Estudando o Espiritismo

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sábado, 2 de janeiro de 2016

ENSAIO TEÓRICO SOBRE AS SENSAÇÕES DOS ESPÍRITOS

Para compreender como os Espíritos, estando desencarnados, podem experimentar sensações e sofrimentos como nós, encarnados, e atuar sobre a matéria, é preciso compreender primeiramente o "PERISPÍRITO".

Por isso, reporto-me à QUESTÃO 257 do LIVRO DOS ESPÍRITOS  (LIVRO II, CAP. VII, "VIDA ESPÍRITA", ITEM IV, "ENSAIO TEÓRICO SOBRE AS SENSAÇÕES DOS ESPÍRITOS"), cujo resumo encontra-se abaixo:



ENSAIO TEÓRICO SOBRE AS SENSAÇÕES DOS ESPÍRITOS

RESUMO

O perispírito é o liame que une o Espírito à matéria do corpo. É tomado do meio ambiente, do fluido universal; contém ao mesmo tempo eletricidade, fluido magnético e até um certo ponto, a própria matéria inerte. Pode-se dizer que é a quintessência da matéria. É o princípio da vida orgânica mas não o da vida intelectual, porque esta pertence ao Espírito (alma). O perispírito é também o AGENTE DAS SENSAÇÕES EXTERNAS.

Durante a vida, o corpo percebe as impressões exteriores e as transmite ao Espírito POR INTERMÉDIO DO PERISPÍRITO, que constitui, provavelmente, o que se costuma chamar de “fluido nervoso”. O corpo, estando morto, não sente mais nada, porque não possui Espírito nem perispírito.

Da mesma forma, se pudesse existir perispírito sem Espírito, este não sentiria mais do que um corpo morto, pois que ele é apenas um AGENTE DE TRANSMISSÃO sendo o Espírito que possui a consciência.

Sendo o perispírito tomado do meio ambiente, ele varia segundo a natureza dos mundos. Ao passar de um mundo para outro, os Espíritos mudam de envoltório, assim como mudamos de roupa segundo as condições climáticas. Portanto, os Espíritos mais elevados, quando vem visitar-nos, revestem o perispírito terrestre e suas percepções, consequentemente, se assemelham às dos Espíritos vulgares (OBS: Não esquecer que o perispírito é um AGENTE TRANSMISSOR, daí a necessidade dos Espíritos, mesmo evoluídos, de revestirem-se desse envoltório fluídico, semi-material que é o perispírito, para que suas sensações se assemelhem às nossas, ou seja, neste caso, que tenham sensações tão grosseiras quanto as nossas).

O corpo é o instrumento da dor; a alma tem a percepção dessa dor. As dores físicas são inerentes à matéria, sendo aquelas morais inerentes ao Espírito. O homem encarnado sofre, por exemplo, o frio e o calor; a alma, como sabemos, não pode regelar-se nem queimar.

Entretanto, mesmo nas dores de ordem puramente física, a alma conserva a impressão destas dores; é o caso, por exemplo, de pessoas afirmarem sentir dor em membros já amputados.

É através do perispírito que são transmitidas ao Espírito as impressões exteriores ou sensações que o corpo recebe. Da mesma maneira é igualmente através do perispírito que o Espírito age sobre a matéria.

A rigor, no momento da morte, dá-se a ruptura do perispírito e do corpo. Entretanto, o processo de desligamento ou de desprendimento do perispírito com o corpo ocorre com maior ou menor facilidade e rapidez, segundo o grau de elevação moral do indivíduo, que o torna mais ou menos apegado à matéria e às coisas do mundo material.

Nos primeiros instantes após a morte, o Espírito não compreende a sua situação; não acredita que morreu. Sente-se vivo, vê seu corpo ao lado, sabe que é seu e não entende porque está separado. Esse estado dura todo o tempo que existir um liame entre o perispírito e o corpo.

