Estudando o Espiritismo

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domingo, 26 de junho de 2016

MUNDOS SUPERIORES E INFERIORES


A classificação de mundo inferiores e mundos superiores é antes relativa do que absoluta, pois um mundo é inferior ou superior em relação aos que se acham abaixo ou acima dele, na escala progressiva. Tomando a Terra como ponto de comparação, pode fazer-se uma idéia do estado de um mundo inferior, supondo os seus habitantes no grau evolutivo dos povos selvagens e das nações bárbaras que ainda se encontram em nosso planeta, como restos do seu estado primitivo.

*** MUNDOS INFERIORES ***

Nos mundos mais atrasados, os homens são de certo modo rudimentares, possuem a forma humana, mas sem nenhuma beleza; seus instintos não são temperados por nenhum sentimento de delicadeza ou benevolência, nem pelas noções do justo e do injusto; a força bruta é sua única lei, sem indústrias, sem invenções, dedicam sua vida à conquista de alimentos, não obstante, Deus não abandona nenhuma de suas criaturas. No fundo tenebroso dessas inteligências encontra-se, latente, a vaga intuição de um Ser Supremo, mais ou menos desenvolvida.

Esse instinto é suficiente para que uns se tornem superiores aos outros, preparando-se para a eclosão de uma vida mais plena, porque eles não são criaturas degradadas, mas crianças que crescem. Entre esses graus inferiores e mais elevados, há inumeráveis degraus, e entre os Espíritos puros, desmaterializados e resplandescentes de glória, é difícil reconhecer os que animaram os seres primitivos, da mesma maneira que, no homem adulto, é difícil reconhecer o antigo embrião.

Nos mundos que atingiram um grau superior de evolução, as condições da vida moral e material são muito diferentes das que encontramos na Terra, a forma dos corpos é sempre, como por toda a parte, a humana, mas embelezada, aperfeiçoada, e sobretudo purificada. O corpo nada tem de materialidade terrena, e não está, por isso mesmo, sujeito às necessidades, às doenças e às deteriorações decorrentes do predomínio da matéria.

Os sentidos, mais sutis, têm percepções que a grosseria dos nossos órgãos sufoca, a leveza específica dos corpos torna a locomoção rápida e fácil, em vez de se arrastarem penosamente sobre o solo, eles deslizam, por assim dizer, pela superfície ou pelo ar, pelo esforço apenas da vontade, à maneira das representações, dos anjos ou dos manes dos antigos nos Campos Elíseos. Os homens conservam à vontade os traços de suas existências passadas por uma luz divina, transfigurados pelas impressões interiores, que são sempre elevadas. Em vez de rostos pálidos, arruinados pelos sofrimentos e pelas paixões, a inteligência e a vida esplendem, com esse brilho que os pintores traduziram pela auréola dos santos.

A pouca resistência, que a matéria oferece aos Espíritos já bastante adiantados, facilita o desenvolvimento dos corpos e abrevia ou quase anula o período de infância, a vida, isenta de cuidados e angústias, é proporcionalmente muito mais longa que a da Terra. Em princípio, a longevidade é proporcional ao grau de adiantamento dos mundos, a morte não tem nenhum dos horrores da decomposição, e, longe de ser motivo de pavor, é considerada como uma transformação feliz, pois não existem dúvidas quanto ao futuro. Durante a vida, não estando a alma encerrada numa matéria compacta, irradia e goza de uma lucidez que a deixa num estado quase permanente de emancipação, permitindo a livre transmissão do pensamento.

*** MUNDOS FELIZES ***

Nos mundos felizes, as relações de povo para povo, sempre amigáveis, jamais são perturbadas pelas ambições de dominação e pelas guerras que lhes são consequentes, não existem senhores nem escravos, nem privilegiados de nascimento, só a superioridade moral e intelectual determina as diferentes condições e confere a supremacia. A autoridade é sempre respeitada, porque decorre unicamente do mérito e se exerce sempre com justiça, o homem não procura elevar-se sobre o seu semelhante, mas sobre si mesmo, aperfeiçoando-se.

Seu objetivo é atingir a classes dos Espíritos puros, e esse desejo incessante não constitui um tormento, mas uma nobre ambição, que o faz estudar com ardor para os igualar, todos os sentimentos ternos e elevados da natureza humana apresentam-se engrandecidos e purificados. Os ódios, as mesquinharias do ciúme, as baixas cobiças da inveja são ali desconhecidos, um sentimento de amor e fraternidade une a todos os homens, e os mais fortes ajudam os mais fracos. Suas posses são correspondentes às possibilidades de aquisição de suas inteligências, mas ninguém sofre a falta do necessário, porque ninguém ali se encontra em expiação, em uma palavra o mal não existe.

No vosso mundo, tendes necessidade do mal para sentir o bem, da noite para admirar a luz, da doença para apreciar a saúde. Lá, esses contrastes não são necessários, a eterna luz, a eterna bondade, a paz eterna da alma proporcionam uma alegria eterna, que nem as angústias da vida material, nem os contatos dos maus, que ali não têm acesso, poderiam perturbar. Eis o que o Espírito humano só dificilmente compreende. Ele foi engenhoso para pintar os tormentos do inferno, mas jamais pode representar as alegrias do céu. E isso por quê?

Porque, sendo inferior, só tem experimentado penas e misérias, e não pode entrever as claridades celestes, ele não pode falar daquilo que não conhece, mas, à medida que se eleva e se purifica, o seu horizonte se alarga e ele compreende o bem que está à sua frente, como compreendeu o mal que deixa para trás. Esses mundos afortunados, entretanto, não são mundos privilegiados, porque Deus não usa de parcialidade para nenhum de seus filhos.

A todos concede os mesmos direitos e as mesmas facilidades para chegarem até lá, fez que todos partissem do mesmo ponto, e não dota a uns mais do que aos outros, os primeiros lugares são acessíveis a todos: cabe-lhes conquistá-los pelo trabalho, atingí-los o mais cedo possível, ou se abandonarem durante séculos e séculos, no meio da escória humana.

Allan Kardec (instruções dos Espíritos)