Estudando o Espiritismo

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sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Espíritas no umbral e as Escolas de Vingança

Espíritas no umbral e as Escolas de Vingança


Edgard Armond dizia, há mais de 60 anos, que o umbral estava cheio de espíritas e essa informação causou na época um tremendo mal estar em muitos adeptos que achavam que só o fato de se declararem espíritas era suficiente para que tivessem uma morte tranquila e fácil acesso às colônias luminosas do plano espiritual. No umbral, segundo André Luiz, existiam eficientes Escolas de Vingança (base dos processos obsessivos) e no movimento espírita havia aquela morosidade doutrinária. Armond estava querendo dizer que a moral espírita não estava fazendo efeito prático nos espíritas e que era necessário criar um método educativo mais eficiente de transformação moral e não somente as leituras e as práticas mediúnicas tradicionais oferecidas nas casas. Ele idealizava também um centro espírita em cada esquina, antecipando a crise moral que sociedade vive atualmente. Foi por isso que ele criou a Escola de Aprendizes do Evangelho (Escolas de Amor e Perdão), uma iniciativa eficiente para acolher esse público flutuante, ensinar a maioria, educar a média e selecionar os mais aptos para tarefas especializadas. Era uma forma de ajudar também os espíritas a controlar melhor suas más inclinações e evitar envolvimentos perigosos, numa sociedade sempre cheias de tentações. Naquela época, nos anos 1950, a FEESP já atendia massas e a gravidade do desvio de público era muito preocupante. Muitos ainda acham que isso foi um exagero de Armond, mas a realidade é que o sistema cumpria rigorosamente objetivos superiores de ensino, educação e capacitação de trabalhadores. Muitos espíritas ainda sucumbem às tentações do mundo porque não possuem conhecimento suficiente, principalmente auto-conhecimento, ferramentas seguras para enfrentar a corrupção e as ciladas do mundo, sobretudo os médiuns.

Muitos pessoas tem ido aos centros espíritas para tomar passes e ouvir palestras. Estão sem rumo e certamente querem consolo e explicações para não sucumbirem em suas tarefas cotidianas. A maioria dos centros não possui programas de ação para receber e esclarecer esse público. Oferecem apenas passes, palestras, água fluidificada e as campanhas de serviço social. É uma atividade benéfica, porém insignificante tendo em vista o grandioso potencial de esclarecimento das casas. Esgotados esses serviços corriqueiros de consolo, a maioria dos freqüentadores se dispersam e pouquíssimos se integram ao trabalho. Boa parte dos dirigentes são inseguros, centralizadores, acomodados aos esquemas tradicionais, preocupados com a estabilidade das casas. Muitos deles temem o ingresso de novas lideranças e, quando isso acontece, não raro, logo dão um jeito de expurgar os que se mostram mais habilidosos na organização e na dinâmica dos serviços. É um lamentável desperdício de tempo e de possibilidades de expandir as casas espíritas através de células novas e bem estruturadas, para dar continuidade à necessária multiplicação. O principal obstáculo desse processo de desenvolvimento, como sempre, é o assistencialismo, que se impõe como prioridade (pois é mais cômodo e não tem implicações morais tão graves), desviando as casas espíritas da sua vocação natural educativa e doutrinária. De um centro bem estruturado doutrinariamente pode sair muitos outros centros semelhantes; todavia, de um centro assistencialista e desviado, quase nada se desprende e se expande.

A maioria dos freqüentadores dos centros não são “espíritas” na verdadeira concepção da palavra, mas apenas consumidores de livros e serviços das casas espíritas. André Luiz fez esse alerta em Os Mensageiros e em muitas outras obras, mas as pessoas continuam achando que tudo é exagero e brincadeira. Desde àquela época pouca coisa mudou. As escolas sistematizadas de esclarecimento e capacitação ainda ocupam pouco espaço. A maioria, com raríssimas exceções, propõe uma complicada sistematização das obras de Kardec, cujas aulas são verdadeiros convites ao abandono. Não existe a ligação necessária entre teoria e prática doutrinária. Algumas levam anos na rotina teórica cultivando um pretencioso domínio intelectual de conteúdos, quando já poderiam impulsionar os alunos para as práticas supervisionadas, sempre incrementadas por reciclagens e atualizações. Aprender a Conhecer, aprender a Fazer, aprender a Conviver e finalmente aprender a Ser, preconiza a ONU na sua bússola curricular e progrmas educativos da Unesco para o século XXI. Tudo a ver com o Espiritismo e com o nosso movimento, não?

Será que o umbral continua cheio de espíritas?

Deve ser terrível para qualquer um de nós, sob as constantes gargalhadas dos adversários nos provocando: “Uai, o espiritismo não os alertou que era preciso ir muito além dos livros e mensagens?

E nós, humilhados, de cabeça baixa e em prantos convulsivos, nos perguntando onde foi que erramos.