Estudando o Espiritismo

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terça-feira, 21 de junho de 2016

Jesus e Judas - Crime e Remissão

Jesus e Judas - Crime e Remissão - Parte I

Índice

Primeira Parte – Judas segundo o Evangelho

01 – Introdução

    02 -  A eleição dos doze.

    03 – O preço da traição

   04 – O pacto da traição

   05 – Jesus é preso

    06 – Suicídio – Compra do campo do oleiro

    07 – Maria unge com ungüento os pés de Jesus

    08 – A santa ceia

    09 – Matias é escolhido no lugar de Juda

    10 – Comentário

Segunda Parte – Judas segundo os Espíritos

    01 – Introdução

    02 – Chico Xavier explica Judas Iscariotes

    03 – Humberto de Campos e a entrevista com Judas Iscariotes

    04 – Joana D´Arc

    05 - Irmão X -  Nas palavras do caminho

    06 – Maria Dolores e o Retrato de Mãe

    07 – Humberto de Campos e a ilusão do discípulo

    08 – Conclusão



Primeira Parte – Judas segundo os evangelhos

01 – Introdução

O nome “Judas” carrega o estigma de ser maldito. Toda vez que é lembrado traz a recordação de um homem que traiu o seu Melhor Amigo, dando-lhe um beijo, condenando-o à morte.

Judas representa o confidente que se fez infiel e que traiu a confiança do Maior Amigo que se pode ter.
Mas será que Judas Iscariotes estava consciente quando praticou o ato que é condenado pela humanidade e já perduram 2.000 anos?

O que os evangelistas escreveram condiz com a realidade do que aconteceu?

Ele cometeu o ato insano por conta própria ou estava a mando de alguém?

Suicidou-se mesmo ou colocou alguma pessoa em seu lugar, fugiu e mandou alguém contar que havia cometido mais esse delito?

Jesus era tão desconhecido assim dos homens do Sinédrio que alguém teve que beijar a Sua face para mostrar quem era o Nazareno?

O Sinédrio não estava atrás de alguém para servir de bode expiatório, que pudesse ser entregue aos romanos como um revolucionário?

Será que os romanos sabiam de alguma revolta que estava sendo armada e os dirigentes israelitas não precisavam de alguém para morrer e então poderem dizer que aquele que pretendia fazer uma revolta já estava morto?

A morte de Jesus foi uma farsa como pretenderam dizer alguns escritores que contaram suas fantasias em livros a fim de amealhar dólares à sua fortuna?

Jesus fez de conta que morreu e três dias depois fugiu com Maria Madalena a quem amava loucamente?

Tudo o que foi escrito nos evangelhos foi a maior farsa que o mundo já conheceu?

E nós, em pleno século XXI, temos total conhecimento do que ocorreu naquela época?

Temos provas de que aquilo que os evangelistas falaram sobre Jesus realmente aconteceu?

Em nossos dias conturbados conseguimos vivenciar os ensinamentos que Jesus deixou?

Vamos fazer um estudo do caso para tentar responder essas questões e outras mais que mexem com nossas cabeças.



02 – A eleição dos doze

E subiu ao monte, e chamou para si os que ele quis. E vieram a ele. E nomeou doze para que estivessem com ele e os mandasse a pregar. E para que tivessem o poder de curar as enfermidades e expulsar os demônios; Simão, Tiago e João filhos de Zebedeu, André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Tadeu, Simão e Judas Iscariotes, o que o entregou. (Marcos 3:13-19)



03 – O preço da traição

E Judas Iscariotes, um dos doze, foi ter com os principais dos sacerdotes para lho entregar.
E eles, ouvindo-o folgaram, e prometeram dar-lhe dinheiro. E buscava como o entregaria em ocasião oportuna. (Marcos 14: 10-11)



04 – O pacto da traição

Estava, pois perto a festa dos asmos, chamada a páscoa. E os principais dos sacerdotes, e os escribas andavam procurando como o matariam; porque temiam o povo. Entrou, porém Satanás em Judas que tinha por sobrenome Iscariotes, o que era do número dos doze. E foi, e falou com os principais dos sacerdotes, e com os capitães, de como lho entregaria.

Os quais se alegraram, e convieram em lhe dar dinheiro.

E ele concordou, e buscava oportunidade para lho entregar sem alvoroço. (Lucas 22:1-6)



05 – Jesus é preso

Estando ele ainda a falar, eis que chegou Judas, um dos doze, e com ele grande multidão com espadas e varapaus, enviada pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos do povo. E o que o traía tinha-lhes dado um sinal, dizendo: o que eu beijar é esse; Prendei-o.

