Estudando o Espiritismo

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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Morte de entes queridos

http://www.aluzdoespiritismo.com.br/teste/artigos/ler.php?texto=78


O que torna a morte tão terrível? Por que não a aceitamos? Por que a negamos? Ela realmente existe? Ela é um castigo de Deus, principalmente quando uma criatura jovem se vai? O que é necessário para a sustentação da serenidade e do equilíbrio diante da partida de um ente querido? No que pode nos beneficiar a vivência de uma religiosidade mais equilibrada? No que consiste a contribuição da Doutrina Espírita para essa inevitável realidade?
         

         A despeito da inevitabilidade, “tocamos a vida” deixando de lado a questão da mortalidade física, e é o desconhecimento e despreparo em relação a ela que a tornam tão terrível. Mas, suas implicações se farão ainda mais intensas e conflituosas se a enxergarmos como um fim absoluto, ou algo inaceitável ou, ainda, uma maldição sobre nossa vida.

         No entanto, a morte não é um fato totalmente inesperado e muito menos isolado. Ela é a consequência da vida! E negá-la significa jamais se permitir um trabalho de elaboração do medo e da ansiedade que, frequentemente, ocorrem quando o indivíduo se depara com a partida de entes amados ou quando ele mesmo se encontra na iminência de empreender sua própria ida.

         Estudos sobre o estresse quase sempre identificam a perda de um membro próximo da família como o fato mais perturbador da vida cotidiana. É natural que seja assim, pois a morte de seres queridos sempre transtorna os sentimentos: num primeiro momento, são o choque, a surpresa e a apatia, o desencanto e a dor intensa.

         Muito embora a morte iminente nos abale menos do que aquela que não estamos esperando, no começo é sempre difícil assimilar a ausência da pessoa amada.

         A escritora norte-americana Judith Viorst, em seu livro PERDAS NECESSÁRIAS, ressalta:  



             “A morte é um dos fatos da vida que reconhecemos mais com a mente do que com o coração. E geralmente, enquanto nosso intelecto reconhece a perda, o resto de nós continua tentando arduamente negar o fato.” [1]



         A morte em ocorrências trágicas é, das situações, a mais dolorosa, notadamente, se o enlutado se fixar na revolta e no desespero. Se se deixar conduzir por tais reações, sua reorganização emocional e o alívio da própria dor ficarão sensivelmente prejudicados.

         O psiquiatra inglês Colin Murray Parkes, 79 anos, um dos mais respeitados estudiosos do luto do mundo, foi chamado pelo governo britânico a prestar assistência psicológica a vítimas do tsunami do Oceano Índico, ocorrido em dezembro de 2005, bem como a parentes de vítimas dos atentados de 11 de setembro, em Nova York. Em entrevista à Revista VEJA, de 15.08.2007, ele falou sobre a dor de quem vai e de quem fica e como lidar com ela.



http://veja.abril.com.br/150807/entrevista.shtml

       

         Das treze questões, destacaremos apenas três, muito embora a entrevista toda possa ser acessada por meio do link acima:

VEJA – O que se pode fazer para ajudar uma pessoa que perdeu alguém?

Parkes – Ficar próximo dela, abraçá-la, fazê-la sentir-se compreendida e segura. Para as pessoas que perderam alguém, especialmente se a morte estiver ligada a uma situação criminal, o mundo pode parecer um lugar bastante perigoso. Parentes de vítimas ficam assustados e chegam a ter medo de estranhos. Para ajudar essas pessoas, é preciso despertar sua confiança e transmitir-lhes segurança para começar a falar e a pensar naquilo que as faz sentir-se em perigo. Deixá-las expressar sua tristeza também é importante. Ouço muitas reclamações de enlutados. Eles dizem que a família não os deixa chorar – quer vê-los alegres o tempo todo. Não há nada pior do que alguém lhe dizendo: ‘Não quero ver você triste assim, por favor!’. Outra coisa que devasta essas pessoas é quando elas percebem que os vizinhos e os amigos se afastam delas. Escuto muitas histórias de enlutados que afirmam que seus vizinhos mudam de calçada quando os veem chegando. É evidente que eles não fazem isso de propósito. O fato é que ninguém sabe lidar direito com a morte.

VEJA – Quem lida melhor com a morte, os homens ou as mulheres?

