Estudando o Espiritismo

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domingo, 10 de julho de 2016

Indulgência

Indulgência

Palestrante: Susy Gianetti

Tema: Indulgência

Capítulo X
“16 – Espíritas, queremos hoje vos falar da indulgência, esse sentimento tão doce, tão fraternal, que todo homem deve ter para com os seus irmãos, mas que tão poucos praticam. A indulgência não vê os defeitos alheios, e se os vê, evita comentá-los e divulgá-los. Oculta-os, pelo contrário, evitando que se propaguem, e se a malevolência os descobre, tem sempre uma desculpa à mão para os disfarçar, mas uma desculpa plausível, séria, e não daquelas que, fingindo atenuar a falta, a fazem ressaltar com pérfida astúcia.

A indulgência jamais se preocupa com os maus atos alheios, a menos que seja para prestar um serviço, mas ainda assim com o cuidado de os atenuar tanto quanto possível. Não faz observações chocantes, nem traz censuras nos lábios, mas apenas conselhos, quase sempre velados. Quando criticais, que dedução se deve tirar das vossas palavras? A de que vós, que censurais, não praticastes o que condenais, e valeis mais do que o culpado. Oh, homens! Quando passareis a julgar os vossos próprios corações, os vossos próprios pensamentos e os vossos próprios atos, sem vos ocupardes do que fazem os vossos irmãos? Quando fitareis os vossos olhos severos somente sobre vós mesmos?.
(…)
Sede indulgentes meus amigos, porque a indulgência atrai, acalma, corrige, enquanto o rigor desalenta, afasta e irrita. (JOSÉ, Espírito Protetor, Bordeaux, 1863)”
(Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo X, item 16.)

A indulgência é o braço direito do perdão. Resumidamente, ser indulgente é não observar os defeitos do outro, mas sim suas virtudes. Não aplicar ao outro o julgamento rigoroso que nem a nós mesmos não aplicamos.

Impossível se torna perdoar de verdade sem colocar em prática a indulgência.

Para que possamos perdoar a quem nos magoou, é necessário em primeiro lugar, aceitar que todos temos defeitos, imperfeições, e que na Terra, todos estamos no mesmo barco do aprendizado.

Julgar aos outros é faltar com a caridade, faltar com o amor ao próximo. É agir em desacordo com o maior mandamento: “fazer ao próximo aquilo que gostaríamos que nos fizessem”. Quem de nós gostaria de receber um julgamento severo? Isso sem contar quando não julgamos os outros em público.

Fixamos nosso olhar severamente nas falhas de nossos irmãos, em vez de nos libertarmos do sentimento de mágoa, através do esquecimento da ofensa.

Quando alguém age de maneira errada conosco, a primeira reação que temos é a de nos magoar e em seguida criticar nosso irmão: “fulano é um egoísta”, “beltrano é um mão de vaca”, etc…

Se faz muito necessário entender que tudo aquilo que vemos no outro e que nos irrita, é a projeção de nossos próprios defeitos. Mas na maioria das vezes, como não temos a coragem para enfrentar nossas imperfeições, projetamos no outro aquilo que não gostamos em nós, e o julgamos severamente.

Como poderemos explicar as faltas de nossos semelhantes, sendo nós mesmos tão imperfeitos quanto? Se Jesus, em sua perfeição, evitou os julgamentos, que moral teremos nós para apontar o dedo ao nosso irmão?

“12. Então, os escribas e os fariseus lhe trouxeram uma mulher que fora surpreendida em adultério e, pondo-a de pé no meio do povo, – disseram a Jesus: “Mestre, esta mulher acaba de ser surpreendida em adultério; – ora, Moisés, pela lei, ordena que se lapidem as adúlteras. Qual sobre isso a tua opinião?” – Diziam isto para o tentarem e terem de que o acusar.
Jesus, porém, abaixando-se, entrou a escrever na terra com o dedo. – Como continuassem a interrogá-lo, ele se levantou e disse: “Aquele dentre vós que estiver sem pecado, atire a primeira pedra.” – Em seguida, abaixando-se de novo, continuou a escrever no chão. – Quanto aos que o interrogavam, esses, ouvindo-o falar daquele modo, se retiraram, um após outro, afastando-se primeiro os velhos.
Ficou, pois, Jesus a sós com a mulher, colocada no meio da praça. Então, levantando-se, perguntou-lhe Jesus: “Mulher, onde estão os que te acusavam? Ninguém te condenou?” – Ela respondeu: “Não, Senhor.” Disse-lhe Jesus: “Também eu não te condenarei. Vai-te e de futuro não tornes a pecar.” ” (S. JOÃO, 8:3 a 11.)
Sejamos mais tolerantes, superando as mágoas. Em vez de reter os ressentimentos, deixei-os irem embora. Aceitemos nossos irmãos como eles são: seres com suas qualidades e seus defeitos, assim como nós também o somos.

E só assim, com essa indulgência, expulsando do nosso coração a cólera, a mágoa e o ressentimento, é que poderemos perdoar.

Perdoando, nos sentiremos mais leves. Mais felizes.

“Se perdoardes aos homens as faltas que cometerem contra vós, também vosso Pai celestial vos perdoará os pecados. Mas, se não perdoardes aos homens quando vos tenham ofendido, vosso Pai celestial também não vos perdoará os pecados.” (S. MATEUS, 6:14 e 15.)

“a medida que usardes para julgar, será a mesma com que serás julgado”.

Perdoa, ACEITAR os defeitos dos outros, também faz muito bem à nossa saúde. Todos os sentimentos inferiores que possuímos, principalmente os de raiva e mágoa, são potenciais geradores de doenças.