Essa ligação produz no Espírito “sensações” de sua vida corpórea, ou seja, estando o perispírito ligado ao corpo depois da morte, o Espírito continua a receber “impressões” que ele caracteriza como “físicas”.

Na realidade, o Espírito não sente dores como quando encarnado, uma vez que as sensações de dor estão localizadas, no corpo, nos órgãos que lhes servem de canais. Destruído o corpo, as sensações se tornam generalizadas. A dor que sentem não é a dor física propriamente dita : é um vago sentimento interior, de que o próprio Espírito nem sempre tem perfeita consciência, porque a dor não é localizada e não é produzida por agentes exteriores. É, antes, uma lembrança, também penosa, e em alguns casos, mais do que isso.

Conta-nos Kardec que certa vez o Espírito de um suicida afirmava “estar vivo” e, sem embargo, “sentia” os vermes que o roíam. Obviamente, os vermes não roíam o seu perispírito, mas seu corpo em decomposição. Não havendo se completado a separação do perispírito e do corpo, o primeiro, como agente transmissor, transmitia ao Espírito as sensações do que se passava no corpo, produzindo uma espécie de “repercussão emocional”. Era a visão do que se passava no corpo ao qual o perispírito continuava ligado, produzindo esta ilusão, tomada por real.

Assim, vemos Espíritos queixarem-se de frio ou de calor, independentemente de ser inverno ou verão.

Já dissemos que a ligação do perispírito com o corpo após a morte, persiste de acordo com o grau de aperfeiçoamento moral do ser desencarnado. Quanto mais o Espírito se purifica, mais eterizada se torna a essência do perispírito. A influência material diminui à medida que o Espírito progride, tornando seu perispírito, consequentemente, menos grosseiro.

ATRIBUTOS ESSENCIAIS DA ALMA

Uma vez entendido que o perispírito age como transmissor das sensações do corpo ao Espírito e vice-versa, compreendemos que, se o Espírito não tivesse perispírito, ele seria inacessível a todas as sensações penosas e, por analogia, às sensações agradáveis.

Isto é precisamente o que acontece com os Espíritos completamente purificados, imunes a toda e qualquer influência da matéria. São portanto, inacessíveis às sensações penosas oriundas da ligação do Espírito à matéria, bem como daquelas agradáveis, que provém unicamente da matéria que conhecemos.

O Espírito tem percepção, sensação, audição, visão, e essas faculdades são atributos de TODO O SEU SER, e não apenas de certos órgãos, como ocorre com o ser encarnado.

Os Espíritos de ordem elevada são inacessíveis às impressões de nossa matéria, pois que seu envoltório eterizado não encontra meios de comparação na Terra (daí nos referirmos ao fato deles se revestirem do perispírito terrestre quando em visita à Terra).

O mesmo não ocorre com aquele cujo perispírito é mais denso, mais grosseiro, menos purificado, pois que ele percebe os nossos sons, sente nossos odores, etc, por estar mais ligado à matéria. Essas percepções, entretanto, não se dão por uma parte determinada de seu organismo, como quando encarnado, pois como já dissemos, a percepção, bem como a audição e a visão são atributos de TODO O SEU SER, ou seja:

A ALMA, OU ESPÍRITO, TEM PORTANTO EM SI MESMA A FACULDADE DE TODAS AS PERCEPÇÕES, SENDO QUE ELAS SE LIBERTAM MAIS E MAIS, À MEDIDA QUE SE TORNA MENOS DENSO O PERISPÍRITO

Da mesma forma, a FACULDADE DE VER é ATRIBUTO ESSENCIAL DA ALMA, para a qual não há obscuridade, apresentando-se porém mais ampla e penetrante, como já dissemos, entre os que estão mais purificados.

Nos primeiros momentos após a morte, a vista do Espírito é sempre turva e confusa, esclarecendo-se na proporção em que ele se liberta, e podendo assim adquirir a mesma clareza que tinha durante a vida, além da possibilidade de penetrar nos corpos opacos. Quanto à sua extensão através do espaço infinito, no passado e no futuro, depende do grau de pureza e de elevação do Espírito.

