Estudando o Espiritismo

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terça-feira, 14 de junho de 2016

Mãos não lavadas

Mãos não lavadas



Uma vez, estava chegando na Casa Espírita com a sessão já começada.  Fui direto ao banheiro lavar as mãos, uma vez que eu vinha da rua.   Enquanto estava no banheiro, ouvi o palestrante falar o tema daquela noite  "Mãos não lavadas".  Achei que o recado era para mim, pois, no exato minuto em que ele falou, eu estava justamente lavando as minhas mãos.

O tópico em si falava de uma passagem do Evangelho, onde Jesus reprovava os hipócritas que se escondem atrás de uma religião, embora trazendo o coração sujo.  Mas eu confesso que o título da palestra me carregou para outras paragens.  Outras situações.

Quando falamos "eu lavo as minhas mãos", estamos querendo dizer que não temos mais ligação ou responsabilidade sobre alguém ou sobre o que está acontecendo.  Imitando Pôncio Pilatos, que entregou Jesus ao julgamento de uma turba imediatista, barulhenta e ignorante e se retirou, nós vivemos - dia-a-dia - lavando as nossas mãos em relação ao que acontece à nossa volta.

Tirando o nosso círculo familiar, pouquíssimos são os que se interessam pelas pessoas.  Não queremos saber o que passam.  Não queremos saber se precisam de alguma coisa.  Não queremos saber se podemos ajudar.

"Não é da minha conta".  "Não tenho nada com isso".  "Eu é que não meto a colher nos problemas dos outros".  Sabem o que é isso?  Falsa ética.  Queremos disfarçar o nosso egoísmo, a nossa preguiça atrás de uma fantasia de elegância comportamental.

Não somos elegantes em nada.  Com 925 milhões (http://www.onu.org.br/o-que-voce-precisa-saber-sobre-a-fome-em-2012/),  de pessoas famintas no mundo, não podemos nos achar bons, evoluídos, e muito menos elegantes.

Somos uma sociedade de gente solitária. Gente que se protege tanto para não sofrer que sequer vê que passou a vida toda sofrendo.  Os bolsos vão enchendo,  os telefones viram celulares, que viram iPhones.  A graduação não basta. Tem que ter mestrado, doutorado, pósdoutorado....  e com tudo isso vem a depressão, as fobias.   Os consultórios dos psicoterapeutas estão cada vez mais cheios, e o índice de suicídios não baixa.  Mas vivemos sob uma boa camada de verniz, nos achando elegantes porque não interferimos na desgraça alheia.

Odeio fofocas. Odeio gente abelhuda. Odeio gente intrometida.  Mas me considero suficientemente inteligente para distinguir onde acaba a fofoca e começa a solidariedade.  Foi para isso que Deus me deu um cérebro.

Os cientístas viraram semideuses de um mundo materialista.  Tantas descobertas maravilhosas que salvam vidas... e mesmo assim os médicos classificam todas as doenças como "virose".  Não conseguem sequer enxergar que esse diagnóstico não diz nada ao paciente.  Ou melhor, diz sim, diz que o médico não sabe muito.  Dá vitamina C, repouso, muito líquido, boa alimentação e... lava as mãos.

Na minha opinião o que o mundo precisa é de MÃOS NÃO-LAVADAS.   Gente que se importa com o outro.  Que percebe o outro. Que ajuda o outro sem esperar nada em troca.
Gente que não se importa de mostrar a cara. Gente que sai de cima do muro. Gente que se expõe - que se coloca, que se posiciona.  Chega de anônimoso inanimes.

O mundo precisa de gente que se preocupe mais com  o que as mãos podem fazer, do que com a beleza das unhas.