Parkes – As mulheres, sem dúvida. Elas conseguem expressar seu sofrimento mais facilmente. E, uma vez vivenciado esse sentimento, elas podem fazer aquilo que se costuma chamar de “tocar a vida para a frente”. Já os homens têm uma enorme dificuldade de mostrar sua fragilidade diante da morte. Por isso, têm também mais dificuldade de se organizar para continuar vivendo.

VEJA – O que se deve dizer a um conhecido que acaba de perder alguém?

Parkes – As pessoas enlutadas, em geral, têm um alto grau de sensibilidade a tudo o que não seja sincero: elas percebem facilmente se alguém está fingindo tristeza ou dizendo uma palavra de conforto apenas porque foi instruído a fazê-lo. Por isso, o que quer que você diga nessa situação deve vir do coração. [2]



****



         Sentir saudade é natural, quem ama sente saudades. E como dói o vazio que fica no lugar de quem se foi! No entanto, essa recordação e evocação que a saudade representa não podem causar uma paralisia emocional no enlutado. E diante de tal situação, o que a vida está lhe solicitando: desprendimento, amadurecimento, uma reflexão mais profunda sobre os reais valores da existência terrena?

         Conforme considerações de Viorst, apesar do intelecto, nossos sentimentos teimam em não aceitar o fato. E por quê? Porque, dentre as várias razões em jogo, nos é insuportável a ideia do fim de tudo! Em virtude de todos trazerem o conhecimento – ainda que não tão claro para alguns – de sua própria imortalidade, “sabemos” que o nosso eu faz parte de algo que nunca perecerá.

         Na pretensão de complementar as palavras de Parkes, e enfocando o aspecto espiritual da questão, para que o enlutado preserve sua integridade, é imprescindível não se deixar envolver em intermináveis questionamentos, como se pedisse contas aos céus ou a Deus.

         Podemos afirmar que existe uma palavra-chave na sustentação da serenidade e do equilíbrio diante da partida de um ente querido: a submissão. E ela consiste na disposição de aceitar o inevitável, considerando que, acima dos desejos humanos, prevalece as soberanas sabedoria e vontade de Deus, que sempre oferecerão aos envolvidos, seja para quem fica e até mesmo para quem vai, as experiências de que mais necessitam para prosseguirem com seus projetos evolutivos.

         Sendo assim, no que consiste a contribuição da Doutrina Espírita? No ensino categórico de que não há morte, essencialmente, haja vista ela não levar a criatura ao nada existencial. A morte não elimina a vida e, sim, dilata-A. Ao abandonarmos o corpo físico, continuamos com a mesma vida, porém, de maneira ainda mais intensa e dinâmica, só que em outras dimensões.

         O Espírito Rosângela argumenta:



            Habitue-se, caro coração, a refletir a respeito da morte, com serenidade e confiança em Deus, porque você não ignora que, por mais que se aturda, desarvore ou se inconforme, essa é a única regra para a qual não se conhece exceção.

            Prepare-se, amando e trabalhando no bem grandioso, até que você, um dia, igualmente se transforme em ave libertadora da prisão-escola corporal.

            A morte tão somente revela a vida mais amplamente. Pense nisso. [3]



         A vivência de uma religiosidade equilibrada nos permite filtrar a própria dor, sustentando o devido respeito e consideração para com os que se vão. Mas, infelizmente, não é essa a atitude de muitos enlutados. Confusos na administração dos próprios sentimentos, inseguros quanto a suas concepções sobre a morte terrena e a vida após ela, não conseguem se apegar a nada que lhes traga consolo e alívio.

         E o que, verdadeiramente, pode representar esse sofrimento tão intenso? Profundo amor pelo trespassado? O Espírito Camilo chama nossa atenção para a seguinte realidade:



            Muito embora a lágrima sentida ocupe o seu lugar, quando desses transes difíceis, faz-se necessário atentar para os excessos, que são, sem dúvida, expressões da mente bloqueada ou da alma emparedada em ignorância desarticuladora, impedindo-se de pensar mais alto.

            Há familiares que se desesperam de tal modo, que mais parecem descarregar as quotas de remorsos para com os desencarnados, do que propriamente saudade e ternura.

            Há casos de tamanha revolta, diante da lei que não tem exceção, que passam a acusar, sem que se apercebam, os afetos trespassados, como responsáveis por seus sofrimentos.

            Há situações em que familiares e amigos, num processo inconsciente de autopiedade, valem-se do passamento dos entes caros, a fim de exteriorizar a carência afetiva que os caracteriza. Não pensam claramente no morto, mas, em si mesmos, elastecendo o sofrimento, atraindo para si as atenções e cuidados gerais.

