Estudando o Espiritismo

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segunda-feira, 20 de junho de 2016

AS TRÊS REVELAÇÕES: MOISÉS, CRISTO, O ESPIRITÍSMO PARTES 1 e 2 - Leda

AS TRÊS REVELAÇÕES: MOISÉS, CRISTO, O ESPIRITÍSMO PARTE -1

1 – Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim para destruí-los, mas para dar-lhes cumprimento. Porque em verdade vos digo que o céu e a terra não passarão, até que não se cumpra tudo quanto está na lei, até o último jota e o último ponto.
( Mateus, V: 17-18).
           
O título do capítulo indica o seu objetivo, ou seja compreender que os ensinos de Jesus não contrariam as leis naturais ou divinas, embora contrariem as leis dos homens.
           
Para isso, Kardec decidiu estabelecer raciocínios em torno das três revelações: Moisés, Cristo e o Espiritismo.
           
Lembremo-nos que a palavra revelação significa " ato ou efeito de revelar, ou de revelar-se. Manifestação, prova, testemunho..." Revelar quer dizer " tirar o véu a; descobrir, declarar, fazer conhecer, divulgar.
           
Kardec considerou como revelações divinas e maiores na história da humanidade terrena os ensinos de Moisés, de Jesus e do Espiritismo.
           
Inicia seu estudo por Moisés, a primeira grande revelação, visto que sempre, em todas as épocas e em todos os lugares, em todos os povos há revelações divinas através de
           
Homens que se manifestam à frente do seu tempo, em conhecimentos e vivências.
           
Iniciando pois, os raciocínios em torno de Moisés, ele esclarece a existência de duas partes bem distintas nas suas leis: a lei de Deus, recebida no monte Sinai e a lei civil ou disciplinar, estabelecida por Moisés, portanto, lei humana, necessária à aquele povo, à aquela situação, à aquela época.
           
A primeira é para todos os tempos, para toda a humanidade da Terra, mudando-se apenas a sua aplicação e vivência na medida da evolução da inteligência, da sensibilidade e da moral dos homens.
           
A segunda é sempre variável, transformando-se, conforme mudam-se os costumes e hábitos dos homens que compõem essa comunidade, esse povo para o qual essas leis foram feitas. Assim, toda mudança realizada pela maioria dos homens de uma nação, transforma-se em lei civil, como mostra claramente a história de cada nação.
           
A lei de Deus está demonstrada nos Dez Mandamentos:

I.   Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão.
Não terás deuses estrangeiros diante de mim. Não farás para ti imagens de escultura, nem figura alguma de tudo o que há em cima do céu, e do que há embaixo na terra, nem de coisa que haja nas águas, debaixo da terra. Não adorarás, nem lhes darás culto.
II.   Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão.
III.  Lembra-te de santificar o dia de Sábado
IV.  Honrarás a teu pai e a tua mãe, para teres uma dilatada vida sobre a terra que o Senhor teu Deus te há de dar.
V.   Não matarás.
VI.  Não cometerás adultério.
VII. Não furtarás.
VIII. Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.
IX.    Não desejarás a mulher do próximo. Não cobiçarás a casa do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem outra coisa alguma que lhe pertença.
           
Estes mandamentos constituíram-se na base da justiça da legislação humana, na base do amor que viria mais tarde, caracterizando a revelação de Jesus.
           
A primeira revelação buscou auxiliar os homens no desenvolvimento da justiça no relacionamento entre os mesmos.
           
Todas as outras leis, que fazem parte de lei mosaica, foram feitas por Moisés para um povo atrasado, indisciplinado, subordinado durante muito tempo à leis estranhas a sua cultura, com anseios de liberdade, mas também acomodados aos costumes do povo que o subjugava. Se ainda hoje, a maior parte da humanidade procura satisfações imediatas, com dificuldades de trabalhar por resultados a médio e longo prazo, com todo o progresso científico, tecnológico, e também o da moral ( embora bem menor) realizado pela inteligência do homem, imaginemos as dificuldades encontradas por Moisés na condução daquele povo, durante quarenta anos , para chegar à terra prometida !
           
Precisou então, impôr leis rigorosas e severas para atingir o objetivo que era de todos, mas nem todos estavam preparados para as dificuldades e sacrifícios necessários. Deu a essas leis a autoridade divina para que pudessem aceitá-las. E deu a Deus características de severidade e de rigor terríveis ( Talvez Deus fosse assim também percebido por ele, como saber ? ).
           
