Estudando o Espiritismo

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sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Sobre Sincronicidade

Sobre Sincronicidade

Oi pessoal,

A sincronicidade é realmente fabulosa: o Marcus tocou no assunto "coincidências" quarta-feira passada, dando o exemplo " você pensa em uma amigo e, de repente, o telefone toca. E do outro lado da linha está justamente aquele amigo em que você acabou de pensar."
Pois então: hoje abri uma pasta do meu computador e encontrei esse texto, de alguns meses atrás.
Já que a sincronicidade quer ser "o assunto", então façamos a sua vontade...kkkk... =P

Beijos a todos!

Sincronicidade - nada acontece por acaso
Conhecidos como coincidências significativas, esses eventos surpreendentes guardam mensagens importantes. Uma vez decodificados, ampliam nossa visão da realidade

Por Juliana Motter

Uma amiga telefona na hora em que pensamos nela. Recebemos um folheto na rua contendo justamente a informação que procurávamos. Abrimos um livro e lá está a página com as palavras que buscávamos. Quem já não foi surpreendido por uma dessas coincidências mágicas? Longe de ser um mero devaneio, o fenômeno existe, chama-se sincronicidade e a cada vez que se manifesta confirma a reconfortante sensação de que nada na vida acontece por acaso.
Difícil aceitar algo que desafia a compreensão, não é? Muitos filósofos debruçaram-se sobre a questão no esforço de entendê-la, mas as primeiras respostas só surgiram na década de 1920, quando o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung (1875-1961) reuniu pesquisas que demonstravam o fenômeno.
O caso de sincronicidade que mais intrigou Jung foi o do escaravelho de ouro. Uma paciente contava que havia sonhado com essa jóia rara quando, de repente, ouviu-se um barulho na janela. Jung interrompeu a sessão e foi ver o que era. Voltou com um besouro-rosa nas mãos e mostrou-o à mulher, que ficou impressionada com a semelhança entre o inseto e o escaravelho de seu sonho.
O que acontece dentro de nós tem estrita relação com o que ocorre fora. Mera coincidência? Não para Jung, que viu aí um significado importante: achava que o excesso de racionalismo da paciente impedia a evolução da terapia, e a coincidência teria sido um sinal - interior e exterior - de que ela deveria se abrir para novas possibilidades. O curioso - e que reforça a tese do psiquiatra - é que na linguagem simbólica escaravelho significa transformação.
Sincronicidade quer dizer coincidência significativa, ou seja, dois ou mais eventos que ocorrem ao mesmo tempo e não guardam entre si uma relação de causa, mas de significado. Movimentos sincrônicos acontecem sem aviso ou planejamento. Um exemplo? Se você escreve a um amigo e ele responde, confirma-se o princípio de causa e efeito, segundo o qual um fenômeno se dá em decorrência de outro. Mas se você pensa na pessoa e recebe uma carta dela, e isso desperta algo importante, trata-se de uma sincronicidade, pois os fatos mantêm uma ligação significativa e não causal.

Acontecimentos sincrônicos são avisos de que estamos mesmo no caminho certo.

