Estudando o Espiritismo

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quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Perfeição Moral

Introdução - Educação e Instrução:

O primado da primeira sobre a segunda, é que é o fundamento do alto teor educativo de toda a Doutrina Espírita. E Kardec soube herdar de si mesmo, de Rivail, esse influxo pedagógico que avassalou todos os livros da Codificação, pela orientação decisiva dos Espíritos superiores e reveladores. E Rivail assim estabeleceu esse primado, quando fixou na obra agora traduzida e lançada no Brasil: "Há uma grande diferença entre um professor e educador; o primeiro se limita a ensinar (...), mas o segundo é encarregado do desenvolvimento inteiro do homem (...) a educação não se limita apenas à instrução".

Educação e os hábitos do bem:

Sentenciou Rivail em 1828: "A educação é o resultado do conjunto de hábitos adquiridos". A mesma impressão, mantida durante um certo tempo e freqüentemente repetida, fá-la (a criança) contrair um hábito que passa a ser uma segunda natureza.

Culmina, nesta área, reconhecendo a possibilidade de formação dos hábitos morais, e não apenas dos de natureza motora (habilidades, ofícios, etc.), afirmando: "Os hábitos Morais são aqueles que nos levam, malgrado nosso, a fazer qualquer coisa de bom ou mal. Há hábitos de três naturezas diferentes: são eles físicos, intelectuais ou morais". Tais disposições encontramos em vários textos da Codificação.

Educação como o afloramento do potencial espiritual:

Quando Rivail afirma essa idéia, cerca de 30 anos antes da codificação, lançou uma cabeça de ponte no âmago da Doutrina. A educação é a arte de formar os homens, isto é, a arte de fazer eclodir neles os germes da virtude e abafar os do vício.

Disciplina Educativa:

Rivail, nos mesmos textos originais traduzidos, desaconselha os castigos. Esse posicionamento recebe um tratamento mais amplo na Codificação (Céu e Inferno, VII, código 17º), no qual as punições são substituídas pela correção através da reparação, pelo próprio infrator, das faltas e agravos cometidos, que é, assim, já "para Kardec, "a verdadeira Lei de Reabilitação Moral dos Espíritos", princípio esse mais poderoso que o inferno e as respectivas penas eternas. De certo modo, ainda que indiretamente, aprofunda as recompensas na interioridade espiritual e moral: "Esperai a recompensa para nossos cuidados mais constantes tão somente na satisfação de ser útil".

"A educação é a obra da minha vida, e todos os meus instantes são empregados em meditar sobre esta matéria: feliz quando encontro algum meio novo ou quando descubro novas verdades". (Prof. Rivail 1834).


Ä Paixões:

As paixões são alavancas que duplicam as forças do homem e o auxiliam na execução dos desígnios da Providência. Mas, se, em vez de as dirigir, deixa que elas o dirijam, cai o homem nos excessos e a própria força que, manejada pelas suas mãos, poderia produzir o bem, contra ele se volta e o esmaga.

Todas as paixões têm seu princípio num sentimento, ou numa necessidade natural. O principal das paixões não é, assim, um mal, pois que assenta numa das condições providenciais da nossa existência. A paixão propriamente dita é a exageração de uma necessidade ou de um sentimento. Está no excesso e não na causa e este excesso se torna um mal, quando tem como conseqüência um mal qualquer.

Toda paixão que aproxima o homem da natureza animal afasta-o da natureza espiritual.

Todo sentimento que eleva o homem acima da natureza animal denota predominância do Espírito sobre a matéria e o aproxima da perfeição.

"Deus é Amor" e, ao criar-nos, fez-nos participantes de Sua natureza, isto é, dotados dessa virtude por excelência, carecendo apenas que a desenvolvamos e a depuremos, até a sublimação.

Houve por bem, então, tornar-nos sensíveis ao prazer para que cada um de nós, buscando-o, cultivasse o amor a si mesmo, para, numa outra etapa, ser capaz de estender esse amor aos semelhantes.

Pode parecer que a busca do prazer pessoal seja uma forma errônea, por parecer ser sumamente egoísta, para que possa conduzir-nos à efetivação desse grandioso desiderato (s. m. Aquilo que se deseja; aspiração. (Do. lat. desideratu.). Deus, porém, em Sua onisciência (s. f. Qualidade do que é onisciente; ciência infinita, universal.), sempre escolhe os melhores caminhos possíveis para nosso progresso.

