Estudando o Espiritismo

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terça-feira, 21 de junho de 2016

Paulo Sérgio Perri de Carvalho: Religião e ciência

A humanidade teve, ao longo da história, fases bem definidas no desenvolvimento do conhecimento religioso: Moisés (aproximadamente 1.250 anos antes da era cristã) e o Cristo, que marcou uma nova era para os homens.

Moisés foi um legislador hebreu que divulgou, além dos dez mandamentos, leis severas que visavam conter a turbulência do povo hebreu. Para ter autoridade, atribuía como sendo todas elas de origem divina, porque só a ideia de um deus terrível e punitivo poderia impressionar aquele povo ainda carente de senso moral e do sentimento de uma justiça reta.

Já os pensamentos do Cristo e a doutrina cristã desenvolveram as leis de Deus e as adaptaram ao grau de adiantamento dos homens. Também modificaram substancialmente as leis de Moisés, instituindo o “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”.

Com o passar dos tempos, houve uma luta pelo poder entre a Igreja Católica e os pensadores da natureza, que cerceava a liberdade investigativa e o progresso da ciência. A Igreja tinha os poderes tanto sobre os assuntos religiosos como da natureza, e todos deveriam se submeter, sob ameaças de punições. Quanto aos fenômenos considerados sobrenaturais, havia perseguições aos médiuns e aos que desejavam conhecer melhor suas causas.

Allan Kardec, em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cita que a terceira fase do conhecimento religioso é a Doutrina Espírita: “a ciência nova que veio revelar aos homens, por meio de provas irrecusáveis, a existência do mundo espiritual e suas relações com o mundo corpóreo. Ela nos revela esse mundo não mais como algo sobrenatural, mas, ao contrário, como uma das forças vivas e incessantemente ativas da natureza”.

Com o surgimento da Doutrina Espírita, os fenômenos mediúnicos – então considerados bruxarias ou mesmo consequências de patologias mentais – passaram a ser estudados por investigadores da época, e explicados como fenômenos naturais de relação entre os encarnados, chamados de médiuns, e os desencarnados, os espíritos.

Explicação sobrenatural à parte, houve uma aproximação entre a religião e a ciência. Segundo Kardec, as duas alavancas da inteligência humana, em que uma revela as leis do mundo material e a outra, as leis do mundo moral. A ciência, diz ele, deixando de ser exclusivamente materialista, deve levar em conta o elemento espiritual. A religião, por sua vez, deve reconhecer as leis orgânicas e imutáveis da matéria. Como consequência desta aproximação, a fé dirigiu-se à razão e a razão não encontrou nada de ilógico na fé.

Em “A Gênese”, Kardec demonstra o caráter progressista, quando acentua: “O Espiritismo, marchando com o progresso, jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas demonstrarem estar em erro sobre certo ponto, ele se modificará sobre este ponto; se uma nova verdade se revelar, ele a aceitará”.

Este posicionamento do codificador da Doutrina Espírita demonstra claramente que ciência e religião devem caminhar juntas. Aliás, no século 20, Albert Einstein disse categoricamente: “Ciência sem religião é manca. Religião sem ciência é cega”.

Atualmente, a ciência médica entende que a religião é um fator importante no tratamento de algumas patologias. Harold Koenig (Universidade de Duke, Carolina do Norte, EUA) realizou 114 estudos e, dentre estes, 91 concluíram que as pessoas com uma religião eram mais felizes, e tinham bem-estar mais elevado do que as demais. Dentre elas, também havia diminuição de casos de depressão e suicídio, até as infecções diminuíam e o poder de cicatrização era mais rápido.

O espírito Lourival Perri Chefaly – livro “Em Louvor à Vida” – afirma que “a estruturação do comportamento nas seguras condutas do amor, do otimismo, da prece, da meditação salutar, e as ações do bem desenvolvem anticorpos que defenderão o organismo do desequilíbrio”. Ou seja: explica a ação da religião no ser humano. E os estudos científicos comprovam que esta aliança faz com que a nossa fé seja fortalecida em bases racionais.

Fala-nos Kardec: “Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da humanidade”.