Estudando o Espiritismo

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domingo, 27 de dezembro de 2015

Aborto espontâneo: expiação ou recusa?

Aborto espontâneo: expiação ou recusa?

O aborto espontâneo (IIG) é o termo usado para uma gravidez que termina por si só, independente de qualquer manobra local ou geral voluntária, geralmente ocorre dentro das primeiras 20 semanas de gestação.

Pode ser um fenómeno: – Isolado. – Habitual ou de repetição (dificuldade de diagnóstico, prognóstico ou tratamento.)

O aborto espontâneo desenvolve-se em duas fases:

a)Ameaça de aborto.
É importante o diagnóstico, pois o tratamento precoce pode por vezes salvar a gravidez, se houver vida embrionária.

Clinicamente é caracterizado por:

1º- Pequenas metrorragias.(hemorragias)

2º- Queixas de cólicas discretas aos quadrantes inferiores.(cólicas na região pélvica)

b) – Aborto propriamente dito.

É anunciada pelo aumento das perdas sanguíneas, pelo aparecimento de dores ou o seu aumento.*

Na sua evolução o aborto espontâneo é:

– Natural e em geral completo e pode efetuar-se:

a)Num só tempo (embrião ou feto + placenta  – durante o 1º e 2º mês)
b) Em dois tempos: 1º – embrião ou feto     2º – placenta  – durante o 3º e 4º mês.
Após o aborto:  1)A involução (útero volta ao normal), é rápida; 2) Pode haver lugar ao aparecimento do leite materno dependendo esta situação do tempo de gravidez que havia; 3) A menstruação aparece entre 30-90 dias (média 45 dias) após o aborto se ter consumado.

Etiologia (=causa)

Em cerca de 50% dos casos, a etiologia precisa do aborto não se diagnostica, mas noutros 50%, são revelados após técnicas auxiliares de diagnóstico, por ex: ecografia, histerosalpingografia, etc…

1- Causas ovulares; 2 – Causas uterinas;    3 – Causas de ordem geral; 4 – Défices hormonais; 5 – O traumatismo ou os microtraumatismos repetidos; 6 – Algumas infeções;  7- Anomalias cromossómicas: *

O que nos diz a Doutrina Espírita sobre o aborto espontâneo

Considerações sobre o Aborto Espontâneo

Consciência, perispírito e enfermidade

135. Há no homem alguma outra coisa além da alma e do corpo? E qual é a sua natureza?

“Semimaterial, isto é, de natureza intermédia entre o Espírito e o corpo. É preciso que seja assim para que os dois se possam comunicar um com o outro. Por meio desse laço é que o Espírito atua sobre a matéria e reciprocamente.” O homem é, portanto, formado de três partes essenciais:

1º – o corpo ou ser material, análogo ao dos

animais e animado pelo mesmo princípio vital;

2º – a alma, Espírito encarnado que tem no corpo a sua habitação;

3º – o princípio intermediário, ou perispírito, substância semimaterial que serve de primeiro envoltório ao Espírito e liga a alma ao corpo. Tal, num fruto, o gérmen, o perisperma e a casca.

166. Como pode a alma, que não alcançou a perfeição durante a vida corpórea, acabar de depurar-se?

Na questão 344 de “0 Livro dos Espíritos”, encontramos a seguinte orientação:

– no momento da conceção, o Espírito se une em definitivo ao corpo, por laços ainda frágeis, podendo haver mortes prematuras, tanto pela imperfeição da matéria, quanto, principalmente, por tratar-se de prova, tanto para ele quanto para os pais.

André Luiz elucida-nos a esse respeito: “Na Espiritualidade,

os servidores da Medicina penetram, com mais segurança, na história do enfermo para estudar, com o êxito possível, os mecanismos da doença que lhe são particulares. Aí, os exames nos tecidos psicossomáticos com aparelhos de precisão,

correspondendo às inspeções instrumentais e laboratoriais em voga na Terra, podem ser enriquecidos com a ficha cármica do paciente, a qual determina quanto à reversibilidade ou irreversibilidade da moléstia, antes de nova reencarnação, motivo por que numerosos doentes são tratáveis, mas

somente curáveis mediante longas ou curtas internações no campo físico, a fim de que as causas profundas do mal sejam extirpadas da mente pelo contacto direto com as lutas em que se configuraram.”

XAVIER, F.C./ Espírito André Luiz; “Evolução em Dois Mundos” – 14ª ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1995. Segunda parte, cap, 19.

Quando o Reencarnante desiste  da prova

Nalguns casos o aborto considerado espontâneo é, realizado pelo próprio espírito em processo reencarnatório.

“(…) como os laços que ao corpo o prendem são ainda muito fracos, facilmente se rompem e podem romper-se por vontade do Espírito, se este recua diante da prova que escolheu. Em tal caso, porém, a criança não vinga.” Todavia, não há como outro Espírito passar a ocupar o corpo destinado ao Espírito que desistiu de reencarnar.