Os gozos que o mundo nos proporciona, entretanto, são regulados por Leis Divinas, que lhe estabelecem limites em função das reais necessidades de nosso corpo físico e dos justos anseios de nossa alma, e transpô-las ocasiona conseqüências tanto mais funestas (adj. Que causa a morte; que fere mortalmente; que anuncia ou precede a morte; (fig.) que prognostica desgraça; fatal; sinistro; infausto; deplorável; que enluta ou amargura; desventurado; cruel. (Do lat. funestu.) quanto maiores sejam os desmandos cometidos.

Nisto, como em todo aprendizado que lhe cumpra fazer, seja de um ofício, de uma arte, ou do exercício de um poder qualquer, o homem começa causando, a si mesmo e ao próximo, mais prejuízos que benefícios.

É que, em sua imensa ignorância, não sabe distinguir o uso do abuso, exagera suas necessidades e sentimentos, e é ai, no excesso, que aquelas e estes se transformam em paixões, provocando perturbações danosas ao seu organismo e ao seu psiquismo.

Pergunta 910 de "O Livro dos Espíritos": - Pode o homem achar nos Espíritos eficaz assistência para triunfar de suas paixões? a que a Espiritualidade responde:

"Se o pedir a Deus e ao seu bom gênio, com sinceridade, os bons Espíritos lhe virão certamente em auxilio, porquanto é essa a missão deles" (459). Esta questão reporta-se à 459:

Pergunta 459: Influem os Espíritos em nossos pensamentos e em nossos atos?

Resposta: "Muito mais do que imaginais. Influem a tal ponto, que, de ordinário, são eles que vos dirigem".

Vejamos alguns exemplos:

A alimentação é um imperativo da natureza, cujo atendimento é coisa que nos dá grande satisfação. Quantos entretanto, fazem dos "prazeres da mesa "a razão de sua existência, rendendo-se à glutonaria (s. f. Vício de glutão; voracidade. (Var.: glutoneria e glutonia.) (Do fr. gloutonnerie.), mais dias, menos dias, terão que pagar, com a enfermidade, senão mesmo com a morte, o preço desse mau hábito.

Muito natural o nosso desejo de preparar dias melhores para nós e a nossa família, bem assim as lutas a que nos entregamos e os sacrifícios que nos impomos, visando a tal objetivo. Todavia, é preciso que essa preocupação pelo futuro não ultrapasse os limites do razoável, para que não se converta em obsessão.

A recreação, por outro lado, é uma exigência do espírito, e os entretenimentos ocasionais valem por excelentes fatores de higiene mental. Infelizes, no entanto, os que, seduzidos pelas emoções de uma partida de víspora, pelo lucro fácil de um lance de roleta, ou quejandos (adj. Que tem a mesma natureza, assemelhado; qual.), se deixem dominar pelo jogo! A desgraça não tardará a abatê-los, como abatidos têm sido todos quantos se escravizam a essa terrível viciação.

Pergunta 908 de "O Livro dos Espíritos":

Como se poderá determinar o limite onde as paixões deixam de ser boas para se tornarem más?

Resposta: "As paixões são como um corcel, que só tem utilidade quando governado e que se torna perigoso desde que passe a governar. Uma paixão se torna perigosa a partir do momento em que deixais de poder governá-la e que dá em resultado um prejuízo qualquer para vós mesmos, ou para outrem."

Como se vê, o princípio das paixões nada tem de mau, visto que "assenta numa das condições providenciais de nossa existência", podendo inclusive, em certos casos e enquanto governadas, levar o homem a feitos nobilizantes.

Todo mal, repetimo-lo, reside no abuso que delas se faz.

Urge, portanto, que, na procura do melhor, do que nos traga maior soma de gozo, aprendamos a respeitar as leis da Vida, para que elas, inexoráveis (adj. 2 gên. Que não cede a rogos; implacável; inflexível; rígido. (Do lat. inexorabile.) como são, não se voltem contra nós, compelindo-nos a penosos processos de reajuste e reequilibro.

Quanto as imperfeições, Allan Kardec questionou os Espíritos Luminares (questão 895): Qual o sinal mais característico da imperfeição? Resposta: "O interesse pessoal..."

