Estudando o Espiritismo

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domingo, 8 de março de 2015

PREMONIÇÕES AVISOS PROFÉTICOS

PREMONIÇÕES
AVISOS PROFÉTICOS

"No sexto mês, foi enviado da parte de Deus o Anjo Gabriel a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria. Aproximando-se dela, disse: Salve, altamente favorecida, o Senhor é contigo! Ela, porém, ao ouvir estas palavras, perturbou-se muito e pôs-se a pensar que saudação seria esta. Disse-lhe o anjo: Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus. E conceberás no teu ventre, e darás à luz um filho, a quem chamarás Jesus. " (Lucas, I, 26-31)

"Estando Zacarias a exercer diante de Deus as funções sacerdotais, na ordem da sua turma, coube-lhe por sorte, segundo o costume do sacerdócio, entrar no santuário do Senhor e queimar o incenso; e toda a multidão do povo estava orando da parte de fora, à hora do incenso. E apareceu a Zacarias um anjo do Senhor, em pé, à direita do altar do incenso. Zacarias, vendo-o, ficou turbado e o temor o assaltou. Mas o anjo lhe disse: Não temas, Zacarias, porque sua oração foi ouvida, e Isabel, tua mulher, dará à luz um filho, a quem chamarás João; e terás gozo e alegria, e muitos se regozijarão com o seu nascimento. " (Lucas, I, 8-13)

"Naquela região havia pastores que viviam nos campos e guardavam o seu rebanho durante as vigílias da noite. Um anjo do Senhor apareceu-lhes, e a glória do Senhor brilhou ao redor deles; e encheram-se de grande temor. Disse-lhes o anjo: Não temais, pois eu vos trago uma boa nova de grande gozo que o será para todo o povo; é que hoje vos nasceu na cidade de Davi um salvador, que é o Cristo Senhor.

E eis para vós o sinal: Encontrareis uma criança envolta em faixas e deitada numa manjedoura. De repente apareceu com o anjo uma multidão da milícia celestial, louvando a Deus e dizendo: Glória a Deus nas Alturas; e paz na Terra entre os homens de boa vontade. Quando os anjos se retiraram para o Céu, diziam os pastores uns aos outros: Vamos já até Belém e vejamos o que aconteceu, o que o Senhor nos deu a conhecer. E foram a toda a pressa e acharam Maria e José, e a criança deitada na manjedoura. " (Lucas, II, 8-16)

"Havia em Jerusalém um homem chamado Simeão, homem este justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel, e o Espírito Santo estava sobre ele; e lhe havia sido revelado pelo Espírito Santo que não morreria antes de ver o Cristo do Senhor. E movido pelo Espírito foi ao templo; e quando os pais trouxeram o menino Jesus para fazer por este o que a Lei ordenava, Simeão tomou-o nos seus braços e louvou a Deus, dizendo:

"Agora tu, Senhor, despede em paz o teu servo, segundo a tua palavra; porque os meus olhos já viram a tua salvação, a qual preparaste ante a face de todos os povos; Luz para revelação aos gentios, e glória do teu povo de Israel. Seu pai e sua mãe maravilharam-se do que dele se dizia. E Simeão os abençoou, e disse a Maria, mãe do menino: Este é posto para queda e levantamento de muitos em Israel, e para sinal de contradição (e também uma espada traspassará a tua própria alma), para que os pensamentos de muitos corações sejam revelados. " (Lucas, II, 25-35)

"Havia também uma profetiza de nome Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser (era ela de idade avançada, vivendo com seu marido sete anos desde a sua virgindade, e viúva de oitenta e quatro anos), que não deixava o templo, mas adorava noite e dia em jejuns e orações. Esta, chegando na mesma hora, deu graças a Deus e falou a respeito do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém. Quando se tinham cumprido todas as ordenanças segundo a Lei do Senhor, voltaram à Galiléia, para a sua cidade de Nazaré. " (Lucas, II, 36-39)

"Tomando à parte os doze, disse-lhes: Eis que subimos a Jerusalém, e tudo quanto os profetas escreveram a respeito do Filho do Homem se cumprirá; pois será entregue aos gentios, escarnecido, ultrajado e cuspido; e depois de o açoitarem, tirar-lhe-ão a vida, e ao terceiro dia ressurgirá. Eles, porém, nada disso entenderam, e o sentido dessas palavras era-lhes oculto; e não percebiam o que ele dizia. " (Lucas, XVIII, 31-34)

"Um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José, dizendo: Levanta-te, toma contigo o menino e sua mãe, e foge para o Egito, e fica ali até que eu te chame, pois Heródes há de procurar o menino para o matar. José levantou-se, tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egito. " (Mateus, II, 13-14)