E logo, aproximando-se de Jesus, disse: eu te saúdo Rabi. E beijou-o.

Jesus porém, lhe disse: amigo, a que vieste? Então, aproximando-se eles, lançaram mão de Jesus, e o prenderam. (Mateus 26: 47-50)



06 - Suicídio – compra do campo do oleiro

Então Judas, o que o traíra, vendo que fora condenado, trouxe, arrependido, as trinta moedas de prata aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos.

Dizendo: pequei, traindo o sangue inocente. Eles, porem, disseram: que nos importa? Isso é contigo.

E ele, atirando para o templo as moedas de prata, retirou-se e foi-se enforcar.

E os príncipes dos sacerdotes, tomando as moedas de prata, disseram: não é licito mete-las no cofre das ofertas, porque são preço de sangue.

E, tendo deliberado em conselho, compraram com elas o campo dum oleiro, para sepultura dos estrangeiros.

Por isso foi chamado aquele campo, até ao dia de hoje, campo de sangue.

Então se realizou o que vaticinara o profeta Jeremias: tomaram as trinta moedas de prata, preço do que foi avaliado, que certos filhos de israel avaliaram.

E deram-nas pelo campo do oleiro, segundo o que o Senhor determinou. (Mateus 27: 3-10)



07 – Maria unge com ungüento os pés de Jesus

Então um dos seus discípulos, Judas Iscariotes, filho de Simão, o que havia de traí-lo disse:

Por que não se vendeu este ungüento por trezentos dinheiros e não se deu aos pobres?
Ora, ele disse isto, não pelo cuidado que tivesse dos pobres, mas porque era ladrão, e tinha a bolsa, e tirava o que ali se lançava.

Disse, pois Jesus: deixai-a; para o dia da minha sepultura guardou isto. (Marcos 14:3-11)



08 – A santa ceia

E chegada à tarde, assentou-se à mesa, com os doze.

E, comendo eles, disse: em verdade vos digo que um de vós me há de trair.

E eles, entristecendo-se muito, começaram cada um a dizer-lhe: porventura sou eu, Senhor?

E ele, respondendo, disse: o que mete comigo a mão no prato, esse me há de trair.

Em verdade o Filho do homem vai, como acerca dele está escrito, mas ai daquele homem por quem o Filho do homem é traído! Bom seria para esse homem se não houvera nascido.

E, respondendo Judas, o que o traia, disse: porventura sou eu, Rabi? Ele disse: tu o disseste. (Mateus 26:21-25)



09 – Matias é escolhido no lugar de Judas.

E naqueles dias, levantando-se Pedro no meio dos discípulos, disse:

Varões irmãos convinham que se cumprisse a escritura que o Espírito Santo predisse pela boca de Davi, acerca de Judas, que foi o guia daqueles que prenderam a Jesus.

Porque foi contado conosco e alcançou sorte neste ministério.

Ora este adquiriu um campo com o galardão da iniqüidade. E, precipitando-se, rebentou pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram.

E foi notório a todos os que habitam em Jerusalém, de maneira que na sua própria língua esse campo se chama Acéldama, isto é, campo de sangue. (Atos 1: 15-19)



10 – Comentário

 Quando Jesus chamou, entremeio à multidão que O ouvia, doze pessoas para que seguissem dali em diante os Seus passos e fossem os Seus discípulos, deu-lhes o poder de curarem enfermos e expulsar os maus espíritos. Judas Iscariotes estava entre os nomeados.

Se Judas fosse uma pessoa de má índole, com certeza Jesus não o chamaria para compor o Seu apostolado e não lhe daria o poder de curar e de dominar os maus espíritos. Marcos coloca o seu nome por último como se fosse abjeto e diz que foi ele quem entregou Jesus.

Marcos era criança quando Jesus e Judas desencarnaram, pois quando Paulo e Barnabé começaram os trabalhos de evangelização dos gentios, alguns anos depois, Marcos foi junto na primeira viagem e era apenas um adolescente.

Na segunda viagem Paulo não o quis junto porque havia incomodado nos primeiros trabalhos. Marcos era sobrinho de Barnabé e filho de Maria de Cleofas. Esse problema ocorrido com Marcos fez com que Barnabé e Paulo se separassem nas viagens.

