Estudando o Espiritismo

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quinta-feira, 26 de maio de 2016

Se fosse um homem de bem...

Se fosse um homem de bem...

Injúrias são as razões dos que não têm razão.

O homem agita-se, mas Deus o conduz.

Tão somente o infortúnio pode converter um coração de pedra num coração humano.

Aqueles que nunca sofreram não sabem nada; não conhecem nem os bens nem os males; ignoram os homens; ignoram-se a si próprios.

Quem pensa que sabe muito, não sabe nada, e sua ignorância é tanta que nem sequer está em condições de saber aquilo que lhe falta.

Belos pensamentos, não é mesmo, amigo leitor? Simples, sábios, profundos...

São de François de Salignac de La Mothe, duque de Fénelon (1651-1715), teólogo católico, escritor e poeta francês, membro da Academia Francesa de Letras, considerado um dos homens mais lúcidos e brilhantes de seu tempo.

Espírito de tão grandes méritos que participou da codificação da Doutrina Espírita, em O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns e O Evangelho segundo o Espiritismo.

E de Fénelon, no item 22, o seguinte comentário:

Falando de um homem mau, que escapa de um perigo, costumais dizer:

"Se fosse um homem bom, teria morrido. "

Pois bem, assim falando, dizeis uma verdade, pois, com efeito, muito amiúde sucede dar Deus a um Espírito de progresso ainda incipiente prova mais longa, do que a um bom que, por prêmio do seu mérito, receberá a graça de ter curta quanto possível a sua provação.

Por conseguinte, quando vos utilizais daquele axioma, não suspeitais de que proferis uma blasfêmia.

***
Os bons pouco vivem.

Vivem mais os maus.

Logo, é bom praticar maldades.

Esse silogismo pode ser montado a partir de afirmativas do tipo se fosse um homem de bem teria morrido.

Há aqui dois erros de julgamento.

Primeiro: o acidentado não é bom, ou teria morrido.

Segundo: Deus não é justo, porquanto mata os bons e preserva os maus.

Nada mais distante da realidade.

Há gente boa que vive bastante.

Há gente má que tem existência efêmera.

Não obstante, como sugere Fénelon, no resgate de débitos cármicos a moeda da Dor pode ser substituída pela moeda do Amor, que adquirimos com a prática do Bem.

Um homem generoso, cumpridor de seus deveres, praticante da caridade, sofreu grave hemorragia cerebral. Embora contando com as preces e vibrações de toda uma comunidade espírita, sob sua direção, veio a falecer.

Os familiares questionavam, angustiados, até que ponto compensaria dedicar-se tanto.

Suas dúvidas foram desfeitas quando um mentor espiritual informou-lhes que o falecido tinha por programação cármica a ocorrência de graves limitações físicas, em existência vegetativa.

Em face de seus méritos, a Misericórdia Divina o liberara da penosa situação, transferindo-o para o Mundo Espiritual.

***

Essa abordagem de Fénelon nos faz lembrar outro ditado popular:

Só o peru morre na véspera.

Faz referência à véspera do Natal, no passado, quando os perus eram sacrificados para preparo da tradicional ceia natalina.

Bem, amigo leitor, esse ditado está totalmente furado.

Depois da invenção do freezer, as pobres aves passaram a morrer bem antes, semanas e até meses. E passa a impressão de que há dia certo para bater as botas, o que não é verdade.

A programação biológica da raça humana vai de oitenta a cem anos. Raros atingem aquele limite, porquanto passamos a existência a brigar com o corpo, submetendo-o a maus-tratos, de várias maneiras:

Vícios como o cigarro, o álcool, as drogas... Alimentação inadequada e glutonaria... Trabalho indisciplinado... Repouso insuficiente... Sedentarismo, ausência de exercícios... Tensões nervosas, irritação, descontrole emocional...

Mágoa, ressentimento, ódio, rancor...

Tudo isso soma males que subtraem anos. O Espírito é, literalmente, expulso da morada física, como quem deixa uma casa que lhe cai sobre a cabeça, por ter cuidado mal dela.

Pior os que se envolvem em graves desvios de comportamento. Basta lembrar os jovens que partem para a criminalidade.