"Mas tendo morrido Heródes, eis que um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José, no Egito, dizendo: Levanta-te, toma contigo o menino e sua mãe, e vai para a terra de Israel; pois já morreram aqueles que procuravam tirar a vida ao menino. José levantou-se, tomou o menino e sua mãe e voltou para a terra de Israel; porém sabendo que Arquelau reinava na Judéia em lugar de seu pai Heródes, temeu ir para lá; e avisado em sonhos por Deus retirou-se para os lados da Galiléia. " (Mateus, II, 19-22)

Paulo, o Doutor dos Gentios, tinha por costume falar e escrever com a maior clareza possível, para que todos fossem edificados. No capítulo XIV da epístola I aos Coríntios, diz ele: "Se eu for ter convosco, falando em línguas, o que vos aproveitará se não vos falar por meio de revelação, ou de ciência, ou de profecia, ou de instrução?" Nós muito admiramos esse Apóstolo, porque o seu fim era verdadeiramente instruir os seus ouvintes ou seus leitores. Ele não fazia o que fizeram os escritores sagrados que o sucederam, os quais deixaram volumes e volumes cheios de páginas incompreensíveis - teologias dogmáticas, artigos de fé, epístolas evangélicas "traduzindo" a doutrina de Jesus em sacramentos puramente materiais.

Transviar o sentido do Evangelho e suas narrativas, é grande pecado; sofismar com base nele, é velhacaria. Baseando-se a Doutrina de Jesus nas Leis de Deus, e devendo a sua Igreja (os seus crentes) ser edificada sobre a Rocha da Revelação, ou sejam, as comunicações, ou antes, os fatos espíritas e anímicos, é mais que má-fé esquecer os fatos para fazer em torno dos Evangelhos, ou das suas passagens, dissertações infantis, cheias de retórica, mas vazias de lógica, de inteligência e compreensão. O que está no Evangelho, está; o que é fato, é fato, e deve ser explicado como fato para servir de base à Doutrina.

Por exemplo, nessas seis passagens acima transcritas, temos um punhado de fatos de ordem anímica e espírita; premonições - avisos proféticos e mensagens premonitórias, sonhos premonitórios, etc. A Psicologia Moderna, em bases experimentais, penetrou na psique humana e desvendou vários dos seus mistérios, contribuindo para uma interpretação mais satisfatória dos Evangelhos.

A tradução hiperbólica, metafísica, dogmática dos Evangelhos, talvez tivesse, antigamente, sua razão de ser, dada a situação da Humanidade e a necessidade de melhor impressionar os Espíritos com figuras e imagens que exaltassem o sentimento religioso para melhor observância dos preceitos divinos.

Atualmente essas razões desapareceram. Entramos numa época positiva. Quer-se crer, mas quer-se saber por que se crê. E mesmo dos Evangelhos hoje não se admite passivamente, sob a dominação da fé cega, as opiniões pessoais dos Evangelistas que, de acordo com as antigas previsões e promessas, voltariam em espírito, para explicar pontos obscuros dos seus escritos, que originam dissensões e desarmonizam os homens.

Por exemplo, o "corpo de Jesus" é uma das questões que têm provocado celeuma, mesmo entre espíritas ilustrados. Essas discussões, contudo, não são de todo perniciosas, mas até muito úteis para o esclarecimento da inteligência; apresentam-se no presente momento como demonstrações do pensamento livre, e tendem, portanto, à verdade pela evolução.

Neste livro deixamos de lado essa questão, suscitada por alguns trechos dos Evangelhos, especialmente de Mateus e Lucas; esses trechos, porém, mais não são que dissertações pessoais dos referidos apóstolos, mediante as quais buscavam dar realce ao doce e suave idílio do Céu com a Terra.

Segundo nos parece, nesses versículos não há base para afirmar nem negar a natureza do "corpo de Jesus"; de nós, não concebemos Jesus Cristo senão como ele se mostrou e disse ser: Filho de Deus, e Filho do Homem; por sua natureza espiritual, Filho de Deus; por sua natureza carnal, Filho do Homem. É claro que o corpo de Jesus era muito mais aperfeiçoado que o nosso, pois diz o provérbio: mens sana in corpore sano; mas não podemos negar a sua natureza material, sem negar o próprio Jesus.

Este parênteses, que ora fechamos, foi aberto unicamente para explicar o motivo por que deixamos à margem os referidos trechos dos dois Evangelistas. O escopo deste livro é exaltar o Espírito do Cristianismo, monumental obra que nós consideramos o verdadeiro Corpo de Jesus, conforme já explicamos noutro capítulo. Passemos, pois, à dissertação das inscrições que intitulam este capítulo.

