Estudando o Espiritismo

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sábado, 11 de junho de 2016

PREVENÇÃO ESPÍRITA AO USO ILÍCITO DE DROGAS

PREVENÇÃO ESPÍRITA AO USO ILÍCITO DE DROGAS

por Dias da Cruz / Marta Antunes de Oliveira Moura
Qualquer programa relacionado à prevenção ao uso ilícito de drogas deve considerar:

              • O indivíduo, Espírito imortal.

              • A influência do meio social.

              • As influências obsessivas.

              • A substância química ou droga.

             O indivíduo, considerado como Espírito imortal, é alguém possuidor de uma bagagem de experiências adquiridas em outras existências e no plano espiritual. Essas experiências nem sempre foram positivas, traduzindo-se em desarmonias psíquicas. Sendo assim, o Espírito reflete nos seus atos e comportamentos a cota de progresso alcançado, como também a soma de seus fracassos. Retornando à arena terrestre, nos processos naturais da reencarnação, apresentará o resultado das experiências incorporadas no seu patrimônio espiritual. Se o balanço geral das experiências vividas demonstrar que existem mais fracassos do que vitórias, o Espírito reencarnado revela-se como uma alma doente, portadora de distonias ou distúrbios psíquicos, em busca do devido ajuste. Nessa situação, a alma enferma deve receber os cuidados necessários à sua harmonização intima, de forma que os insucessos do passado não lhe pesem tanto na personalidade.

             A influência do meio social, nesse contexto, oferece benditas oportunidades de melhoria espiritual se o Espírito é cercado de orientações seguras. A influência moral da educação familiar representa a fonte de luz para essa alma necessitada. Se os pais são suficientemente cuidadosos e atentos, propiciarão ao ser em processo de melhoria espiritual uma sólida educação fundamentada no respeito, na moralidade, na construção da dignidade humana, no cultivo de hábitos sadios de vida, aplicando disciplinas orientadas pelo amor, afeição e pelo sincero interesse de propiciar àquele ser uma vida moralmente superior. Se, no entanto, os genitores mantêm-se indiferentes ou alheios à aplicação de medidas educativas que valorizem a formação do caráter do homem de bem, o Espírito reencarnado sofre as injunções do meio onde foi chamado a viver, podendo repetir os fracassos do passado.

A influência familiar é, pois, fator de grande valia na reestruturação do psiquismo desarmonizado dessas almas penitentes.

             As atividades da Casa Espírita, principalmente aquelas dirigidas à criança e ao jovem, devem apresentar um dinamismo próprio que, além de informar, também enfatiza a formação moral. Neste aspecto, é desejável que a criança e o jovem sejam esclarecidos a respeito de assuntos úteis à construção do seu caráter. É preciso que conheçam os direitos versus deveres das crianças e dos jovens; que saibam mais sobre a sua sexualidade e a sua sensualidade; que sejam esclarecidos sobre os riscos provocados pelas substâncias químicas, geradoras de doenças somáticas e psíquicas; que saibam compreender o valor de uma mente harmonizada com o bem. Estes são alguns temas básicos que fazem parte do interesse dos jovens em particular, por força do período etário em que se encontram.

             Devemos considerar, igualmente, que as influências espirituais são poderosas e que não devem ser ignoradas. É necessário que os espíritas enfrentem a questão das perturbações espirituais com mais diligência, buscando amealhar recursos e formas de equacionar a problemática. Muitas das crianças e muitos dos jovens que presentemente estão revestidos de um corpo físico são Espíritos em difíceis processos de reajustes espirituais. São almas falidas, alunos repetentes das lições da vida, nem sempre conseguindo, por si mesmos, libertação das influências de perseguidores desencarnados, ou da ação dos seus cúmplices dos tempos idos. É urgente que no trabalho preventivo ao uso indevido de drogas sejam avaliadas as ações desobssessivas que a Casa Espírita oferece, uma vez que o esclarecimento transmitido nos programas de estudos doutrinários, à luz da moral evangélica, deve facultar a possibilidade de assistência espiritual mais efetiva.