Sendo criança, Marcos deve ter visto Jesus e Judas, se os viu, com olhos de criança, sem que pudesse fazer juízo correto sobre Judas Iscariotes. Com certeza descreveu a historia de Judas conforme ouviu dos apóstolos e outras pessoas.

O preço da traição. Dizem os estudiosos que Jesus foi vendido pelo preço de um escravo. Pouco dinheiro para um homem muito procurado pelos príncipes do Sinédrio que O queriam morto a qualquer custo.

Talvez o preço estipulado tenha sido simbólico, apenas para dizer que o Cristo havia sido vendido. O evangelho diz que Judas reuniu-se com os doutores da Lei para entregar Jesus.

E a pergunta fica no ar: Judas não pretendia fazer um acerto com os homens do Sinédrio, um pacto político para afastar por algum tempo Jesus, para dar uma trégua às perseguições que Ele sofria?

Nesse pacto Judas assumiria o comando do grupo de Jesus, não mais para fazer oposição à Lei de Moisés, e sim, reestruturar a Doutrina como sendo um de seus segmentos.

Como é que vamos saber o que aconteceu naquela conversa, entre as muitas paredes do Templo?

Um diálogo secreto reuniu Judas Iscariotes e políticos sarcásticos e bajuladores como eram os doutores da Lei que tinham como objetivo eliminar Aquele que ousava desafiar os costumes do povo israelita e ensinar uma nova doutrina.

Como aquela conversa está gravada no éter, um dia algum espírito de luz poderá obter permissão de Deus e repetir integralmente o que aconteceu. Só então saberemos o seu teor na totalidade. Enquanto isso...

Judas levou os soldados e grande número de pessoas para que prendessem Jesus. Beijou o Mestre para mostrar quem era Aquele que deveriam prender.

Tudo bem que isso aconteceu à noite, mas será que Jesus era desconhecido a tal ponto de ter que ser apontado por um de seus discípulos?

Jesus aos 12 anos esteve em Jerusalém com seus pais. Quando José e Maria saíram da cidade, viram que o menino não estava com eles. Então voltaram e O encontraram debatendo as escrituras com os doutores da Lei.

Jesus voltou muitas vezes a Jerusalém. Mas o Mestre não gostava de pernoitar na cidade santa, que na verdade era povoada de homens sinistros e que queriam a Sua queda, e por isso descansava na casa dos amigos Lázaro, Marta e Maria, em Betânia.

Um profeta que cura leprosos, cegos, coxos, doentes de todos os tipos, ressuscita os mortos, dentre outros prodígios, e que anda com 12 apóstolos, mais inúmeras mulheres, e grande multidão que sempre O seguia, não podia passar despercebido na cidade de Jerusalém.

Por certo, para saber que era o Cristo, não necessitaria de um delator que o beijasse na face para que O conhecessem.

Talvez tudo tenha sido um ato de uma peça teatral montada pelo Sinédrio para mostrar ao povo que um dos Seus discípulos O havia traído, pois que era homem perigoso e deveria ser eliminado.

Quando Judas viu que Jesus foi condenado à morte, voltou ao Sinédrio e foi tratado de maneira sarcástica, pois que o teor da conversa havia sido diferente.

Então compreendeu que ele também havia sido traído pelas serpentes do Templo.

Se Judas desejasse a morte de Jesus, no momento em que Ele foi condenado, o discípulo estaria feliz e não voltaria ao Templo para cobrar dos príncipes da Lei o porquê da reviravolta no caso.

Essa é uma idéia que expomos. Judas sentiu-se traído e foi cobrar explicações, dizendo que havia traído sangue inocente. Os príncipes dos sacerdotes lhe disseram: -“Que nos importa? Isso é contigo”.

É assombroso o descaso com que trataram o aliado de poucas horas. Isso prova o quanto àqueles políticos eram desleais.

Judas, ralado de remorsos, joga as moedas, símbolo da traição, no Templo, e vaga pela cidade até encontrar uma figueira sinistra onde comete mais um crime: o suicídio.

Os príncipes dos sacerdotes com as moedas, símbolo de sangue inocente, compraram o campo de um oleiro, para construir nele um cemitério para estrangeiros, cumprindo-se o que diz a escritura.

Os evangelistas comentam que Judas era quem cuidava do dinheiro para as despesas que o grupo tinha.

Toda pessoa que não mexe com dinheiro gostaria de ter o prazer de contar as notas e senti-las no bolso. Se Judas era o tesoureiro do grupo, por certo tinha que fazer as contas e conseguir dinheiro para fazer frente aos gastos.

