Estudando o Espiritismo

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domingo, 19 de junho de 2016

Destino da Terra e Causa das Misérias Humanas


6 – Admira-se de haver sobre a Terra tantas maldades e tantas paixões inferiores, tantas
misérias e enfermidades de toda sorte, concluindo-se que miserável coisa é a espécie humana. Esse
julgamento decorre de uma visão estreita, que dá uma falsa idéia do conjunto. È necessário considerar
que toda humanidade não se encontra na Terra, mas apenas uma pequena fração dela. Porque a
espécie humana abrange todos os seres dotados de razão, que povoam os inumeráveis mundos do
Universo. Ora, o que seria a população da Terra, diante da população total desses mundos? Bem
menos que a de um lugarejo em relação a de um grande império. A condição material e moral da
humanidade terrena nada tem, pois, de estranho, se levarmos em conta o destino da Terra e a
natureza de sua população.
7 – Faríamos uma idéia muito falsa da população de uma grande cidade, se a julgássemos
pelos moradores dos bairros mais pobres e sórdidos. Num hospital, só vemos doentes e estropiados;
numa galé, vemos todas as torpezas, todos os vícios reunidos; nas regiões insalubres, a maior parte
dos habitantes são pálidos, fracos e doentes. Pois bem: consideremos a Terra como um arrabalde, um
hospital, uma penitenciária, um pantanal, porque ela é tudo isso a um só tempo, e compreenderemos
porque as suas aflições sobrepujam os prazeres. Porque não se enviam aos hospitais as pessoas
sadias, nem às casas de correção os que não praticam crimes, e nem os hospitais, nem as casas de
correção, são lugares de delícias.
Ora, da mesma maneira que, numa cidade, toda a população não se encontra nos hospitais ou
nas prisões, assim a humanidade inteira não se encontra na Terra. E como saímos do hospital quando
estamos curados, e da prisão quando cumprimos a pena, o homem sai da Terra para mundos mais
felizes, quando se acha curado de suas enfermidades morais.
LEI DE CAUSA E EFEITO
A Lei de Causa e Efeito, conhecida também com o nome de Lei de Ação e Reação ou Lei do
Carma, é uma lei natural, espiritual e universal, essencial para a evolução das almas.
André Luiz [Ação e Reação] nos diz:
"É a conta do destino criada por nós mesmo, englobando os créditos e os débitos que em
particular nos digam respeito. É o sistema de contabilidade do Governo da Vida."
Consiste, portanto, nos padrões de hábito que uma pessoa estabeleceu e as repercussões
desses padrões sobre si mesma e sobre os outros.
PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS
Allan Kardec examina [CI-cap VII] com profundidade a Lei de Causa e Efeito. Através de 33
itens, ele tece inúmeros comentários importantes a respeito. Apresentamos uma síntese:
a) "O estado feliz ou desgraçado de um Espírito é inerente ao seu grau de pureza ou impureza.
A completa felicidade prende-se à perfeição. Toda imperfeição é causa de sofrimento e toda virtude é
fonte de prazer."
O homem sofre em função dos defeitos que tem: a inveja, o ciúme, a ambição, os vícios sociais
são as causas fundamentais dos sofrimentos. Diz Kardec, que a alma que tem dez imperfeições, por
exemplo, sofre mais do que a que tem três ou quatro.
Portanto, o único caminho que nos levará à felicidade completa é o do esforço constante no
combate às más inclinações, através da reforma íntima;
b) "O bem como o mal são voluntários e facultativos: livre o homem não será fatalmente
impelido para um nem para outro."
Em [LE-qst 645] os benfeitores espirituais afirmam que não há arrastamento irresistível. O
homem tem sempre liberdade de escolher entre o bem e o mal e seguir o caminho da correção ou do
vício. Por esse motivo, por ter escolhido livremente a opção a tomar, ele torna-se responsável pelos
seus atos. Emmanuel diz:
"A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória."
c) "A responsabilidade das faltas é toda pessoal, ninguém sofre por erros alheios, salvo se a
eles deu origem quer provocando-os pelo exemplo quer não os impedindo quando poderia fazê-los."
Perante a Lei de Causa e Efeito não existem "vítimas". Só respondemos pelos nossos atos e
jamais pelos atos alheios. A ninguém deve o homem culpar em caso de sofrimento, a não ser a ele
mesmo, pela sua incúria, seus excessos ou a sua ambição.
Quando mais de uma pessoa vêm a cometer o mesmo erro, tornam-se todos incursos na Lei de
Causa e Efeito e, muitas vezes, deverão, juntos, repararem esse erro. Muitos casos de calamidades
coletivas, expiações de grupos ou famílias inteiras enquadram-se nessa situação.
O carma, portanto, pode ser:
. Individual: um único Espírito está incurso na Lei;
. Familiar: quando vários membros de um mesmo núcleo familiar estão inseridos no processo
cármico;
. Coletivo: quando toda uma coletividade comprometeu-se com a mesma falta.
d) "A alma traz consigo o próprio castigo ou prêmio, onde quer que se encontre, sem
necessidade de lugar circunscrito."
Céu e Inferno, ensina-nos a Doutrina Espírita, são estados de consciência. O primeiro
corresponde a uma consciência tranqüila em função do serviço bem feito e da atitude sempre correta.
O segundo existe em decorrência da culpa, do remorso, que cria para a alma viciosa um campo
magnético negativo, através do qual as obsessões, as enfermidades físicas ou psíquicas, ou mesmo os