Sendo, portanto, as percepções atributos do Espírito, e este não possuindo órgãos sensoriais, ele pode tornar suas percepções ativas ou nulas, o que vale dizer que os Espíritos, inferiores e superiores, só ouvem e sentem o que quiserem ouvir e sentir, com a exceção de serem forçados a ouvir os conselhos dos Bons Espíritos.

A vista é sempre ativa, mas eles podem tornar-se invisíveis uns para os outros. Conforme a classe a que pertençam, podem ocultar-se dos que lhes são inferiores, mas não dos superiores.

Dito isto, vemos que embora o Espírito goze destas faculdades, ele só poderá usufruí-las na sua plenitude à medida que se depure e que alcance seu aperfeiçoamento moral, visando atingir a perfeição absoluta.

CONCLUSÃO

Como vimos, alguns Espíritos continuam a sofrer mesmo após a morte do corpo físico. Constatamos igualmente que, muito embora a percepção, a sensação, a audição e a visão sejam atributos essenciais da alma, elas estão sujeitas às limitações do próprio Espírito, que só se beneficia das potencialidades de tais faculdades, à medida que se desenvolva e se depure.

Seria, entretanto, irracional supor que um futuro irremediavelmente tenebroso nos espera, no além-túmulo.

Devemos considerar que os sofrimentos que os Espíritos experimentam, sejam da sorte que forem, são sempre conseqüência da maneira que eles viveram na Terra.

Desta maneira, desde nossa existência corpórea podemos – e devemos – preparar o caminho de nossa libertação, usando de nosso livre-arbítrio conscientemente na busca do bem e do aperfeiçoamento moral e intelectual (nesta ordem).

Os sofrimentos estão sempre em relação com a conduta, isso desde a vida corpórea, e sofremos inevitavelmente as conseqüências de nossas más atitudes. Portanto, os que sofrem é porque assim o quiseram, e só devem queixar-se de si mesmos, tanto no outro mundo como neste.

Os sofrimentos que os Espíritos experimentam após o desencarne, são o resultado dos laços que ainda existem entre o Espírito e a matéria, e sempre em relação à sua conduta enquanto encarnados, sofrendo as conseqüências de seus próprios atos.

Portanto, quanto mais ele estiver desligado da influência da matéria, menos sensações penosas sofrerá.

Podemos, mesmo sob o envoltório corpóreo, purificar-nos e desprender-nos da matéria, não sofrendo assim suas influências após o desencarne. Busquemos, desde essa vida, domar as paixões animais; não sentir ódio, nem inveja, nem ciúme, nem orgulho, nem egoísmo. Tratemos de purificar nossas almas através de bons sentimentos e da prática incansável do bem.

Abstenhamo-nos de dar às coisas deste mundo, maior importância do que elas merecem.

Esse é o caminho para, desde já, despojarmo-nos pouco a pouco de nossas imperfeições, que nos ligam à matéria tal qual imã, impedindo-nos de galgar novos horizontes em benefício de nós mesmos.

Assim procedendo, ao libertarmo-nos do corpo tal qual de pesado fardo, não carregaremos conosco lembranças ou quaisquer resquícios dos sofrimentos físicos experimentados no mundo corpóreo, legando-os ao corpo unicamente, sem afetar nossos espíritos.

Também desta forma nos libertamos dos sofrimentos morais, conseqüentes de nossos maus procedimentos, e freqüentemente muito mais pungentes do que aqueles de ordem física.

O Livro dos Espíritos está disponível no endereço http://livrodosespiritos.wordpress.com
O item em questão encontra-se no link http://livrodosespiritos.wordpress.com/mundo-dos-espiritos/cap-1-dos-espiritos/vi-escala-espirita/



Resumo elaborado por Liz Bittar
Fonte: questão 257 do LIVRO DOS ESPÍRITOS (Livro II, Cap. VII “Vida Espírita”, item IV “Ensaio Teórico sobre as sensações dos Espíritos”)

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