Estudando o Espiritismo

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sexta-feira, 27 de maio de 2016

É PERMITIDO ABRANDAR VOSSAS PROVAS ? UM ANJO DA GUARDA - PARIS 1863 - Leda


O Espírito que ditou esta mensagem, em Paris, em 1863, nomeou-se UM ANJO DA GUARDA, aquele que exerce a tarefa de auxiliar Espíritos encarnados na Terra.

São os Guias e protetores, evidentemente, mais evoluídos do que seus pupilos, geralmente, a eles ligados por laços de afeto, tudo fazendo para inspirá-los no bem viver.

Exercem, a meu ver, uma missão muito mais difícil do que a de pais aqui na Terra, pois, podem apenas sugerir, sem que suas palavras sejam ouvidas ou percebidas de forma consciente; amparar, sem ser, na maioria das vezes, sequer percebidos, vendo a indisciplina e a rebeldia de seus tutelados, sem poder ajudá-los, a não ser quando eles assim o querem.

Cumprem essa difícil tarefa com grande renúncia, com amor, no intuito de auxiliar seus pupilos, para que façam seu desenvolvimento na Terra com menos sofrimentos, inspirando-lhes bons sentimentos, bons pensamentos, boas ações, tentando afastá-los do mal.

Lembremo-nos deles em nossas preces de agradecimento a Deus.

A mensagem desse Anjo da Guarda refere-se às provas e sacrifícios voluntários realizados por pessoas que, em assim fazendo, julgam estar se purificando e se elevando até Deus.

A palavra cilício refere-se ao cinto ou cordão de crina ou de arame fino, colocados sobre a pele, para mortificação e penitência; cinto eriçado de cerdas ou correntes de ferro, cheio de pontas, com que os penitentes cingiam o corpo, diretamente sobre a pele, muito usado no passado, para pagar pecados ou afugentar tentações.

Cilício, hoje, pode significar sacrifícios, como renunciar em favor de outros, perdoar setenta vezes sete vezes, fazer bem a quem faz o mal, e outros mais; sacrifícios, que além de beneficiar outras pessoas, elevam quem se esforça para tal, visando seu próprio aperfeiçoamento.

Na Terra, como ensina o espiritismo, em geral, as expiações e provas são conseqüências de nossas ações negativas do passado próximo ou remoto, sendo o objetivo delas existirem, o desenvolvimento da inteligência, na busca dos meios de vencê-las. Objetivam também, o desenvolvimento das qualificações superiores do espírito imortal, no exercício da confiança em Deus, em si próprio, nos outros, na resignação, na paciência de vivê-las para superá-las, no bem, pelo bem e para o bem.

Sendo elas efeitos justos de atitudes e comportamentos contrários às leis

Divinas, que provocam dores, sofrimentos, perturbações, as provas e expiações estão corretas no seu conteúdo, na medida do necessário para serem suportadas e superadas.

Assim, não há a menor justificativa para que esses efeitos sejam agravados com sofrimentos voluntários.

Seria correto procurar aumento das provações, se o sofrimento fosse capaz, por si só, de provocar elevação espiritual, o que não acontece.

As expiações e provações têm por fim, na sua vivência, provocar o arrependimento, a conscientização dos sofrimentos causados, fazendo a pessoa arrepender-se, a conhecer-se a si própria, conhecendo as causas que provocaram tais conseqüências, corrigi-las em si, desenvolvendo-se no bem. Se tal não acontece, essas aflições não foram suficientes para provocar mudanças internas.

Quando Jesus declarou: "Bem-aventurados os aflitos...", não estava exaltando as aflições, mas sim as pessoas que sabem sofrer sem revolta, sem lamentações inúteis, sem culpar outros ou situações pelos seus males.

Prometeu Jesus as bem-aventuranças, a felicidade, a quem sabe sofrer as vicissitudes da vida, considerando-as justas, porque confia no amor e na justiça de Deus. A quem, em as sofrendo, procura manter-se equilibrado, na busca de resolvê-las, sem ferir a si próprio e a outros.

Há mérito e muito mérito, quando as pessoas se sacrificam, voluntariamente, em favor do próximo, quando seus sacrifícios beneficiam outros. Neste caso, o sacrifício torna-se caridade, amor, devoção...

Renunciar a algo, necessário a si, em favor do próximo é o verdadeiro cilício, aquele que propicia conforto, consolo, alegria, esperança, confiança, e, ao mesmo tempo provoca em quem assim o faz, transformações que o levarão a transcender-se, espiritualmente falando.

E o autor escreve: "Se quiserdes um cilício, aplicai-o à vossa alma e não ao vosso corpo; mortificai o vosso Espírito e não a vossa carne; fustigai o vosso orgulho; recebei as humilhações sem vos queixardes; machucai vosso amor-próprio; insensibilizai-vos para a dor da injúria e da calúnia, mais pungente que a dor física. Eis aí o verdadeiro silício, cujas feridas vos serão contadas, porque atestarão a vossa coragem e a vossa submissão à vontade de Deus."

Palavras duras, mas verdadeiras. Ninguém progride sem dores e sofrimentos em um mundo de expiações e provas. Portanto, não precisamos procurá-los ou aumentá-los, visando caminhar mais depressa para a perfeição.

O espiritismo nos esclarece, através dos seus princípios, que o caminho da elevação é o da solidariedade, da fraternidade, que farão desabrochar em nós o amor ao próximo.

Busquemos ser rigorosos conosco, lembrando sempre do Mestre Jesus, que sendo Espírito Puro, veio à Terra conviver com irmãos imperfeitos, rebeldes.
Foi humilhado, caluniado, desprezado, incompreendido, abandonado, sofreu o martírio da cruz, símbolo da morte infamante, viveu pobremente, sem nada possuir de bens materiais. Manteve-se sempre autêntico, não cedendo aos princípios da época, fez o que veio fazer, com simplicidade, com humildade, com confiança, continuando a ser o modelo a ser seguido, o exemplo maior de como deve ser todo filho de Deus.

Leda de Almeida Rezende Ebner
Outubro / 2005