Existe diferença entre cuidar de dinheiro e roubar o dinheiro como dizem que Judas fazia. Mas vamos pensar um pouco.

Se ele roubava o dinheiro para si, era para comprar o que? Ele comia, bebia e dormia junto com os companheiros e não podia comprar algo em separado para ele, pois todos iriam notar se ele estivesse usando um anel novo, ou uma túnica nova, ou sandálias de couro importado.

E não havia banco naquele tempo para aplicar o dinheiro numa continha fantasma num paraíso fiscal.

Lucas comenta que em Judas entrou satanás, o que fez com que traísse Jesus.

Nós sabemos que os espíritos inferiores e inimigos da luz, fazem de tudo para provocar escândalos, problemas, dissensões. Isso deve ter ocorrido com Judas, que acabou sendo o pilar apodrecido que provocou a derrocada de sua casa.

Com certeza ele não imaginou que Jesus seria condenado à morte. Quando soube que o Mestre seria crucificado, voltou ao Templo e cobrou uma atitude dos príncipes dos sacerdotes, que o desprezaram.

Jesus sabia de tudo quanto aconteceria consigo, pois já havia previsto a Sua morte e ressurreição.

O Mestre havia falado abertamente aos discípulos sobre isso. Jesus conhecia toda a trama armada contra Ele, pois sendo Senhor e dirigente de nossa galáxia, isso não Lhe passaria despercebido.

A Sua paixão já havia sido prevista pelos profetas da raça mil anos antes. Teria que ocorrer senão as escrituras não teriam validade.

Se Jesus tivesse vivido até os 80 anos, se estivesse aposentado, recebendo uma gorda soma da previdência, vivendo numa chácara, e tivesse desencarnado de morte natural, não teria tido o efeito que teve ao morrer crucificado, aos 33 anos, pleno de vida, de maneira inocente.

Todos os que conhecem o Seu evangelho se insurgem com o que ocorreu, enchem o coração com os Seus ensinos e se tornam gigantes na disseminação da Boa Nova pela Terra.


Segunda Parte – Judas segundo os Espíritos

01 – Introdução

Gostamos muito da leitura agradável das páginas que os espíritos de luz escreveram através das mãos abençoadas do apóstolo da mediunidade, Chico Xavier, quando abordam a questão Judas Iscariotes e sua relação conturbada com Jesus e porque não dizer com os próprios apóstolos.

O Mestre compreendia o coração de Judas, o inferno astral em que se debatia, as dificuldades que enfrentava.
Para Ele não havia diferença de tratamento entre os seus apóstolos.

O que notamos de diferente é que sempre se utilizava de Pedro, Tiago e João para muitos de Seus efeitos por serem esses os que possuíam mediunidade ou força espiritual mais eficaz e necessária na ocasião.

Até o momento em que Chico Xavier começou a psicografar paginas maravilhosas abordando o tema, o mundo só conhecia o Judas traidor e infame, que denegriu a sua imagem perante Jesus e os homens.

Com o advento dessas noticias novas vindas do mundo espiritual é que nós começamos a modificar o pensamento quanto à figura desse apóstolo.

Até então tínhamos a mesma opinião das pessoas do mundo que não conhecem a sua verdadeira história.

Aliás, até hoje a grande maioria das pessoas não conhece o que ocorreu com Judas depois de sua morte e acreditam que se encontra queimando no fogo do inferno e que ali permanecerá eternamente para gáudio dos demônios de plantão.

Muitos amigos espíritas poderão nos questionar o porquê de falar deste assunto se muitos espíritas já leram e conhecem a nova história de Judas Iscariotes.

Vamos responder dizendo que os dois livros principais que contém as crônicas de Humberto de Campos sobre o assunto são: “Crônicas de Além-Túmulo de 1937 que está com 14 edições, com 100 mil livros e “Boa Nova” de 1941 que está com 30 edições e 245 mil livros. Muitos livros nos dirão os amigos.

Para 180 milhões de brasileiros é muito pouco e para 6 bilhões de encarnados em toda a Terra, é algo sumamente insignificante.

E ainda tem o seguinte drama: geralmente os livros espíritas de qualidade são lidos apenas por Espíritas que freqüentam uma Casa Espírita e procuram se inteirar dos assuntos espirituais.

Temos o exemplo de uma amiga que leu o livro “Boa Nova” pela metade e desistiu. A explicação foi que o livro era de difícil entendimento.