Em se tratando de imperfeições, os Benfeitores da Humanidade alertam-nos sobre o seguinte: "Antes de censurardes as imperfeições dos outros, vede se de vós não poderão dizer o mesmo. Tratai, pois, de possuir as qualidades opostas aos defeitos que criticais no vosso semelhante. Esse o meio de vos tornardes superiores a ele, se lhe censurais o ser avaro (Adj, miserável; unha-de-fome; avarento; mesquinho), sede generosos; se o ser orgulhoso, sede humildes e modestos; se o ser áspero, sede brandos; se o proceder com pequenez, sede grandes em todas as vossas ações. Numa palavra, fazei por maneira que se não vos possam aplicar estas palavras de Jesus: "Vê o argueiro no olho do seu vizinho e não vê a trave no seu próprio".


Ä As Virtudes e os Vícios:

Toda virtude tem seu mérito próprio, porque todas indicam progresso na senda do bem. Há virtude sempre que há resistência voluntária ao arrastamento dos maus pendores. A sublimidade da virtude, porém, está no sacrifício do interesse pessoal, pelo bem do próximo, sem pensamento oculto. A mais meritória é a que assenta na mais desinteressada caridade.

Encontramos em "O Evangelho Segundo o Espiritismo", no cap. XVII, que se intitula "Sede Perfeitos", na "Instrução dos Espíritos", as preciosas lições do Espírito François-Nicolas-Madeleine – Paris, 1863):

"A virtude, no mais alto grau, é o conjunto de todas as qualidades essenciais que constituem o homem de bem. Ser bom, caritativo, laborioso, sóbrio, modesto, são qualidades do homem virtuoso. Infelizmente, quase sempre as acompanham pequenas enfermidades morais que as enfraquecem. Não é virtuoso aquele que faz ostentação da sua virtude, pois que lhe falta a qualidade principal: a modéstia, e tem o vício que mais lhe opõe: o orgulho. A virtude verdadeiramente digna desse nome, não gosta de estadear-se (v.t. Ostentar, alardear). Adivinham-na; ela, porém, se oculta na obscuridade e foge à admiração das massas. São Vicente de Paulo era virtuoso; eram virtuosos o digno Cura d’Ars e muitos outros quase desconhecidos do mundo, mas conhecidos de Deus. Todos esses homens de bem ignoravam que fossem virtuosos; deixavam-se ir ao sabor de suas santas inspirações e praticavam o bem com desinteresse completo e inteiro esquecimento de si mesmos.

A virtude assim compreendida e praticada é que vos convido, meus filhos; essa virtude verdadeiramente cristã e verdadeiramente espírita é que vos incito a consagrar-vos. Afastai, porém, de vossos corações tudo o que seja orgulho, vaidade, amor-próprio, que sempre desadornam as mais belas qualidades. Não imiteis o homem que se apresenta como modelo e trombeteia, ele próprio, suas qualidades a todos os ouvidos complacentes. A virtude que assim se ostenta esconde muitas vezes uma imensidade de pequenas torpezas (s.f. procedimento indigno, desonestidade; infâmia) e de odiosas covardias..."

É indagado em "O Livro dos Espíritos", questão 893, - "Qual a mais meritória de todas as virtudes?" a que a Espiritualidade responde:

"Toda virtude tem seu mérito próprio, porque todas indicam progresso na senda do bem. Há virtude sempre que há resistência voluntária ao arrastamento dos maus pendores. A sublimidade da virtude, porém está no sacrifício do interesse pessoal, pelo bem do próximo, sem pensamento oculto. A mais meritória é a que assenta na mais desinteressada caridade."

Retornando ao Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo acima citado, lição do Espírito François-Nicolas-Madeleine:

"Em princípio, o homem que se exalta, que ergue uma estátua à sua própria virtude, anula, por esse simples fato, todo mérito real que possa ter. Entretanto, que direi daquele cujo único valor consiste em parecer o que não é? Admito de boamente que o homem que pratica o bem experimente uma satisfação íntima em seu coração; mas, desde que tal satisfação se exteriorize, para colher elogios, degenera em amor-próprio.

