Estudando o Espiritismo

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sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Igualdade Natural

LEI DE IGUALDADE
A) Igualdade Natural — Desigualdade de Aptidões — Desigualdades Sociais - Igualdade Natural

Todos os homens são iguais perante Deus. Todos tendem para o mesmo fim e Deus fez as suas leis para todos (LÊ, 803). Vale dizer, que Deus não concedeu superioridade natural a nenhum homem, nem pelo nascimento, nem pela morte, pois todos estão submetidos às mesmas leis naturais: todos nascem com a mesma fragilidade, passam pelas mesmas tribulações que caracterizam a condição humana e todos têm em comum um mesmo princípio e a mesma destinação — esta é a essência da igualdade natural que caracteriza o ser humano.

Desigualdade de Aptidões

Deus criou todos os Espíritos iguais, mas cada um deles viveu mais ou menos tempo e, por conseguinte, realizou mais ou menos aquisições; a diferença está no grau de experiência e na vontade, que é o livre-arbítrio; daí decorre que uns se aperfeiçoam mais rapidamente, o que lhes dá aptidões diversas (LÊ, 804). Portanto, as diferenças que os homens apresentam entre si, quer em inteligência, quer em desenvolvimento moral, não derivam da sua natureza íntima; resultam antes de dois fatores a considerar:

l — No maior ou menor desempenho de suas potencialidades, no desenvolvimento ou não das aptidões e virtudes, enfim, no bom ou no mau uso do livre-arbítrio por parte de cada um; disto decorre que uns se aperfeiçoam mais rapidamente, o que lhes confere aptidões mais diversificadas.

2 — Sendo os diversos mundos solidários entre si, os habitantes dos mundos superiores reencarnam em mundos mais atrasados como Espíritos missionários para aprimorar o progresso intelectual e moral, através de seus exemplos. Partindo da premissa de que os Espíritos não mais regridem no seu progresso, tem-se que, ao passar de um mundo superior para um inferior, conservarão integralmente as faculdades e aptidões adquiridas; conseqüentemente, tal fato acentua ainda mais as desigualdades de aptidões que existem entre os homens.

Deus não criou, portanto, Espíritos com faculdades desiguais, mas permitiu que Espíritos com os mais diversos graus de desenvolvimento estivessem em contato entre si para auxiliar a evolução dos mais atrasados e, em necessitando uns dos outros, cumprissem a lei do amor. Tal fato explica porque o misto de aptidões é necessário, a fim de que cada um possa concorrer para a execução dos desígnios da Providência, respeitando-se, evidentemente, os limites das forças físicas e intelectuais; neste contexto, o que um não tem condições de fazer, o outro fará e assim é que cada um desempenhará um papel útil dentro da Criação.

Desigualdades Sociais

As desigualdades sociais não se enquadram nas leis naturais porque não são obra de Deus, e sim consequência do orgulho e do egoísmo do próprio homem. Contudo, à medida que a humanidade avançar no seu progresso moral, essas desigualdades tenderão a desaparecer, e restando tão somente a desigualdade fruto do mérito e das virtudes adquiridas pelo homem. Somente então as criaturas se reconhecerão como filhos de Deus e se amarão como irmãos, e não se avaliarão mais pelo sangue, nem pelo papel que ocupam na sociedade, mas sim pelo evolução moral do Espírito, que independe da condição social.

No tocante àqueles que se aproveitam da superioridade da sua posição social para oprimir os mais fracos, serão oprimidos por sua vez e renascerão numa existência em que sofrerão tudo o que fizeram sofrer (LÊ, 807).

B) Desigualdades das Riquezas — Provas da Riqueza e da Miséria -

Desigualdades das Riquezas

A desigualdade das riquezas nem sempre se origina das diferentes faculdades, ou dos mais variados recursos de que alguns dispõem para adquirir mais bens do que outros; muitas vezes é também fruto de falcatruas, injustiças e outros meios ilícitos de que laçam mãos os que ainda se deixam levar pela cobiça e pela posse de bens materiais. Mas, convém ressaltar que herdeiros de fortunas amealhadas desta fonna não são responsáveis pelo mal que seus antepassados fizeram, principalmente se desconhecem tal fato.