Mas sabemos que ela “devora” os romances baratos e de má qualidade produzidos por pseudos médiuns, que atendem ao pedido de editoras ávidas de vender livros com fundo espiritualista, mas que pouco tem de Espiritismo.

Nesses dias um amigo nos mostrou um livro desses. Disse-nos que o livro era muito bom, que falava de histórias de pessoas que morreram e que voltaram para explicar onde estavam.

O autor é desses que vendem milhões de livros para aqueles que não querem saber de assunto sério. Sabem quantos livros foram produzidos na primeira edição? “Apenas” 70 mil exemplares.

Será que vende? Verificando as edições de livros espíritas, vemos que são produzidos em cada edição cerca de 5 mil exemplares. Notaram a disparidade?

Quantos são os que leram os livros sérios que comentam esse assunto em pauta? Muito poucos, com certeza. E se leram, já devem ter esquecido.

Por isso é que escrevemos este texto para que todos possam conhecer a história do apóstolo que prevaricou com Jesus, mas que redimiu os seus pecados através do tempo.

Publicando o texto no site da Casa Espírita, estamos proporcionando aos amigos do mundo a oportunidade de conhecer o pensamento do inesquecível Humberto, do Chico, e de outros baluartes da Espiritualidade.



02 – Chico Xavier explica Judas Iscariotes.

No programa “Pinga Fogo” da TV Tupi fizeram uma pergunta ao Chico Xavier:

-“Gostaria de Saber se Judas foi um traidor ou fazia parte de um programa para salvar Jesus Cristo”.
Resposta de Chico Xavier:

-“Acredito que nós todos nascemos com determinadas tentações, e se deixamos essas tendências à solta e se vamos praticar com elas males maiores do que aqueles que já cometemos em existências passadas, nós somos responsáveis conquanto possamos ser instrumento para resgate de determinadas situações ou peças na engrenagem, na história de grupos ou de coletividades com conseqüências agradáveis ou desagradáveis para o futuro.

Individualmente nós temos que pensar que nós temos determinadas tendências, vamos dizer tentações, mas devemos resistir às tentações.

Creio que Judas poderá ter renascido com tentações muito grandes para se apropriar da autoridade política e de exigir que Nosso Senhor Jesus Cristo tomasse as rédeas do poder humano.

Acredito. Mas creio que ele não deveria ter deixado essas tendências assumir o caráter que assumiram”.

* * * * *
Como diz o próprio Chico Xavier, Judas poderia ter renascido com tentações muito grandes para se apropriar da autoridade política e de exigir que Jesus tomasse as rédeas do poder humano.

Através das mãos abençoadas do grande médium mineiro, os espíritos de luz começaram a traçar um novo perfil de Judas Iscariotes.

Não era mais o mesmo traidor que estava sendo estudado e sim um homem que caiu em suas próprias armadilhas, ao confiar nos políticos religiosos que dominavam a ferro e fogo a alma de seu povo.

Através de Chico, tivemos notícias sobre o paradeiro do apóstolo infiel. A sua passagem pelo umbral, as diversas reencarnações expiatórias, até o derradeiro cumprimento de suas penas purificadoras.

Os espíritos que nos trouxeram as notícias do Além são da mais pura confiança e amealharam para si a simpatia de todos nós que sempre estamos com os ouvidos atentos para escutar histórias que possam nos ajudar a crescer espiritualmente.

Mal comparando, devido a nossa pequenez, todos nós que amamos o evangelho de Jesus, somos hoje, as Marias de Betânia, sentados aos pés dos mestres, atentos, tentando aprender ao máximo as lições que nos repassam, pois sabemos que esses ensinos são o combustível que nos impulsionam rumo à amplidão.



3 - Humberto de Campos e a entrevista com Judas Iscariotes.

A crônica foi escrita     em 1935 e publicada no livro “Crônicas de Além-túmulo” pela FEB, tendo Chico Xavier como medianeiro.

Humberto foi visitar a cidade de Jerusalém, à noite, e divisou legiões de duendes perpassando as ruínas que ainda existem por lá.

Viu um homem vestido à maneira antiga, sentado às margens do Cedron. Era Judas Iscariotes que ali estava para recordar o passado. Humberto se aproxima e sente a perfeição do espírito.

Judas conta que Jesus com Sua pureza imaculada estava entre dois mundos: o Sinédrio queria o reino do Céu e Roma o reino da Terra.

Judas amava Jesus e via na política a única maneira para triunfar. Assim, associou-se com o Sinédrio para assumir um cargo elevado na nova ordem que propunha compor e Jesus passaria a um plano secundário.