Somente a idéia de um Deus, Senhor dos Exércitos, que castiga seus inimigos e premia seus amigos, severo, terrível na sua vingança, na sua cólera, poderia, pelo temor, conservar a união entre eles em torno do objetivo de chegar à terra prometida, mantendo a sua crença em um Deus único.
           
As leis de Moisés eram leis humanas adequadas à um povo, naquela época e, portanto, tinham o caráter provisório como toda lei humana.
           
Mais de mil anos depois, vem Jesus, dizendo que não veio destruir a lei ou os profetas, veio dar- lhes cumprimento.
           
No capítulo XI deste livro, Kardec transcreve um texto de Mateus, XXII:34-40, no qual Jesus responde aos fariseus que o maior mandamento da lei é " Amarás ao Senhor teu Deus de todo o coração, e de toda a tua alma , e de todo o teu entendimento." "E o segundo, semelhante a este é : Amarás ao teu próximo como a ti mesmo." E acrescenta "Estes dois mandamentos contêm toda a lei e os profetas."
           
Alterou Jesus os dez mandamentos recebidos por Moisés? Não. Se bem observarmos, os dois primeiros referem-se a Deus, ao relacionamento entre os homens e Deus, aos seus deveres para com Ele; os outros referem-se ao próximo, ou seja ao relacionamento dos homens entre si, estabelecendo os deveres de cada um para com o outro.
           
Jesus portanto, esclareceu que para o cumprimento verdadeiro desses mandamentos, em toda a sua extensão e profundidade, é necessário amar ao próximo.
           
Jesus veio para dar cumprimento ao amor e à justiça divina, que não abandona seus filhos, mas os auxilia no seu desenvolvimento intelectual e moral, enviando Espíritos Maiores a fim de despertar a humanidade rebelde que, ainda hoje. tem dificuldade em apreender as leis de Deus. Jesus foi o maior de todos !
           
Jesus alterou sim (e muito!) as leis civis de Moisés, porque já era hora de iniciar-se na Terra a Era do Espírito, onde os valores espirituais sejam discutidos, analisados, aprendidos e vivenciados. Só então, o mal desaparecerá da Terra e o Bem prevalecerá para sempre.
         
 A grandeza da missão de Jesus é demonstrada nos seus ensinos, na sua vivência de plenitude do amor e da sabedoria, dando aos mandamentos recebidos por Moisés, a amplitude de entendimento não só da justiça, característica da primeira revelação, como do amor, característica da segunda.
           
Na frase: " O céu e a terra não passarão, até que não se cumpra tudo quanto está na lei, até o último jota e o último ponto.", fica bem expressa a idéia da necessidade do cumprimento da lei divina na Terra em toda a sua pureza e em toda a sua sabedoria. A lei do progresso é inexorável e força tudo e todos ao desenvolvimento do seu potencial.
           
Assim interpretada, essa vivência de todos nessa lei iguala toda a humanidade no mesmo destino : Deus é Pai de todos, contrariando a idéia de povo eleito acima de outros.
           
Os ensinos de Jesus são pois, para todos os homens, para todos os tempos, sendo seu entendimento ampliado com o desenvolvimento intelectual e moral dos homens.
           
Jesus veio ensinar a lei do amor e o caminho a ser trilhado no desenvolvimento desse amor no coração e na inteligência de todos os homens.
           
Ensinou também, que a verdadeira vida, não se encontra na Terra, onde a lei da destruição é ainda necessária, para que tudo se transforme e evolua. A vida verdadeira, para a qual todos caminhamos é a do Reino de Deus, onde os Espíritos puros vivem a vida espiritual, de amor e trabalho, pois disse Jesus: " Meu Pai trabalha incessantemente e eu também."
           
Jesus, o Espírito mais perfeito que veio à Terra, falou das leis divinas, muitas vezes claramente, outras de forma mais velada, para que permanecendo nos seus ensinos, pudessem ser, mais tarde, esclarecidas, quando a ciência, fruto da inteligência dos homens permitisse mais e melhor entendimento. Então, o homem, mais esclarecido, mais amadurecido, mais sensível às coisa espirituais, poderia compreender melhor as leis do Pai.
           
E foi assim que no século XIX surgiu o Espiritismo, cumprindo a promessa de Jesus de enviar outro Consolador, "... que vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito." ( João, XIV: 26)

Leda Ebner
Dezembro / 2001

AS TRÊS REVELAÇÕES: MOISÉS, CRISTO, O ESPIRITISMO PARTE -2
CAPÍTULO 1 – ITEM 5

O ESPIRITISMO
 No mês anterior, vimos as duas primeiras revelações: Moisés e Jesus. Vamos refletir um pouco sobre a terceira , que é o Espiritismo.
           