            Para e pensa, pois, nessas questões.

            Não obstante a morte imponha amargura e dor, frustração e lágrimas naqueles que ficam, nas lides da atividade carnal, vale a pena estejas vigilante, para que o egoísmo milenário (...) não se imiscua nos teus sentimentos verdadeiros.

            Cultiva, então, o bom senso.

            Sofre e chora sem que o teu sofrimento perturbe os outros, e sem que tuas lágrimas traiam teus desejos íntimos de afago, na descompensação em que te achas.

            Aprende a sofrer retirando bom aproveitamento do padecer, amadurecendo, superando-te, para que as tuas provas ou expiações humanas, de fato, façam-te avançar para Deus, e não te aguilhoem aos postes morais do indivíduo espiritualmente pigmeu.

            Choras por teus mortos? Então, faze desse pranto um aceno de ternura e um bilhete de paz, onde tu digas aos amores desencarnados:

            ´Até breve; que Deus te abençoe, ser querido!’ [4]

       

         Uma das conclusões que tiramos dessas palavras é que o egoísmo do enlutado pode potencializar sua própria dor! Todavia, tendo por base as revelações que a Doutrina Espírita faz, podemos afirmar que, mantendo esse estado de ânimo, ele deixa de cogitar a hipótese de que o afeto trespassado talvez esteja também sofrendo com a separação e com as mudanças que a morte representa para todos os envolvidos.

         Allan Kardec, na questão 936, de O LIVRO DOS ESPÍRITOS, questiona: “Como as dores inconsoláveis dos sobreviventes afetam os Espíritos a que se dirigem?” (ou seja, naqueles que já partiram para o mundo espiritual)

         Resposta:



            O Espírito é sensível à lembrança e aos lamentos daqueles que amou, mas uma dor incessante e irracional o afeta penosamente, porque ele vê nessa dor excessiva uma falta de fé no futuro e de confiança em Deus e, por conseguinte, um obstáculo ao progresso e, talvez, ao reencontro. [5]

       

         Com seus postulados, o Espiritismo proporciona o conforto e os devidos esclarecimentos diante de um momento tão difícil para todos. E quando, efetivamente, eles são interiorizados, a criatura dispõe da necessária calma, na certeza de que as separações são apenas momentâneas. Obviamente que ela sentirá a falta física do afeto que se foi, porém, não a sua ausência total.

         Ainda fazendo referência às palavras de Viorst, e por meio dos ensinos espíritas, tanto o coração como a mente adquirem a certeza de que a morte, realmente, não existe, porque os afetos que partiram continuam vivos. Um “até breve” ou um “até já” representam, de fato, provisórias despedidas, porque o tempo na Terra nada mais é do que apenas alguns segundos perante o relógio da eternidade.          Assim, decorridos os momentos de maior tensão e amargura, perfeitamente compreensíveis, ao sentir saudades dos que se foram, torna-se imprescindível envolvê-los com a recordação alegre dos momentos de carinho, trabalho e amor que juntos viveram. Descarta-se, dessa forma, qualquer revolta ou desespero pelo vazio que deixaram.

         O Espírito Joanna de Ângelis constata:



            A morte prematura de seres amados não tem caráter punitivo, como invariavelmente se pensa, antes significa prêmio aos que desencarnam e que se desincumbiram dos compromissos, merecendo o direito à liberdade do cárcere carnal.

            Naturalmente que a ausência física junto aos afetos da retaguarda produz dor e saudades nesses, no entanto, a compreensão de que ora eles estão felizes e próximos, dependendo somente de cada qual sintonizá-los mentalmente, diminui essas emoções aflitivas e amplia o afeto que prossegue ao lado da certeza do próximo reencontro duradouro e ditoso.  [6]



         Por fim, a consciente aceitação de que inevitavelmente morreremos pode intensificar e refinar a vivência do momento presente. Essa é, por exemplo, a percepção da escritora gaúcha Lya Luft:



            Ela (a morte) é (...) o olho que nos contempla sem dormir, a voz que nos convoca e não queremos ouvir, mas pode nos revelar muitos segredos.

            O maior deles há de ser: a morte torna a vida tão importante!

            Porque vamos morrer, precisamos poder dizer hoje que amamos, fazer hoje o que desejamos tanto, abraçar hoje o filho ou o amigo. Temos de ser decentes hoje, generosos hoje ... devíamos tentar ser felizes hoje.

