Estudando o Espiritismo

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sábado, 19 de dezembro de 2015

Lei de Reprodução

Lei de Reprodução

Sérgio Biagi Gregório
SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. Reprodução no Tempo. 4. Reprodução como Lei Natural. 5. Família. 6. Parentesco. 7. Casamento e Celibato: 7.1. Resumo Estatístico; 7.2. Âmbito da Doutrina Espírita. 8. Divórcio. 9. Conclusão. 10. Bibliografia Consultada.
1. INTRODUÇÃO
O objetivo deste estudo é analisar a criação de novos corpos físicos e a sua relação com o processo evolutivo do ser humano.
2. CONCEITO
Reprodução - dá-se este nome à série de processos pelos quais os seres vivos transmitem a vida a novos indivíduos e asseguram a continuação das espécies. A reprodução dos seres vivos se faz através de outro preexistente. Pode ser  assexuada ou agâmica e sexuada ou singâmica. Na  reprodução assexuada é uma célula ou um aglomerado celular que se destaca do indivíduo produtor, tornando-se independente, para dar início a um novo ser semelhante ao primeiro. Na reprodução sexuada a célula (espermatozóide) se destaca de um ser vivo e junta-se a uma outra célula (óvulo). Os óvulos formam-se no organismo feminino e os espermatozóides no organismo masculino. Quando os dois órgãos existem no mesmo indivíduo diz-se que ele é hermafrodita; estando em indivíduos separados a espécie é unissexuada, como se dá com a espécie humana e os animais superiores. (Edipe)
3. REPRODUÇÃO NO TEMPO
Conta-nos o Espírito André Luiz que a vida no Planeta Terra começou a partir da geléia cósmica, de onde verteu o princípio inteligente, em suas primeiras manifestações.
Trabalhadas, no transcurso de milênios, pelos operários espirituais que lhe magnetizam os valores, permutando-os entre si, sob a ação do calor interno e do frio exterior, as mônadas celestes exprimem-se no mundo através da rede filamentosa do protoplasma de que se lhes derivaria a existência organizada no Globo constituído.
Aparecem os vírus, que estimulam a divisão cariocinética.
Evidenciam-se as bactérias rudimentares, cujas espécies se perderam nos alicerces profundos da evolução, lavrando os minerais na construção do solo, dividindo-se por raças e grupos numerosos, plasmando, pela REPRODUÇÃO ASSEXUADA, as células primevas, que se responsabilizariam pelas eclosões do reino vegetal em seu início.
Os vírus e as bactérias propiciam a formação das algas, dotadas de extrema motilidade e sensibilidade, como formas monocelulares em que a mônada já evoluída se ergue a estágio superior. Sucedendo-as, por ordem, emergem as algas verdes de feição pluricelular, com novo núcleo a salientar-se, inaugurando a REPRODUÇÃO SEXUADA
Das cristalizações atômicas e dos minerais, dos vírus e do protoplasma, das bactérias e das amebas, das algas e dos vegetais do período pré-cambriano aos fetos e às licopodiáceas, aos trilobites e cistídeos, aos cefalópodes, foraminíferos e radiolários dos terrenos silurianos, o princípio espiritual atingiu os espongiários e celenterados da era paleozóica, esboçando a estrutura esquelética... 
Viajando sempre, adquire entre os dromatérios e anfitérios os rudimentos das reações psicológicas superiores, incorporando as conquistas do instinto e da inteligência.
E assim o princípio inteligente vai incorporando os automatismos de que nos servimos na fase humana, em que foram incorporados o pensamento contínuo, o livre-arbítrio e a razão, no âmbito da REPRODUÇÃO SEXUADA. (Xavier, 1977, cap. III)
4. REPRODUÇÃO COMO LEI NATURAL
De acordo com os postulados espíritas, Deus criou os Espíritos simples e ignorantes; logo, há necessidade da reprodução de formas físicas, a fim de atingirem a perfeição. Como é impossível atualizar todas as virtudes em uma única encarnação, os Espíritos voltam ao plano da matéria quantas vezes forem necessárias. Poder-se-ia dizer que as diversas encarnações têm o objetivo de sublimar o instinto sexual. Quer dizer, todo o Espírito passa do mundo das formas físicas, onde predomina a natureza animal, para os estados de Espíritos superiores, onde predomina a natureza espiritual.
No que tange aos obstáculos à reprodução criados pelo homem, os Espíritos dizem-nos que tudo o que entrava a marcha da Natureza é contrário à lei geral. Deus deu ao homem, sobre todos os seres vivos, um poder que ele deve usar para o bem, mas não abusar. Ele pode regular a reprodução segundo às necessidades, mas não deve entravá-la sem necessidade. (Kardec, 1995, perguntas 686 a  694)