Com novos colaboradores e com o poder na mão Judas daria um novo impulso à Doutrina. Depois Jesus continuaria a Sua missão normalmente, mas teriam força política e não mais seriam perseguidos.

Entregando o Mestre a Caifás, Judas não imaginou que também seria traído, e vendo que as coisas atingiram um fim trágico, suicidou-se, ralado de remorsos.

Depois de muito sofrer nas regiões inferiores da espiritualidade, Judas começou a reencarnar, durante séculos, sofrendo as perseguições infligidas aos adeptos da Doutrina de Jesus, em Roma.

As suas provas culminaram numa fogueira da inquisição no século XV, quando foi traído, vendido e usurpado.

Judas pagou pelo seu crime e redimiu-se durante 15 séculos. Os homens sempre venderam Jesus de todas as maneiras, utilizando-se de Seu nome para amealhar fortunas, e não se enforcam como fez o Seu discípulo.

Chico Xavier e muitos outros médiuns e estudiosos do Espiritismo confirmam que o Espírito Judas Iscariotes reencarnou pela ultima vez como Joana D´Arc. Hoje pode apresentar-se sob as duas identidades que envergou no corpo carnal.



04 - Joana D´Arc

Joana D´Arc foi a heroína francesa que nasceu em Doremy em 06 de janeiro de 1.412.

A França estava sendo invadida pela Inglaterra e na iminência de ser completamente dominada pelo inimigo. Estava em curso a guerra dos 100 anos.

Faltavam apenas algumas cidades caírem para que a Inglaterra dominasse totalmente a França, incorporando o país às suas terras.

Com a idade de 13 anos a menina teve visões espirituais de São Miguel, de Santa Margarida e de Santa Catarina, que lhe diziam que ela havia nascido para libertar a França do domínio Inglês.

No ano de 1.428 com a idade de 16 anos, Joana D´Arc conseguiu autorização do Rei Charles VII para comandar um exército e lutar contra os ingleses.

Foram varias vitórias, até que num dos combates, no dia 23 de maio de 1430, os seus companheiros fugiram deixando-a cercada pelas tropas inimigas.

Ela foi presa em Marigny e foi vendida a Jean de Luxemburg. Depois foi vendida aos ingleses e ficou presa no castelo de Rouem.

A partir desse momento começou o calvário dessa heroína. Foi traída, vilipendiada, usurpada, e por fim foi julgada pela Igreja como herege. Isso porque dizia conversar com os anjos e santos da própria Igreja e por usar roupas masculinas.

Depois de um julgamento injusto que começou em 21 de fevereiro de 1431, foi condenada a morrer na fogueira inquisitorial no dia 30 de maio de 1431.

Com a idade de 19 anos, na cidade de Rouem, morria a grande heroína francesa, que lutou pela liberdade da França. A espiritualidade sabia da importância que a França tinha como país autônomo, por isso não podia permitir que viesse a ser incorporada pela Inglaterra.

Com Joana D´Arc os homens tiveram noticias de que as visões espirituais são possíveis de acontecer.

Quatrocentos e vinte e seis anos depois de sua morte, o Espiritismo nascia como Doutrina, na própria França, com Allan Kardec, para mostrar à humanidade a comunicação entre os dois mundos: material e espiritual.



05 - Irmão X - Nas palavras do caminho

Irmão X conta no livro “Pontos e Contos” da Feb, que os apóstolos Tiago e Matias demandavam Betânia enquanto conversavam sobre Judas e a traição a Jesus.

Tiago disse que Judas queria dirigir o grupo, andar com os rabinos do Templo, cativar os romanos e submeter o Mestre à sua vontade. As coisas não saíram ao seu modo o que culminou na tragédia da cruz. Não merecia perdão pelo que fez

Enquanto andavam notaram que um peregrino se aproximava nimbado de luz. Era Jesus. Os apóstolos se ajoelharam e rogaram a Sua benção e pediram que fossem juntos a Jerusalém. O Divino Mestre disse-lhes então que não estava indo à cidade.

Estava seguindo em missão de auxilio a Judas.

Tiago era o apóstolo que tinha dentro de si arraigados os costumes da Lei de Moisés, o que salvou em muitas ocasiões a Casa do Caminho. Morou em Jerusalém e dirigiu a igreja com Simão Pedro, tentando contornar os problemas que os inimigos proporcionavam. Matias era o sucessor de Judas.