Aviso profético do nascimento de Jesus
O nascimento de Jesus, como se sabe, foi precedido de augúrios e profecias. Havia centenas de anos antes da vinda, à Terra, do Unigênito Filho de Deus em Sabedoria e Amor, que profetas e profetizas anunciavam por todos os recantos da Judéia a sua encarnação neste mundo. E chegado esse momento de grande felicidade para a nossa Humanidade, o Anjo Gabriel, com permissão divina, veio reiterar as profecias, avisando a Maria, que se havia casado com José, operário obediente aos preceitos divinos, que o Messias prometido se encarnaria através dela.

Essa manifestação, como em geral acontece em todas as manifestações espontâneas, causou pânico a Maria, e encheu-a de temor, mas o Espírito, envolvendo-a, ou antes, encorajando-a com os seus fluidos vivificadores, ordenou-lhe não temer, pois a graça vinha de Deus, e Deus era com ela. Eis, na sua singeleza, a síntese da narrativa, em que se constata a comunicação espírita, desta vez revestindo um aviso profético que se realizou literalmente.

Existem inúmeros fatos dessa ordem nos Anais do Espiritismo, numa demonstração de que se acham regidos por uma lei natural. Quantos avisos premonitórios dados por Espíritos em comunicação, sejam avisos de encarnação ou desencarnação, como de outras naturezas, enchem os livros do Espiritismo! Não cabe nesta obra transcrever as narrativas testemunhadas desses fenômenos, que os leitores encontrarão com facilidade nos livros espíritas, principalmente de Gabriel Delanne e Léon Denis.

Antigamente os sacerdotes, em sua maioria, eram favorecidos com dons psíquicos. No segundo caso vemos Zacarias, em suas funções sacerdotais, ser favorecido com a aparição de um anjo (mensageiro do Senhor), justamente quando estava queimando incenso no santuário, próximo ao altar. O Espírito lhe apareceu do lado direito do altar e, ficando ele apavorado, o Espírito tratou de acalmá-lo, como o fez o outro a Maria de Nazaré: "Não temais". E passou a anunciar a Zacarias a encarnação de João Batista, que também havia sido predita pelo Profeta Malaquias, na velha dispensação, capítulo IV, 5-6, e que viria no Espírito de Elias, assinalando este fato um frisante caso de reencarnação, referendado depois por Jesus, quando, referindo-se a João, disse: Ipse est Elias qui venturus es t - Este é o Elias que devia vir. (Mateus, xi, 14)

O terceiro caso não é menos importante. Como revelação premonitória é belíssima sua constatação. Como aparição espírita, acompanhada de comunicação por voz direta, é maravilhosa, verdadeiramente de encher o coração e alegrar a alma. É de notar que a aparição foi vista por todos e todos ouviram a sua voz. Aparição e manifestação coletiva, como dizemos em linguagem espírita: todos viram e todos ouviram. E não foi um só Espírito que apareceu, foram muitos - uma milícia celestial.

Não se diga que apareceram a este porque era santo, àquela porque era virgem, àquele outro porque era sacerdote. Nos Evangelhos não prevalece a exclusão dos humildes, dos filhos do povo. Os pastores não eram santos, nem virgens, nem sacerdotes, e todos eles viram e ouviram os Espíritos que os guiaram ao Presépio de Belém. Acresce que as mesmas sensações de temor ou de medo que estes tiveram, Maria, mãe de Jesus, e Zacarias também as tiveram. E o Espírito encorajou a estes como fez a Maria e a Zacarias: "Não temais".

As manifestações a Simeão e Ana podem ser catalogadas na ordem dos avisos proféticos. Simeão era médium tão afamado que Lucas não quis esquecê-lo no seu Evangelho. Faz excelentes referências a ele como homem justo e piedoso, que muito se interessava rela consolação de Israel; diz mesmo positivamente que ele havia recebido comunicações de Espíritos a respeito da vinda de Jesus, e acrescenta que o próprio Espírito conduziu-o ao templo e mostrou-lhe a criança que ele tomou nos braços, fazendo uma prece de agradecimento a Deus, por ver realizado o aviso que tivera; nessa ocasião também falou, movido pelo Espírito, revelando a luminosa missão de Jesus, e os sofrimentos por que Maria, sua mãe, teria de passar.

Na mesma ocasião apareceu no templo a filha de Fanuel, Ana, profetisa, que fez um discurso muito espiritual, exaltando a tarefa de Jesus para os que esperavam a redenção de Jerusalém. E como qualificar ambos os sonhos de José, citados por Mateus? Esse fato não esclarece perfeitamente a comunicação em sonho? Pode o Catolicismo traduzir o Evangelho? Não deverá ser esse Livro explicado em espírito e verdade, de acordo com a Revelação Espírita?

Cairbar Schutel