Ó vós todos a quem a fé espírita aqueceu com seus raios, e que sabeis quão longe da perfeição está o homem, jamais esbarreis em semelhante escolho. A virtude é uma graça que desejo a todos os espíritas sinceros. Contudo, dir-lhe-eis: mais vale pouca virtude com modéstia, do que muita com orgulho.

Pelo orgulho é que as Humanidades sucessivamente se lhe hão perdido: pela humildade é que um dia elas se hão de redimir."

O Espírito Joana de Ângelis, no livro Leis Morais da Vida, Cap. 40, leciona: "Sê severo nos teus compromissos morais, nas tuas relações sociais, impondo-te elevação e austeridade.

Um descuido, uma concessão e se estabelecem os vínculos inditosos.

Bons costumes e cuidado deves manter, mesmo que os outros se favoreçam com maior soma de liberdade, a fim de preservar-te das artimanhas dos vícios e delitos que trazes do ontem, que podes adquirir hoje e que estão fáceis por toda parte...

Vigia e indaga teus sentimentos.

Se descobrires tendências e inclinações não adies o combate, nem te concedas ao pieguismo.

Luta e vence-os de uma vez, arrebatando os elos mantenedores da viciação e dos delitos, a fim de lograres o êxito que persegues, anelas e necessitas."

"Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más", muito bem conceituou Allan Kardec, no Cap.XVII de "O Evangelho segundo o Espiritismo". Ora, transformação moral é modificação do procedimento pessoal, nesse ou naquele ponto, mediante o emprego da vontade própria, após cientificar-se da necessidade.

Sucede que há muitas pessoas que dizem: - Quero, mas a vontade se lhe está nos lábios. Querem, porém muito satisfeitas ficam que não seja como "querem".

Não foi sem valia que, diante de tal quadro, o Codificador buscasse a orientação dos portadores das Leis Morais, conforme questão 909 de "O livro dos Espíritos":

Poderia sempre o homem, pelos seus esforços, vencer as suas más inclinações?

Resposta: "Sim, e, freqüentemente, fazendo esforços muito insignificantes. O que lhe falta é a vontade. Ah! Quão poucos dentre vós fazem esforços!"


Ä Egoísmo:

De todas as imperfeições humanas, o egoísmo é a mais difícil de desenraizar-se porque deriva da influência da matéria, influência de que o homem, ainda muito próxima de sua origem não pôde libertar-se e para cujo entretenimento tudo concorre: suas leis, sua organização social, sua educação. O egoísmo se enfraquecerá à proporção que a vida moral for predominando sobre a vida material.

Quando o homem crê não poder vencer as suas paixões, é que seu Espírito se compraz nelas, em conseqüência da sua inferioridade. Compreende a sua natureza espiritual aquele que as procura reprimir. Vencê-las é, para ele, uma vitória do Espírito sobre a matéria.

O egoísmo é a fonte de todos os vícios, como a caridade o é de todas as virtudes. Destruir um e desenvolver a outra, tal deve ser o alvo de todos os esforços do homem, se quiser assegurar a sua felicidade neste mundo, tanto quanto no futuro.

Não é preciso ser versado em psicologia para perceber que a fonte de todos os vícios que caracterizam a imperfeição humana é o egoísmo. Dele dimanam (verbo dimanar - v. intr. Fluir, correr, deslizar serenamente; tr. ind. circular; percorrer; originar-se, provir, proceder; resultar.) a ambição, o ciúme, a inveja, o ódio, o orgulho e toda sorte de males que infelicitam a Humanidade, pelas mágoas que produzem, pelas dissensões (s. f. Ato de dissentir; divergência; desarmonia; desinteligência; contraste. (Do lat. dissensione.) que provocam e pelas perturbações sociais a que dão ensejo.

Vemo-lo manifesto neste mundo sob as mais variadas formas, a saber:

egoísmo individual,
egoísmo familiar,
egoísmo de classe,
egoísmo de raça,
egoísmo nacional,
egoísmo sectário.
Egoísmo Individual:

Em seu aspecto individual, funda-se num sentimento exagerado de interesse pessoal, no cuidado exclusivo de si mesmo, e no desamor a todos os outros, inclusive os que habitam o mesmo teto, os quais não raro, são os primeiros a lhe sofreram os efeitos.