Por que Kardec, baseado nas revelações do Espíritos, colocou esta nova doutrina como a terceira grande revelação?
           
No Evangelho de João, capítulo XIV : 15 a 17 e 26, encontramos: " E eu rogarei ao Pai e Ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito de Verdade, a quem o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece. Mas vós o conhecereis, porque ele ficará convosco e estará em vós. – Mas o Consolador, que é o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito." No capítulo XVI : 12 a 14 lemos:" Tenho ainda muito que vos dizer, mas não o podeis suportar agora; quando vier o Espírito de Verdade ele vos guiará a toda verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir."
           
O espiritismo veio no século XIX, quando a Ciência, não mais permitindo aos homens a aceitação do que sua razão não podia aceitar, propiciou-lhe a abertura intelectual necessária para compreender a Ciência do Espírito, a que veio revelar um novo mundo interagindo conosco, suas leis, seus habitantes, esclarecendo muitos dos ensinos de Jesus, até então aceitos sem ou com pouca compreensão.
           
O espiritismo desvendou aos homens esse mundo espiritual como " uma das forças vivas e, incessantemente, atuante da natureza, como a fonte de fenômenos, até então incompreendidos, e por essa razão rejeitados para o domínio do fantástico e do maravilhoso!"
           
O espiritismo veio provar a imortalidade da alma, aceita e divulgada pelas religiões existentes .
           
Assim como Jesus, o espiritismo não veio revogar as leis do Pai, mas esclarecê-las com novas e comprovadas explicações, que tornaram muitos dos ensinos de Jesus , até então, aceitos somente pela fé dogmática, aceitáveis pela razão e portanto, facilitando a sua aplicação no viver cotidiano da Terra.
           
Cumpre desse modo, o espiritismo a promessa de Jesus de ensinar todas as coisas até então ocultas e de lembrar as que estivessem esquecidas, tornando mais claras as lições ensinadas, muitas sob a forma de alegorias.
           
É o novo Consolador porque consola através da razão, com explicações lógicas e claras, mostrando o que somos, de onde viemos, o que fazemos e para onde vamos, o porquê do sofrimento na Terra, ao mesmo tempo que desperta a nossa sensibilidade para o desenvolvimento do amor em nós.
           
Os princípios espíritas vão pouco a pouco, penetrando na mente e no coração dos homens, transformando - os em seres mais conscientes da justiça e do amor de Deus, das suas próprias potencialidades, das suas possibilidades infinitas que os levarão a viver o verdadeiro amor ao próximo, que tornarão a Terra no mundo de paz e felicidade, almejado por todos.
           
O espiritismo difere das outras duas revelações, porque não está centrada em ninguém, sendo o resultado dos ensinos dos Espíritos, através de médiuns de toda parte do mundo, Espíritos que ainda hoje continuam se manifestando, na tarefa de auxiliar o progresso moral da humanidade.
           
Allan Kardec não criou o espiritismo. Apenas percebeu nos fenômenos que surgiam por toda parte e que sempre existiram, leis novas e desconhecidas, dispondo-se a estudá-las, o que fez, codificando assim, a nova doutrina Criou a palavra espiritismo para destacar os novos ensinos do espiritualismo existente.
           
Se a característica da revelação de Moisés é a justiça, a do Cristo o amor, a do espiritismo é a verdade; não que as anteriores não tivessem também essa qualificação, mas porque veio trazer verdades que só então, o homem , mais esclarecido e mais amadurecido, poderia compreender, para melhor poder vivenciar as leis de Deus de dentro para fora, pela sua razão e sensibilidade.
           
A finalidade do espiritismo é o desenvolvimento da fé raciocinada, "que pode enfrentar a razão face a face, em todas as épocas da humanidade."
           
A missão do espiritismo é pois, a mesma de Moisés e de Jesus: auxiliar o progresso moral dos homens, a fim de que eles possam desenvolver-se na justiça, no amor e na verdade.
           
Jesus é o Espírito mais puro que já viveu na Terra, a quem Deus confiou a evolução dessa humanidade e continuará na direção dessa tarefa, enquanto esses Espíritos , sob a sua direção, não atingirem a perfeição e a felicidade possíveis.
           
Jesus é a porta para o reino Deus, o espiritismo é a chave que nos ajuda a transpô-la, facilitando a aplicação dos seus ensinos, mesmo em um mundo imperfeito como a Terra.

Leda de Almeida Rezende Ebner
Janeiro / 2002