Estudando o Espiritismo

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quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Penas e Gozos Terrenos

Penas e Gozos Terrenos

Sérgio Biagi Gregório
SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. Par de Termos. 4. Felicidade: 4.1. O Que é a Felicidade?; 4.2. Perguntas e Respostas. 5. Fontes de Infelicidade: 5.1. Perda de Entes Queridos; 5.2. Decepções e Ingratidões; 5.3. Uniões Antipáticas; 5.4. Preocupação com a Morte; 5.5. Suicídio. 6. Conclusão. 7. Bibliografia Consultada. 
1. INTRODUÇÃO
Qual a finalidade do sofrimento em nossa vida? Por que nos incomodamos tanto com os momentos infelizes? Por que uns nascem na opulência e outros na miséria? Por que o meu vizinho tem carro, apartamento, casa na praia, e eu nada tenho? Estas são algumas, das muitas questões, que podemos formular para introduzir o nosso pensamento neste tema, de grande valor moral para a nossa alma enfermiça.
2. CONCEITO
Pena.  Do grego poiné pelo latim poena  significa castigo, punição, sofrimento, padecimento, aflição.
Em Criminologia, a pena é o castigo infligido ao delinqüente como retribuição da infração que comete. Tem o tríplice aspecto de repressão, correção e prevenção. Assim, de acordo com o Direito Penal Brasileiro, a pena é punição imposta pelo Estado ao delinqüente ou contraventor, em processo judicial de instrução contraditória, por causa de crime ou contravenção que tenham cometido, com o fim de exemplá-los e evitar a prática de novas infrações.
Em Teologia, a pena está relacionada ao “pecado”, que traz consigo o “castigo”. Em geral, entende-se por pena devida ao pecado um mal físico imposto por Deus devido à culpa. Ensina a Teologia tradicional que o fim da pena está em que a bondade do universo pervertida e frustrada por culpa do homem, seja novamente restabelecida – nisso resplandece a justiça de Deus e a bondade da ordem moral. (Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura).
Gozar. Ter, desfrutar, possuir coisa agradável ou útil. Levar uma vida de prazeres. Gozo ato ou efeito de gozar; satisfação intelectual, moral ou física; prazer, contentamento, alegria; uso ou posse de alguma coisa que dá satisfação.
Terreno relativo a Terra, terrestre. 
3. PAR DE TERMOS
O nosso pensamento funciona de modo dicotômico: sim-não, certo-errado, justo-injusto, bem-mal, saúde-doença, guerra paz etc. Geralmente, a palavra que vem primeiro assume papel relevante. Por exemplo, no par guerra-paz, a palavra guerra é mais forte do que a paz, visto que o esforço dos governos está em buscar essa paz. 
Em se tratando do tema em questão, ou seja, das penas e gozos terrenos, podemos começar refletindo sobre o par prazer-dor. De antemão, podemos dizer que um não se transforma no outro, mas cada qual atualiza ou virtualiza o outro. Como explicar? A virtualização de uma dor aumenta o grau de intensidade de prazer. Por isso, sentimos prazer quando deixamos de sentir a dor. E vice-versa. Não há privação de dor nem de prazer, mas apenas atualizações intensivas ou extensivas. (Santos, 1965)
4. FELICIDADE
4.1. O QUE É A FELICIDADE?
Sentir prazer é ser feliz? O que é a felicidade? Podemos ser felizes no meio de pessoas que não têm o necessário para o sustento físico?
A felicidade pode ser definida como o estado de satisfação completa, que toma conta de toda a consciência. “É a satisfação de todas as nossas inclinações tanto em extensão, quer dizer, em multiplicidade, como em intensidade, quer dizer, em grau, e em protensão, quer dizer, em duração”. (Kant, Crítica da Razão Pura, Met. Transcendental, cap. II, 2.ª seção)
4.2. PERGUNTAS E RESPOSTAS
O homem pode gozar na Terra uma felicidade completa?
Não, pois a vida lhe foi dada como prova ou expiação, mas dele depende aliviar os seus males e ser tão feliz quando se pode ser na Terra.
Por que o homem é artífice de sua própria infelicidade?