O egoísmo familiar:

Consiste no amor aos pais, irmãos, filhos, enfim àqueles que estão ligados pelos laços da consangüinidade, com exclusão dos demais. Limitados por esse espírito de família, são muitos, ainda, os que desconhecem que todos somos irmãos (porque filhos de um só Pai celestial), e se furtam a qualquer expressão de solidariedade fora do círculo restrito da própria parentela.

O egoísmo de classe:

Se faz sentir através dos movimentos reivindicatórios tão em voga em nossos dias. Ora é uma classe profissional que entra em greve, ora é outra que promove dissídio, ou são servidores públicos que pressionam os governos a fim de forçar o atendimento às suas exigências, agindo cada grupo tão somente em função de sua conveniências, sem atentar para o desequilíbrio e os sacrifícios que isso possa custar à coletividade.

O egoísmo de raça:

É responsável, também, por uma série de dramas e conflitos dolorosos. Que o digam os negros, vítimas de cruéis discriminações em várias partes do mundo, assim como os enamorados que, em tão grande número, não puderam tornar-se marido e mulher, consoante os anseios de seus corações, porque os prejuízos raciais de seus familiares falaram mais alto, impedindo a concretização de seus sonhos de felicidade.

O egoísmo nacional:

É o que se disfarça ou se esconde sob o rótulo de "patriotismo". Habitantes de um país, a pretexto de engrandecer sua pátria, invadem outros países, escravizam-lhes as populações, destroem-lhes a nacionalidade, gerando, assim, ódios insopitáveis (adj. 2 gên. Que não se pode sopitar ou adormentar. (De in+sopitável.) – sopitar: v. tr. dir. Adormecer ou fazer adormecer; (fig.) adormentar; acalmar; alquebrar; elanguescer; efeminar; dominar; vencer; sopear.) que, mais dia menos dia, hão de explodir em novas lutas sanguinolentas.

O egoísmo sectário:

(adj. Referente a seita; s.m. membro de uma seita; partidário convicto) É aquele que transforma crentes em fanáticos, a cujos olhos só a sua igreja é verdadeira e salvadora, sendo, todas as outras, fontes de erro e de perdição, fanáticos aos quais se proíbe de ouvir ou ler qualquer coisa que contrarie os dogmas de sua organização religiosa, aos quais se interdita auxiliar instituições de assistência social cujos dirigentes tenham princípios religiosos diversos do seu, e aos quais se inculca (s. f. Ato de inculcar; - inculcar: v. tr. dir. e ind. Indicar, propor; aconselhar; recomendar com elogio. (Do lat. inculcare.) ser um dever de consciência defender tamanha estreiteza de sentimentos.

Esse tipo de egoísmo é, seguramente, o mais funesto, por se revestir de um fanatismo religioso, obstando que os ingênuos e desprevenidos o reconheçam pelo que é, na realidade.

Foi esse egoísmo sectário que, no passado, promoveu as chamadas guerras religiosas e a "Santa" Inquisição, de tão triste memória, infligindo torturas e mortes excruciantes (adj. 2 gên. Que excrucia; pungente; lancinante; doloroso. (Do lat. excruciante.) a centenas de milhares de homens, mulheres e crianças e, ainda hoje, desperta, acoroça (verbo acoroçoar - v. tr. dir. Animar, alentar, encorajar; tr. dir. e ind. animar, incitar, induzir. (Var.: acorçoar.) (De coração.) e mantém a animosidade entre milhões de criaturas, retardando o estabelecimento daquela Fraternidade Universal que o Cristo veio preparar com o seu Evangelho de Amor.

O Espiritismo, pela poderosa influência que exerce no homem, fazendo-o sentir-se um ser cósmico, destinado a ascender pelo progresso moral às mais esplendorosas moradas do Infinito, é o mais eficaz antídoto ao veneno do egoísmo; pratica-lo é, pois, trilhar o caminho da Evolução e preparar-se um futuro incomparavelmente mais feliz.


Ä Caracteres do Homem de Bem:

Kardec, em suas primorosas observações, registradas em "O Livro dos Espíritos", com relação aos caracteres do homem de bem, (questão 918), assim prescreve:

"Verdadeiramente, o homem de bem é o que pratica a lei de justiça, amor e caridade, na sua maior pureza. Se interrogar a própria consciência sobre os atos que praticou, perguntará se não transgrediu essa lei, se não fez o mal, se fez todo bem que podia, se ninguém tem motivos para dele se queixar, enfim fez aos outros o que desejara que lhe fizessem.

