Estudando o Espiritismo

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quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Das Esperanças e Consolações

Das Esperanças e Consolações

– Parte Quarta –

– Capítulo I –

Das penas e gozos terrestres

1 Felicidade e infelicidade relativas.2 Perda de entes queridos. 3 Decepções. Ingratidão. Afeições destruídas. 4 Uniões antipáticas. 5 Temor da morte. 6 Desgosto da vida. Suicídio.

1 Felicidade e infelicidade relativas

O homem, na Terra, não pode gozar de completa felicidade, pois a vida aqui lhe foi dada como prova ou expiação. Dele, porém, depende a suavização de seus males e o ser tão feliz quanto possível. Praticando a lei de Deus, a muitos males se forrará e proporcionará a si mesmo felicidade tão grande quanto o comporta a sua existência grosseira. A felicidade do homem, com relação à vida material, é a posse do necessário. Com relação à vida moral, a consciência tranqüila e a fé no futuro. O homem criterioso, a fim de ser feliz, olha sempre para baixo e não para cima, a não ser para elevar sua alma ao infinito. Deve resignar-se e sofrer todos os males sem murmurar, se quer progredir. Se alguns são favorecidos com os dons da riqueza, isto significa um favor aos olhos dos que apenas vêem o presente, mas a riqueza é, de ordinário, prova mais perigosa do que a miséria. Verdadeiramente infeliz o homem só o é quando sofre da falta do necessário à vida e à saúde do corpo. Todavia, pode acontecer que essa privação seja de sua culpa. Então só tem que se queixar de si mesmo. Se for ocasionada por outrem, a responsabilidade recairá sobre aquele que lhe houver dado causa.

Deus indica a nossa vocação neste mundo, mas muitas vezes, os pais, por orgulho ou avareza, desviam seus filhos da senda que a Natureza lhes traçou, comprometendo-lhes a felicidade, por efeito desse desvio.

Por outro lado, numa sociedade organizada segundo a lei do Cristo, ninguém deve morrer de fome. Com uma organização social criteriosa e previdente, ao homem só por culpa sua pode faltar o necessário. Porém, suas próprias faltas são freqüentemente resultado do meio onde se acha colocado. No mundo, tão amiúde, a influência dos maus sobrepuja a dos bons, por fraqueza destes. Os maus são intrigantes e audaciosos, os bons são tímidos. Quando estes o quiserem, preponderarão.

2 Perdas dos entes queridos

Esta causa de dor atinge assim o rico, como o pobre: representa uma prova, ou expiação, e comum é a lei. Tem, porém, o homem uma consolação em poder comunicar-se com os seus amigos pelos meios que estão ao seu alcance, enquanto não dispuser de outros mais direitos e mais acessíveis aos seus sentidos. Não há profanação nas comunicações com o além-túmulo, desde que haja recolhimento e quando a evocação seja praticada respeitosa e convenientemente.

O Espírito é sensível à lembrança e às saudades dos que lhe eram caros na Terra; mas, uma dor incessante e desarrazoada lhe toca o pensamento, porque, nessa dor expressiva, ele vê a falta de fé no futuro e de confiança em Deus e, por conseguinte, um obstáculo ao adiantamento dos que o choram e talvez à sua reunião com estes.

3 Decepções. Ingratidão Afeições destruídas

As decepções oriundas da ingratidão e da fragilidade dos laços da amizade são uma das fontes de amargura do homem. A ingratidão é filha do egoísmo e o egoísta topará mais tarde com corações insensíveis, como o seu próprio o foi. A ingratidão é uma prova para a nossa perseverança na prática do bem. A Natureza deu ao homem a necessidade de amar e de ser amado. Um dos maiores gozos que lhe são concedidos na Terra é o de encontrar corações que com o seu simpatizem.

