Estudando o Espiritismo

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terça-feira, 8 de março de 2016

Jesus na casa de Zaqueu


ALTAMIRANDO CARNEIRO
alta_carneiro@uol.com.br
São Paulo, SP (Brasil)

 

Jesus na casa de Zaqueu


Na época de Jesus, quando a Palestina era dominada pelo Império Romano, existiam, entre as várias classes, a dos publicanos, que eram os cobradores de impostos e de taxas.

Os judeus os detestavam, pois pagavam pesados impostos e, além do mais, muitos publicanos eram desonestos e aproveitavam-se do cargo para se locupletarem financeiramente.

Entre os publicanos havia um homem chamado Zaqueu, que era o chefe dos publicanos em Jericó. Segundo o que podemos deduzir do que relata Humberto de Campos no capítulo 23 (O servo bom) do livro Boa Nova (FEB), psicografado por Francisco Cândido Xavier, Zaqueu procurava empregar o dinheiro de modo que representasse benefícios para todos e organizava múltiplos serviços de criação de animais e de cultivo permanente de terra, sendo que até de Jerusalém muitas famílias iam buscar, nesses trabalhos, o recurso indispensável à vida. Os servos de Zaqueu nunca o encontraram sem a sincera disposição de servi-los.

O Evangelho de Lucas, 19:1 a 10, relata que tendo Jesus entrado em Jericó, passava pela cidade, quando Zaqueu quis vê-lo. Contudo, por ser de baixa estatura, subiu a um pé de sicômoro para ver o Mestre, porquanto Jesus tinha de passar por ali. Chegando a esse lugar, Jesus dirigiu para o alto o olhar e, vendo-o, disse-lhe: “Zaqueu, dá-te pressa em descer, porquanto preciso que me hospedes hoje em tua casa”. Zaqueu desceu imediatamente e o recebeu, jubiloso.

Diante de Jesus, Zaqueu prontificou-se a dar a metade de seus bens aos pobres e, se porventura tivesse causado dano a alguém, no que fosse, indenizaria o prejudicado com quatro tantos (a lei exigia o montante e mais um quinto), ao que Jesus disse: “Esta casa recebeu hoje a salvação, porque também este é filho de Abraão; visto que o Filho do homem veio para procurar e salvar o que estava perdido”.

Além da lição da caridade e do desprendimento, essa passagem nos mostra a importância do dividir. Edgard Armond dizia que o verdadeiro discípulo de Jesus é aquele que não apenas dá o que sobra, mas divide o que tem. É importante dividir não apenas bens materiais, mas tudo o que pudermos compartilhar com o semelhante, no dia a dia: nossas alegrias, nossas expectativas,  enfim, tudo o que se constitui em atributos de caridade moral.

Outra lição é a do bom aproveitamento da riqueza, que, junto com a miséria, são ambas provas muito arriscadas. Mas a riqueza constitui uma prova ainda mais perigosa do que a miséria, “pelos arrastamentos a que dá causa, pelas tentações que gera e pela fascinação que exerce. É o laço mais forte que prende o homem à Terra e lhe desvia do céu os pensamentos. Produz tal vertigem que, muitas vezes, aquele que  passa da miséria à riqueza esquece de pronto a sua primeira condição, os que com ele a partilharam, os que o ajudaram, e faz-se insensível, egoísta e vão. Mas, do fato de a riqueza tornar difícil a jornada, não se segue que a torne impossível e não possa vir a ser um meio de salvação para o que dela sabe servir-se, como certos venenos podem restituir a saúde, se empregados a propósito e com discernimento”. É o que explica o item 7 (Utilidade providencial da riqueza. Provas da riqueza e da miséria) de O Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo XVI (Não se pode servir a Deus e a Mamon).

Foi na casa de Zaqueu que Jesus contou a parábola dos talentos, em que ele compara o Reino dos Céus a um homem que, ao se ausentar, confiou cinco talentos a um de seus servos; a outro, dois talentos e ao terceiro, um talento. O primeiro e o segundo multiplicaram os talentos recebidos, mas o que recebeu um talento ficou com medo de perdê-lo e enterrou a moeda.

Com um talento de prata, podia-se adquirir um rebanho de seis mil ovelhas, ou 1.200 bois. Comparando o talento (moeda da época, na Palestina) com os nossos dons, compreende-se que, por menos que os tenhamos, convém agirmos como os dois primeiros servos e não enterrá-los, pois têm grande valor, diante do trabalho grandioso que temos a empreender, em benefício próprio e do próximo.