5. FAMÍLIA
É no lar que, salvo raras exceções, as formas físicas são procriadas. A importância da família prende-se ao fato que é ali, no cadinho das quatro paredes, que o novo ser receberá apoio para a sua jornada terrena. Não basta apenas procriar; é preciso que a forma física, animada por um Espírito,  receba a influência educativa dos seus progenitores, no sentido de avivar a fraternidade e a solidariedade. Não é sem razão que a maioria dos grandes pensadores definem a família com sendo a célula máter da sociedade.
6. PARENTESCO
O parentesco é a matriz geral das relações sociais. O homem é um ser que vive em sociedade; a sociedade só existe dividida em grupos, que se baseiam no parentesco, e ultrapassam esta divisão original através da cooperação.
A instituição primária que dá origem à solidariedade entre os grupos é o casamento. Um grupo que só contasse com as suas próprias forças internas para se reproduzir biologicamente, que praticasse o incesto, e apenas o incesto, estaria condenado à destruição, indiscutivelmente.
A troca das mulheres entre os grupos é a troca da vida, uma vez que as mulheres fornecem os filhos e o seu poder de fecundidade a outrem que não aos seus próximos.
A lei da exogamia, na qual se baseiam todas as sociedades, deve ser entendida como lei de troca das mulheres e do seu poder de fecundidade entre homens — a mãe e a ama de leite. (Enciclopédia Einaudi, item Masculino/Feminino)
7. CASAMENTO E CELIBATO
7. 1. RESUMO ESTATÍSTICO
a) até a Segunda Guerra Mundial.
- O número de casamentos e a fecundidade estavam em declínio e o celibato em ascensão; - Com o surgimento do fenômeno "baby boom", os casamentos e a fecundação sobem e o celibato cai.
b) entre 1961 e 1965 rompe-se esse modelo.
- Surgem a pílula anteconcepcional e os movimentos feministas;
- As pessoas começaram a se casar menos com o vínculo legal;
- Há um aumento considerável das mães solteiras..
7.2. ÂMBITO DA DOUTRINA ESPÍRITA
O casamento revela um progresso na marcha da Humanidade, porque é regulamentação do instituto familiar. A união livre e fortuita dos sexos pertence ao estado de natureza. O casamento é um dos primeiros atos do progresso nas sociedades humanas porque estabelece a solidariedade fraterna e se encontra entre todos os povos, embora nas mais diversas condições. A abolição do casamento seria, portanto, o retorno à infância da humanidade e colocaria o homem abaixo mesmo de alguns animais, que lhe dão o exemplo das uniões constantes.
O celibato somente é meritório quando feito para o Bem, pois todo sacrifício pessoal, visando o Bem e sem segunda intenção egoísta, eleva o homem acima de sua condição material. (Kardec, 1995, perguntas 695 a 699)
8. DIVÓRCIO
A separação dos cônjuges não deve ser facilitada, pois o regime monogâmico é o que melhor se presta para a evolução do ser encarnado. No casamento, o que é de Natureza Divina é a união dos sexos e a Lei do Amor para operar a renovação dos seres que morrem; mas as condições que regulam essa união são de ordem humana, sujeita aos costumes de cada povo.
O divórcio é uma lei humana que tem por fim separar legalmente o que está separado de fato; não é condenável perante Deus, pois, ele trata de legitimar o que já está separado, isto é, regular separações onde não há amor, mas somente a união dos sexos ou de interesses materiais. (Kardec, 1984, cap. XXII)
9. CONCLUSÃO
Vimos que a produção de novas formas físicas é de fundamental importância para a renovação da espécie humana. É preciso, pois, que essa reprodução seja responsável e não comprometa o processo evolutivo do nosso Planeta. 
10. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed., São Paulo, IDE, 1984.
KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed., São Paulo, FEESP, 1995.
EDIPE - Enciclopédia Didática de Informação e Pesquisa Educacional. 3. ed., São Paulo, Iracema, 1987.
XAVIER, F. C. e VIEIRA, W. Evolução em Dois Mundos, pelo Espírito André Luiz, 4. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1977.
GIL, F. (Editor). Enciclopedia Einaudi. Lisboa, Imprensa Nacional, 1985-1991.
São Paulo, dezembro de 1995