Estudando o Espiritismo

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sábado, 20 de agosto de 2016

O Ódio

O Ódio

"O Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo XII, item 10"

Estudo Espírita
Promovido pelo IRC-Espiritismo
http://www.irc-espiritismo.org.br
Centro Espírita Léon Denis
http://www.celd.org.br

Expositora: Vera Oliveira
Rio de Janeiro
08/01/2003

Dirigente do Estudo:

Rosângela Pertille

Oração Inicial:

<Ioio> Senhor Jesus, bom e amado mestre. Aqui estamos mais uma vez, reunidos através deste veículo maravilhoso que é a Internet, para divulgarmos a Sua Boa Nova por todos os lugares onde estas palavras chegam. Agradecemos a oportunidade de esclarecimento que nossa querida Vera trará esta noite. E assim, certos da sua presença amiga, da presença amiga de nossos patronos Gabriel Dellane e Cairbar Schutel, mas sobretudo certos da presença de Deus, nosso Pai de infinita bondade, que possamos dar por iniciado o estudo da noite de hoje.

Graças a Deus!

Mensagem Introdutória:

PERDÃO

Perdão é a possibilidade de trabalhar no resgate de nossas próprias faltas, é a luz do arrependimento que nos clareia a estrada ainda mesmo depois de nos arrojarmos às trevas interiores, é o ar que respiramos, generoso e puro, mesmo além do nosso gesto que maculou a simplicidade da natureza.

O Pai desculpa os filhos proporcionando-lhes novo ensejo à corrigenda e à santificação, e, se o todo-compassivo nos tolera em semelhante clima construtivo, cabe-nos igualmente esquecer todo mal, na consideração dos próprios males que já praticamos, aproveitando todas as horas de nossa experiência no tempo para engrandecer a bondade, sem a qual não seguiremos para a frente.

A justiça funciona até que o amor tome posse do coração e da vida.

Onde há fraternidade, há compreensão. E onde há entendimento, há perdão com absoluto olvido da ofensa e trabalho espontâneo a benefício do ofensor, com as melhores vibrações de simpatia.

Enquanto alimentamos as pequenas discórdias, colaboramos com as grandes guerras, e, enquanto sustentamos adversários, garantimos focos infecciosos de raios mentais destruidores contra nós.

Recordemos o Cristo e lembremo-nos de que o Senhor silenciou perante a justiça. Seu espírito divino pairava acima de todas as disputas humanas e, por isso mesmo, descerrando o coração cheio de amor, converteu-se, na cruz, em lâmpada celeste acesa no mundo para todos os séculos da humanidade, indicando-nos o glorioso roteiro da vida eterna.

Emmanuel

Livro: Escrínio de Luz
Psicografia: Francisco Cândido Xavier
Editora: O Clarim

Exposição:

<Vera_Oliveira> Boa noite a todos!

Que neste momento, todos nós, envolvidos pela espiritualidade amiga, possamos meditar um pouco em torno da lição de hoje, item 10 - Capítulo XII - Amai os vossos inimigos - de "O Evangelho Segundo o Espiritismo".

Interessante ressaltarmos o que Fenelon nos faz refletir: "Amai-vos uns aos outros e sereis felizes. Dedicai-vos principalmente à tarefa de amar aqueles que vos inspiram indiferença, ódio e desprezo.”

Kardec define a virtude como sendo um conjunto de qualidades, e neste tema de hoje, Fenelon nos convoca a meditar em torno da dedicação que devemos desenvolver, para depois servir como base para qualquer sentimento que necessitemos trabalhar.

Vamos então ver o que significa amar os inimigos junto com Kardec, neste mesmo capítulo, no item 3 - último parágrafo, quando ele nos coloca os seguintes itens:

1- Não ter contra eles ódio, nem rancor, nem desejo de vingança;

2- Perdoar-lhes sem segundas intenções e sem restrições o mal que nos fizeram;

3- Não colocar nenhum obstáculo à reconciliação;

4- Desejar-lhes o bem em lugar do mal; e ficar alegre em vez de triste com o bem que lhes aconteça;

5- Estender-lhes a mão para socorre-los em caso de necessidade e evitar, por palavras ou ações, tudo que possa prejudicá-los;

6- Retribuir-lhes o mal com o bem sem intenção de humilhá-los.

Aquele que assim proceder, cumpre plenamente o mandamento: "Amai os vossos inimigos", diz Kardec.

Se pararmos para pensar em torno desses seis itens, iremos ver que não é tão difícil cumprir este mandamento.

Quando entendermos que amá-los não é a mesma coisa que amar aqueles que nos amam, diz ainda o próprio Kardec, veremos que é possível ter uma relação amistosa com os nossos adversários.