Notemos que os dois estavam seguindo para Betânia, e encontraram Jesus. O Mestre esclarece que está indo para as regiões da espiritualidade onde se encontra Judas Iscariotes, a fim de auxiliá-lo.



06 - Maria Dolores e o Retrato de Mãe

No livro “Momentos de Ouro”, psicografado por Chico Xavier, publicado em 1977 pelo GEEM, Maria Dolores, emérita poetisa, escreve um poema de altíssimo quilate onde mostra o espírito Judas no umbral. O título do poema é “Retrato de Mãe”.

No referido poema ela conta que depois de muito tempo, dos quadros do Calvário, Judas estava cego e errava pelo umbral.

Cansado de remorsos, põe-se a chorar. Nisso, nobre senhora se aproxima e pede o porquê do choro. Ele então conta que era Judas e que havia traído o Mestre, que havia se suicidado, mas que continuava vivo e sofrendo.

A senhora lhe diz que a Bondade do Céu jamais condena e que ali está como sua mãe e que lhe daria uma nova existência.

Mãe?  Não tenho mãe, retruca o suicida. Pois, quando morreu procurou a sua mãe e ela o enxotou mandando-o de volta aos infernos.

Mas a divina senhora lhe disse docemente: quero ver a tua vida novamente revestida de paz e de luz.

Voltarás à Terra, numa nova existência, onde terás o esquecimento e a oportunidade de recomeçar.

Judas, mais calmo, pede à meiga senhora se ela é uma divina mulher ou um anjo de luz.  E ela responde:

- Meu filho, eu sou Maria, sou a mãe de Jesus.

Agora começamos a entender que Maria de Nazaré sempre foi uma das maiores trabalhadoras do Reino dos Céus. Perdoou Judas e foi pessoalmente buscá-lo para que iniciasse a caminhada de 1500 anos, num projeto de remissão de suas culpas, no longo calvário que culminaria em sua redenção.



07 – Humberto de Campos e a Ilusão do Discípulo

No livro “Boa Nova” de Humberto de Campos e Chico Xavier, publicado pela Feb em 1941, no capítulo 24, encontramos uma página primorosa onde ele narra que Judas e Tiago Zebedeu, no dia em que Jesus entrou triunfante em Jerusalém, estavam na estrada que conduzia a Betânia. Era de tarde e os dois conversavam sobre o assunto do poder político que o Mestre devia ter.

Judas asseverava que sem o poder material dos homens poderosos da Terra nunca conseguiriam fazer vingar a Doutrina de Jesus, por isso era importante amealhar amigos entre os políticos para dar forças aos ensinamentos que o Mestre divulgava.

Tiago era ponderado e dizia a Judas que tivesse o cuidado de não se meter em encrencas com os homens detentores do poder político, pois eles eram raposas velhas e tudo fariam para se manter em seus cargos.

O filho de Zabedeu disse a Judas:

- Judas! Judas!... Vê lá o que fazes! Procurar os poderes transitórios do mundo não será um desrespeito à autoridade de Jesus?

Judas silenciou e os discípulos tomaram rumos diferentes.

À noite, Judas passou meditando sobre os rumos a tomar sobre a sua decisão. Pela manhã, seguiu para o Sinédrio, onde hipotecaram relevantes promessas. Jesus estaria num nível abaixo de Judas na nova composição política que daria à Doutrina.

Mas os homens do Sinédrio traíram Judas que viu o Mestre ser crucificado. Ralado de remorsos conversou com Caifás, reclamando as promessas feitas.

A resposta veio em forma de risos de sarcasmo dos doutores da Lei. Judas jogou as trinta moedas no assoalho do Templo e saiu em busca dos companheiros do apostolado. Encontrou-os vencidos e humilhados. Atroz remorso lhe pungia a consciência dilacerada.

Sob o céu borrascoso, o mau discípulo peregrinou pela cidade maldita até encontrar a figueira sinistra onde perpetrou seu segundo crime em poucos dias.



08 – Conclusão

Muitas pessoas afirmam que Jesus foi um mito. Dizem que não existiu, e que foi criado através da vontade que as pessoas tem de mentalizar uma miragem que venha a suprir a falta de um ídolo ou de alguma coisa por dentro da alma.

Afirmam que a religião é o ópio do povo. Sendo um entorpecente da alma, é fácil fazer com que o povo se sinta atraído por um revolucionário que viveu há 2.000 anos e que de maneira alguma pode ser contestado por não existir provas concretas de que tenha existido realmente.

