Estudando o Espiritismo

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sábado, 2 de janeiro de 2016

PERTURBAÇÃO ESPÍRITA - COMPILAÇÃO

PERTURBAÇÃO ESPÍRITA - COMPILAÇÃO

01 - A GÊNESE - ALLAN KARDEC - Cap. XI, ítem 19 a 21, pág. 187

19. O Espiritismo nos ensina, pelos fatos que nos faculta observar, os fenômenos que acompanham essa separação; algumas vezes, ela é rápida, fácil, doce e insensível; de outras vezes, é lenta, laboriosa, horrivelmente penosa, segundo o estado moral do Espírito, e pode durar meses inteiros.

20. Um fenômeno particular, igualmente assinalado pela observação, acompanha sempre a encarnação do Espírito. Desde que este é preso pelo laço fluídico que o liga ao germe, a PERTURBAÇÃO se apodera dele; essa perturbação cresce à medida que o laço se aperta, e, nos últimos momentos, o Espírito perde toda a consciência de seu nascimento. No momento em que a criança respira, o Espírito começa a recobrar as suas faculdades, que se desenvolvem à medida que se formam e se consolidam os órgãos que devem servir para a sua manifestação.

21. Mas, ao mesmo tempo que o Espírito recobra a consciência de si mesmo, ele perde a lembrança de seu passado, sem perder as faculdades, as qualidades e as aptidões adquiridas anteriormente, aptidões que estavam, momentaneamente, estacionadas em seu estado latente e que, em retomando a sua atividade, vão ajudá-lo a fazer mais e melhor do que o fazia precedentemente; ele renasce o que se fez pelo seu trabalho anterior, é, por isso, um novo ponto de partida, um novo degrau a subir. Aqui se manifesta a bondade do Criador, porque a lembrança de um passado, frequentemente penoso ou humilhante, juntando-se às amarguras de sua nova existência, poderia perturbá-lo ou entravá-lo; ele não se lembra senão daquilo que aprendeu, porque isso lhe é útil..

02 - EDUCAÇÃO MEDIÚNICA - PERTURBAÇÃO ESPÍRITA - pág. 27, ítem C

Quando se desliga do corpo, a alma passa algum tempo em estado de PERTURBAÇÃO, a qual varia de acordo com o grau de elevação moral do desencarnante. O conhecimento da Doutrina Espírita exerce grande e benéfica influência no sentido da recuperação do equilíbrio psíquico após a desencarnação, porém a prática do bem e uma consciência pura são os fatores mais decisivos para a obtenção de um despertar pacífico e sereno na pátria espiritual.

Em regra, a alma necessita sempre de algum tempo para readquirir o conhecimento de si mesma, voltando-lhe gradativamente a lucidez das idéias e a memória do passado, à proporção que se desvanece a influência da matéria que abandonou; a natureza da perturbação e o seu tempo de duração variam com o gênero de morte e com os caracteres dos indivíduos, podendo durar desde algumas horas até a muitos anos.

A maior surpresa para o Espírito que se reconhece após a desencarnação é verificar que a VIDA CONTINUA.

03- LAMPADÁRIO ESPÍRITA - ÍTEM 11 - TURBAÇÃO ESPIRITUAL - pág. 53.

O problema é de iluminação interior. Estrada ao abandono - acidente á vista. Jardim em desprezo - vitória do escalracho. Enguiço na máquina - desarranjo na tarefa. Precipitação no exame - conclusão errada na observação.

A questão da perturbação espiritual decorre do comportamento que se mantém durante a vilegiatura carnal. A morte, em razão disso, resulta na vida a que o homem se impõe. Turbados, há muitos, durante a vida física, limitados que se encontram por impositivos da reencarnação. Herdeiro de si mesmo, o espírito faz o legado das conquistas e prejuízos de uma existência para outra, eliminando ou adicionando forças que decorrem das ações executadas.

Turbados, também, há os que, vinculados ao erro e à irresponsabilidade, despertam além da morte surpreendidos pela vida. Todos, porém, em perturbação de longo curso. Da mesma forma que variam as conquistas no plano da inteligência e que cada personalidade se apresenta revestida da gama dos fatores que a produziram, a desencarnação propicia a cada espírito a paisagem que vitalizou pelo pensamento, palavras e atos que precederam ao fenômeno da morte.