É preciso considerar que muitas vezes uma fortuna vem parar providencialmente nas mãos de um homem, justamente para que ele tenha a oportunidade de reparar uma injustiça cometida. Se estiver ao alcance deste homem compreender a necessidade moral de reparar este mal cometido por outrem, será então um homem justo e, como tal, feliz e a reparação da falta será levada em conta para ambos.

A igualdade absoluta das riquezas jamais existiu e tampouco poderá existir, pois a própria diversidade das faculdades e diferentes aptidões entre os homens impediriam que assim fosse; o que importa é combater, antes de tudo, o egoísmo para que as relações sociais sejam sempre fraternas. Somente assim, o relativo bem-estar de todos será meta passível de ser atingida pelos homens quando, entre eles, o sentimento de fraternidade sobrepujar-se ao egoísmo e a verdadeira justiça for finalmente praticada.

Aqueles, portanto, que acreditam que a cura para os males que afligem a sociedade está na igualdade absoluta das riquezas, estão enganados, pois não compreendem que a igualdade seria logo rompida pela própria força das circunstâncias. Combatei o egoísmo, pois essa é a vossa chaga social, e não corrais atrás de quimeras (LÊ, 811a).

Provas da Riqueza e da Miséria

A diversidade de riquezas e de misérias tem uma finalidade útil : a de provar as almas no excesso e na submissão. Assim, os que sofrem com resignação, sem murmurações e com trabalho constante, conseguem superar suas provas. Pelo arrastamento ao mal a que dá causa, pelas tentações que gera e pela fascinação que exerce, a riqueza constitui uma prova arriscada, mais perigosa que a da pobreza; é o supremo excitante do orgulho, do egoísmo e da vida sensual. Ë o mais estreito laço que prende o homem à Terra.

Deus concede provas a seus filhos, que têm, às vezes, a possibilidade de as escolherem antes das reencamações, podendo, por isso, nascerem na abastança ou na miséria. Ambas as provas apresentam facetas diferentes, mas tanto o rico quanto o pobre podem fracassar. O primeiro por não fazer o bem, e o segundo pelas queixas contra a Providência. O rico está mais sujeito às tentações, mas dispõe de meios de praticar o bem; mas isso é justamente o que nem sempre faz, pois se torna egoísta, orgulhoso e insaciável. Com a riqueza, suas necessidades aumentam, e cie nunca julga possuir o bastante para satisfazer a sua ambição.

A riqueza também pode ser um fator para a redenção do Espírito, quando dela sabe servir-se, empregando-a com critério e discernimento. Enquanto para uns a pobreza é a prova da paciência e da resignação, a riqueza é para outros o exercício da caridade e da abnegação. Qual é, pois, o melhor emprego da fortuna? Procurai nestas palavras: "Amai-vos uns aos outros", a solução do problema; aí está o segredo de hem empregar as riquezas. Aquele que está animado de amor ao próximo tem sua linha de conduta toda traçada, pois o emprego que apraz a Deus é o da caridade; não essa caridade fria e egoísta que consiste em derramar em torno de si o supérfluo de uma existência dourada, mas essa caridade cheia de amor que procura o infeliz e o reergue sem humilhá-lo (ESE, Cap. XVï, item 11).

C) Igualdade dos Direitos do Homem e da Mulher — Igualdade Perante o Túmulo

Igualdade dos Direitos do Homem e da Mulher

A Doutrina Espírita esclarece que tanto o homem quanto a mulher são Espíritos da mesma natureza, criados por Deus com os mesmo talentos e aptidões, com os mesmo direitos e deveres; ambos têm o discernimento do bem e do mal, e ambos têm a faculdade de evoluir, em igualdade de condições. Deste modo, a suposta inferioridade social e moral da mulher é consequência do abuso da força e autoridade do homem, mais forte fisicamente.

