Estudando o Espiritismo

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quarta-feira, 15 de junho de 2016

Injúrias e violências


 Por: Walkiria Lúcia de Araújo Cavalcante

 1. "Bem-aventurados aqueles que são brandos, porque eles possuirão a Terra. Bem-aventurados os pacíficos, porque eles serão chamados filhos de Deus” (Mateus, cap. V, v. 4 e 9).

Aquele há quem muito foi dado muito lhe será cobrado. Mesmo na nossa sociedade, verificamos que esta afirmativa é um pouco difícil de cumprir. Pois procuramos adequar as situações aos nossos desejos e interesses. Diante de tantas informações de que espíritos evoluídos estão reencarnando para promover o grande avanço que a Terra necessita passar, dando os recursos científicos, tecnológicos e culturais necessários, deparamo-nos com um título que parece ir contra toda onda de pacificação que se apregoa. Pois, se espíritos tão elevados já se encontram entre nós, as injúrias e violências estão com os dias contados e na verdade não teríamos necessidade de comentar. Será que isso é verdade?

Nunca um tema foi tão atual como este: Injúrias e Violências, itens 1 a 5, capítulo IX de O Evangelho Segundo o Espiritismo. Da mesma forma que espíritos elevados encarnam, espíritos que estão imantados ao nosso planeta, que constituem aqueles de nossos irmãos ainda equivocados no mal também reencarnam tendo como última oportunidade de aqui estar, pelo menos, por agora e na condição que se encontram. Para encontrarem meios propícios para mudar de comportamento e aproveitar o contato com aqueles outros espíritos para poderem ter um choque de realidade e de amor. Transformando o fel que os alimenta em perdão; as ofensas e palavras duras em doçura e sensatez; as agressões e intolerâncias em obediência e resignação; a revolta em paciência e por fim, as injúrias e violências em trabalho construtivo e amor ao próximo.

O Cristo já nos ensinou que não devemos rebater o mal com o mal. Que não nos é interditado nos defender, mas jamais deveremos nos vingar, pois estaremos contraindo débitos e indo contra as Leis Imutáveis de Deus. Sempre nos cabe escolha diante das situações vividas. O que nos falta em muitos momentos é a coragem suficiente para sermos chamados de tolos e covardes, quando na verdade estamos deixando um mais tolo falar agir. Precisamos elencar o que nos é importante. Precisamos traçar como meta o que devemos fazer para alcançar o objetivo almejado. Objetivo comum a toda raça humana: a perfeição.

Não existe este ser encarnado ou desencarnado que não deseje verdadeiramente a felicidade sem mesclas, o amor sem fronteiras, o carinho verdadeiro sem interesse, a bonança da verdade, a paz de espírito, a comunhão com Deus. Para um dia podermos também dizer: Eu e o Pai somos um!

Muito interessante a explicação que Kardec nos traz no item 4, “Por essas máximas, Jesus faz da doçura, da moderação, da mansuetude, da afabilidade e da paciência uma lei; condena, por conseguinte, a violência, a cólera e mesmo toda expressão descortês com respeito ao semelhante.” Posso afirmar que só vim atinar na profundidade destas palavras quando assistia a palestra de um confrade, na qual ele enfatizava: uma lei... Não tinha atentado antes, Jesus nos traz uma Lei, que devemos seguir. Não há alternativas, barganhas ou algo parecido. Devemos fazer a execução fiel desta Lei.
Vivemos momentos de grande clamor social. Não desejamos viver mais na inércia que por algum tempo assolou o país e o mundo também. Não inércia financeira ou intelectual, pois vemos as riquezas mudando das mãos de algumas potências e indo parar nas mãos de outras tantas. Mas a cultura em geral, com ilustres exceções, por exemplo, passou/passa por momentos que exaltavam/exaltam a sensualidade, a sexualidade, e porque não dizer a promiscuidade. Vemos representantes de todas as classes sociais pregando o amor livre, o aborto, a não responsabilidade perante os progenitores e a intolerância pelos descendentes. Pessoas que compartilham o mesmo teto, mas não sendo famílias.

Mas por tudo isso e em decorrência disso, vemos jovens insatisfeitos com tal situação procurando as Instituições Espíritas, procurando algo que faça sentido em suas vidas. Fazendo opção de estar em um estudo do que numa festa ou outro “lazer” comum aos dias atuais. Vemos casais que fogem aos padrões de hoje em dia, no qual se pergunta se o casamento é aberto ou não; indo as Instituições em busca de compreensão e ajuda para direcionar aquela união dentro da orientação cristã e conduta evangélica que a Doutrina nos traz. Vemos senhores e senhoras que o tempo já avançou em suas vidas procurando se engajar nos trabalhos da casa, para de alguma forma sintonizarem no bem e no amor ao próximo, por não possuírem mais a desenvoltura corporal exigida para outros arroubos, como, por exemplo, a Campanha do Quilo.

Precisamos fazer a nossa parte. Mesmo que aos nossos olhos pareça pequena. Não estamos fazendo por ninguém. Estamos fazendo por nós mesmos. Estamos fazendo a escolha certa. Estamos promovendo o bem ao redor de nós. Nenhum de nós sabe a data certa que desencarnará. Sabemos sim, que teremos que prestar contas, ceitil por ceitil. Que pelo menos o débito e o crédito fiquem empatados, para que em outra encarnação possamos dar continuidade, aumentando o lucro, não só fazendo o pagamento das dívidas contraídas.

Fonte: O Clarim - Março de 2013