Estudando o Espiritismo

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sexta-feira, 1 de julho de 2016

Os Tormentos Voluntários

Os Tormentos Voluntários

FÉNELON
Lyon, 1860


23 – O homem está incessantemente à procura da felicidade, que lhe escapa a todo instante, porque a felicidade sem mescla não existe na Terra. Entretanto, apesar das vicissitudes que formam o inevitável cortejo desta vida, dele poderia pelo menos gozar de uma felicidade relativa. Mas ele a procura nas coisas perecíveis, sujeitas às mesmas vicissitudes, ou seja, nos gozos materiais, em vez de buscá-la nos gozos da alma, que constituem uma antecipação das imperecíveis alegrias celestes. Em vez de buscar a paz do coração, única felicidade verdadeira neste mundo, ele procura com avidez tudo o que pode agitá-lo e perturbá-lo. E, coisa curiosa, parece criar de propósito os tormentos, que só a ele cabia evitar.

Haverá maiores tormentos que os causados pela inveja e o ciúme? Para o invejoso e o ciumento não existe repouso: sofrem ambos de uma febre incessante. As posses alheias lhes causam insônias; os sucessos dos rivais lhes provocam vertigens; seu único interesse é o de eclipsar os outros; toda a sua alegria consiste em provocar, nos insensatos como eles, a cólera do ciúme. Pobres insensatos, com efeito, que não se lembram de que, talvez amanhã, tenham de deixar todas as futilidades, cuja cobiça lhes envenena a vida! Não é a eles que se aplicam estas palavras: “Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados”, pois os seus cuidados não têm compensação no céu.

Quantos tormentos, pelo contrário, consegue evitar aquele que sabe contentar-se com o que possui, que vê sem inveja o que não lhe pertence, que não procura parecer mais do que é! Está sempre rico, pois, se olha para baixo, em vez de olhar para cima de si mesmo, vê sempre os que possuem menos do que ele. Está sempre calmo, porque não inventa necessidades absurdas, e a calma em meio das tormentas da vida não será uma felicidade?


          Como já diz em outra passagem do Evangelho, ‘a felicidade não é deste mundo’.... Muitos insistem em pensar que a vida é uma só e precisa ser vivida, que precisam aproveitar ao máximo porque quando ficarem velhos não terão mais energias, que não fazendo mal a ninguém que mal tem.. etc.

          Tudo geralmente baseado no material, dinheiro (sem perceber que este é na verdade uma grande prova àqueles que nascem cheio dele), carros do ano, roupas de marca, festas regadas a bebidas e drogas, sexo, entre outros, sem perceber a futilidade e o desperdício de tempo e energia. Ninguém aqui está falando que as pessoas têm de virar santos e se trancar dentro de suas casas, da escola pra casa, do trabalho pra casa... trabalhamos para proporcionar a nós mesmos uma vida confortável na medida do possível, o detalhe está: mas sem exageros, afinal tudo em excesso faz mal.

          Além disso, você pode não fazer mal ao outro, mas faz a si mesmo, faz a este corpo que lhe foi emprestado nesta vida, faz ao teu espírito que te acompanhará para resto de suas próximas existências... e cada marca que deixamos nele, deixa sequelas, sendo assim, muitas vezes nascemos debilitados, sofremos de doenças inexplicáveis aos olhos humanos. Como pode uma pessoa morrer de cirrose sem nunca ter bebido um gole de álcool nesta vida? Muitas vezes nós mesmos atraímos os espíritos obsessores para nossas vidas. Não adianta culpar Deus pelo caos que vivemos... precisamos aceitar que tudo gira em torno da ‘Lei de Causa e Efeito’, onde tudo que fazemos, de bom ou ruim, ‘volta’ um dia para nós mesmos, seja nesta ou em outra vida.

           Sendo assim, precisamos deixar de lado essa busca exterior pela felicidade, e encontra-la dentro de nós mesmos, procurando estudar e evoluir, fazer o bem ao próximo, ajudando nosso planeta a se regenerar, vivendo sim algumas alegrias terrenas, desde que não façam mal a ninguém, muito menos a nós mesmos, e desde que tenham um propósito além de se enquadrar no perfil imposto pela sociedade, no padrão de felicidade fútil e inútil do mundo em que vivemos, ou seja, um propósito de luz!