Os condionamentos físicos e psicológicos do dia-a-dia, incorporados ao painel mental de cada criatura, prosseguem inalterados, mesmo quando se rompem os liames da matéria através da desencarnação. Pacientes em tratamento cirúrgico sempre despertam assinalados pelas impressões mentais que lhes produziram os mais fortes impactos na personalidade, mesmo quando inconscientemente.

No mesmo plano de raciocínio, idiossincrasias, fobias, paixões, anelos, apegos e fixações desbordam, após a morte, nas telas do perispírito, produzindo alucinações, engodos e equívocos naqueles que os cultivaram. A morte se traduz como uma mudança VIBRATÓRIA que ocorre entre dois estados da vida: físico e fluídico. Através dela se prossegue como se é. Nem deslumbramento cerúleo nem estarrecimento infernal de surpresa.

Os fantasmas ameaçadores da paz e os anjos propiciatórios da felicidade jazem latentes em cada transeunte que vence a barreira seletiva da desencarnação. Quem dispõe de uma lâmpada acesa para a noite consegue jornadear com segurança em relação ao caminho. Os que acendem no imo a claridade do amor pelo bem que fazem e se libertam das escamas grosseiras das viciações, libram acima e além dos acicates alucinantes da turbação espiritual.

Aqueles que, todavia, se fixaram nas baixas sensações e se deixaram imanar às construções celulares do organismo somático padecem, compreensivelmente, em perturbação, enquanto durem as próprias ideoplastias que alimentaram anos-a-fio. Oscila, portanto, o tempo de perturbação "post-mortem" na razão direta do refazimento e da lucidez dos sofredores desencarnados. Quando essa lucidez não ocorre e o processo de perturbação prossegue, a divina sabedoria, utilizando-se do abençoado pórtico da reencarnação, conduz de volta à Terra o espírito desajustado, sem que este o perceba, para que no aconchego de nova experiência física recomece a aprendizagem, esqueça a aflição e avance na direção do futuro.

Fixemos, desse modo, na mente, as imperiosas diretrizes da vida espiritual, cogitando sobre as nossas responsabilidades de homens inteligentes em trânsito pelo corpo físico, estabelecendo base de ação edificante para que a desencarnação não nos surpreenda na condição de imprevidentes ou parvos, iludidos ou perturbados.

04 - O LIVRO DOS ESPÍRITOS - III - PERTURBAÇÃO ESPÍRITA, pág. 111, perguntas 163 a 165 e 339

Perg. 163. Deixando o corpo, a alma tem imediata consciência de si mesma? - Consciência imediata não é o termo: ela fica PERTURBADA por algum tempo.

Perg. 164. Todos os Espíritos experimentam, no mesmo grau e pelo mesmo tempo, a perturbação que se segue à separação da alma e do corpo? - Não, pois isso depende da sua elevação. Aquele que já está depurado se reconhece quase imediatamente, porque se desprendeu da matéria durante a vida corpórea, enquanto o homem carnal, cuja consciência não é pura, conserva por muito tempo a impressão da matéria.

Perg. 165. O conhecimento do Espiritismo exerce alguma influência sobre a duração maior ou menor da perturbação? - Uma grande influência, pois o Espírito compreende antecipadamente a sua situação. Mas a prática do bem e a pureza de consciência são o que exerce maior influência.

No momento da morte, tudo, a princípio, é confuso; a alma necessita de algum tempo para se reconhecer; sente-se como ATORDOADA, no mesmo estado de um homem que saísse de um sono profundo e procurasse compreender a situação. A lucidez das idéias e a memória do passado voltam, á medida que se extingue a influência da matéria e se dissipa essa espécie de nevoeiro que lhe turva os pensamentos.

A duração da PERTURBAÇÃO DE APÓS MORTE é muito variável: pode ser de algumas horas, como de muitos meses e mesmo de muitos anos. Aqueles em que é menos longa são os que se identificaram durante a vida com o seu estado futuro, porque então compreendem imediatamente a sua posição. Essa perturbação apresenta circunstâncias particulares, segundo o caráter dos indivíduos e sobretudo de acordo com o gênero de morte.