             Entendemos que vários jovens são induzidos à drogatização por influência espiritual inferior. Há jovens que recebem boa orientação doméstica, que vivem em ambiente familiar sem maiores conflitos, que são estimados pelos genitores e demais parentes, mas, lamentavelmente, buscam nos prazeres proporcionados pelas drogas o seu alimento espiritual. Na verdade, tais jovens são Espíritos que trazem à reencarnação anomalias psíquicas ou patologias espirituais — nem sempre perceptíveis pelos demais encarnados que lhes compartilham a existência. A influência espiritual é, neste caso, fator preponderante.

             Consideramos oportuno destacar que é necessário que todos os trabalhadores espíritas - dirigentes, instrutores, médiuns, expositores, dialogadores, assim como crianças e jovens — obtenham informações corretas a respeito das substâncias químicas que podem levar à dependência. O esclarecimento de um assunto é o primeiro passo para evitar os perigos existentes no caminho a ser trilhado na vida. A pessoa esclarecida, possuindo o conhecimento, sabe utilizar melhor o seu livre-arbítrio. Compreendemos que deve haver um esclarecimento geral e mais freqüente sobre as drogas consideradas lícitas como as bebidas alcoólicas, o tabagismo e certos tipos de medicamentos e as drogas ilícitas.

             O estado atual da vida no Planeta tem favorecido o relaxamento dos costumes. O nível de tolerância a comportamentos moralmente equivocados vem induzindo muitos pais e educadores a não valorizarem os seus efeitos na formação do caráter das crianças e dos jovens. O tráfico de drogas conta com forte esquema de apoio de Espíritos situados nas regiões de maior desequilíbrio existentes aqui. O traficante busca tanto o jovem pobre quanto o rico, fornecendo a cada um aquilo que eles consideram necessário à manutenção do desequilíbrio espiritual. O jovem pobre que se drogatiza o faz porque alega traumas sócio-econômicos. O jovem rico descamba para os caminhos da ilusão passageira que as drogas oferecem porque encontra muita facilidade dos recursos amoedados. Os traficantes não são criaturas que se encontram muito distante. É alguém que pode estar ao seu lado, muito próximo. Eles apresentam uma pseudo tranqüilidade e agem com gentileza falseada pelo magnetismo do envolvimento e, de certa forma, de uma espécie de encantamento.

             Agem hipnotizando.

             Revelam-se amistosos e conselheiros para, mais tarde, enredar nas suas malhas de cobiça e maldade os incautos, os ingênuos, os desavisados do caminho.

            Um programa espírita preventivo ao uso ilícito de drogas deve considerar o ser humano nos seus aspectos bio-psíquico-econômico e social. Deve ver o indivíduo no contexto de Espírito imortal, criatura portadora de experiências boas e más. Deve considerar que as almas endividadas são prisioneiras de suas ações, em razão do reflexo inexorável da lei de causa e efeito. Deve considerar o meio social onde o indivíduo está inserido, em função das ordenações definidas pelos processos reencarnatórios. Deve valorizar, em especial, a família, laço mais importante da cadeia social humana. É preciso, literalmente, “apertar mais este laço”.

             Um programa espírita preventivo ao uso ilícito de drogas deve oferecer amparo espiritual, não somente por meio de esclarecimentos veiculados nos cursos e palestras, mas também pelo atendimento aos doentes do corpo e do Espírito. Esta atividade representaria, sem dúvida, o fiel da balança, o ponto diferenciador não viabilizado por outros programas, considerando que estes não estão assentados nos esclarecimentos a respeito da sobrevivência do Espírito e na atuação do mundo espiritual sobre o físico.

             Finalmente, este programa preventivo espírita, ao enfocar a criatura humana como um ser integral, terá a força para convencer que somos senhores do nosso destino, candidatos à felicidade eterna.

            Muita paz,

                                                                                                               Dias da Cruz



(Mensagem psicografada por Marta Antunes de Oliveira Moura, em 4 Abr 2002, em grupo mediúnico na sede da FEB, em Brasília-DF).

Fonte: revista Reformador, da FEB, de setembro de 2002