4 Uniões antipáticas

Os Espíritos simpáticos são induzidos a unir-se, mas, entre os encarnados vemos, freqüentemente, que só de um lado há afeição e que o mais sincero amor se vê acolhido com indiferença e, até, com repulsão. Isto constitui uma punição, se bem que passageira. Depois, quantos não são os que acreditam amar perdidamente, porque apenas julgam pelas aparências, e que, obrigados a viver com as pessoas amadas, não tardam a reconhecer que só experimentaram um encanto material. Duas espécies há de afeições: a do corpo e a da alma, acontecendo com freqüência tomar-se uma pela outra. Quando pura e simpática, a afeição da alma é duradoura; efêmera a do corpo. Daí vem que, muitas vezes, os que julgavam amar-se com eterno amor passam a odiar-se, desde que a ilusão se desfaça. A falta de simpatia constitui fonte de dissabores entre os seres destinados a viver juntos. Essa, porém, é uma das infelicidades de que somos, as mais vezes, a causa principal, e sofremos, então, a conseqüência das nossas ações.

5 Temor da morte

O temor da morte não tem fundamento. Ao justo, nenhum temor inspira a morte, porque, com fé, tem ele a certeza do futuro. A esperança fá-lo contar com uma vida melhor; e a caridade, a cuja lei obedece, lhe dá a segurança de que, no mundo para onde terá de ir, nenhum ser encontrará cujo olhar lhe seja de temer.

O homem carnal, mais preso à vida corpórea do que à vida espiritual, teme a morte, porque ele duvida do futuro e porque tem de deixar no mundo todas as suas afeições e esperanças. O homem moral, que se colocou acima das necessidades fictícias criadas pelas paixões, nada teme.

6 Desgosto da vida Suicídio

O desgosto da vida é efeito da ociosidade, da falta de fé e, também, da saciedade. Ao homem não assiste o direito de dispor de sua vida, por isso o suicídio voluntário importa numa transgressão da lei de Deus, salvo se praticado por um louco, que não sabe o que faz. Os que praticam o suicídio, responderão como por um assassínio. Aquele que, a braços com a maior penúria, se deixa morrer de fome, também é um suicida, mas os que lhe foram causa, ou que teriam podido impedi-lo, são mais culpados do que ele, a quem a indulgência espera. Mesmo que o suicídio tenha por fim obstar a que a vergonha caia sobre os filhos, ou sobre a família, o que assim procede não faz bem. Mas, como pensa que o faz, Deus lhe leva isso em conta, pois que é uma expiação que ele se impõe a si mesmo. A intenção lhe atenua a falta; entretanto, nem por isso deixa de haver falta. O que se mata, na esperança de chegar mais depressa a uma vida melhor, também comete outra loucura, pois, matando-se retarda sua entrada num mundo melhor e terá que pedir lhe seja permitido voltar, para concluir a vida a que pôs termo sob o influxo de uma idéia falsa. Uma falta, seja qual for, jamais abre a ninguém o santuário dos eleitos. Quando, porém, se sacrifica a vida para salvar a de outrem, ou para ser útil aos seus semelhantes, não constitui suicídio. Mas, Deus se opõe a todo sacrifício inútil e não o pode ver de bom grado, se tem o orgulho a manchá-lo. Só o desinteresse torna meritório o sacrifício. Perecer vítima de paixões a que possa resistir, também é suicídio.

Muito diversas são as conseqüências do suicídio. Não há penas determinadas e, em todos os casos, correspondem sempre às causas que o produziram. Há, porém, uma conseqüência a que o suicida não pode escapar: é o desapontamento. Mas, a sorte não é a mesma para todos: depende das circunstâncias. Alguns expiam a falta imediatamente, outros em nova existência, que será pior do que aquela cujo curso interromperam.

– Capítulo II –

Das penas e gozos futuros

1 Nada. Vida futura. 2 Intuição das penas e gozos futuros. 3 Intervenção de Deus nas penas e recompensas. 4 Natureza das penas e gozos futuros. 5 Penas temporais. 6 Expiação e arrependimento. 7 Duração das penas futuras. 8 Ressurrreição da carne. 9 Paraíso, inferno e purgatório.

