Estudando o Espiritismo

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sexta-feira, 10 de junho de 2016

QUEM SE ELEVAR SERÁ REBAIXADO - 1 - Leda



"Naquela hora, chegaram-se a Jesus os seus discípulos, dizendo: Quem é o maior no Reino dos Céus? E Jesus, chamando um menino, o pôs no meio deles, e disse: Na verdade vos digo que, se não vos fizerdes como meninos, não entrareis no Reino dos Céus. Todo aquele, pois, que se humilhar e se fizer pequeno como este menino, esse será o maior no Reino dos Céus. E o que receber em meu nome um menino como este, a mim me recebe. ( Mateus, XVIII: 1-5)".

Ao colocar um menino como modelo a ser seguido, Jesus exaltou a simplicidade e a humildade das crianças em geral, na facilidade com que elas brigam e se reconciliam, não guardando rancor, na confiança e na fé que demonstram aos outros, principalmente, aos adultos, no seu anseio e entusiasmo de aprender.

A criança não conhece o sentimento do ódio e, se diz: "Eu odeio você" é porque ouviu-a de adultos. Entende ela que assim falando, expressa sua raiva do momento, pois, pode, logo em seguida, abraçar e beijar a pessoa a quem disse tais palavras.

O espiritismo nos ensina que todo recém-nascido, na Terra, traz todo um cabedal de experiências e aprendizados, de inúmeras encarnações já vividas.

Todavia, ensina-nos também, que no processo reencarnatório, esse Espírito passa por diversas ações, tais como redução do períspirito, liberação dos fluidos espirituais do ambiente espiritual onde viveu, no intervalo das reencarnações, esquecimento do seu passado...

Enquanto seu corpo físico está em desenvolvimento, o Espírito não pode expressar suas qualificações, como realmente são. Encarnando-se com o fim de se aperfeiçoar, a infância " é um tempo de repouso para o Espírito1" , pela sua incapacidade de integrar-se, pelo entendimento, ao novo plano em que acaba de chegar.

Este conhecimento é importantíssimo para os pais e professores, porque " o Espírito é mais acessível, durante esse tempo, às impressões que recebe e que podem ajudar o seu adiantamento, para o qual devem contribuir os que estão encarregados da sua educação1."

" E aconteceu que, entrando Jesus, num Sábado, em casa de um dos principais fariseus, a tomar a sua refeição, ainda eles o estavam observando. E notando como os convidados escolhiam os primeiros assentos à mesa, propôs-lhes esta parábola: Quando fores convidado a alguma boda, não te assentes no primeiro lugar, porque pode ser que esteja ali outra pessoa, mais autorizada que tu, convidada pelo dono da casa, e que, vindo este, que te convidou a ti e a ele, te diga: Dá o teu lugar a este; e tu, envergonhado, irás ocupar o último lugar. Mas quando fores convidado, irás ou vais tomar o último lugar, para que, quando vier o que te convidou, te diga: Amigo, senta-te mais para cima. Servir-te-á isto, então, de glória, na presença dos que estiverem, juntamente, sentados à mesa. Porque todo o que se exalta será humilhado, e todo o que se humilha será exaltado." ( Mateus, XIV:1, 7-11)

Nesses dois ensinos informais, exaltou Jesus a necessidade do desenvolvimento da virtude da humildade pelo homem, "o cartão de ingresso no Reino dos Céus2. "

Somente a humildade leva o homem a não se sentir, nunca, em circunstância alguma, superior a quem quer que seja, porque reconhece sua pequenez diante do Pai e sabe que muito tem ainda que aprender.

Somente a humildade leva o homem a submete-se às leis divinas, mesmo quando não as compreende bem, porque reconhece nelas o Amor e a Justiça de Deus.

Somente a humildade pode levar o homem a amar ao próximo como a si mesmo, de forma plena e incondicional, porque, somente com ela, ele não tem a pretensão à superioridade e à infabilidade. Vê o outro, qualquer outro, como um irmão num processo evolutivo, igual a ele mesmo, também sujeito a erros e equívocos.

