Estudando o Espiritismo

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domingo, 30 de agosto de 2015

Estudo da Psicografia de Juvanir Borges de Souza, ex-presidente da FEB, associado à mensagem Atitude de Amor de Bezerra de Menezes, por Cícero Pereira.

Estudo da Psicografia de Juvanir Borges de Souza, ex-presidente da FEB, associado à mensagem Atitude de Amor de Bezerra de Menezes, por Cícero Pereira.

As duas mensagens podem ser encontradas nos links:

http://cursodeevangelho.blogspot.com.br/2015/06/a-impressionante-psicografia-de-juvanir.html

http://www.editoradufaux.com.br/news/humanizar/2.pdf

Os textos da psicografia de Juvanir estarão em vermelho, os da mensagem de Bezerra em azul.

O benfeitor inicia a mensagem comentando a sua condição de possuidor de extenso conhecimento doutrinário e mesmo assim constata os “descaminhos” percorridos como dirigente espírita.

“Estar do lado de cá é menos surpreendente do que se pressupõe. Mas, ao mesmo tempo é assustador quando se constata quanto descaminho se percorreu, mesmo estando preparado, avisado, alertado a todo momento, tendo à disposição uma extensa planilha de ação correta, mormente quando se é privilegiado pelo conhecimento da realidade espírita. ”  (Juvanir)

Bezerra de Menezes, falando do período de maioridade das ideias espíritas, alerta sobre a nossa atávica tendência, como religiosos reencarnados, de repetição de padrões comportamentais, no caso o velho discurso divorciado da prática.

“Esse novo tempo dever, igualmente, conduzir a efeitos salutares a nossa coletividade espírita, criando entre nós, seus adeptos, o período da atitude. O velho discurso sem prática dever ser substituído por efetiva renovação pela educação moral. É a etapa da fraternidade na qual a ética do amor será eleita como meta essencial, e a educação como o passo seguro na direção de nossas finalidades. ” (Bezerra)

O Juvanir continua sua mensagem com a metáfora da contramão do movimento espírita que se afastou da "gentilidade" (do povo), aproximando de "Jerusalém", com o apego institucional e repetição de velhos erros religiosos.

"Há perigoso e crescente desvio no movimento espírita, e diria, sem receio de errar, que estamos indo de Damasco para Jerusalém, voltando da Rua Direita para as frias colunas das sinagogas, devolvendo aos novos sacerdotes as "cartas de punição", de repúdio, de imperiosa obstaculação à manifestação dos espíritos, na religião dos espíritos! Hoje vejo como fomos infantis, (como fomos imprudentes na jactância!), e as escamas que Ananias havia tirado dos olhos do apóstolo estão sendo recolocadas, para uma cegueira e escuridão imensas, em nome da vaidade e da permanência de sentimentos "estruturais" herdados de nosso passado clerical, vaticanizado!" (Juvanir)

Bezerra, da mesma forma que Juvanir, também fala sobre os desvios de um movimento excessivamente fechado no institucionalismo e dos novos desafios de abertura, clamor dos tempos novos:

"Esses desvios perpetrados lembram os primeiros momentos do Evangelho sobre a Terra, quando teve circunscrito seu raio de ação ao Judaísmo dominante. Tal realidade levou o Mais Alto a chamar o espírito corajoso e nobre de Paulo e Tarso na ingente missão de servir para além dos muros institucionais da capital do religiosismo, e tornar universal a mensagem do Sábio Pastor. 

Conclamamos novos apóstolos para a "gentilidade" nesse momento delicado de nossa seara, porque o orgulho humano reeditou, em larga amplitude, os ambientes estéreis à propagação dos ensinos do Senhor." (Bezerra)

Juvanir prossegue agora comentando sobre a sua própria condição, sobre como chegou ao mundo espiritual, confirmando mais uma vez o alerta que vem sendo dado pela revelação mediúnica sobre a nossa condição de espíritos enfermos, internados na carne em regime de resgate expiatório, muitas vezes vindo com proposta reeducativa dos velhos atavismos religiosos do menor esforço, do ritualismo, do vício em notoriedade e do cultivo de tradições entre outros. Comenta que não está sozinho no nosocômio, mas acompanhado de muitos dirigentes...

"Desde minha passagem estou numa região de reparação, de recomposição, destilando gota a gota, um sentimento de decepção pelas oportunidades desperdiçadas. E vejo nesse extenso nosocômio em que me encontro, milhares de figuras que admirei e segui, e surpreendentemente, aqui estão, há décadas, na busca de saídas para a sua própria redenção." (Juvanir)

Juvanir faz uma referência aos anos de 1977-8, quando em publicação da revista Reformador, com a intenção de proteger uma pureza doutrinária, se estabeleceu estacas delimitadoras que funcionaram como estímulo para a separação:

"Sem cerimônia e limites, estabelecia-se ali, de modo impiedoso, a cisão, a discriminação, a separação de irmãos a quem devíamos, obrigatoriamente, estender os braços e acolher, mitigando-lhes a ignorância e informando-lhes (pelo menos) da realidade espiritual. Criamos nossa "cruzada", esquecendo a verdadeira lição da conquista pelo amor, pela tolerância, pela compreensão.