Ana Kristina

E para quem quiser ler o tópico original da palestra, segue o texto abaixo tirado do Evangelho Segundo o Espiritismo.
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Verdadeira Pureza e Mãos Não Lavadas

            8 – Então chegaram a ele uns escribas e fariseus de Jerusalém, dizendo: Por que violam os teus discípulos a tradição dos antigos? Pois não lavam as mãos quando comem o pão. E ele, respondendo, lhes disse: E vós também, por que transgredis o mandamento de Deus,pela vossa tradição? Porque Deus disse: Honra a teu pai e a tua mãe, e o que amaldiçoar a seu pai ou a sua mãe, morra de morte. Vós outros, porém, dizeis: Qualquer que disser a seu pai ou a sua mãe: Toda a oferta que faço a Deus te aproveitará a ti, está cumprindo a lei. Pois é certo que o tal não honrará a seu pai ou a sua mãe. Assim é que vós tendes feito vão os mandamentos de Deus, pela vossa tradição. Hipócritas, bem profetizou de vós outros Isaías, quando diz: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. Em vão, pois, me honram, ensinando doutrinas e mandamentos que vêm dos homens. E chamando a si as turbas, lhes disse: Ouvi e entendei. Não é o que entra pela boca o que faz imundo o homem, mas o que sai da boca, isso é o que faz imundo o homem. Então, chegando-se a ele os discípulos, lhe disseram: Sabes que os fariseus, depois que ouviram o que disseste, ficaram escandalizados? Mas ele, respondendo, lhes disse: Toda a planta que meu Pai não plantou será arrancada pela raiz. Deixai-os; cegos são, e condutores de cegos. E se um cego guia a outro cego, ambos vêm a cair no barranco. E respondendo Pedro, lhe disse: Explica-nos essa parábola. E respondeu Jesus: Também vós outros estais ainda sem inteligência? Não compreendeis que tudo o que entra pela boca desce ao ventre, e se lança depois num lugar escuso? Mas as coisas que saem da boca vêm do coração, e estas são as que fazem o homem imundo; porque do coração é que saem os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as fornicações, os furtos, os falsos testemunhos, as blasfêmias. Estas coisas são as que fazem imundo o homem. O comer, porém, com as mãos por lavar, isso não faz imundo o homem. (Mateus, XV: 1-20).

            9 – E quando Jesus estava falando, pediu-lhe um fariseu que fosse jantar com ele, e havendo entrado, sentou-se à mesa. E o fariseu começou a discorrer lá consigo mesmo sobre o motivo por que não se tinha lavado antes de comer. E o Senhor lhe disse: Agora vós outros, os fariseus, limpais o que está por fora do copo e do prato, mas o vosso interior está cheio de rapina e de maldade. Néscios, quem fez tudo o que está de fora não fez também o que está de dentro? (Lucas, XI: 37-40).

            10 – Os Judeus haviam negligenciado os verdadeiros mandamentos de Deus, apegando-se à prática de regras estabelecidas pelos homens, e das quais os rígidos observadores faziam casos de consciência. O fundo, muito simples, acabara por desaparecer sob a complicação da forma. Como era mais fácil observar a prática dos atos exteriores, do que  se reformar moralmente, de lavar as mãos do que limpar o coração, os homens se iludiam a si mesmos, acreditando-se quites com a justiça de Deus, porque se habituavam a essas práticas e continuavam como eram, sem se modificarem, pois lhes ensinavam que Deus não exigia nada mais. Eis porque o profeta dizia: “É em vão que esse povo me honra com os lábios, ensinando máximas e mandamentos dos homens”.
            Assim também aconteceu com a doutrina moral do Cristo, que acabou por ser deixada em segundo plano, o que faz que muitos cristãos, à semelhança dos antigos judeus, creiam que a sua salvação está mais assegurada pelas práticas exteriores do que pelas da moral. É a esses acréscimos que os homens fizeram à lei de Deus, que Jesus se refere, quando diz: “Toda a planta que meu Pai não plantou, será arrancada pela raiz”.
            A finalidade da religião é conduzir o homem a Deus. Mas o homem não chega a Deus enquanto não se fizer perfeito. Toda religião, portanto, que não melhorar o homem, não atinge a sua finalidade. Aquela em que ele pensa poder apoiar-se para fazer o mal, é falsa ou foi falseada no seu início. Esse é o resultado a que chegam todas aquelas em que a forma supera o fundo. A crença na eficácia dos símbolos exteriores é nula, quando não impede os assassínios, os adultérios, as espoliações, as calúnias e a prática do mal ao próximo, seja qual for. Ela faz supersticiosos, hipócritas e fanáticos, mas não faz homens de bem.
            Não é suficiente ter as aparências da pureza, é necessário antes de tudo ter a pureza de coração.