Por que se ele praticasse Lei de Deus, ou seja, a lei de justiça, amor e caridade poderia poupar muitos males e gozar de uma felicidade tão grande quanto o comporta a sua existência num plano grosseiro.
Qual é a pessoa mais rica?
O mais rico é aquele que tem menos necessidades.
Por que o justo é infeliz?
Se o justo é infeliz é porque passa por uma prova que lhe será levada em conta, desde que a souber suportar com coragem.
Por que as classes sofredoras são em maior número?
Porque o Planeta Terra é ainda de provas e expiações. Quando o homem a tiver transformado em morada do bem e dos bons Espíritos, não mais será infeliz neste mundo, visto que todos procuraram praticar a lei do amor e da fraternidade. Ninguém sentira mais ciúme e inveja e todos se ajudarão reciprocamente. 
5. FONTES DE INFELICIDADE
5.1. PERDA DE ENTES QUERIDOS
Se a terra é uma prisão que serve a alma para purgar os seus débitos, expiar o seu passado, o Espírito que vai primeiro liberta-se desse aguilhão? Por que querê-lo ao nosso lado? Porque privá-lo de sua felicidade no mundo espiritual, para sofrer mais tempo aqui conosco. Quem foi liberta-se do Planeta e das suas provações.
Se suportarmos com coragem, se soubermos impor silêncio às nossas lamentações, haveremos de nos felicitar quando estivermos fora desta prisão terrestre, como o paciente que sofre se felicita ao se ver curado, por haver suportado com resignação um tratamento doloroso.
5.2. DECEPÇÕES E INGRATIDÕES
Quando estivermos envoltos com esse tipo de sofrimento, lembremo-nos de que a ingratidão é filha do egoísmo e o egoísta encontrará mais tarde corações insensíveis como ele próprio o foi. A ingratidão é uma prova para a persistência em fazer o bem.  Na contrabalança do sofrimento existe a afeição daqueles que nos amam, a de encontrar corações que simpatizam com o nosso. Essa ventura é recusada ao egoísta.
5.3. UNIÕES ANTIPÁTICAS
Diz respeito às afeições do corpo e da alma. Podemos vê-la como uma prova, uma punição. Nesse mister, lembremo-nos de que o Espírito é quem ama, e não o corpo, e que, dissipada a ilusão material, o Espírito vê a realidade.  É importante, para o nosso próprio bem, evitarmos o preconceito, que é um conceito criado antecipadamente, principalmente no relacionamento humano. Quantas não são as amizades duradouras, que se iniciaram com uma antipatia? 
5.4. PREOCUPAÇÃO COM A MORTE
Por que tememos a morte?
Por nossa ignorância acerca do desconhecido e por idéias errôneas acerca do Céu, do Inferno e Paraíso, sendo mais certo de que se vai para ao Inferno. Aqueles que pensam por si mesmos, fogem dessas idéias dogmáticas, e acabam tornando-se ateus e materialistas, não acreditando em mais nada além dessa vida terrena.
A morte, pelo contrário, não inspira nenhum temor ao justo, porque a  lhe dá a certeza do futuro, a esperança lhe acena com uma vida melhor e a caridade cuja lei praticou, lhe dá a segurança de não temer os que lá estão.
5.5. SUICÍDIO
De onde vem o desgosto pela vida? Efeito da ociosidade, da falta de fé e geralmente da sociedade. É contrário à Lei de Deus, pois ninguém tem o direito de dispor da própria vida. É o único ato que obsta o nosso livre arbítrio. Convém, para bem pensar sobre este assunto, ponderar sobre os atenuantes e os agravantes desse ato humano.
6. CONCLUSÃO
Uma reflexão, depois de analisarmos as diversas formas de infelicidade, nos remete a ver com outros olhos aquilo que é motivo de nosso sofrimento. Como o acaso não existe, a coragem de suportar a nossa sina faz-nos penetrar mais profundamente nas verdades eternas, que são as leis de Deus inscritas em nossa consciência.
7. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura. Lisboa, Verbo, s. d. p.
SANTOS, M. F. dos. Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais. 3. ed., São Paulo, Matese, 1965.
KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed., São Paulo, FEESP, 1995. (Livro IV, perguntas n.º 920 a 957).
São Paulo, abril de 2000