Meditemos ainda sobre outro ponto: a nossa própria dificuldade em aceitar a maneira diferente com que o outro pensa e de sermos solidários quando discordamos.

Diz-nos Joanna de Angelis, em seu livro "O Homem Integral", que o homem ainda prefere ser solitário quando não concorda. Achamos ainda que os nossos pontos de vista estão sempre certos e que o ponto de vista do outro, por ser diferente, confundimos com falha de caráter. Quando aprofundamos estudos em torno da personalidade humana, sabemos que não é assim. Não podemos, ainda, deixar de ressaltar a questão de simpatia e antipatia que existe entre os seres pela diferença de pendores e de objetivos.

Isso tudo, muitas vezes, está na base das dificuldades de relação. Por isso mesmo, os espíritos nos aconselham a esse amor aos inimigos, até para que possamos dilatar novos horizontes no campo mental e no campo emocional, nos tornando seres amadurecidos, psicologicamente falando, capazes de nos relacionarmos com personalidades de qualquer caráter. Isso ainda nos capacita a desenvolver as nossas relações e sentimentos.

Nos diz ainda Kardec, no cap. X, fazendo uma classificação sobre o perdão, que perdoar aos inimigos é pedir perdão para si mesmo. Perdoar os amigos é lhes dar prova de amizade. Perdoar as ofensas é mostrar que se está melhor.

Vejamos que neste trecho, em nossa reflexão, podemos trabalhar três tipos de sentimentos: Sentimento do amigo com o amigo; sentimento com o inimigo e o sentimento com a ofensa.

Amar aos inimigos, então, é fundamental para erradicarmos no nosso coração qualquer sentimento contrário à Lei de Amor. Porque todos nós somos irmãos e todos nós cometemos equívocos e necessitamos do perdão, uns dos outros.

Isto é inerente à evolução humana.

Que Jesus nos abençoe!

Perguntas/Respostas:

[01] <EspiritaRJ_H> Acho que uma coisa que está em jogo é o ego. É dos fatores mais limitantes na evolução de um ser. Para chegar ao amor precisamos acima de tudo procurar entender as pessoas, mas para entender cada uma delas precisamos aprender a nos conhecer a fundo. Para nos conhecermos a fundo precisamos estar livres de julgamentos . Bem, Era isso que eu queria falar. Muito obrigado.

<Vera_Oliveira> Concordo com você. A psicologia nos esclarece que o ego é como aquele prefeito que administra as necessidades e desejos da população. No caso, as necessidades e desejos são nossos, que precisamos aprender a ver se são reais ou fictícias e se esses desejos nos convém. A partir do momento que conhecemos isso a fundo em nós mesmos, aprenderemos a direcionar melhor e a selecionar melhor as emoções que haveremos de cultivar em nós mesmos, tendo como conseqüência uma relação melhor com o outro.

[02] <Klaravojo> Boa noite a todos! Querida Vera, essa é uma das melhores palestras que já li, pois me tocou muito pessoalmente. É muito bonito o que escreveste e eu gostaria que a senhora comentasse a relação entre a dedicação necessária (Fenelon), a execução dos 6 itens e o poder da prece, lembrando que muitas vezes queremos nos reconciliar com pessoas que não nos facultam essa chance.

<Vera_Oliveira> Na prece, encontraremos os recursos que não temos disponíveis em nós mesmos. Digo recursos interiores. A prece movimenta, dinamiza as nossas emoções e abre espaço para ampliá-las. São recursos trazidos pelo plano espiritual, que, em conjunto com a nossa mente, norteiam os nossos pensamentos para executarmos os seis itens que Kardec descreve. E, consequentemente, executarmos a dedicação necessária descrita por Fenelon.

[03] <Stone> Como proceder quando sabemos que tentar a reaproximação com o outro certamente acarretará mais ressentimentos?

<Vera_Oliveira> Enquanto nós percebermos que a nossa presença ainda agride o outro, devemos nos recolher e trabalhar, pela prece, a calmaria das emoções do outro. Quando isso acontecer, aí sim, poderemos nos aproximar.

Oração Final:

<Ioio> Senhor Jesus! não temos palavras para agradecer esta noite tão importante em nossas vidas. Edificamos na nossa estrutura espiritual, mais um conhecimento acerca de Tua Boa Nova. Agradecemos a presença de nossa querida Vera, que tão bem conduziu nossos pensamentos sobre o tema. E assim Jesus, com o coração repleto de alegria, que possamos dar por encerrado o estudo da noite de hoje. Obrigada Senhor, e fica conosco, por que de Ti muito precisamos.

Que assim seja!