Kardec, Allan; O Livro dos Espíritos; p.345

A influência da mente da mãe

Há outros casos de abortos aparentemente espontâneos, que são na verdade provocados mentalmente pela mãe. XAVIER, Francisco Cândido/Espírito André Luiz; Evolução em Dois Mundos, 10ª ed., Cap. XIII, pág. 195.

O aborto espontâneo e o suicídio em vidas pregressas.

~PEREIRA, Y.A./Espírito Camilo Cândido Botelho; “Memórias de um Suicida”. 22ª ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 2000. Segunda parte, cap- I.

“– Como compreen-deremos os casos de gestação frustrada quando não há Espírito reencarnante para arquitetar as formas do feto? FCX/Espírito André Luiz; Evolução em dois mundos. Cap. XIII, pag. 195

“(…) nas questões 136- a) e 136 – b) 356 – a) de “O Livro dos Espíritos”, consta que podem existir corpos sem alma, sendo apenas uma massa de carne sem inteligência;

– Há casos em que jamais houve um espírito, destinado aos corpos, nada devendo se cumprir neles.

Há também espíritos que, pela recusa sistematicamente determinada em reencarnar, para fugir de determinadas situações, romperam os liames que os unia ao embrião. Estes terão seus débitos cármicos agravados e muitas vezes encontrarão posteriores dificuldades em reencarnar, sendo atraídos a gestações inviáveis e a pais necessitados de vivenciar a valorização da vida.

Os abortos espontâneos podem ser resultado do compromisso dos pais, antes de reencarnar, de passarem pela prova da infertilidade, por terem adquiridos débitos com a lei universal na área do renascimento.

Podem também ser experiência para aqueles que, por não

compreenderem a profundidade do valor da vida, renascem com essa limitação como forma de aprendizado. Em alguns casos, o espírito programado para nascer foi cúmplice do processo que envolvia todos os personagens.

“O aborto provocado, sem necessidade terapêutica, revela-se matematicamente seguido por choques traumáticos no corpo espiritual, tantas vezes quantas se repetir o delito de lesa maternidade, mergulhando as mulheres que o perpetram em angústias indefiníveis, além da morte, de vez que, por mais extensas se lhes façam as gratificações e os obséquios dos Espíritos Amigos e Benfeitores que lhes recordam as qualidades elogiáveis, mais

se sentem diminuídas moralmente em si mesmas, com o centro genésico desordenado e infeliz, assim como alguém indebitamente admitido num festim brilhante, carregando uma chaga que a todo instante se denuncia.

Dessarte, ressurgem na vida física, externando gradativamente, na tessitura celular de que se revestem, a disfunção que podemos nomear como sendo a miopraxia (paralesia) do centro genésico atonizado (sem tónus), padecendo, logo que

reconduzidas ao curso da maternidade terrestre, as toxemias da gestação. Dilapidado o equilíbrio do centro referido, as células ciliadas, mucíparas e intercalares não dispõem da força precisa na mucosa tubária para a condução do óvulo na trajetória endossalpingeana (trajectória que o óvulo faz através das trompas de Falópio), nem para alimentá-lo no impulso da migração por deficiência hormonal do ovário, determinando não apenas os fenómenos da prenhez ectópica ou localização

heterotópica do ovo, mas também certas síndromes hemorrágicas de suma importância, decorrentes da nidação do ovo fora do endométrio ortotópico, ainda mesmo quando já esteja acomodado na concha uterina, trazendo habitualmente os embaraços da placentação baixa ou a placenta prévia hemorragípara (que provoca hemorragias) que constituem, na parturição, verdadeiro suplício para as mulheres portadoras do órgão germinal em desajuste.”



XAVIER, Francisco Cândido (André Luiz), Evolução em Dois Mundos, 10ª ed., Cap. XIV, pág. 198-9.

Consideração Final

Tudo é supervisionado por Deus através de seus filhos já evoluídos, como o é Jesus, Governador da Terra.Gravidez com final feliz, ou a terminar em aborto espontâneo, se pautado sob uma estreita perspetiva de uma só vida, mostra-se totalmente diferente ao entendermos haver a sabedoria de Deus em tudo, num planeamento de

longo prazo, de muitos milénios, tendo em vista a nossa evolução moral e intelectual. Demonstra-se, de forma clara, o quanto nossos Espíritos protetores trabalham por nós, com tanto tempo de antecedência, e o quanto temos a agradecer a Deus pela sua ajuda incondicional. Cabe à candidata a mãe  procurar agir da melhor maneira, educando os seus pensamentos e as suas ações, evitando dessa forma intoxicar a

vida que começa a desenvolver-se no seu interior, buscando, pela prece, e pelo amor, alimentar espiritualmente esse pequeno ser, dando-lhe força para vencer medos e inseguranças.

As mães/gestantes conscientes da sua grande missão, irão procurar a inspiração dos bons Espíritos, de forma a contribuir para o bom êxito do planeamento reencarnatório.  Em todas as situações, temos que Deus está presente. Acaso, não existe! “ KUHL, Eurípedes, Genética e Espiritismo, 1ª ed., pág. 115-16.

Tema apresentado por Gina Ferreira