1 O nada Vida futura

O nada não existe. Antes de encarnar, o Espírito já conhecia o sentimento instintivo da vida futura e a alma conservava vaga lembrança do que sabe e do que viu no estado de espírito. A idéia do nada tem qualquer coisa que repugna a razão. O homem que mais despreocupado seja durante a vida, em chegando o momento supremo, pergunta a si mesmo o que vai ser dele e, sem o querer, espera. A vida futura implica a conservação da nossa individualidade após a morte. Crer em Deus sem admitir a vida futura, fora um contra-senso. O sentimento de uma existência melhor reside no foro íntimo de todos os homens e não é possível que Deus aí o tenha colocado em vão.

2 Intuição das penas e gozos futuros

A crença nas penas e gozos futuros é um pressentimento da realidade, trazido ao homem pelo Espírito nele encarnado. No momento da morte, o sentimento que domina é a dúvida, nos céticos empedernidos; o temor, nos culpados; a esperança, nos homens de bem. Os céticos são em número muito maior do que se julga. Muitos se fazem de espíritos fortes, durante a vida, somente por orgulho. No momento da morte, porém, deixam de ser tão fanfarrões.

3 Intervenção de Deus nas penas e recompensas

Deus se ocupa com todos os seres que criou, por mais pequeninos que sejam. Nada, para a sua bondade, é destituído de valor. Deus tem suas leis a regerem todas as nossas ações. Se as violamos, a culpa é nossa. Quando um homem comete um excesso qualquer, Deus não profere contra ele um julgamento dizendo-lhe, por exemplo: "Foste guloso, vou punir-te". Ele traçou um limite; as enfermidades e muitas vezes a morte são a conseqüência dos excessos. Assim é em tudo.

Todas as nossas ações estão submetidas às leis de Deus. Nenhuma há, por mais insignificante que nos pareça, que não possa ser uma violação daquelas leis. Se sofremos as conseqüências dessa violação, só nos devemos queixar de nós mesmos.

4 Natureza das penas e gozos futuros

As penas e gozos da alma, depois da morte, não podem ser materiais, pois que a alma não é matéria. Nada têm de carnal essas penas e esses gozos; entretanto, são mil vezes mais vivos do que os que experimentamos na Terra, porque o Espírito, uma vez liberto, é mais impressionável. Então, já a matéria não lhe embota as sensações.

Das penas e gozos futuros o homem faz tão grosseira idéia, porque a sua inteligência ainda não se desenvolveu bastante. À medida, porém, que ele se instrui, melhor vai compreendendo.

A felicidade dos bons Espíritos consiste em conhecerem todas as coisas; em não sentirem ódio, nem ciúme, nem inveja, nem ambição, nem qualquer das paixões que ocasionam a desgraça dos homens. O amor que os une lhes é fonte de suprema felicidade. Não experimentam as necessidades, nem os sofrimentos, nem as angústias da vida material. São felizes pelo bem que fazem. Contudo, a felicidade dos Espíritos é proporcional à elevação de cada um. Somente os puros Espíritos gozam, é exato, da felicidade suprema, mas nem todos os outros são infelizes. Entre os maus e os perfeitos há uma infinidade de graus em que os gozos são relativos ao estado moral. Os que já estão bastante adiantados, compreendem a ventura dos que os precederam e aspiram a alcançá-la.

Quando se diz que os Espíritos puros se acham reunidos no seio de Deus, deve-se entender como uma alegoria e não se deve tomar ao pé da letra. Não devemos crer que os Espíritos bem-aventurados estejam em contemplação por toda a eternidade. Seria uma bem-aventurança estúpida e monótona. Seria mais a do egoísta, porquanto a existência deles seria uma inutilidade sem termo. Estão isentos das tribulações da vida corpórea e isso já é um gozo.

Os sofrimentos dos Espíritos inferiores são tão variados como as causas que os determinam e proporcionados ao grau de inferioridade, como os gozos o são ao de superioridade. Da parte dos Espíritos bons, é sempre boa a influência que exercem uns sobre os outros. Os perversos, esses procuram desviar da senda do bem e do arrependimento os que lhes parecem suscetíveis de se deixarem levar e que são, muitas vezes, os que eles mesmos arrastaram ao mal durante a vida terrena. Assim, a morte não nos livra da tentação, mas a ação dos maus Espíritos é sempre menor sobre os outros Espíritos do que sobre os homens, porque lhes falta o auxílio das paixões materiais.

