Estudando o Espiritismo

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terça-feira, 28 de abril de 2015

A FÉ E A CARIDADE


O ESPÍRITO PROTETOR, como se intitulou o autor da mensagem, faz uma afirmação, difícil de aceitar à primeira leitura: “Eu vos disse, recentemente, meus queridos filhos, que a caridade sem a fé não seria suficiente para manter entre os homens uma ordem social capaz de fazê-los felizes. Deveria ter dito que a caridade é impossível sem a fé”.

Pelo texto, compreende-se que ele se refere à fé em Deus, nas Suas leis, na vida futura, à fé religiosa.

Todavia, sabemos que existem, e sempre existiram, pessoas sem fé em Deus, sem fé religiosa, que usaram de caridade para com o próximo.

Mas, a caridade a que ele se refere é a do amor em ação, ou seja, é aquela que leva o homem às renúncias de si mesmo em favor de outros; aquela, exercida com abnegação, com dedicação, colocando as necessidades alheias acima das suas; aquela que sacrifica todo o interesse egoísta para pensar nos interesses alheios; aquela que se compraz, sente prazer em beneficiar, não precisando de satisfações pessoais para sentir-se contente, colocando a sua felicidade no ato de tornar os outros felizes; aquela que leva o homem a esquecer-se de si para lembrar-se de outros.

Essa caridade, somente a fé firme e segura em Deus, no seu amor, na sua justiça, na sua sabedoria, nas suas leis, é capaz de vivenciar, “porque nada além dela nos faz carregar com coragem e perseverança a cruz desta vida”.

A fé consciente, inabalável, leva o homem a compreender a transitoriedade da vida na Terra, dando, aos valores materiais, a importância relativa que eles têm para o Espírito imortal, não se prendendo a eles, mas buscando usá-los em favor de outros, a fim de suavizar os sofrimentos alheios.

Somente uma fé religiosa, bastante firme e segura, é capaz de demonstrar ao homem que ele está na Terra para desenvolver-se, intelectual e moralmente, desviando-o da busca ávida de uma felicidade nos prazeres materiais, que lhe dão apenas a ilusão de ser feliz.

Vivemos em um mundo, “aparentemente” injusto, visto apenas do ponto de vista de uma única existência.

Todavia, analisando sob o ponto de vista das vidas sucessivas, compreendemos que as “aparentes” injustiças, são os efeitos dos males praticados nesta vida ou em outras: é a lei de ação e reação, ou de causa e efeito, acontecendo, a fim de auxiliar o aperfeiçoamento espiritual do homem.

Mas, não estamos condenados a viver assim, eternamente. À medida que os homens da Terra forem se desenvolvendo, moralmente, tanto quanto intelectualmente, as dores e os sofrimentos vão se tornando menores até se tornarem desnecessários.

Aí, nosso mundo se tornará um mundo melhor, mais fraterno, mais solidário, com preocupações de paz e felicidade para todos, em todos os aspectos.

Até lá, necessário é desenvolver a fé raciocinada, que sabe quem somos quem fomos o que seremos o que aqui devemos fazer e como fazer, para, no desenvolvimento do amor em nós, vivenciarmos o amor ao próximo.

Até lá, precisamos exercitar a solidariedade, a fraternidade, a tolerância, a generosidade, todas as facetas da caridade, uns para com os outros, como pudermos, aperfeiçoando-nos nos valores espirituais que só a fé religiosa tem condição de despertar, de fazer desabrochar.

Até lá, precisamos aprender a viver na diversidade de gostos, de interesses, de tendências, de necessidades, que esta humanidade apresenta, exercitando-nos na caridade que a fé religiosa estimula, porque “somente à custa de concessões e de sacrifícios mútuos, é que podeis manter a harmonia entre elementos tão diversos”.

 A felicidade plena não existe na Terra, pela própria imperfeição dos seus habitantes.

Todavia, pode-se gozar de uma felicidade relativa, dedicando-se à prática do bem, sem perder tempo em procurá-la onde não está.

Diferentemente dos primeiros tempos do cristianismo, hoje não é necessário, para o verdadeiro cristão, o sacrifício da vida, mas faz-se premente “o sacrifício do egoísmo, do orgulho e da vaidade. Triunfareis se a caridade vos inspirar e fordes sustentados pela fé”.

Leda de Almeida Rezende Ebner
Dezembro / 2009