Como sabemos, Jesus nada escreveu, e seu método de ensino era informal, aproveitando as situações, as conversas, as perguntas do momento para explicar as leis divinas. Suas parábolas são histórias simples, tiradas do cotidiano, dos usos e costumes da época, porque sabia Jesus, o Mestre Maior, que seus ensinos deveriam ser guardados na memória de seus discípulos, para permanecerem e serem divulgados, quando ele já não estivesse aqui.

E nessa sua maneira de ensinar, ele nos deixou a norma mais perfeita do ensino, ou seja, vivenciar o que se quer ensinar. O ensino que mais toca as pessoas de qualquer idade é o exemplo sincero e e natural.

Muitos de seus ensinos nem foram bem entendidos, mas puderam ser vivenciados e divulgados, pela lembrança das situações vividas e pelas parábolas simples que contava.

Nesta, que estamos estudando, percebemos que Jesus não estava ensinando regras de etiqueta aos convidados a uma festa ou a um jantar, nem exaltando a vaidade ou a humildade fingida dos convidados.

Quis ele ressaltar, uma vez mais, o valor e a necessidade da humildade para alcançar-se o reino dos Céus. O ponto principal deste ensino está na última frase: "Porque todo o que se exalta será humilhado, e todo o que se humilha será exaltado."

Quem se exalta, quem se põe em evidência, quem se julga melhor, ou superior a outros, quem se vangloria, será humilhado, ou seja, desacreditado, menosprezado, rebaixado.

Onde e quando? No seu viver em mundos inferiores, como a Terra, sofrendo as constrições desses mundos, enquanto não desenvolver as qualificações nobres que abrirão as portas do reino dos Céus.

Por quem? Pelo funcionamento das leis divinas - lei das reencarnações e lei de causa e efeito - que dão a cada um segundo suas obras - porquanto seu desenvolvimento espiritual é a finalidade maior do viver em mundo materiais.

Não há tribunais, julgamentos fora da consciência de cada um, que coloca o ser no lugar exato da sua condição espiritual.

Leda de Almeida Rezende Ebner
Novembro / 2006

Bibliografia:
1 - Allan Kardec. O Livro dos Espíritos, questões 379 a 385.
2 - Cairbar Schutel, Parábolas E Ensinos De Jesus , cap. "Pobres de Espírito e Espíritos Pobres", Ed. O Clarim.

QUEM SE ELEVAR SERÁ REBAIXADO - 2
" Então, se chegou a Ele, a mãe dos filhos de Zebedeu, com seus filhos, adorando-O e pedindo-lhe alguma coisa. Ele lhe disse: Que queres? Respondeu ela; Dize a estes meus filhos que se assentem no teu reino, um à tua direita e outro à tua esquerda. E, respondendo, Jesus disse: Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu hei de beber? Disseram-lhe eles: Podemos. Ele lhes disse: É verdade que haveis de beber o meu cálice; mas pelo que toca a terdes assento à minha direita ou à minha esquerda, não me pertence a mim conceder-vos, mas isso é para aqueles a quem meu Pai o tem preparado. E quando os dez ouviram isso, indignaram-se contra os dois irmãos. Mas Jesus os chamou a si e lhes disse: Sabeis que os príncipes da nações dominam os seus vassalos, e que os maiores exercitam sobre eles o seu poder. Não será assim entre vós; mas aquele que quiser ser o maior, esse seja o vosso servidor; e o que entre vós quiser ser o primeiro, seja o vosso escravo; assim como o Filho do Homem, que não veio para ser servido,, mas para servir, e para dar a sua vida, em redenção de muitos. ( Mateus, XX:20-28)

Esse fato na vida de Jesus mostra o amor de mãe bastante humano, que quer o melhor para seus filhos, mas ainda distante de ser o amor ao próximo ensinado e vivido por Jesus, para o qual todos caminhamos.