Possuído do sentimento de caridade e de amor ao próximo, faz o bem pelo bem, sem contar com qualquer retribuição, e sacrifica seus interesses à justiça.

É bondoso, humanitário e benevolente para com todos, porque vê irmãos em todos os homens, sem distinção de raças, nem de crenças.

Se Deus lhe outorgou (outorgar - V.T. aprovar; consentir em; conceder; doar) o poder e a riqueza, considera essas coisas como depósito, de que lhe cumpre usar para o bem. Delas não se envaidece, por saber que Deus, que lhas deu, também, lhas pode retirar.

Se sob a sua dependência a ordem social colocou outros homens, trata-os com bondade e complacência, porque são seus iguais perante Deus. Usa da sua autoridade para lhes levantar o moral e não para os esmagar com seu orgulho.

É indulgente para com as fraquezas alheias, porque sabe que também precisa da indulgência dos outros e se lembra destas palavras do Cristo: Atire a primeira pedra aquele que estiver sem pecado.

Não é vingativo. A exemplo de Jesus, perdoa as ofensas, para só lembrar dos benefícios, pois não ignora que, como houver perdoado, assim perdoado lhe será.

Respeita, enfim, em seus semelhantes, todos os direitos que as leis da Natureza lhes concedem, como quer que os mesmos direitos lhes sejam respeitados."

Por sua vez, Joana de Ângelis, Espírito, em "Leis Morais da Vida" cap. 58, ensina-nos: "Se te reservas a alegria do serviço nobre, não esperes resultados favoráveis aos teus empreendimentos superiores. Na Terra, a felicidade somente é possível quando alguém se esquece de si mesmo para pensar e fazer tudo que lhe seja possível em favor do seu próximo.

A felicidade perfeita, se existisse, no mundo, se diluiria ante uma criança infeliz, um enfermo ao abandono, um velhinho relegado ao esquecimento.

Não pretendas, portanto, ouropéias (ouro falso, falso brilho, aparência enganosa), enganosos, cortesias, especiais, reconhecimento imediato, favoritismo ou, mesmo, entendimento fraternal.

Se confias na Misericórdia de Deus, trabalha sem desfalecimento e ama em qualquer circunstância, sem distinção nem preferências, recordando Jesus, que embora Modelo Ímpar, não encontrou, ainda, no mundo o entendimento nem a aceitação que merece.


Ä Conhecimento de Si Mesmo:

Questão 919 de "O Livro dos Espíritos":

Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal?

Resposta: "Um sábio da antiguidade vo-lo disse: Conhece-te a ti mesmo."

Caminho para a realização:

A civilização deve à Grécia Antiga a divulgação de uma orientação básica para o crescimento pessoal: Conhece-te a ti mesmo. A frase esculpida no templo de Delfos, e popularizada pelo discurso socrático, atravessou os séculos desafiando o ser humano para uma profunda investigação de si mesmo, o que culminou com o surgimento de diferentes correntes de psicologia da atualidade. Elas, por sua variedade, atestam a grande dificuldade de se chegar a um consenso sobre essa busca de autocompreensão; a difícil, "dangerosíssima viagem de si a si mesmo", como definia nosso poeta Carlos Drummond de Andrade, cada vez mais desperta interesse e ao mesmo tempo se coloca como desafio pessoal e coletivo.

A comunidade espírita, desde os primórdios da Codificação Kardequiana, tem sido concitada a exercitar-se nesse sentido como necessidade fundamental para a evolução do ser. O Livro dos Espíritos não somente define o conhecimento de si mesmo como "o meio mais rápido de se melhorar nessa vida e de resistir à atração do mal" como desenha uma estratégia ao apregoar a necessidade de um exame pessoal diário através de um questionamento sobre as próprias atitudes e comportamentos. Adverte inclusive, sobre os riscos do auto-engano e da ilusão do amor próprio nessas avaliações. A noção da importância do autoconhecimento é ampliada no Evangelho Segundo o Espíritismo com a diretriz de mudança evolutiva expressa neste pensamento: "reconhece-se o verdadeiro espírita por sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas más inclinações". Tal procedimento implica na identificação do estágio atual de evolução do ser e na possibilidade de usar da vontade para alcançar novos momentos de evolução.