lances desditosos da existência vão se desenvolver.
André Luiz denomina "zona de remorso" a esta área que se estabelece na consciência do
homem ante a atitude incorreta. Segundo este autor, a "zona de remorso" será responsável pela
radiação doentia que vai infelicitar o perispírito do indivíduo, carreando para ele uma série de
possibilidades dolorosas.
QUADRO I - Mecanismo da dor
Atitude incorreta ----> Zona de Remorso ----> Lesão perispirítica em decorrência de radiações
doentias =
 DOR FÍSICA ----> Plasma o corpo físico enfermo
 DOR MORAL ----> Gera um campo magnético negativo que atrai a desdita
 OBSESSÕES ----> Permite a sintonia com a vítima
e) "Toda falta cometida é uma dívida contraída que deverá ser paga; se o não for na mesma
existência, se-lo-á na seguinte ou seguintes." Em muitas oportunidades, as faltas cometidas numa
existência, podem ser reparadas na mesma encarnação; outras vezes, somente na existência posterior
terá a alma culpada condições de resgate; e, em determinadas situações, serão necessárias diversas
encarnações para que a dívida seja saldada.
Bezerra de Menezes [Dramas da Obsessão] lembra que em algumas oportunidades a alma
culpada não possui condição evolutiva ou estrutura psicológica para receber a carga de sofrimento,
decorrente do erro. Nestes casos, a lei dá-lhe um tempo de moratória para que se estruture
intimamente e possa, no futuro, responder pela falta. Registramos as palavras do benfeitor:
"Existem obsessores tolhidos numa reencarnação para a experiência de catequese, quando,
então, todas as facilidades para um aprendizado eficaz das leis do Amor e da Fraternidade lhes serão
apresentadas. Muitos, só mais tarde, em encarnações posteriores, estarão em fase de reparações e
resgates."
f) "Pela natureza dos sofrimentos e vicissitudes da vida corpórea pode julgar-se a natureza das
faltas cometidas em anteriores existências."
Allan Kardec comenta [LE-qst 973]: "cada um é punido naquilo em que errou"; porque
observa-se uma correspondência íntima entre o tipo de sofrimento e o tipo de falta. André Luiz [Ação e
Reação] apresenta várias possibilidades, como mostra o quadro abaixo.
QUADRO II - Lei de Causa e Efeito
Falta
Resgate;
Aborto;
Esterilidade, doenças genitais;
Incontinência sexual ou erros no amor;
Impotência sexual ou frigidez, decepções na vida afetiva;
Ociosidade, indolência;
Desempregos, má remuneração profissional, paralisias;
Calúnia ou maledicência;
Doenças das cordas vocais;
Beleza física mal canalizada;
Doenças de pele;
Erros cometidos no esporte e na dança;
Reumatismos diversos;
Inteligência canalizada para o mal;
Hidrocefalia, oligofrenias;
Suicídio;
Doenças congênitas graves, acidentes mortais na infância e adolescência.
g) "A mesma falta pode determinar expiações diversas, conforme as circunstância atenuantes
ou agravantes." Dois fatores condicionam sempre a gravidade de uma falta: a intenção e o
conhecimento do erro. Embora as faltas sejam sempre as mesmas, a responsabilidade do culpado ante
o deslize será maior ou menor em função do grau de conhecimento que ele possui e de sua intenção
ao cometê-lo.
Com relação ao grau de adiantamento, Kardec informa que as almas mais grosseiras e
atrasadas são, via de regra, mais atingidas pelos sofrimentos materiais, enquanto os Espíritos de
maior sensibilidade e cultura são mais vulneráveis aos sofrimentos morais.
h) "Não há uma única ação meritória que se perca: todo ato meritório terá recompensa."
A Lei de Causa e Efeito não apenas pune o culpado, mas também premia a alma vitoriosa.
Denomina-se "carma positivo" aos condicionamentos sadios que o Espírito atrai para si, em
decorrência de atitudes corretas e vivência altruística;
i) "A duração do castigo depende da melhoria do culpado. O Espírito é sempre o árbitro da
própria sorte, podendo prolongar o sofrimento pela persistência no mal, suavizá-la ou mesmo superá-
la em função de sua maneira de proceder."
Kardec mostra que não existe condenação por tempo determinado. O que Deus exige, por
termo do sofrimento, é um melhoramento sério, efetivo, sincero de volta ao bem;
j) "Arrependimento, expiação e reparação constituem as três condições necessárias para apagar
os traços de uma falta."
O arrependimento pode dar-se por toda parte e em qualquer tempo; se for tarde, porém, o
culpado sofre por mais tempo. Mas não basta o arrependimento, embora ele suavize os cravos da
expiação.
A expiação consiste nos sofrimentos físicos ou morais que são consequentes à falta, seja na
vida atual, seja na vida espiritual após a morte, ou ainda em nova existência corporal.
A reparação consiste em fazer o bem àqueles a quem se havia feito o mal. Quem não repara os
seus erros numa existência, acha-se numa encarnação posterior em contato com as mesmas pessoas
de modo a demonstrar reconhecimento e fazer-lhes tanto bem quanto mal lhes tenha feito.
QUADRO III - Fases do resgate do erro
1. Arrependimento
2. Expiação
3. Reparação
Bibliografia
1) O Livro dos Espíritos - Allan Kardec
2) O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec
3) O Céu e Inferno - Allan Kardec
4) Ação e Reação - André Luiz/Chico Xavier
5) Vidas de Outrora - Eliseu Rigonatti
6) Dramas da Obsessão - Bezerra de Menezes/Yvonne Pereira
Apostila Original: Instituto de Difusão Espírita de Juiz de Fora – MG