Estudando o Espiritismo

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sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Os Fenômenos Psíquicos da Morte


O americano Andrew Jackson Davis, dotado de poderosos dons psíquicos e duma espécie de segunda visão, que os americanos denominam clarividência, escreveu sobre a morte um livro tanto mais curioso quanto Davis possuía conhecimentos médicos.
          Eis alguns extratos do seu livro.
         "A morte é uma modificação - não da personalidade, porem da constituição dos princípios elevadas do ser humano. “
          “Tudo quanto, vive se transforma, e cada transformação é acompanhada duma morte aparente; nunca, porem, há extinção de vida ou destruição dum principio material ou espiritual no Universo. Assim se modifica e se desenvolve um gérmen qualquer, oculto na terra; morrem sua forma primitiva e seu modo de existência aparente; porem, depois dessa morte aparente, brota do gérmen uma nova organização ou um novo corpo.
          "As minhas faculdades de vidente - diz Davis - permitiram-me estudar o fenômeno psíquico e fisiológico da morte a cabeceira duma agonizante.
          "Era uma senhora de cerca de sessenta anos, a quem freqüentemente eu prestara cuidados médicos.
          "Quando soou a hora da morte, achava-me eu, felizmente, em perfeito estado de saúde, o que permitia o pleno exercício das minhas faculdades de vidência.
          "Coloquei-me de modo a não ser visto ou interrompido nas minhas observações psíquicas, e pus-me a estudar os misteriosos processos da morte.
          "Vi que a organização física não podia mais bastar às necessidades do principio intelectual; diversos órgãos internos pareciam, porem, resistir à partida da alma. O sistema muscular procurava reter as forças motrizes. O sistema vascular debatia-se para reter o principio vital; o sistema nervoso lutava quanto podia para impedir o aniquilamento dos sentidos físicos, e o sistema cerebral procurava reter o principio intelectual. O corpo e a alma, como dois esposos, resistiam à separação absoluta. Esses conflitos internos pareciam a principio produzir sensações penosas e perturbadoras. Foi com satisfação que percebi que tais manifestações físicas indicavam – não a dor ou o sofrimento, porem apenas a separação da alma e do organismo.
          "Pouco depois, a cabeça ficou cercada duma atmosfera brilhante; em seguida, de repente, vi o cérebro e o cerebelo estenderem suas partes interiores e suspenderem o exercício de suas funções galvânicas, tornando-se saturados de princípios vitais de eletricidade e magnetismo, que penetravam nas partes secundarias do corpo.
          "Por outras palavras, o cérebro tomou-se dez vezes mais preponderante do que era no estado normal.
          "Esse fenômeno precede invariavelmente a dissolução física.
          "Constatei depois o processo por meio do qual a alma ou espírito se destaca do corpo, o cérebro atraiu os elementos de eletricidade, magnetismo, movimento, vida e sensibilidade espalhados em todo o organismo. A cabeça como que se iluminou, e observei que, ao mesmo tempo em que as extremidades do corpo se tornavam frias e obscuras, o cérebro tomava um brilho particular.
          "Em torno dessa atmosfera fluídica que cercava a cabeça vi formar-se outra cabeça, que se
desenhou cada vez mais nitidamente. Tão brilhante era que eu mal podia fitá-Ia; à medida, porem, que ela se condensava, desaparecia a atmosfera brilhante. Deduzi dai que esses princípios fluídicos, que tinham sido atraídos pelo cérebro, de todas as partes do corpo, e então eram eliminados sob a forma de atmosfera particular, antes se achavam solidamente unidos, segundo o principio superior de afinidade do Universo, que se faz sempre sentir
em cada parcel a de matéria.
          "Com surpresa e admiração, segui as fases do fenômeno.
          "Do mesmo modo por que a cabeça fluídica  se desprendera do cérebro, vi formarem-se sucessivamente o pescoço, os ombros, o tronco, e enfim o conjunto do corpo fluídico, tornou-se evidente para mim que as partes intelectuais do ser humano são dotadas duma afinidade eletiva que lhes permite reunirem-se no momento da morte, As deformidades e os defeitos do corpo físico tinham quase inteiramente desaparecido do corpo fluídico.
