sempre para vencer meus ódios. 
     TOTAL 
AVALIAÇÃO

Estude o total de suas notas pela tabela seguinte:

Notas Significado

76 a 100 ........ Você tem bom controle de si mesmo.
59a 75 ........ Normal. Tente, entretanto, ter mais controle.
Até 58. ......... Você está se envenenando. Precisa de mais paz de espírito. Desenvolva mais esforço na Reforma Intima.

PARA SUA MEDITAÇÃO


O ódio abrange uma grande faixa de manifestações, desde a leve irritação até a paixão violenta. Pode manifestar-se em ações, palavras ou disposição de espírito.
Confunde-se às vezes com a culpa e o medo. Você pode estar adquirindo hábitos que não passam de reações de ódio. Uma autocorreção é necessária e poderá auxiliá-lo a vencer o ódio e todas as outras emoções negativas. Os verdadeiros antídotos do ódio, na realidade, são o amor e o perdão, já nos ensinou o sublime Amigo Jesus.

LEMBRE—SE: "O amor cobre todas as transgressões."

Ney P. Peres