Com a evolução gradativa das relações sociais, os horizontes vão alargando-se e, sob o impulso da Lei de Amor e da Lei de Sociedade, a mulher pôde desenvolver suas aptidões sem grandes constrangimentos; com isto, tornou-se evidente que a condição feminina de inferioridade em relação à masculina não decorria de imposição divina, mas tão somente do domínio injusto e cruel que o homem exerceu sobre ela (LÊ, 818).

Assim, o homem e a mulher têm direitos iguais, embora tenham aptidões diferentes a desempenharem na sociedade. O homem é fisicamente mais forte para os trabalhos mais rudes e a mulher, mais delicada, para os trabalhos mais leves. Ambos devem ajudar-se mutuamente nas provas da vida, e não simplesmente o mais forte subjugar o mais fraco, escravizando-o. A mulher está preparada biologicamente para a tarefa da maternidade e, se de um lado, tem menor força física, de outro, tem maior sensibilidade para o exercício das funções maternais.

Do exposto conclui-se que sendo os seres humanos iguais perante as Leis de Deus, deverão também ser iguais perante as leis dos homens, pois o princípio da Lei de Amor fundamenta-se na máxima cristã: "Não fazer aos outros o que não gostaria que os outros lhe fizessem". Portanto, a lei humana, para ser justa, deve consagrar a igualdade de direitos entre o homem e a mulher; todo privilégio concedido a um ou a outro é contrário à justiça. A emancipação da mulher segue o progresso da civilização, sua escravização marcha com a barbárie (LÊ, 822a). Além do mais, as diferenças sexuais só existem no organismo físico e, portanto, os Espíritos podem reencarnar tanto na condição feminina quanto masculina; sob esse aspecto, e corroborando a citação acima, nenhuma diferença existe entre ambos.

Igualdade Perante o Túmulo

A perpetuação da memória por meio de monumentos fúnebres é o último ato de orgulho dos familiares e amigos, desejosos de se glorificarem a si mesmos, em nítida demonstração de riqueza. Pelo fato de a igualdade entre os homens não cessar com a desencarnação, a saudade de um ser amado reveste-se da mesma importância para os parentes que nada possuem, mesmo que em seu túmulo não haja nada de suntuoso. É em vão que o rico tenta perpetuar a sua memória por meio de faustosos monumentos. O tempo os destruirá, como aos seus próprios corpos. Assim o quer a Natureza (LÊ, 824).

As pompas fúnebres são justas e de bom exemplo quando homena­geiam a memória de um homem de bem, mas não apagarão as más ações de todo aquele que não soube viver de acordo com a moral cristã. Conseqüentemente, tais pompas de nada valerão e tampouco o ajuda­rão na sua ascensão espiritual.

Bibliografia:L.E, 817 a 824

QUESTIONÁRIO

a) igualdade natural — desigualdade de aptidões — desigualdades sociais:

1) Se todos são iguais perante Deus, como explicar a desigualdade de aptidões?

2) As desigualdades das condições sociais é uma lei natural? Explicar.

3) Pode-se esperar que as desigualdades sociais venham a desaparecer um dia? Desenvolva.

b) desigualdade das riquezas — provas da riqueza e da miséria:

1) Como se explica a desigualdade de riquezas?

2) Se uma fortuna foi mal adquirida, os herdeiros também serão responsáveis por isso?

3) Qual das duas provas é mais perigosa para o homem: a da pobreza ou da riqueza?

c) igualdade dos direitos do homem e da mulher — igualdade perante o túmulo:

1) É certo que homem e mulher tenham os mesmos direitos? Por quê?

2) Por que a tendência em perpetuar a memória dos mortos?

3) Como a Doutrina Espírita considera as pompas fúnebres?