Penso que evidencia também a idéia de que o reino dos céus , citado por Jesus era entendido como um reino na Terra, quando Jesus libertaria o povo judeu do jugo dos romanos, colocando-o sobre todas as nações, tornando-se seu rei.

" Não sabeis o que pedis." Nesta frase, demonstra Jesus , aceitar a incompreensão de quem era ele, , de sua missão, por parte dos que o seguiam, mas sabia que seus ensinos permaneceriam para sempre, norteando, com dificuldade, lentamente, com sofrimentos mil, a caminhada evolutiva dos seus irmãos, mais rebeldes, mas, continuou, perseverantemente, enquanto aqui esteve, ensinando-os até o sacrifício do martírio na cruz infamante, porque, sabia constituir seus ensinos o único caminho para libertar o homem da ignorância e do apego aos valores materiais.

Jesus, vendo a indignação dos discípulos à pretensão dos irmãos, filhos de Zebedeu, esclarece que se há na Terra o domínio dos maiores sobre os menores, pelo poder ou pela força ou pela posição social, " entre vós não será assim ", pois o reino, por ele posto em meta a ser conseguida, individual e coletivamente, era um reino totalmente diferente.

Quando, nós, os cristãos, que queremos ser discípulos de Jesus, vamos nos colocar entre esse vós ?

Todo ensino de Jesus foi destinado à humanidade, e todos os que o aceitaram ou o aceitam como o Enviado de Deus para dar conhecimento das Suas Leis, hoje e sempre está e estará incluído em todos os VÓS, ditos por Jesus.

Nós, os espíritas, que consideramos o espiritismo a revivescência do cristianismo, tal qual como Jesus ensinou e exemplificou, precisamos trabalhar mais em nosso interior, no desenvolvimento das virtudes que estão em nós, para serem desenvolvidas, porque são elas, que nos darão a humildade que nos levará ao amor pleno e incondicional.

Divulgar seus princípios, auxiliar a todos, indistintamente, exercer atividades nobres nas instituições, respeitar os direitos dos outros, cumprir seus deveres em relação a Deus, ao próximo e a si mesmo, demonstram vontade de seguir Jesus, mas, tudo isso , sem o trabalho interno de transformação interior, não levará o homem à sua libertação dos mundos materiais, continuando fechada as portas de entrada ao reino prometido por Jesus.

Por isso, Jesus condiciona ser a humildade " o cartão de ingresso" para esse reino, segundo Cairbar Schutel

Somente a humildade nos coloca em pé de igualdade com todos os filhos de Deus, independente de parentesco, de raça, de cor, de religião, de cultura.

Somente a humildade, fazendo-nos conhecer nossa imperfeição, nossa ignorância de tanta coisa que ouvimos falar e de tantas outras que nem são ainda cogitadas em nosso mundo; de tanta coisa que está embutido em nós, em potencial ignorado ou já vislumbrado, mas sem chance de aparecer e ser desenvolvida pelo nosso atraso espiritual, nos mostra que somos todos iguais.

Somente a humildade, fazendo-nos conhecer que somos perfectíveis, que vivemos um processo de evolução, que somos transeuntes em um mundo inferior, caminhado para mundos melhores, nos iguala a todos.

Só seremos capazes de amar a todos, incondicionalmente, se nos sentirmos todos igualados na origem, no processo evolutivo e no ponto de chegada, sem nenhuma discriminação.

Se aceitamos Jesus, como o "que não veio para ser servido, mas para servir e para dar sua vida na redenção de muitos", temos de nos esforçar muito, para que a humildade seja desenvolvida em nós, porque sem ela, permaneceremos presos a este nosso processo de evolução, em mundos inferiores, por muito mais tempo que seria necessário.

Leda de Almeida Rezende Ebner
Dezembro / 2006

Bibliografia:
Allan Kardec. O Livro dos Espíritos, questões 379 a 385. Cairbar Schutel, Parábolas E Ensinos De Jesus , cap. " Pobres de Espírito e Espíritos Pobres", Ed. O Clarim.