Nas mortes violentas, por suicídio, acidente, apoplexia, ferimentos etc.., o Espírito é surpreendido, espanta-se, não acredita que esteja morto e sustenta teimosamente que não morreu. Não obstante, vê o seu corpo, sabe que é dele, mas não compreende que esteja separado. Procura as pessoas de sua afeição, dirige-se a elas e não entende por que não o ouvem. Esta ilusão se mantém até o completo desprendimento do Espírito, e somente então ele reconhece o seu estado e compreende que não faz mais parte do mundo dos vivos.

Esse fenômeno é facilmente explicável. Surpreendido pela morte imprevista, o Espírito fica aturdido com a brusca mudança que nele se opera. Para ele, a morte é ainda sinônimo de destruição, de aniquilamento; ora, como continua a pensar, como ainda vê e escuta, não se considera morto. E o que aumenta a sua ilusão é o fato de ser ver num corpo semelhante ao que deixou na Terra, cuja natureza etérea ainda não teve tempo de verificar.

Ele o julga sólido e compacto como o primeiro, e quando se chama a sua atenção para esse ponto, admira-se de não poder apalpá-lo. Assemelha-se este fenômeno ao dos sonâmbulos inexperientes, que não crêem estar dormindo. Para eles, o sono é sinônimo de suspensão das faculdades; ora, como pensam livremente e podem ver, não acham que estejam dormindo. Alguns Espíritos apresentam esta particularidade, embora a morte não os tenha colhido inopinadamente; mas ela é sempre mais generalizada entre os que, apesar de doentes, não pensavam em morrer.

Vê-se então o espetáculo singular de um Espírito que assiste aos próprios funerais como os de um estranho, deles falando como de uma coisa que não lhe dissesse respeito, até o momento de compreender a verdade. A perturbação que se segue à morte nada tem de penosa para o homem de bem: é calma e em tudo semelhante à que acompanha um despertar tranquilo.

Para aquele cuja consciência não está pura é cheia de ansiedade e angústias. Nos casos de morte coletiva, observou-se que todos os que perecem ao mesmo tempo nem sempre se revêem imediatamente. Na perturbação que se segue à morte, cada um vai para o seu lado ou somente se preocupa com aqueles que lhe interessam.

Perg. 339. O momento da encarnação é seguido de perturbação semelhante ao que se verifica na desencarnação? - MUITO MAIOR, E SOBRETUDO MAIS LONGA. Na morte, o Espírito sai da escravidão; no nascimento, entra nela.

05 - TEMAS DA VIDA E DA MORTE - MANOEL P. DE MIRANDA - PÁG. 93

PERTURBAÇÃO NO ALÉM-TÚMULO
Como efeito da conduta moral e das aspirações a que se vincula o Espírito, o seu estado de perturbação após a morte do corpo perdura por breve ou largo tempo, fenômeno natural quanto lógico. Quase todos os desencarnados experimentam a turbação que sucede ao desprendimento da matéria. A intensidade e o prazo variam conforme as condições de cada um.

As pessoas que viveram para o prazer, usufruindo sensações e gozos desenfreados, recusam-se a compreender a ocorrência liberadora, já que prosseguem fixados aos sentidos e apetites a que se vincularam, sofrendo inenarráveis angústias por não serem atendidos nos hábitos antigos, mesmo que se esforcem até quase à exaustão. Outros indivíduos, que eliminaram da mente qualquer possibilidade de sobrevivência ao cadáver, hibernam-se, experimentando inconcebíveis pesadelos que decorrem dos fenômenos biológicos em contínua transformação e que neles se impõem por tempo indeterminado.

Os onzenários e egoístas, os delinquentes de qualquer tipo, vêem a tragédia do mau uso que os seus herdeiros ora fazem dos bens avaramente acumulados, assim como as consciências criminosas enfrentam suas vítimas, algumas das quais as perdoam, tornando-se insuportável a presença delas. Pior ainda é-lhes a sujeição que passam a sentir sob aqueloutras que os descobriram e, também inferiores, buscam desforçar-se com agressividade, não lhes dando tempo a que recuperem, sequer, a lucidez a respeito da própria situação.

