Estudando o Espiritismo

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quinta-feira, 9 de junho de 2016

O QUE SE DEVE ENTENDER POR POBRES DE ESPÍRITO - Leda


"Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus".( Mateus, 5:3 ).

A expressão " pobres de espírito", interpretadas ainda, por muitos, como sendo pessoas sem inteligência, dentro do contexto das leis divinas, ensinadas e vivenciadas por Jesus, só podem significar os humildes, os que não buscam demonstrar o que sabem, não procuram exaltar-se ou exibir o que sabe, considerando, sinceramente, que muito têm ainda que aprender.

" É por isso que a humildade se tornou cartão de ingresso no Reino dos Céus." (1)

A humildade é, talvez, a virtude da qual menos se fala. Penso que tal acontece por ser ela a mais difícil de ser desenvolvida em um mundo, cuja humanidade, ainda se prende muito aos valores e prazeres materiais, onde a competição aguerrida, a luta pelo sucesso, pelo poder, pelo dinheiro, são ações estimuladas e aplaudidas.

" Os homens cultos e inteligentes, segundo o mundo, fazem, geralmente, tão elevada opinião de si mesmos e de sua superioridade, que consideram as coisas divinas, como indignas de sua atenção. Preocupados somente com eles mesmos, não podem elevar o pensamento a Deus."

Na Terra, o orgulho continua sendo muito estimulado, até mesmo por aqueles que aceitam a existência de Deus, mas negam a Sua ação providencial sobre todas as coisas, considerando-se capazes de tudo resolver, com sua inteligência: ' Deus lá e nós aqui. Ele cuida dos planos espirituais e nós do plano material', sem se aperceber que lá como cá, vivem os filhos de Deus, subordinados às leis morais ou espirituais, que comandam a vida, onde ela for exercida.

Afirma Kardec que eles negam o mundo invisível e um poder extra-humano, não porque não podem entendê-lo, "...mas porque o seu orgulho se revolta à idéia de alguma coisa a que não possam sobrepor-se, e que os faria descer do seu pedestal."

Assim consideram, os orgulhosos, " pobres de espírito" os que acreditam em coisas além das percebidas pelos sentidos humanos, os ignorantes, supersticiosos ou, no mínimo, ingênuos.

Daí a necessidade das dores, dos sofrimentos, das desilusões, dos fracassos, para fazer o homem erguer os olhos para o Mais Alto, reconhecer que existem outros valores, outros prazeres, para o equilíbrio e a felicidade dos homens na Terra. E que esses outros valores e prazeres devem ser buscados e desenvolvidos dentro de cada um, porque o homem, sendo um Espírito encarnado, imortal, foi criado por Deus, perfectível, para desenvolver todo o seu potencial, dentro das leis naturais ou divinas, onde não cabe o orgulho.

Ninguém consegue penetrar no Reino dos Céus, sem que tenha desenvolvido as qualificações necessárias dentro de si, qualificações essas que o levam à humildade, condição básica para o verdadeiro amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Comenta também Kardec, que sendo Deus a justiça perfeita, não pode oferecer o reino dos Céus, aos que ainda se envolvem no orgulho, desprezando suas leis, porque esse reino de paz e felicidade só pode ser apreciado por aqueles que têm em si próprio, "a simplicidade de coração e a humildade de espírito".

Jesus sempre colocou a humildade entre as virtudes que aproximam o homem de Deus e o orgulho entre os vícios que o afastam dele, porque " a humildade é uma atitude de submissão a Deus, enquanto o orgulho é a revolta contra Ele."

Leda de Almeida Rezende Ebner
Outubro / 2006

Bibliografia:
1 - Parábolas e Ensinos de Jesus, de Cairbar Schutel, pag.132, 10ª edição, editora O Clarim, 1976