Estudando o Espiritismo

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terça-feira, 24 de maio de 2016

Resignação perante as injustiças

Resignação perante as injustiças I - Motivos da Resignação

Nesta semana, o nosso blog se propõe a estudar o tema "Resignação perante as injustiças".
Para tanto, vamos dividir nossa abordagem em quatro postagens diferentes. Nas três primeiras, pretende-se focar a visão Cristã e Espírita da resignação. Como pedra de fecho, teremos um quarto post que recapitulará a fundamentação das postagens anteriores e veiculará a conclusão acerca do tema.
Aqui a primeira dessas postagens:

Resignação perante as injustiças I - Motivos da Resignação

Uma das bem aventuranças proclamadas pelo Mestre no Sermão da Montanha foi: "Bem aventurados os aflitos, porque serão consolados".


Em "O Evangenho Segundo o Espiritismo", na passagem intitulada "Motivos de Resignação" (cap. V, item 12), o significado dessa máxima de Jesus é exposto no sentido de que, ao assim se expressar, o Mestre "...indica, ao mesmo tempo, a compensação que espera os que sofrem e a resignação que nos faz bendizer o sofrimento, como o prelúdio da cura".
Em outras palavras, também escolhidas por Kardec, com a precisão e didatismo que lhe é peculiar, essa máxima também se traduz por: "deveis considerar-vos felizes por sofrer, porque as vossas dores neste mundo são as dívidas de vossas faltas passadas, e essas dores, suportadas pacientemente na Terra, vos poupam séculos de sofrimento na vida futura. Deveis, portanto, estar felizes por Deus ter reduzido vossa dívida, permitindo-vos quitá-las no presente, o que vos assegura a tranqüilidade para o futuro".
E mais: "O homem que sofre é semelhante a um devedor de grande soma, a quem o credor dissesse: “Se me pagares hoje mesmo a centésima parte, darei quitação do resto e ficarás livre; se não, vou perseguir-te até que pagues o último centavo”. O devedor não ficaria feliz de submeter-se a todas as privações, para se livrar da dívida, pagando somente a centésima parte da mesma? Em vez de queixar-se do credor, não lhe agradeceria?"
Isso nos mostra o quanto é útil à evolução do Espírito a resignação perante o sofrimento.
Nossa postura resignada diante de uma prova ou expiação constitui estado psicológico primordial para a conversão de ciclos negativos da lei de causa e efeito em dádivas redentoras da misericórdia do Pai Celestial. A dor expirimentada em uma parte mais ou menos extensa desta existência terrena, que não é senão um grão de areia na eternidade do Espírito, constitui eficiente vacina contra enfermidades espirituais e jornadas expiatórias ou de provas que poderiam se prolongar por diversas encarnações futuras.

Resignação perante as injustiças II: adversários da resignação
Prosseguindo com o tema em discussão esta semana, iniciado com o post Resignação perante as injustiças I: motivos da resignação, hoje teremos a postagem mais breve da série, porém de importância capital para o nosso estudo.



Resignação perante as injustiças II: adversários da resignação

Demonstrados os motivos da resignação, agora, é importante alertar quanto a sentimentos que constituem seus fortes adversários, que são a inveja, o orgulho e o egoísmo. Senão vejamos.

Inveja em relação às condições materiais e espirituais alheias, como por exemplo, invejar em relação ao próxima a sua casa, o seu carro, a sua posição social, o seu emprego, a sua família estruturada, a sua personalidade, as suas virtudes, os seus amigos. Essas condições que, aliás, muitas vezes, são até mesmo aparências que se pintam em vivas cores diante de nossa inferioridade espiritual e sentimentos menos felizes. Não que não se possa admirar alguém por suas conquistas ou pela pessoa que é ou harmonia em que vive. Se isso for encarado como exemplo positivo e convertido em força de vontade para trilharmos um caminho melhor, ótimo. Mas se quedarmos perante a triste sorte da inveja, criaremos um forte obstáculo à resignação perante os infortúnios de nossa própria condição.

Orgulho em várias circunstâncias: não aceitar a caridade alheia perante nossa condição desfavorável, como uma pessoa doente receber com paciência, gratidão e despojamento os cuidados de um familiar dedicado; não suportar viver as aparências da enfermidade ou a privação de determinado bem material; não saber lidar com o constrangimento do comportamento inconveniente de um familiar. Sentir vergonha da própria penúria ou mesmo da condição ou conduta alheia só atrapalha que nos resignemos perante essas situações que nos causam incômodo ou sofrimento. Quando compreendermos melhor os limites da resignação, também entenderemos isso com mais precisão.

Egoísmo de não saber repartir os bens materiais ou dividir com o próximo a atenção de pessoas queridas. Sofrendo com essas insatisfações negativas, o egoísta tem muitas dificuldades para se resignar. Antes de se resignar, é necessário estirpar qualquer sentimento egoísta do coração.