Os que foram arrebatados por morte violenta, por imprevidência, precipitação ou desleixo, em atos suicidas, continuam imantados aos despojos putrescíveis por muito tempo. São os suicidas aqueles que mais penosa perturbação experimentam, como consequência da rebeldia que os alucinou, alongando-se-lhes o drama do momento final, quase que infinitamente, pela impossibilidade mental e emocional de dimensionarem o tempo. O que esperavam encerrar num gesto brusco ou mediante um programa bem elaborado, se lhes amplia insuportavelmente.

A tranquilidade espiritual na ultratumba deve ser trabalhada adredemente, qual ocorre em qualquer realização, cujo clímax é o resultado de uma programação cuidadosa. Encerrando a vida biológica apenas, a morte, na condição de hábil cirurgiã, interrompe somente os laços que prendem o Espírito ao corpo físico, dependendo daquele a liberação emocional deste último. Quem jamais se preocupou com essa lei da fatalidade orgânica, sofre, com a surpresa que o assalta, as consequências do medo, das imagens fantasistas a que se acomodou e da realidade pujante da qual não se pode furtar.

O inverso igualmente se dá, facultando ao homem justo e diligente, honesto e caridoso, um suave e rápido despertar, recepcionado pelos amores que o anteciparam e o aguardam felizes... De alguns minutos apenas ou de poucas horas é-lhe a duração do estado aflitivo, perturbador, ou passado em sono agradável, do qual desperta em festa de alegria pelos reencontros formosos.

As enfermidades de curso longo, os sofrimentos e provações bem suportados propiciam ao Espírito o lento desprender-se dos condicionamentos mundanos, favorecendo o pensamento com projeções da vida triunfante, que constata com facilidade e rapidez. Todo e qualquer hábito longamente cultivado impregna o indivíduo, que se lhe submete, mesmo quando dele deseja libertar-se.

Desse modo, determinadas viciações, longamente mantidas, exigem tempo idêntico ao da fixação para que, além do corpo, se desimpregnem do Espírito. Não há porque estranhar o fato, recordando-se que, na área da reeducação, diante de hábitos extravagantes e perniciosos, o processo é o mesmo, sempre penoso quão demorado. No que tange ao ser eterno, este fica tão condicionado e intoxicado que o processo de liberação impõe-se lento, forma, aliás, salutar de se evitarem danos mais graves.

Muitos religiosos, informados equivocadamente sobre a vida espiritual, experimentam, após a morte, grande choque, por não encontrarem comitê de recepção constituído pela Divindade e por anjos, tombando, quando presunçosos, em terrível mágoa, decepção ou revolta que os transtorna por longo período, deixando-os em lamentável perturbação.

Aqueles, no entanto, que tomaram conhecimento do que sucede após a matéria e não viveram em conformidade com essa crença, caem em depressão prolongada, assim que constatam a sobrevivência espiritual. Para ninguém ocorre exceção, em qualquer lugar onde se encontre. Cada Espírito, seguindo o heliotropismo divino apressa, estaciona ou retarda a marcha, não se retém indefinidamente, pois que o Amor é o mesmo e invariável para todos no processo evolutivo.

Em consequência, em toda e qualquer conjuntura a misericórdia de Deus através da presença de Nobres Mentores e afeiçoados pessoais, que cooperam com o recém-desencarnado, não interferindo, porém, pela violência, na colheita que a cada qual diz respeito, em face da sua sementeira terrena. O conhecimento da vida espiritual e as ações edificantes, trabalhando o metal do caráter humano, são o passaporte e a passagem que facultam a viagem feliz, com uma chegada ditosa, sem embaraço ou impedimento travessia da aduana da morte.

O homem deve sempre reservar alguns momentos diários para meditar a respeito da viagem de volta e, conscientemente, reunir a valiosa bagagem que irá conduzir, única de que se poderá utilizar ao transpor a fronteira do mundo físico. A perturbação espiritual após a morte é, porta o resultado do comportamento de cada criatura enquanto se encontra sob as imposições orgânicas.