Estudando o Espiritismo

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domingo, 28 de agosto de 2016

Duelo moderno


Ricardo de Lima
Há alguns séculos existiu o duelo, propriamente dito. Dois seres se armavam e se enfrentavam, em defesa da honra e seus princípios. O indivíduo ofendido, para demonstrar brio e coragem e que era um espírito forte, desafiava o outro para que, ferindo de morte, lavasse sua honra com sangue diante dos demais, tornando-se respeitado pela força.
Os séculos passaram e, aparentemente, o duelo desapareceu com a chegada dos direitos humanos, passando a ser considerado como homicídio, tendo sido reprimida a sua prática. Mas será que realmente desapareceu?
A mídia demonstra que o duelo existe nos grandes centros urbanos, onde o narcotráfico impõe sua força e estabelece a lei do silêncio, forçando o respeito pelo medo ou pela veneração dos que inverteram os valores da vida. Nesse caso, há duelos entre gangues para controle comercial de pontos de droga.
Vemos com imensa tristeza, também no campo das ideias, o duelo praticado por homens que deveriam se preocupar em religar a criatura ao Criador, e discutem entre si, armam os seguidores, formando-os na infalibilidade de suas doutrinas, separando os filhos de Deus por rotulação religiosa.
Também no seio da família, pelas decisões do lar e controle do clã. Através das conquistas financeiras, impõe o poder pela opressão que ganha mais, usando a arma letal à organização psicológica, que são as palavras que tanto levantam quando impregnadas pelo amor, e destroem quando despejadas com mágoas reprimidas ou egoísmo.
Entre as nações que se tornaram grandes pela retenção de elevadas quantias amoedadas, vampirizam a economia dos menores, através de juros insustentáveis, e quando estes não aceitam participar de seu capitalismo ou regime cultural, dizem-se desafiados em sua moral, acreditam-se no direito de destruir pessoas, culturas e dignidades, com a desculpa de libertá-los, tornando-os escravos livres de seu capitalismo doentio e egoísta. O que acaba proporcionando comercialmente uma postura materialista, tornando cada ser que anda e pensa em adversário gratuito. Se o colega de trabalho possui melhores qualificações, passa a ser alvo de caça, para não oferecer perigo a sua ascensão financeira. E se está acima profissionalmente, possuindo as mesmas qualificações, torna-se insubordinável, demonstrando ciúmes e inveja, causando intrigas e fofocas, o que lhe dá um falso bem-estar, contempla o outro não como irmão, mas confunde cabeças com degraus de crescimento.
Surge em nossas mentes uma opressão interna, tornando o homem moderno uma trincheira ambulante, pronto para defender-se, ou seja, sempre reagir.
Os problemas do mundo em que vivemos serão resolvidos por nós, seus habitantes, através de uma mudança individual, contemplando o mundo como uma grande e única família, na qual somos separados momentaneamente por necessidade de aprendizado evolutivo do ser individual, que precisa conviver com alguns em especial e influenciando a sociedade por consequência, contribuindo com o progresso onde vive; descobrindo que todo e qualquer problema se resolve com sua ação espontânea e consciente; que suas necessidades são também as de seus irmãos.
Dessa forma, Jesus nasce naturalmente na manjedoura de nossa alma, impulsionando-nos à verdadeira religião, que é a do amor, fazendo a religião convencional tornar-se uma filosofia de vida, pois ela representa estágios de entendimento de Deus, onde afins se atraem, elegendo como culto de adoração o templo da consciência tranquila, que gera a paz e a igualdade.
Para os omissos e comodistas esse é um sonho distante e talvez inalcançável, alegando que antes disso precisa-se estabelecer o ecumenismo. Por nada quererem, mudam constantemente de religião, em que entram vazios e saem vazios, pois só enxergam os defeitos alheios sem observarem os seus próprios, ou quando os veem deixam a mudança para depois ou para uma próxima jornada no mundo.
Os que despertam da consciência de sono assumem seu papel constante, convertem-se ao Evangelho, tornando Jesus seu guia e modelo para as mais diversas situações, transformando seus passos em rastros de luz a iluminar o caminho dos que com ele na jornada do mundo viajam.
Convertem suas vidas ao bem e ao belo, fazendo-se úteis e importantes à sociedade, e em cada olhar veem Jesus, tratando o próximo como tal, afirmando como o Apóstolo dos Gentios: “Não sou mais eu quem vive, mas Cristo vive em mim.” (Paulo de Tarso)
Se tivermos de duelar, que seja de virtudes contra nossas más tendências, para convertermo-nos em homens de bem no mundo e para o mundo.