As comunicações espíritas tiveram como resultado mostrar o estado futuro da alma, não mais em teoria, porém na realidade. Em tese geral, pode-se dizer: cada um é punido por aquilo em que pecou. Assim é que uns o são pela visão incessante do mal que fizeram; outros, pelo pesar, pelo temor, pela vergonha, pela dúvida, pelo insulamento, pelas trevas, pela separação dos entes queridos, etc... O espetáculo dos sofrimentos dos Espíritos inferiores não constitui, para os bons, uma causa de aflição, pois que sabem que o mal terá um fim.

Quando nos achamos no mundo dos Espíritos, estando patente todo o nosso passado, o bem e o mal que houvermos praticado, serão igualmente conhecidos. Em vão, aquele que houver praticado o mal tentará escapar ao olhar de suas vítimas: a presença inevitável destas lhe será um castigo e um remorso incessante, até que haja expiado seus erros, ao passo que o homem de bem por toda parte só encontrará olhares amigos e benevolentes.

A crença no Espiritismo ajuda o homem a se melhorar, firmando-lhe as idéias sobre certos pontos do futuro. Apressa o adiantamento dos indivíduos e das massas, porque faculta-nos inteiremos do que seremos um dia. É um ponto de apoio, uma luz que nos guia.

5 Penas temporais

Quando a alma está encarnada, as tribulações da vida são-lhe um sofrimento; mas, só o corpo sofre materialmente. Falando de alguém que morreu, costumamos dizer que deixou de sofrer. Nem sempre isto exprime a realidade. Como Espírito, está isento de dores físicas; porém, tais sejam as faltas que tenha cometido, pode estar sujeito a dores morais mais agudas e pode vir a ser ainda mais desgraçado em nova existência. Assim, o mau rico terá que pedir esmola e se verá a braços com todas as privações oriundas da miséria; o orgulhoso, com todas as humilhações; o que abusa de sua autoridade e trata com desprezo e dureza os seus subordinados, se verá forçado a obedecer a um superior mais ríspido do que ele foi. Todas as penas e tribulações da vida são expiação das faltas de outras existências, quando não a conseqüência das da vida atual.

A reencarnação do Espírito em um mundo menos grosseiro é a conseqüência de sua depuração, porquanto, à medida que se vão depurando, os Espíritos passam a encarnar em mundos cada vez mais perfeitos. Nos mundos onde a existência é menos material do que neste, menos grosseiras são as necessidades e menos agudos os sofrimentos físicos.

O homem que, não fazendo o mal, também nada faz para libertar-se da influência da matéria, tem que recomeçar uma existência de natureza idêntica à precedente.

6 Expiação e arrependimento

O arrependimento pode se dar, tanto no estado espiritual, como no corporal. No estado espiritual, deseja o arrependido uma nova encarnação para se purificar. No estado corporal, fazer que, já na vida atual, o Espírito progrida, se tiver tempo de reparar suas faltas. Todo Espírito tem que progredir incessantemente. Aquele que, nesta vida, só tem o instinto do mal, terá noutra o do bem e é para isso que renasce muitas vezes. A diferença está somente em que uns gastam mais tempo do que outros, porque assim o querem. Há Espíritos que de coisa alguma útil se ocupam. Estão na expectativa. Mas, neste caso, sofrem proporcionalmente. Devendo em tudo haver progresso, neles o progresso se manifesta pela dor.

A prece em favor dos Espíritos só tem efeito se eles se arrependem. Com relação aos que, impelidos pelo orgulho, se revoltam contra Deus e persistem nos seus desvarios, a prece nada pode e nada poderá, senão no dia em que um clarão de arrependimento se produza neles. A expiação se faz no estado corporal, mediante provas a que o Espírito se acha submetido e, na vida espiritual, pelos sofrimentos morais inerentes ao estado de inferioridade em que se encontre. Aquele que, em artigo de morte, reconhece suas faltas, quando já não tem tempo de as reparar, o arrependimento lhe apressa a reabilitação, mas não o absolve.