Com o avanço do saber espírita e da psicologia ao longo do último século, podemos selecionar alguns referenciais para agilizar a vivência do autoconhecimento.

Em primeiro lugar, é importante utilizar eqüitativamente as diferentes vias de acesso a si mesmo. É natural que o intelecto seja ainda a mais comum forma de abordagem do problema, como queria Santo Agostinho ao orientar que multiplicássemos as perguntas para melhor investigar nosso estado atual; mantê-la é necessário. Entretanto, podemos ampliar nosso acesso utilizando-nos de outras vias de percepção, como a intuição, o sensório e o sentimento. Ensina-nos Santo Agostinho:

"Fazei o que eu fazia, quando vivi na Terra: ao fim do dia, interrogava a minha consciência, passava revista ao que fizera e perguntava a mim mesmo se não faltara a algum dever, se ninguém tivera motivo para de mim se queixar. Foi assim que cheguei a me conhecer e a ver o que em mim precisava de reforma. Aquele que, todas as noites, evocasse todas as ações que praticara durante o dia e inquirisse de si mesmo o bem ou mal que houvera feito, rogando a Deus e ao seu anjo de guarda que o esclarecessem, grande força adquirida para se aperfeiçoar, porque, crede-me, Deus o assistiria. Dirigi, pois, a vós mesmos perguntas, interrogai-vos sobre o que tendes feito e com que objetivo procedestes em tal ou tal circunstância, sobre se fizeste alguma coisa que, feita por outrem censuríeis, sobre se obrastes alguma ação que não ousaríeis confessar. O conhecimento de si mesmo é, portanto, a chave do progresso individual. Mas, direis, como há de alguém julgar-se a si mesmo? Não está aí a ilusão do amor próprio para atenuar as faltas e torná-las desculpáveis? O avarento se considera apenas econômico e previdente; o orgulhoso julga que em si só há dignidade. Isto é muito real, mas tendes um meio de verificação que não pode iludir-vos. Quando estiverdes indecisos sobre o valor de uma de vossas ações, inquiri como a qualificaríeis, se praticada por outra pessoa. Se censurais noutrem, não na podereis ter por legítima quando fordes o seu autor, pois que Deus não usa de duas medidas na aplicação de sua justiça. Procurai também saber o que dela pensam os vossos semelhantes e não desprezeis a opinião dos vossos inimigos, porquanto esses nenhum interesse têm em mascarar a verdade e Deus muitas vezes os coloca ao vosso lado como um espelho, a fim de que sejais advertidos com mais franqueza do que o faria um amigo.

Perscrute, (verbo perscrutar - v. tr. dir. Indagar, investigar, averiguar minuciosamente; esquadrinhar; sondar; penetrar. (Do lat. perscrutari.) conseguintemente, a sua consciência aquele que se sinta possuído do desejo sério de melhorar-se, a fim de extirpar de si os maus pendores, como do seu jardim arranca as ervas daninhas."

O autodescobrimento é também um processo de parto, impondo a coragem para o acontecimento que libera.

A verdade faculta ao homem o valor de recomeçar inúmeras vezes a experiência equivocada até acertá-la.

A aquisição da verdade amadurece o homem, que a elege e habitua-se à sua força libertadora, pois que, somente há liberdade real, se esta decorre daquela que o torna humilde e forte, aberto a novas conquistas e a níveis superiores de entendimento.



Bibliografia

Kardec, Allan- O Livro dos Espíritos, Parte Segunda, Cap.II e XI; 44ª Edição da FEB.
Kardec, Allan- O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. 17, 77ª Edição da FEB.
Apostila do PBDE, Vol.II – Centro Espírita Luz Eterna.
Xavier, Francisco Candido - O Consolador, 14ª Edição da FEB.
Franco, Divaldo Pereira – As Leis Morais, pelo Espírito Joanna de Ângelis, 3ª Edição da Livraria Espírita Alvorada.
Calligaris, Rodolfo – As Leis Morais, 7ª Edição da FEB.
Revista Visão Espírita – Ano 2, Nº 21, Pag.36 e 37 por André Luiz Peixinho.
Revista Visão Espírita – Ano 2, Nº 19, Pag.12 e 13 por Ney Lobo