Estudando o Espiritismo

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segunda-feira, 4 de julho de 2016

Bem-aventurados os que têm os olhos fechados


Esta comunicação foi dada a respeito de uma pessoa
cega pela qual se havia evocado o espírito de J. B. Vianney

Meus bons amigos, vós me chamastes, por quê? Para me fazer impor as mãos sobre a pobre sofredora que está aqui, e curá-la? E que sofrimento, bom Deus! Ela perdeu a visão e vive entre as trevas. Pobre criança! Que ore e espere; eu não sei fazer milagres sem a vontade do bom Deus.

Todas as curas que pude obter, e que vos foram anunciadas, só devem ser atribuídas àquele que é o Pai de todos nós. Em vossas aflições, portanto, olhai sempre o céu e dizei do fundo do vosso coração: Meu Pai, curai-me, mas fazei com que minha alma enferma seja curada antes das enfermidades do meu corpo; que minha carne seja castigada, se necessário, para que minha alma se eleve até vós com a pureza que tinha quando a criastes.

Após esta prece, meus amigos, que o bom Deus sempre ouvirá, a força e a coragem vos serão dadas, e talvez também essa cura que pedistes, timidamente, como recompensa da vossa abnegação. Entretanto, já que estou aqui, em uma assembléia em que, antes de tudo, se trata de estudos, eu vos direi que aqueles que são privados da visão deveriam considerar-se como os bem-aventurados da expiação.

Lembrai-vos de que Cristo disse que era preciso arrancar o vosso olho, se ele fosse mau, e que era preferível atirá-lo ao fogo a deixar que ele se torne a causa da vossa perdição. Ah, quantos existem na Terra que, um dia, nas trevas, amaldiçoarão terem visto a luz. Oh, sim, como são felizes aqueles que, por expiação, são atingidos na vista! Seus olhos não serão motivo de escândalo nem de queda; eles podem viver inteiramente a vida das almas; eles podem ver melhor do que vós que tendes a visão perfeita.

Quando Deus permite que eu venha abrir a pálpebra de algum desses pobres sofredores e lhe restituir a visão, digo a mim mesmo: “Querido amigo, por que não conheces todas as delícias do espírito, que vive de contemplação e de amor?” Então, não pedirias para ver as imagens menos puras e menos suaves do que aquelas que podes entrever em tua cegueira.

Sim, bem-aventurado o cego que quer viver com Deus! Mais feliz do que vós que estais aqui, ele sente a felicidade, toca-a, vê as almas e pode, com elas, se dirigir às esferas espirituais que os predestinados da vossa Terra nem mesmo conseguem ver. Os olhos abertos estão sempre prontos a fazer a alma cometer erros; fechados, ao contrário, estão sempre prontos a fazê-la subir até Deus.

Acreditai em mim, meus bons e queridos amigos, muitas vezes a cegueira dos olhos é a verdadeira luz do coração, enquanto que a visão, quase sempre é o anjo tenebroso que conduz à morte.

E agora, algumas palavras para ti, minha pobre sofredora: espera e tem coragem! Se eu te dissesse: minha filha, teus olhos vão se abrir, como ficarias feliz! Mas quem sabe se essa alegria não te perderia? Tem confiança no bom Deus que fez a felicidade e permite a tristeza! Farei tudo o que me for permitido por ti, mas, por tua vez, ora, e, principalmente, pensa bem em tudo quanto acabei de te dizer.

Antes que me afaste, recebei, todos vós que estais aqui, a minha bênção. (Vianney, cura de Ars. Paris, 1863.)

Nota.: Quando passamos por uma aflição, e ela não é conseqüência de nenhum ato praticado na vida presente, é preciso procurar a sua origem em uma existência anterior. Os fatos que habitualmente chamamos de caprichos do destino, nada mais são que os efeitos da justiça divina.

Deus não aplica punições arbitrárias; Ele quer que haja, sempre, uma correlação entre a falta cometida e a pena aplicada. Se Ele, em sua bondade, colocou o véu do esquecimento sobre os nossos atos passados, por outro lado nos indica o caminho, dizendo: “Quem matou pela espada, morrerá pela espada”, palavras que podem ser traduzidas assim: “Sempre se é punido naquilo em que se pecou”.

Portanto, se alguém sofre pela perda da visão, é porque a visão foi para ele um motivo de queda. Talvez, também, tenha sido a causa da perda da visão de uma outra pessoa; talvez alguém tenha se tornado cego pelo excesso de trabalho que ele lhe impôs, ou em conseqüência de maus tratamentos, de falta de cuidados, etc., e então sofre agora a pena de talião. Em seu arrependimento, ele mesmo pôde escolher essa expiação, aplicando a si mesmo estas palavras de Jesus: “Se vosso olho for motivo de escândalo, arrancai-o”.