Estudando o Espiritismo

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quarta-feira, 15 de junho de 2016

Injúrias e Violências - Sérgio Gregório


Injúria – do lat. injuria – significa ação que ofende a outrem; agravo, vitupério, afronta. Violência - do lat. violentia -, o que se exerce com uma força impetuosa. Diz-se do sentimento ou da afeição, quando supera a vontade.

Para os antigos gregos, cada ser tinha um lugar destinado e tudo se resumia a manter a hierarquia dos valores de cada um na totalidade. Essa concepção não implica luta e violência. No entanto, mesmo entre os próprios gregos surgiu a concepção de mundo como luta de contrários. O mundo "faz-se" precisamente no conflito entre as forças contrárias, do qual brota o novo.

O segundo esquema impôs-se nos tempos modernos. Hobbes formula essa idéia dizendo que "o homem é lobo do próprio homem". Darwin fala em seleção dos mais aptos, na sua teoria sobre a evolução das espécies. Hegel traça as linhas da dialética, como superação dos contrários. Marx quer atingir a igualdade através da luta de classes. Como vemos, tudo gira em torno da força para manter a ordem.

Contudo, o mestre Jesus dizia: "Bem-aventurados aqueles que são brandos, porque eles possuirão a Terra"; "Bem-aventurados os pacíficos, porque eles serão chamados filhos de Deus". Acrescenta "que todo aquele que se encolerizar contra o seu irmão merecerá ser condenado pelo julgamento; que aquele que disser ao seu irmão Racca, merecerá ser condenado pelo conselho”. Por essas máximas, Jesus fez da doçura, da moderação, da mansuetude, da afabilidade e da paciência uma lei; condena, por conseguinte, a violência, a cólera e mesmo toda a expressão descortês com respeito ao semelhante.

Na interpretação de Kardec, no cap. IX de O Evangelho Segundo o Espiritismo, os textos evangélicos denotam a idéia de que, até esse dia, os bens da terra estão açambarcados pelos violentos em prejuízo daqueles que são brandos e pacíficos. Porém, quando a lei de amor e caridade for a lei da Humanidade, não haverá mais egoísmo; o fraco e o pacífico não serão mais explorados pelo forte e pelo violento.

O mundo é violento porque somos violentos. Se optarmos pela afabilidade e pela doçura, estaremos auxiliando a construir o mundo ditoso do terceiro milênio.

São Paulo, 13/08/1999