Estudando o Espiritismo

Observe os links ao lado. Eles podem ter artigos com o mesmo tema que você está pesquisando.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Reconcilia-te com teu Adversário enquanto esta ao lado Dele.

Reconcilia-te com teu Adversário enquanto esta ao lado Dele.
Nery Porchia



“Reconcilia-te o mais depressa possível com o vosso adversário, enquanto todos estais a caminho, para que ele não vos entregue ao juiz, o juiz não vos entregue ao ministro da justiça e não sejais metido em prisão – Digo-vos, em verdade, que daí não saireis, enquanto não houver pago o último real. (Mateus, cap. V, vv. 25 e 26)

No Evangelho Segundo o Espiritismo de Allan Kardec vamos encontrar essa passagem de Mateus no capítulo X, “Bem-aventurados os que são misericordiosos” no qual vamos encontrar as palavras doces sobre a misericórdia e o perdão, pois como está na Oração de São Francisco, “perdoando é que será perdoado”.

Primeiro busquemos o que é misericórdia...os dicionários mostram uma definição muito distante da verdadeira forma que Jesus nos trouxe para essa qualidade, a qualidade de ser misericordioso.

Lá é compaixão, piedade, perdão concedido unicamente por bondade e para nós Jesus nos mostra muito mais do que o simples ato de perdoar.

Sabemos que Jesus disse a Pedro que deveria perdoar setenta vezes sete, e ao perdoar esquecesse as ofensas recebidas.



Sem o esquecimento ainda restam o ódio e o rancor que são sintomas de alma sem compreensão, endurecida e sem a elevação espiritual tão necessária para o nosso aperfeiçoamento.

Segundo Kardec a misericórdia vem complementar o conceito de brandura como ensinou o Mestre, pois se não houver a misericórdia, não poderá também haver a brandura e a mansuetude.

Portanto, devemos estar sempre atentos e procurar cumprir a lição de “sede pacíficos”.

Mas devemos perdoar os nossos inimigos?

A lição de Mateus é muito abrangente, devemos não apenas perdoar, mas, principalmente, nos reconciliar com nossos adversários  ainda enquanto encarnados, pois engana-se aqueles que julgam que a morte do corpo vai redimir as ofensas e não será mais necessário perdoar e reconciliar-se.

As ofensas permanecem com o espírito desencarnado, e enquanto o perdão não for proferido do fundo do coração, traz empecilhos para a o desenvolvimento e evolução espiritual..

Mas o que diz Kardec?

Ele nos mostra que com a eternidade do espírito, este ato estará sempre preso a todos seus atos que vem cometendo nas sucessivas reencarnações e não resgatados segundo a Lei do Amor.

Os inimigos “vivos” continuarão inimigos em espírito se não houver o perdão e a reconciliação total, sem máguas e sem ressentimentos.

O provérbio “morto o animal, morto o veneno”, como cita Kardec, não se aplica nas relações entre o plano espiritual e o plano material.

O animal, ser irracional, não pensa, não age com inteligência... se é, por exemplo, uma cobra venenosa, morta a cobra acaba o veneno.

No caso de espíritos  vingativos, rancorosos, eles esperam que seu inimigo permaneça encarnado pois, menos livre, poderá ser presa fácil para ser atormentado, ser subjugado, ter sua vontade própria tolhida pela influências negativas.

Esses casos representam a maioria dos processos obsessivos, desde o de menor gravidade até o último grau, subjugação e/ou possessão.

As casas espíritas têm em seu histórico de trabalho e ajuda fraterna o atendimento de centenas de milhar de pessoas que passam por médicos, psicólogos, psiquiatras e continuam com os sintomas de pertubação mental que apresentaram.

E é em nossas casas que esses mortais, espíritos que trouxeram na encarnação desafetos e adversários vingativos, que os levam até à loucura...

O obsedado é via de regra vítima de vinganças oriundas do passado, e que no desencarne não foram resolvidas, isto é, não houve o perdão e a aceitação do arrependimento.

Por que perdoar também significa arrepender....e perdoar e se reconciliar é a prática da indulgência e da caridade.

Esse é o sentido da lição do Mestre pelas palavras de Mateus, “reconciliai-vos o mais depressa possível... enquanto todos estais a caminho...” que significa enquanto ambos espíritos caminham no invólucro carnal, pois um, com certeza, voltará à Pátria espiritual antes do outro, e aí vem o sentimento de vingança, de perseguição e de exploração da fragilidade espiritual do que permanece encarnado.

O que será que Jesus quis dizer com “daí não saireis enquanto não houverdes pago o último ceitil..? “
ceitil = moeda romana de cobre que valia 1/16 do DENÁRIO.
DENÁRIO - Moeda romana de prata, que era o pagamento por um dia de trabalho, dinheiro). Tinha o mesmo valor da DRACMA 2. ( Moeda grega de ouro que pesava 8,4 g)

O “daí” significa a prisão do espírito, mas não a prisão do encarnado no sentido da pena de exclusão da liberdade, mas da prisão do espírito aos seus deveres e compromissos...
enquanto o espírito não resgatar todas suas faltas ele fica aprisionado pela justiça de Deus.

Esta, sim, muito mais penosa do que a prisão material, que pode ter seu prazo e modalidade mudados pela interposição de recursos ou decorrer do tempo da pena.

A “prisão” do espírito será eterna enquanto dure a vingança, a raiva, o desamor...
enquanto permancerem esses sentimentos, o espírito estará curtindo a sua desdita de pecar contra a lei divina.