            A morte não nos persegue: apenas espera, pois nós é que corremos para o colo dela. O modo como vamos chegar lá é coisa que podemos decidir em todos os anos de nosso tempo.

            O melhor de tudo é que ela nos lembra de nossa transcendência.

            Somos mais que um corpo e ansiedade: somos mistério, o que nos torna maiores do que pensamos ser – maiores do que os nossos medos.

            (...) Se acreditarmos que viver é só comer, trabalhar, comprar e pagar contas, a morte da pessoa amada será desespero sem remissão. Não nos conformamos, não acreditamos em mais nada.

            Mas se tivermos alguma visão positiva do todo do qual faz parte a indesejada, insondável mas inevitável transformação na morte, depois de algum tempo o amado acomoda-se de outro jeito em nós: continua parte de nossa realidade.

            Está transfigurado, porém ainda existe.

            ‘Com o passar dos anos dói menos’, disse-me um amigo que há trinta anos perdera uma filha ainda criança.

            Conheço um pouco a Senhora Morte. Duas vezes a Bela Dona me pegou duro, (...) me jogou no chão. Foi-se a cada vez um pedaço importante de mim. Mas como em certos animais, as partes perdidas se refizeram, diferentes – não me sinto mutilada, embora a cada dia sinta em mim aqueles espaços vazios que não voltarão a ser ocupados.        

            Aprendi que a melhor homenagem que posso fazer a quem se foi é viver como ele gostaria que eu vivesse: bem, integralmente, saudavelmente, com alegrias possíveis e projetos até impossíveis. [7]



                                                                                                                                                                           

PERDA DE PESSOAS AMADAS. MORTES PREMATURAS



21. Quando a morte vem ceifar nas vossas famílias, levando sem moderação as pessoas jovens ao invés das velhas, dizeis frequentemente: Deus não é justo, uma vez que sacrifica esse que é forte e pleno de futuro, para conservar aqueles que já viveram longos anos plenos de decepções; uma vez que leva aqueles que são úteis e deixa aqueles que não servem mais para nada; uma vez que parte o coração de uma mãe, privando-a da inocente criatura que fazia toda a sua alegria.

Humanos, é nisto que tendes necessidade de vos elevar acima do terra-a-terra da vida, para compreenderdes que o bem, frequentemente, está onde credes ver o mal, a sábia previdência aí onde credes ver a cega fatalidade do destino. Por que medir a justiça divina pelo valor da vossa? Podeis pensar que o senhor dos mundos queira, por um simples capricho, vos infligir penas crueis? Nada se faz sem um objetivo inteligente e, qualquer que seja ao que se chegue, casa coisa tem sua razão de ser. Se perscrutásseis melhor todas as dores que vos atingem, nelas encontraríeis sempre a razão divina, razão regeneradora, e vossos miseráveis interesses seriam uma consideração secundária que relegaríeis ao último plano.

Crede-me, a morte é preferível, para a encarnação de vinte anos, a esses desregramentos vergonhosos que desolam as famílias honradas, partem o coração de uma mãe e fazem, antes do tempo, branquear os cabelos dos pais. A morte prematura, frequentemente, é um grande benefício que Deus concede àquele que se vai, e que se encontra, assim, preservado das misérias da vida, ou das seduções que teriam podido arrastá-lo à sua perdição. Aquele que morre na flor da idade, não é vítima da fatalidade, mas Deus julga que lhe é útil não permanecer por mais tempo na Terra.

É uma horrível infelicidade, dizeis, que uma vida tão plena de esperanças seja tão cedo cortada! De quais esperanças quereis falar? Das da Terra, onde aquele que dela se vai teria podido brilhar, construir seu caminho e sua fortuna? Sempre essa visão estreita que não se pode elevar acima da matéria. Sabeis qual seria a sorte dessa vida tão plena de esperanças segundo vós? Quem vos diz que ela não poderia ser cheia de amarguras? Contais, pois, por nada as esperanças da vida futura, já que preferis as da vida efêmera que arrastais sobre a Terra? Pensais, pois, que vale mais ter uma posição entre os homens que entre os Espíritos bem-aventurados?