Abraçamos a doutrina, criando um verdadeiro exército de proteção, e viramos as costas aos irmãos. O alvo principal? Os terreiros de umbanda, de camdomblé, os rituais africanos, de mediunidade primária, os adeptos do esoterismo, de crenças orientais, os místicos, os que, -por não conhecerem os fundamentos da vida espiritual e da relação verdadeira do intercâmbio entre os encarnados e não- se utilizavam do epíteto de "espíritas ou espiritualistas" em suas atividades. Exatamente os que deveriam ser esclarecidos, orientados, pela proximidade, semelhança, e por possuírem algumas informações sobre a vida espiritual e contato com o invisível. Exatamente os que em análise primeira são nossos irmãos mais próximos." (Juvanir)

Juvanir ainda comenta:

"Fugimos do trilho! Perdemos o fio da meada! Caímos na cilada da vaidade, da arrogância, da presunção de superioridade, da falsa concepção de que "deveríamos proteger a Doutrina". Abandonamos à ignorância os humildes, os analfabetos, os sofredores, os obsidiados, as vítimas das trevas da superstição que deveríamos orientar, conduzir, esclarecer, libertar." (Juvanir)

Bezerra de Menezes, na sua mensagem fala do nosso maior inimigo, o orgulho e também propõe o resgate da fraternidade legítima, do diálogo franco e transparente e da abertura para as diferenças e os diferentes.

"Nosso maior inimigo, de fato, é o orgulho em suas expressões inferiores de arrogância, inflexibilidade, perfeccionismo, autoritarismo, intolerância, preconceito e vaidade, seus frutos infelizes que, sem dúvida, insuflam a institucionalização perniciosa e incentivam o dogmatismo e a fé cega, adubando a hierarquização e o sectarismo." (Bezerra)

"Meditemos na inolvidável pergunta do Mestre: Que galardão teremos em amar somente os que nos
amam?
A diversidade é uma realidade irremovível da Seara e seria utopia e inexperiência trata-la como joio. Imprescindível propalar a ideia do ecumenismo afetivo entre os seareiros, para que cultura da
alteridade seja disseminada e praticada no respeito incondicional a todos os segmentos..." (Bezerra)

Juvanir faz uma reflexão a respeito de nossas práticas, nas casas espíritas, de como estamos acolhendo quem chega em busca de ajuda. As regras rígidas, os horários, o estatuto a disciplina enfim, amamos mais a tarefa e a doutrina do que as pessoas que chegam...

"Qualquer um que queira resolver uma dificuldade, de indagação interior, de problemas momentâneos, de compreensão da vida, - e que procure uma casa espírita- precisa primeiro se submeter a cursos, intermináveis, exposições doutrinárias, entupir-se de leituras impostas, e aí foge o espiritismo do caminho de espiritualizar primeiro, evangelizar depois. É como se alguém, ao precisar de um analgésico para uma dor de cabeça. tenha que fazer antes um curso de medicina!" (Juvanir)

Bezerra também aponta para a necessidade de renovação das práticas, com o foco no acolhimento, no desafio de amar e servir em um primeiro momento, para propor a educação e o autoconhecimento quando a pessoa já estiver algo renovada. Ele propõe uma melhoria nas condições dos centros espíritas:

"...Não só o conhecimento e o trabalho, mas a absorção das verdades no campo individual consentidas em colóquios íntimos e permanentes, que reproduzem os momentos de Jesus com seu colégio apostólico. Por isso, temos que promover as Casas, de posto de socorro e alívio a núcleo de renovação social e humana, através do incentivo ao desenvolvimento de valores éticos e nobres capazes de gerar a transformação. 

Para isso só há um caminho: a educação." (Bezerra)

Juvanir faz crítica a um espiritismo sem espíritos, resultado de proibições e engessamento que a prática mediúnica sofreu no século 20, tendo como consequência o fechamento dos grupos à manifestação dos espíritos. Juvanir como Bezerra, defendem também a necessidade de as casas espíritas saírem do isolamento e interagirem socialmente, com outras casas espíritas e com os movimentos sociais.

"A consciência universal que deve nortear o encaminhamento do que quer ser espírita e recebe esse maravilhoso legado o obriga a semear em todos os terrenos, a sabedoria desse insubstituível e impostergável intercâmbio. Assim o espiritismo precisa penetrar como óleo balsâmico em todos os poros do tecido social." (Juvanir)

"...Dessa forma, estaremos retirando a Casa da feição de uma "ilha paradisíaca de espiritualidade", projetando-a ao meio social e adestrando seus partícipes a superarem sua condição sem estabelecer uma realidade fictícia e onerosa, insufladora de conflitos e de medidas impositivas, longe das reais possibilidades de transformação que a criatura pode e precisa efetivar em si mesma.

Interagindo com o meio em permuta incessante de valores e experiências, o centro espírita sai da condição de um reduto isolado no cumprimento de sua missão e passa a delinear a formação de uma rede de intercâmbios, fenômeno esse que vem abarcando a humanidade inteira sob a designação de globalização." (Bezerra)

Vemos desta forma uma feliz coincidência de ideias entre estas duas mensagens. Ambas apontam para a necessidade da humildade, do evangelho sentido e vivido, da mente aberta para o aprendizado, dos recomeços e da fraternidade legítima entre os irmãos em Cristo. Jesus falou que os seus discípulos seriam conhecidos por muito se amarem e o Espírito Verdade também nos propôs: Amai-vos, este o primeiro mandamento.

Duas mensagens que nos fazem pensar sobre as nossas práticas, nossas posturas e nos servem de alerta para aproveitamento da gloriosa oportunidade de servir, adiantando espiritualmente em uma única existência,  mais do que o fizemos em centenas de anos e de encarnações. Mas como lembra Juvanir e Jesus: A quem muito foi dado...