Lembremo-nos de Deus em Sua Infinita Bondade não vai permitir que aquele que perdoou seus inimigos, fique à mercê do seu verdugo, vai protegê-lo de qualquer forma de vingança ou perseguição.

Portanto, permaneçamos vigilantes, não deixemos nossos ofensores ou aqueles a quem ofendemos se eternizem como nossos inimigos, façamos como Jesus, perdoando e reconciliando-nos para que a vida futura seja plena de gozos e bem aventuranças.




Este exercício serve para todos nós, pois todos somos crianças espiritualmente falando.

O Exercício pode ser feito pelas crianças, pela família, pelos amigos, em grupos de estudo, no trabalho...  etc...   Pratiquemos...

Exercício Perdão



Prece Inicial

Primeiro momento:
fazer uma brincadeira (técnica) para que os evangelizandos percebam o que acontece quando guardamos mágoas, ressentimentos, quando não nos perdoamos por algo que fizemos de errado.


Técnica: pedir que usem a imaginação e façam o que o evangelizador pedir.


1 - Começar explicando aos evangelizandos que alguém atirou uma pedra neles e cada evangelizando resolveu ficar com a pedra para devolvê-la quando a pessoa aparecer.
Só que essa pedra não pode ser largada nunca.
Assim, todas as atividades que eles realizarem devem estar carregando a pedra em uma das mãos.


2 - O evangelizador deve levar pedras de acordo com o número de evangelizandos (não muito grande e nem muito pequenas) e distribuir uma pedra para cada.


3 - Com uma das mãos sempre segurando a pedra, realizar as seguintes atividades:

Bater palmas;

Fazer um círculo de mãos dadas;

Fazer de conta que estão tomando banho (lembrar que a pedra não é o sabonete);

Fazer de conta que estão jogando vídeo-game;

Levar uma bola e solicitar que passem um para o outro, lembrando sempre que não podem largar a pedra.

4 - O evangelizador deve perguntar após cada atividade se foi fácil ou se encontraram alguma dificuldade.
Também pode acontecer de a pedra cair durante alguma atividade.
Mesmo que alguns digam que acharam fácil, deve ser ressaltada a dificuldade.

Segundo momento:
o evangelizador poderá propor a eles outros exemplos: passear, comer, correr, escrever, nadar, andar de bicicleta. Lembrando sempre que levam a pedra em uma das mãos em tudo que fizerem.
Após a técnica perguntar:

E se guardaram a pedra para devolver a pessoa que atirou e ela nunca mais apareceu? Adiantou guardar a pedra?

Terceiro momento:
solicitar que os evangelizandos imaginem que o que eles seguraram não foi uma pedra, mas uma ofensa, uma mágoa que não foi perdoada.


Será que uma mágoa, uma ofensa atrapalha a vida de quem a carrega?

Sim. Será um peso, como a pedra. Machuca como a pedra, impede quem a carrega de fazer uma porção de coisas boas.

Como perdoar?
Esquecendo a ofensa.
Não ficar lembrando, não ficar contando o que aconteceu para todas as pessoas que encontrar, não desejar o mal. Se relembramos, sofremos de novo. Perdoar com o coração.

Quando perdoar?
Sempre.
Lembrar da passagem em que Pedro se aproxima de Jesus e lhe pergunta: Senhor, quantas vezes perdoarei ao meu irmão quando pecar contra mim? Será até sete vezes? Jesus lhe respondeu: Não vos digo que apenas sete vezes e sim setenta vezes sete vezes (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. X, item 1 a 4).

O que Jesus quis dizer com essas palavras?
Que não há limites para o perdão.
Jesus nos ensina a perdoar sempre.

O que acontece quando não perdoamos?
Fica um peso em nosso coração, causando tristezas, nos impedindo de fazer muitas coisas boas.
É como se carregássemos uma pedra na mão sempre.
É como se um veneninho fosse aos poucos entrando no nosso corpo, podendo nos causar doenças.

Lembrar da oração do Pai Nosso, a passagem em que diz:

Perdoa as nossas faltas e imperfeições, dá-nos o sublime sentimento do perdão para com aqueles que nos tem ofendido.

Lembrar que devemos agir com os outros da mesma maneira que queremos que os outros nos tratem.

Ressaltar que a pessoa que errou vai ter que reparar o erro, independente do nosso perdão.

Se erramos e nos arrependemos de verdade, devemos pedir perdão. Se o ofendido não nos perdoar, não é nossa responsabilidade, pois fizemos a nossa parte quando pedimos perdão com sinceridade.

A quem perdoar?
A todas as pessoas e quantas vezes for necessário.
Devemos nos perdoar também (auto-perdão), pois todos nós erramos.

O que acontece com a gente quando perdoamos alguém?
Emitimos bons sentimentos.
Tiramos um peso das costas (a pedra), sentimos um alívio, inclusive nossa saúde melhora.

Quarto momento:
repetir as atividades do primeiro momento (a técnica), sem a pedra na mão para que eles percebam a diferença.
Salientar que o mesmo acontece quando perdoamos alguém ou nos perdoamos (ficamos mais leves, mais felizes).

Quinto momento:
distribuir a atividade abaixo e papéis coloridos contendo os sentimentos que inundam quem perdoa. Solicitar que os evangelizandos se desenhem e colem as palavras ao redor do desenho.

Sentimentos utilizados: AMOR, PERDÃO, FÉ, CARINHO, PAZ, COMPREENSÃO, ALEGRIA, RESPEITO, BONDADE.

O evangelizando poderá escrever outros exemplos como: SAÚDE, AMIZADE, etc.

Prece de encerramento