          "Enquanto esse fenômeno espiritualista se desenvolvia diante das minhas faculdades  particulares aos olhos materiais das pessoas presentes no quarto, o corpo da agonizante parecia experimentar sintomas de sofrimento, os quais eram fictícios, pois apenas provinham da partida das forças vitais e intelectuais, que se retiravam de todo o corpo para se concentrarem no cérebro e depois no organismo novo.
          "O Espírito (ou inteligência desencarnada) elevou-se verticalmente acima da cabeça do corpo abandonado; porem, antes da separação final do laço que por tanto tempo reuniu as partes intelectuais e materiais, vi uma corrente de eletricidade vital formar-se sobre a cabeça da agonizante e sob o novo corpo fluídico.
          "Deu-me isto a convicção de que a morte é apenas um renascimento da alma ou do Espírito,
que se eleva dum grau inferior a um estado superior, e que o nascimento duma criança neste mundo e a formação dum Espírito no outro são fatos idênticos; nada realmente faltava, no fato que eu observava, para que o símile fosse completo, nem mesmo o cordão umbilical, que era figurado por um laço de eletricidade vital. Por algum tempo subsistiu esse laço entre os dois organismos.
          "Descobri então (o que não notara ainda nas minhas investigações psíquicas) que pequena parte do fluido vital voltava ao corpo material, logo que o cordão ou liame elétrico se quebrava,
          "Este elemento fluídico ou elétrico, espalhando-se por todo o organismo, impedia a dissolução imediata do corpo.
          “Não é prudente enterrar o corpo antes de começar a decomposição. Muitas vezes, antes da inumação, o cordão umbilical fluídico de que falei ainda não esta quebrado. E' pois isso que pessoas que parecem mortas voltam à vida no fim de um ou dois dias, narrando as sensações que experimentaram. Esse estado foi denominado letargia, catalepsia, etc. .
          "Quando, porem, o Espírito é detido no momento em que deixa o corpo, raramente se recorda do que se passou. Este estado de inconsciência pode parecer semelhante ao aniquilamento, quando observado superficialmente, e muitas vezes se recorre ao argumento que resulta dessa como que obliteração momentânea da memória para negar a imortalidade da alma.
          "Logo que se desprendeu dos laços tenazes do corpo a alma da pessoa que eu observava, constatei que o seu novo organismo fluídico era apropriado ao seu novo estado, mas que o conjunto se assemelhava a sua aparência terrestre. Não pude saber o que se passava nessa inteligência que revivia; observei, porem, a sua calma e a profunda admiração que lhe causava a dor daqueles que choravam em volta do seu corpo.
          "Pareceu-me que ela compreendeu, por fim, que essas pessoas ignoravam a que realmente se passara.
          "As lagrimas e as lamentações excessivas dos parentes e amigos só provem do ponto de vista falso em que se coloca a maioria dos homens, isto é, da crença materialista de que tudo finaliza com a morte do corpo.
          "Pelas minhas experiências, posso afirmar que, quando a pessoa morre naturalmente, nenhuma sensação penosa experimenta a alma.
          "O período de transformação que acabo de descrever dura cerca de duas horas, tempo que não é o mesmo para todos os entes humanos. Se pudésseis ver com os olhos psíquicos, perceberíeis perto do corpo rígido uma forma fluídica com a mesma aparência do ente humano que acaba de morrer, porem essa forma e mais bela e esta como que animada duma vida mais elevada."
          Quer acreditem, quer não, nesta curiosa narrativa, nem por isso deixara ela de Impressionar.
A grande massa dos cépticos encolhera os ombros, com o que já contava Davis, o qual dizia que os materialistas veriam em suas observações as alucinações metódicas de um cérebro superexcitado.
          Não esqueçamos, porem, que Davis afirma ter feito a sua experiência em estado de perfeita saúde alem de que os ingleses e os americanos sempre fizeram justiça à sua alta inteligência..

Autor: Alfred Erny

Fonte: O Psiquismo Experimental