7 Duração das penas

A duração das penas na vida futura se rege por leis em que a sabedoria de Deus e a sua bondade se revelam. A duração dos sofrimentos do culpado se baseia no tempo necessário a que se melhore. À medida que ele progride e que os sentimentos se depuram, seus sofrimentos diminuem e mudam de natureza. Os sofrimentos do Espírito seriam eternos se ele pudesse ser eternamente mau, isto é, se jamais se arrependesse e melhorasse. Mas Deus não criou seres tendo por destino permanecerem voltados perpetuamente ao mal. Apenas os criou todos simples e ignorantes, tendo todos, no entanto, que progredir em tempo mais ou menos longo, conforme decorrer da vontade de cada um.

8 Ressurreição da carne

O dogma da ressurreição da carne é a consagração da reencarnação ensinada pelos Espíritos e mal compreendido pelos homens que tomaram esse ensino ao pé da letra. A doutrina da pluralidade das existências é consentânea com a justiça de Deus; só ela explica o que, sem ela, é inexplicável. Como, porém, são chegados os tempos de não mais empregarem linguagem figurada, os Espíritos se exprimem sem alegorias e dão às coisas sentido claro e preciso, que não possa estar sujeito a qualquer interpretação falsa. Eis porque, daqui a algum tempo, muito maior será do que é hoje o número de pessoas sinceramente religiosas e crentes.

9 Paraíso, inferno e purgatório

No Universo não há lugares circunscritos para as penas e gozos dos Espíritos, pois eles são inerentes ao seu grau de perfeição. Cada um tira de si mesmo o princípio de sua felicidade ou de sua desgraça. Quanto aos encarnados, esses são mais ou menos felizes ou desgraçados, conforme é mais ou menos adiantado o mundo em que habitam. Inferno e Paraíso são simples alegorias; por toda parte há Espíritos ditosos e inditosos.

A localização absoluta das regiões das penas e das recompensas só na imaginação do homem existe. Provém da sua tendência a materializar e circunscrever as coisas, cuja essência infinita não lhe é possível compreender.

Por "purgatório" devem-se entender as dores físicas e morais: o tempo de expiação. Quase sempre, na Terra, é que fazemos o nosso purgatório e que Deus nos obriga a expiar as nossas faltas.

Por "céu" não se deve entender um lugar onde os Espíritos estejam todos despreocupados, somente gozando a eterna felicidade. Não; é o espaço universal; são os planetas, as estrelas e todos os mundos superiores, onde os Espíritos gozam plenamente de suas faculdades, sem as tribulações da vida material, nem as angústias peculiares à inferioridade. As expressões "quarto", "quinto" céus, etc., exprimem diferentes graus de purificação e, por conseguinte, de felicidade. É exatamente como quando se pergunta a um Espírito se está no inferno. Se for desgraçado dirá sim, porque, para ele, inferno é sinônimo de sofrimento. Sabe, porém, muito bem que não é uma fornalha. Um pagão diria estar no Tártaro.

Quando o Cristo disse: "Meu reino não é deste mundo", quis dizer que seu reinado se exerce unicamente sobre os corações puros e desinteressados, mas, um dia, o bem reinará na Terra. Por meio do progresso moral e praticando as leis de Deus é que o homem atrairá para a Terra os bons Espíritos e dela afastará os maus. Essa transformação se verificará por meio da encarnação de Espíritos melhores, que constituirão, aqui, uma geração nova. Então, os Espíritos dos maus, que a morte vai ceifando dia a dia, e todos os que tentem deter a marcha das coisas, serão excluídos, pois que viriam a estar deslocados entre os homens de bem, cuja felicidade perturbariam. Irão para outros mundos menos adiantados, desempenhar missões penosas, trabalhando pelo seu próprio adiantamento, ao mesmo tempo em que trabalharão pelo de seus irmãos ainda mais atrasados. E, então, a Terra será transformada.