Estudando o Espiritismo

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sexta-feira, 27 de março de 2015

AFETIVIDADE - Hammed 3


Tudo o que existe tem sua origem no amor - essência fundamental de todas as coisas
que vivem sobre a Terra. A busca do amor é o principal anseio de todo ser humano.
A história da vida de cada criatura é um relato sobre seus antecedentes vivenciais; o
conjunto de suas experiências pretéritas somadas às de sua existência atual. Quando
um indivíduo conta sua história pessoal e única, estamos apenas ouvindo sua própria
interpretação, filtrada por suas crenças, valores, argumentos, pressuposições, cultura,
elementos de que ele se utiliza para nos apresentar seu modo de pensar e de ver o
mundo.
Podemos contar muitos fatos e ocorrências sobre nós, dando maior importância a
alguns aspectos e ignorando outros, ou mesmo selecionando diferentes atos e
comportamentos que tivemos nas mais diversas ocasiões. Somos seletivos por
natureza, e tudo o que falamos, pensamos ou fazemos tem certa relatividade quando
comparado com outros momentos, situações ou fases evolutivas.
Cada um de nós possui uma individualidade original e exclusiva. Utilizando-nos de
uma singela metáfora, podemos dizer: Toda vez que Deus cria um Espírito, Ele quebra
o molde".
A alma passa por um grande número de encarnações no curso dos séculos, sendo
diversificadas suas experiências na área da afetividade. Como resultado disso, adquire
um conjunto peculiar de conhecimentos, pelas inúmeras situações e ocorrências que
vivenciou.
Não somos o que pensamos, somos o que sentimos, busca do amor é o principal anseio
de todo ser humano. Ele legítimo e saudável, e nos incentiva ao despertar da
inteligênc! e dos talentos inatos, a fim de criarmos, renovarmos e crescermos, quer no
campo da religião, da filosofia, quer no campo da ciência, da arte e em outros tantos
setores do conhecimento.
Tudo o que existe tem sua origem no amor - essência fundamental de todas as coisas
que vivem sobre a Terra.
O ponto de partida das ações humanas é a alma - nosso mais profundo centro amoroso
-, que transmite energeticamente a afetuosidade para nossos sentidos físicos
periféricos, para o nível físico-sensitivo.
A aspiração do amor causa em inúmeros indivíduos uma sensação de inadequação ou
medo; por esse motivo, eles a reprimem, de modo inconsciente ou voluntário. No
entanto, apesar de tentarem recalcar ou "apagar" a emoção, eles nunca conseguirão
silenciar por muito tempo o sentimento amoroso que flui da intimidade da própria
alma.
Nosso grande equívoco é acreditar que o desejo de amar é motivo de fraqueza,
vergonha, submissão ou domínio. Esse anseio, quando reprimido, acarreta
conseqüências angustiantes e desastrosas, tanto na área física como na psicológica.
Os Espíritos não têm sexos "(...) como o entendeis, pois os sexos dependem do organismo. Entre
eles há amor e simpatia baseados na identidade de sentimentos." 1
A soma de todos os atos de nossa história de vida poderia ser resumida unicamente no
fato de que não somos nem santos nem vilões, apenas criaturas em busca do amor. Por
certo, po-
deríamos dizer que, apesar dos mais diversificados "pontos de vista" e "modelos de
mundo" que possuímos, o desejo de amar ou a "identidade de sentimentos", repetimos, é
o mais sublime propósito de todo ser humano.
Usamos mecanismos de evasão: por exemplo, a robotiza-ção - serviços automáticos
sem prazer ou criatividade -, para compensar nossa insatisfação no amor, trabalhando
incessante e exaustivamente. Em outras ocasiões, aspiramos à completa aprovação
alheia de tudo que fazemos ou acreditamos, para preencher a sensação de falta e
incompletude que toma conta de nosso universo afetivo.
Queremos ser compreendidos a qualquer preço, parecer perfeitos, importantes,
impressionar as pessoas. A máscara é a vontade de ser aceito plenamente por todos;
em última análise, querer forçar as pessoas a nos aceitarem, custe o que custar. A
atitude de compreender e de amar só é satisfatória quando sincera e espontânea.
A concepção junguiana de sombra representa o modelo de tudo aquilo que não
admitimos ser e que nos esforçamos por ocultar e/ou valores inconscientes e
qualidades em potencial esquecidas nas profundezas de nossa intimidade, os quais
precisamos despertar dentro de nós .
Nesse sentido, disse Lucas: "Pois nada há de oculto que não se torne manifesto, e nada em
segredo que não seja conhecido e venha à luz do dia."2
Quando um indivíduo vai gradativamente tomando contato com os aspectos de sua
sombra, ele se torna cada vez mais consciente de seus impulsos, emoções, sentimentos
e atributos que ignorava ou negava em si mesmo. A partir daí, consegue perceber
claramente nos outros os mesmos conteúdos inconscientes que não via ou não admitia
em si mesmo. Afinal, pensa consigo mesmo: "Não me importo, todos somos iguais.
Possuímos a mesma estrutura humana, só precisamos aprender achar o equilíbrio,
pois a virtude está no caminho do meio".
No amor ou afetividade está incluída a habilidade de ver e reconhecer a relatividade
da vida em toda a sua validade e perfeito equilíbrio. "Entre eles (os Espíritos) há amor e
simpatia baseados na identidade de sentimentos".
A dignidade da pessoa humana não está fundamentada em "parecer amar", e sim em
"amar verdadeiramente". O verniz encobre o mal, mas não o suprime; um sepulcro
pintado de branco parecerá menos lúgubre, todavia continuará sendo um sepulcro.
O hipócrita dissimula ser o que não é, buscando no fingimento uma cobertura para
continuar sendo aquilo que de fato quer parecer aos olhos do mundo.
No lugar em que o amor reina, não há imposição e repressão; onde a imposição e a
repressão prevalecem, o amor está ausente. A autêntica afetividade está associada a
uma ampliação de consciência e a um amadurecimento espiritual. Quem a possui
aprende a ser caridoso, generoso, benevolente, deixando os outros livres não apenas
para errar, para aprender, para discordar, mas também para amar, reconhecendo que
as fragilidades que muitas vezes recriminamos nos outros podem ser as nossas
amanhã.
' Questão 200
Os Espíritos têm sexos?
"Não como o entendeis, pois os sexos dependem do organismo. Entre eles há amor e simpatia
baseados na identidade de sentimentos. "
2 Lucas, 8:17
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