Mais que um evento curioso, a sincronicidade sempre traz uma mensagem. "Fenômenos sincronísticos podem ser avisos de coisas que estão para ocorrer, sinais que nos asseguram que 'tudo correrá bem', ou indicações de que estamos no rumo certo", diz a americana Deike Begg em Sincronicidade - A Promessa da Coincidência (ed. Cultrix).
A pergunta é: como, afinal, ocorre a sincronicidade? A teoria de Jung - que, além da psicologia, fundamenta-se na física quântica e na filosofia oriental - parte do pressuposto de que o universo é indivisível e que tudo nele é interligado por um tipo de vibração. Assim, o que se processa dentro de nós (plano psíquico) teria estrita relação com que acontece fora (plano físico), embora o pensamento racional insista em fazer a divisão. É como se, a exemplo do radar, o inconsciente captasse todos os movimentos que constituem essa teia vibracional e, na hora em que a razão está menos ativada - durante o sono, a meditação ou o relaxamento -, trouxesse as informações para o consciente, revelando sinais importantes para compreender a realidade de forma mais abrangente.
Basta olhar ao redor, ou atrás, para sentir que o universo flerta conosco. "Uma breve retrospectiva é o suficiente para concluirmos que certos acontecimentos inexplicáveis, às vezes dolorosos, pelos quais passamos foram fundamentais para definir o rumo de nossas vidas", analisa a terapeuta holística Frances Rose Feder, uma das organizadoras no Brasil do VI Congresso Holístico Internacional - Conectividade e Sincronicidade, que acontecerá de 25 de setembro a 2 de outubro em Findhorn, na Escócia. "Palestrantes do mundo todo e membros de redes de culturas de paz discutirão como as coincidências significativas podem nos abrir novas possibilidades", anuncia ela.
Até hoje, nenhum teorema físico ou fórmula matemática comprovou a sincronicidade, mas sua contribuição na ampliação da consciência é notória: "Ela nos convida a ver o mundo sob uma nova perspectiva", explica a psicóloga Marion Gallbach (SP). Enquanto o raciocínio lógico busca uma causa para tudo - "Perdi o emprego porque a empresa passa por dificuldades", "Escorreguei porque o chão estava molhado" -, o raciocínio sincrônico investiga o propósito significativo das situações. Considera, por exemplo, que a perda do emprego pode ser prenúncio de uma nova chance, ou que o tombo chama a atenção para algo importante.
Simultaneidades acontecem a toda hora. A condição para reconhecê-las? Não duvidar da sua ocorrência, aconselha o psicólogo americano Robert Hopcke em Sincronicidade - Por que Nada É por Acaso (ed. Nova Era). Graças a esses sinais mágicos, grandes cientistas chegaram a conclusões que mudaram a história. Não fosse a atenção dada a uma simples maçã que despencou de uma árvore sobre sua cabeça, Isaac Newton não obteria as revelações sobre as propriedades físicas da gravidade. Se ignorasse o fato corriqueiro de a banheira transbordar ao entrar nela, Arquimedes não descobriria que é possível medir o volume de um objeto pelo deslocamento da água.
Quando observamos eventos sincrônicos e decodificamos seus sinais, nossa consciência se amplia e respondemos de forma mais plena às situações. Aprendemos a reconhecer o momento de agir, de esperar, de mudar. Enfim, nos convencemos de que tudo, por mais banal que pareça, tem razão de ser.

Dê significado às meras coincidências

Mude a pergunta
Muitos fatos que nos cercam podem ser sincronicidades, mas nem sempre as identificamos porque nosso raciocínio é causal. Para entender algo, perguntamos "por quê?" Essa questão busca entendimento no que já passou, enquanto, se a pergunta for "para quê?", ficaremos atentos às possíveis ligações que esse evento possa ter com o que está por vir.

Fique atenta aos sonhos
No sono, o inconsciente manifesta-se de modo livre, sem as barreiras da mente consciente. Mantenha um bloco de notas e uma caneta junto da cama para anotar os sonhos. Mesmo que não compreenda seu significado na hora, de repente, num lampejo de inspiração, ele surgirá.
Deixe-se surpreender Quando paramos de tentar controlar tudo e deixamos que a ordem surja do caos aparente, as sincronicidades se manifestam com mais intensidade. Um livro sobre a mesa ou um objeto fora do lugar podem revelar mensagens importantes.

Fuja da rotina
Experimente novos trajetos, converse com desconhecidos, visite lugares novos. O "sentido sincronizador" fica mais apurado quando nos distanciamos dos hábitos diários, mecânicos e repetitivos, pois passamos a utilizar mais o instinto e a intuição para nos orientar.

Explore o i ching
O respeitado oráculo chinês foi visto por Jung como uma prova da existência da sincronicidade, pois a pergunta de quem consulta (manifestação psíquica interna) coincide com a resposta oferecida pelo jogo (manifestação física externa). A melhor tradução do oráculo para o Ocidente está no I Ching - O Livro das Mutações, de Richard Wilhelm (ed. Pensamento).