Jesus Cristo existiu realmente e está vivo nos evangelhos escritos e nos livros do novo testamento.
Através do tempo apareceu aos que trabalham pela divulgação do Seu evangelho de luz.

Não precisou fingir que morreu para depois ressuscitar, nem fugir com Maria de Magdala.

Através do tempo, milhares de pessoas dedicaram a sua vida e morreram por Seu amor.

Com o advento do Espiritismo passamos a conhecer melhor Jesus Cristo e a compreender o significado real do Seu chamado para que sejamos os Seus discípulos na modernidade.

Existem inúmeros casos de pessoas altamente espiritualizadas que viram e conversaram com Jesus.

Só vamos lembrar aos amigos uma passagem ocorrida com Tereza de Ávila, a grande incentivadora da construção de orfanatos, asilos e conventos que se faziam necessários na Espanha de seu tempo, pois que milhares de homens morriam em guerras estúpidas, deixando viúvas e órfãos ao desamparo.

Certo dia, quando ia buscar auxilio de pessoas abastadas e estava atravessando um rio, foi surpreendida por uma torrente de água que chegou subitamente, carregando-a para baixo. Ela se debatia para não se afogar e quando sentiu que suas forças a abandonavam, lobrigou dois braços fortes que a puxavam para fora da água. Sentindo-se salva, ela agradeceu a Jesus, pois fora Ele que a salvara.

- Obrigada Senhor, por me salvar.

- É assim que eu apareço aos meus discípulos, em meio às lutas e batalhas. – respondeu o Cristo.

- Por isso os tendes tão poucos, Senhor.

Disse-lhe Tereza, com um senso de humor em seu rosto angelical.

Convém lembrar que essa colaboradora de Jesus, espírito de luz esplendorosa, por diversas vezes ditou mensagens através de Chico Xavier.

Muitos dizem que Jesus era muito inteligente e conhecia bem as escrituras, por isso sabia que haveria de nascer um Messias e que o mesmo seria crucificado.

Então, sabendo da história a ser escrita, procurou fazer com que a vida dele fosse a mesma que havia na Lei de Moisés. Esse Cristo “malandro” deveria ser internado num hospício porque procurou deliberadamente a sua morte.
E ninguém conseguiria realizar os prodígios que o Cristo verdadeiro proporcionou. Somente o verdadeiro Jesus poderia representar Jesus Cristo.

Muitos afirmam que Judas nasceu para ser o traidor da história e que nada poderia ser feito para mudar isso.
Sabemos que nós é que fazemos o nosso destino. Modificamos situações, construímos o nosso amanhã a cada dia. Como diz Simão Pedro: - “O amor cobre a multidão de pecados”.

Muito do que temos que resgatar de nosso passado turbulento podemos suprimir através da prática do bem e da caridade, como nos diz Pedro.

O que aconteceu com Judas foi que ele entrou num emaranhado de situações adversas que culminou num pacto sinistro com as autoridades do Templo, que também o traíram.

Brincou com situações com as quais não deveria ter assumido e pagou bem caro por isso.

Condenou à morte o Maior Amigo que se possa imaginar. Tramou uma situação com os príncipes dos sacerdotes, pensando alcançar um objetivo, mas as velhas raposas do Templo o enganaram também.

Coisas típicas de pessoas que detém o poder nas mãos e compram e vendem os outros a bel prazer sem se preocupar com os direitos que as pessoas têm.

Os outros apóstolos não traíram Jesus, mas, à exceção de João, fugiram com medo de também morrer numa cruz, como discípulos do Mestre.

Uma lição que tiramos desta história é que devemos estar todos os dias vigilantes para também não cairmos nas tentações como ocorreu com Judas.

Outra lição que aprendemos é que Deus e Jesus são tão complacentes com quem erra que deram a oportunidade a Judas para que reparasse o seu erro e resgatasse através do sofrimento e do trabalho o seu delito.

E Judas conseguiu o seu intento durante 1.500 anos de lutas sem descanso.

Também nós recebemos oportunidades de resgatar nossos erros do passado e construir o futuro.

Para compreendermos a elevação espiritual de Judas Iscariotes na atualidade, vamos lembrar Humberto de Campos que disse:

-“Entre as minhas maldades de pecador e a perfeição de Judas existia um abismo”.

No momento em que vemos, durante as comemorações da Páscoa, em pleno século XXI, milhares de pessoas malhando um boneco representando Judas, recordamos a lição inesquecível de Jesus a nos dizer:

-“Quem estiver sem pecado que atire a primeira pedra”...

Luiz Marini