Esses sentimentos causam grandes desequilíbrios em nosso perispírito. Por consequência, todo desequilíbrio perispíritual reflete-se no corpo físico, iniciando assim as doenças.

NUM DOMINGO DE CALOR
Benedita Fernandes, abnegada fundadora da Associação das Senhoras Espíritas Cristãs, de Araçatuba, no Estado de São Paulo, foi convidada para uma reunião de damas consagradas à caridade, para exame de vários problemas ligados a obras de assistência. E porque se dedicava, particularmente, aos obsidiados e doentes mentais, não pôde esquivar-se.
Entretanto, a presença da conhecida missionária causava espécie.
O domingo era de imenso calor e Benedita ostentava compacto mantô de lã, apenas compreensível em tempo frio.
– Mania! – cochichava alguém, a pequena distância.
– De tanto lidar com malucos, a pobre espírita enlouqueceu… – dizia elegante senhora à companheira de poltrona, em tom confidencial.
– Isso é pura vaidade – falou outra -, ela quer parecer diferente.
– Caso de obsessão! – certa amiga lembrou em voz baixa.
Benedita, porém, opinava nos temas propostos, cheia de compreensão e de amor.
Em meio aos trabalhos, contudo, por notar agitações na assembléia, a presidente alegou que Benedita suava por todos os poros, e, em razão disso, rogou a ela tirasse o mantô por gentileza.
Benedita Fernandes, embora constrangida, obedeceu com humildade e só aí as damas presentes puderam ver que a mulher admirável, que sustentava em Araçatuba dezenas de enfermos, com o suor do próprio rosto, envergava singelo vestido de chitão com remendos enormes.
Chico Xavier (médium)
Hilário Silva (espírito) Livro: Idéias e Ilustrações

Em assim sendo, para ser indulgente é necessário:
– Não ficar procurando os defeitos dos outros e, se os vê, evitar falar deles, divulgá-los; ao contrário, deve ocultá-los para evitar as malevolências e, se possível, atenuar a falta.
– Não fazer observações chocantes ou censura, e sim substituindo-as por bons conselhos e pacientes considerações com respeito e doçura.
Devemos ser severos para conosco e indulgentes para com os outros.
A prática da indulgência acalma, atrai, reergue, ao passo que o rigor desencoraja, irrita e afasta.
Quando perdoar aos seus irmãos, não os abandonem com seus erros e imperfeições; levai-lhes o amor ao mesmo tempo em que o perdão.
Lembremo-nos de que quando pedimos a Deus o perdão de nossas faltas somos perdoados, embora tenhamos que nos recompor diante delas.
Ofereçamos, portanto, ao irmão faltoso, as oportunidades para o seu reerguimento diante do bem e do aperfeiçoamento espiritual.
Se as imperfeições de uma pessoa não prejudicam senão a ela mesma, não há utilidade em fazer conhecê-las por outros; mas se podem causar prejuízos a outros é preferível alertar as possíveis vítimas.
Texto elaborado por Luiz Gonzaga Seraphim Ferreira – 15/03/2012

A LÂMPADA ACESA
Irmão Saulo
A vida pode escurecer ao nosso redor, mas se mantivermos a lâmpada acesa os contornos das criaturas amadas não desaparecerão nas trevas. O entendimento é a lâmpada mental que carregamos no escafandro do corpo, como o escafandrista carrega a sua no fundo do mar. Deixemos que a lâmpada se apague e não veremos mais nada ao nosso redor.
O mundo em mudança é como um dia de eclipse solar. Quando menos se espera o sol se apaga no céu e as trevas invadem a Terra. A evolução se acelera em nossos dias e o carro da vida se precipita em solavancos e curvas inesperadas. Precisamos de equilíbrio e firmeza para nos manter em nosso lugar e da luz do entendimento para clarearmos o caminho.
Em casa, com os familiares; no serviço, com os companheiros; na rua, com a multidão; a todo o momento nos defrontamos com surpresas atordoantes. Os costumes se modificam, a velha rotina se quebra, as normas do relacionamento humano se subvertem. É o mundo que está mudando e, por mais que tudo nos pareça errado, a verdade é que ele muda para melhor, sob o impulso irrefreável das leis da evolução.
Até agora nos orientamos – apesar das lições milenares do Evangelho – pela moral egocêntrica da importância pessoal. Os conceitos de honra e dignidade que cultivamos são heranças bárbaras. O melindre, a susceptibilidade exagerada, o auto respeito doentio, a autoconsideração orgulhosa, criavam conflitos insanáveis por toda parte. Esposas e filhos não eram companheiros, mas escravos e às vezes até mesmo objetos. Falávamos em indulgência e compreensão, mas como tiranos que só as desejassem para si mesmos.
Hoje a evolução nos força a compreender que somos todos interligados por dependências de ordem moral e espiritual. Precisamos compreender os outros, entender as situações alheias e auxiliar sempre para sermos também auxiliados. Os imperativos da indulgência decorrem da necessidade de convivência. Compreender, perdoar e ajudar é a única maneira de cumprirmos os nossos deveres de pais, de filhos, de irmãos, à luz dos princípios cristãos.
Um século e uma década após a mensagem de José, na França, Emmanuel precisa nos dar uma nova mensagem a respeito da indulgência, procurando acordar-nos para mantermos a lâmpada acesa.
Do livro “Astronautas do Além”, de Francisco Cândido Xavier e J.Herculano Pires – Espíritos diversos
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
• Evangelho Segundo Espiritismo
• www.caminhosluz.com.br