Sua expectativa de vida é de vinte e cinco anos, não por prêmio ao esforço do Bem, mas por lamentável comprometimento com o Mal. Poucos ultrapassam essa idade, habilitando-se a penosos reajustes no plano espiritual e atormentados resgates em futuras reencarnações.

***
Diz André Luiz que quando um Espírito consegue viver plenamente o tempo que lhe foi concedido, cumprindo o que veio fazer na Terra, é recebido com festas no Além, como um completista.

Esse é um aspecto interessante, que deve merecer nossa reflexão.

Todos reencarnamos com algo a fazer.

Não estamos aqui por acaso.

Há tarefas, compromissos assumidos, destacando-se:

Família.

Pais, irmãos, cônjuge, filhos... Há ajustes a serem feitos, relacionados com desentendimentos do pretérito e dificuldades de convivência no presente.

Sociedade.

Além das atividades profissionais, em favor da própria subsistência, somos convocados a algo fazer em favor do bem comum, sedimentando a solidariedade em nós, a caminho do Amor, lei suprema de Deus.

Eternidade.

Já vivíamos antes do berço; continuaremos a viver depois do túmulo, chamados ao aprimoramento incessante, no esforço de renovação, a partir do estudo, da reflexão, do empenho por superar mazelas e imperfeições, à luz do Evangelho, substituindo o homem velho, cheio de defeitos, pelo homem novo, o homem cristão, capaz de refletir a luz do Cristo em seu comportamento.

É importante, nesse contexto, a autoavaliação diária:

Estou observando o que planejei ao preparar-me para o mergulho na carne?

Estou cumprindo meus deveres perante Deus e a minha própria consciência, habilitando-me a um retomo feliz à Pátria Espiritual?

Vale lembrar a advertência de Jesus (Mateus 7:21):

Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.

No terreno das citações, vale o quarto mandamento da Lei, recebido por Moisés (Êxodo, 20:12):

Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na Terra, que o senhor teu Deus te dará.

Curioso, amigo leitor, Moisés condiciona a longevidade ao empenho por honrar os genitores.

Não parece compatível com a lógica.

Há pilantras que os maltratam e desrespeitam. Omissos, não lhes prestam assistência, nem lhes dão atenção. Não obstante, atingem idade avançada.

Há filhos carinhosos e diligentes. Atenciosos, cuidam de seu bem-estar. Entretanto, logo vão comer capim pela raiz.

Aparentemente contraditório, o quarto mandamento exprime algo ponderável.

Consideremos que honrar pai e mãe será não fazer nada que os infelicite ou cause constrangimento.

Alguns exemplos:

Os vícios, a desonestidade, os excessos, o desregramento, a promiscuidade, os desatinos, a indisciplina, a agressividade, a ambição, a mentira...

Se nos orientarmos no sentido de não decepcioná-los, de não contrariar suas expectativas, buscaremos sempre o melhor comportamento, no intuito de fazê-los felizes, sustentando neles a convicção de que seus filhos são gente de bem.

Lembro a experiência de jovem virtuosa, assediada por rapaz mal intencionado que, aproveitando-se do fato de que o achava atraente, queria iniciar relacionamento afetivo com visita ao motel.

Reagiu, incisiva, dispensando o aventureiro: - Amo muito meus pais e jamais lhes daria o desgosto de constatar que estou confundindo namoro com sexo.

Se quisermos fazer felizes nossos genitores, certamente cultivaremos a compreensão e a caridade; exercitaremos a oração e a reflexão; seremos cordatos e diligentes.

Tudo para honrar os pais.

Resultado:

Teremos um comportamento disciplinado e virtuoso, que nos sustentará o equilíbrio físico e psíquico.

E mais:

Afinaremos o padrão vibratório.

Estaremos favorecendo a sintonia com mentores espirituais que nos ajudarão a superar influências negativas, perigos e tentações.

Assim, salvo programas cármicos, se honrarmos nossos pais, tenhamos certeza:

Serão prolongados os dias que o Senhor nos dará para as experiências redentoras na escola terrestre, habilitando-nos a retomo feliz à pátria verdadeira, quando chegar a nossa hora.

Richard Simonetti