Regozijai-vos ao invés de vos lamentar, quando apraz a Deus retirar um de seus filhos deste vale de misérias. Não há egoísmo em desejar que ele aí permanecesse para sofrer convosco? Ah! essa dor se concebe naquele que não tem fé, e que vê na morte uma separação eterna; mas, vós, espíritas, sabeis que a alma vive melhor desembaraçada de seu envoltório corporal; mães, sabeis que vossos filhos bem-amados estão perto de vós; sim, bem perto; seus corpos fluídicos vos cercam, seus pensamentos vos protegem, vossa lembrança os embriaga de alegria, mas também as vossas dores desarrazoadas os afligem, porque elas denotam uma falta de fé e são uma revolta contra a vontade de Deus.

Vós que compreendeis a vida espiritual, escutai as pulsações de vosso coração chamando esses entes bem-amados, e se pedirdes a Deus para os abençoar, sentireis em vós essas poderosas consolações que secam as lágrimas, essas aspirações maravilhosas que vos mostrarão o futuro prometido pelo soberano Senhor. (SANSON, antigo membro da Sociedade Espírita de Paris, 1863.) [8]







A Borboleta



Parece uma nota de leveza a distender-se na pauta do dia... a elegante borboleta!

Trespassa os ares, sobrevoa o prado, beija as folhas farfalhantes e dribla o vento apressado e irreverente...

No seu voo suave e azulíneo, como se fora uma pétala a voejar, balançando no espaço, sobrepaira o espelho plácido dos lagos, quanto baila em meio às gotículas que se desprendem das quedas d’água.

Seu matiz é mensagem de alegria, sua liberdade é um convite à paz. Contudo, dias antes de mostrar-se tão bela e faceira, não passava de larva rastejante no solo úmido ou escondida na casca apodrecida de algum tronco relegado. Jamais sonharia com o beijo do sol. Dependia de alimento tomado aqui e acolá, nas ramagens dadivosas, desconhecendo as corolas cromadas e a doçura dos néctares de que ora se serve.

Era lagarta...

Hoje é borboleta...

**

Quando você for constrangido a acompanhar, com lágrimas, aquele afeto que se despede das refregas do mundo, rumando para o Mais Além, tente não lastimar por costume irrefletido; faça esforços para não desesperar. A vida não se resume num punhado de matéria que entrará em dissociação. Nem será a vida a conjunção de episódios marcantes ou insignificantes, promotores de esparsos sorrisos e rios de pranto. O destino dos que estão na vida acanhado do mundo é a Vida na Amplidão.

Mesmo com dores n’alma, despeça-se do coração querido com suave ‘até logo’, porque todos que se arrastam no terreno lodacento das experiências humanas deverão, a seu tempo, converter-se em seres vivazes a planarem altivos sobre as ondas agras das vicissitudes terrenas, no fulgurante voo da imortalidade.

Como as borboletas... a liberdade, enfim! [9]





Silvia Helena Visnadi Pessenda

sivipessenda@uol.com.br



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[1] VIORST, Judith. Perdas Necessárias. 28. ed. São Paulo: Editora Melhoramentos Ltda,  2004. Cap.XVI. p. 245. (literatura não-espírita)

[2] VEJA. São Paulo: Editora Abril, 15.08.2007.

[3] Rosângela (espírito); TEIXEIRA, José Raul (psicografado por). Rosângela. 1. ed. Niterói, RJ: Fráter, 1996. Cap. “A morte”. p. 68-69.

[4] CAMILO (espírito); TEIXERIA, José Raul (psicografado por). TEIXERIA. Revelações da luz. 2. ed. Niterói, RJ: Fráter, 1995.
Cap. 29. p. 139-140.

[5] KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Tradução de Salvador Gentile, revisão de Elias Barbosa. 100. ed. Araras, SP: IDE, 1996. q. 936.

[6] ÂNGELIS, Joanna de (espírito); FRANCO, Divaldo Pereira (psicografado por). Diretrizes para o êxito. 2. ed. Salvador, BA: Livr. Espírita Alvorada, 2004. Cap.15. p. 93.

[7] LUFT, Lya. Perdas e ganhos. 12. ed. Rio de Janeiro: Record, 2003. Cap. “Luto e renascimento”. p. 145-147. (literatura não-espírita)

[8] KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Tradução de Salvador Gentile, revisão de Elias Barbosa. 195. ed. Araras, SP: IDE, 1996. Cap. V. Item 21.

[8] Rosângela (espírito); TEIXEIRA, José Raul (psicografado por). Rosângela. 1. ed. Niterói, RJ: Fráter, 1996. Cap. “A borboleta”. p. 73-75.