Estudando o Espiritismo

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terça-feira, 21 de junho de 2016

Sobre A “Aliança da Ciência e da Religião

Sobre A “Aliança da Ciência e da Religião



            “A Ciência  e a Religião são as duas alavancas da inteligência humana: uma revela as leis do mundo material e a outra, as leis do mundo moral; mas umas e outras têm o mesmo princípio, que é Deus, não podem, pois, se contradizer; se elas são a negação uma da outra, uma é necessariamente errada, e a outra, certa, pois Deus não pode querer destruir sua própria obra. A incompatibilidade que se acreditou ver entre essas duas  ordens de idéias se prende mais a um defeito de observação e excesso de exclusivismo da parte de uma e de outra; donde decorreu um conflito de que se originaram a incredulidade e a intolerância.

            “Os tempos são chegados, em que os ensinamentos do Cristo devem receber um complemento; em que o véu lançado de propósito sobre quaisquer partes desse ensinamento deve ser levantado; em que a ciência, deixando de ser exclusivamente materialista deve ter em conta o elemento espiritual, e em que a religião, deixando de desconhecer as leis orgânicas e imutáveis da matéria, estas duas forças, apoiando-se uma na outra, equilibrar-se-ão e se prestarão mútuo apoio. Assim sendo, a religião, não recebendo mais desmentido da ciência, adquirirá uma pujança inabalável, porquanto estará de acordo com a razão, e não se poderá lhe opor a irresistível lógica dos fatos.

            “A ciência e a religião não puderam se entender até agora porque, encarando cada qual as coisas de acordo com seu ponto de vista exclusivo,  repeliam-se mutuamente. Faltava-lhes algo que preenchesse o vazio que as separava, um traço de união que as ligasse; esse traço de união é o conhecimento das leis que regem o mundo invisível e suas  relações  com o mundo visível, leis tão imutáveis quanto as que regem o movimento dos astros e a existência dos seres. Uma vez constatadas essas leis pela experiência, uma luz nova brilhará: a fé é dirigida à razão, a razão não encontrou nada de ilógico na fé, e o materialismo foi vencido. Mas nisto como em tudo, haverá sempre pessoas que ficarão atrás, até serem arrastadas pelo movimento geral, que as esmagará, se opuserem qualquer resistência, ao invés de se deixarem levar. É toda uma revolução moral que se opera neste momento e trabalha os espíritos; depois de uma elaboração que durou mais de dezoito séculos, ela chega ao seu epílogo, e vai marcar uma nova era na humanidade. As conseqüências dessa revolução são fáceis de se prever; ela deve suscitar, nos relacionamentos sociais, inevitáveis modificações, às quais ninguém poderá se opor, porquanto se encontram nos desígnios de Deus, e elas ressaltam da lei do progresso, que é uma lei de Deus” (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. I – “Não vim destruir a Lei – nº 8 – Aliança da Ciência e da Religião).

NOSSO COMENTÁRIO
     Nesse capítulo, depois de citar a Lei de Deus “condensada nos dez mandamentos” e promulgada no Monte Sinai, pela mediunidade de Moisés, Allan Kardec cita também o que disse Jesus-Homem (não o Corpo Fluídico dos roustainguistas), que afirmou, categoricamente, por intermédio de Mateus (cap. V, vv 17 e 18): “Não penseis que eu tenha vindo destruir a lei ou os profetas; não os vim destruir , mas cumpri-los...”. Depois, fez questão de deixar bem claro que “o Espiritismo é a ciência nova que vem revelar aos homens, por meio de provas irrecusáveis, a existência e a natureza do mundo espiritual e as suas relações com o mundo corporal”. Assim, veio repetir o que já havia dito no livro “O Que é o Espiritismo”, publicado em 1859, quando, logo no início, ou seja, no “prólogo” ou “preâmbulo”, definiu-o como “uma ciência que trata da natureza, da origem e do destino dos Espíritos, e das suas relações com o mundo corporal”.

                A História da Humanidade nos vem provar que Kardec tinha razão, quando afirmou que “a Ciência e a Religião, durante muito tempo, não puderam se entender”. Uma atacava a outra. Uma negava o que a outra afirmava, principalmente no que se referia às relações entre o mundo corporal e o mundo dos Espíritos. Mas os cientistas, que, a princípio, queriam negar os fenômenos espíritas, através de várias experiências bem sucedidas, acabaram se convencendo da realidade dos fatos: os Espíritos existem, realmente.  Isto ficou devidamente comprovado. Como disse Kardec, “a fé dirigiu-se à razão. Esta, por sua vez, nada encontrou de ilógico na fé”. E qual foi o resultado? “Foi vencido o materialismo”.

            Quisemos, de propósito, focalizar este tema inserido em O Evangelho segundo o Espiritismo, porque a Revista “Veja”, em sua edição de 7 de fevereiro, Ano 40, nº 45, apresenta um artigo sobre a religião e a ciência.