Estudando o Espiritismo

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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Afetividade 2 - Hammed

Amar não significa esperar que alguém nós satisfaça todos os anseios e necessidades que cabe só a nós satisfazer.

Das formas míticas poderemos retirar a sabedoria dos séculos, porquanto tais histórias promovem encontros com as figuras arquetípicas de nossa alma e com o caminho do desenvolvimento do amor. Da Antiga Grécia nasceu a ideia das metades eternas, que percorreu a vastidão dos tempos.

A mitologia grego-romana nos transmite, por meio de autiores da Antiguidade, a seguinte história: Em uma diferente civilização, os seres possuíam duas cabeças, quatro braços e pernas e dois corpos distintos – masculino e feminino – mas com apenas uma alma… Viviam em pleno amor e harmonia, e justamente esse equilíbrio provocou a inveja e a ira de alguns deuses do Olimpo. Enfurecidos, enviaram àquela civilização uma tormenta repleta de trovões e relâmpagos, que dividiram os corpos, separando a parte feminina da masculina e repartindo a alma ao meio…Diz a lenda que até hoje os seres lutam na busca de sua outra metade, a sua alma gêmea.”

Durante séculos, essa crença foi cultivada, e grande parte da humanidade e ainda procura ansiosamente encontrar sua “alma afim”. No entanto, com a Nova Revelação, vêm os Espíritos superiores esclarecer-nos a respeito do conceito das metades eternas, ensinando-nos que essa expressão é inexata e que não existe união particular e fatal entre duas almas.

Explicam-nos os Benfeitores que não há alianças predestinadas, e sim que, quanto mais iluminadas as almas, mais unidas serão pelos laços do amor real. Em vista disso, podemos entender perfeitamente o significado das palavras de Jesus Cristo: “Haverá um só rebanho, um só pastor”. João, 10:16

Um dia todos estaremos juntos, reunidos e plenificados uns com os outros em “um só rebanho”.

O Espiritismo vai mais além quando nos explica que a nossa mentalidade sobre as almas gêmeas é exclusivamente alicerçada sobre uma visão romântica de união afetiva; na realidade, antes de sermos homens e mulheres, somos Espíritos imortais vivendo temporariamente na Terra. Muitos possuem uma compreensão difusa e narcisista sobre o amor, o que faz com que interpretem sua afetividade somente abaixo da cintura, isto é, não conseguem desenvolver seus sentimentos, abandonando-os a um permanente estado embrionário.

“(…) não existe união particular e fatal entre duas almas. A união existe entre todos os Espíritos, mas em graus diferentes segundo a categoria que ocupam, quer dizer, segundo a perfeição que adquiriram; quanto mais perfeitos, mais unidos (…)” questão 298.

Estamos vivenciando inúmeras experiências terrenas com as mais diversas criaturas; conhecendo e, ao mesmo tempo, estreitando elos afetivos com outras tantas através de várias encarnações. Então, por que alimentarmos a ideia da busca ilusória de uma pessoa predeterminada, com a qual fatalmente viveríamos felizes pela eternidade juntamente com os outros tantos milhares de pares eternos que já se teriam encontrado anteriormente? Tudo isso mais se assemelha a um egotismo do amor. Contrário à fraternidade cristã, que nos ensina que um dia todos se amarão de forma incondicional.

Os aspectos do amor não podem ser vistos como se nosso “eu” seja o único referencial e que qualquer coisa que não se enquadre em nosso modo de ser seja rotulada de desamor ou de “não ser nossa metade eterna”.

Enquanto estivermos pensando dessa maneira, não amaremos verdadeiramente; estaremos, sim, criando uma “idealização amorosa”, na ânsia de que os outros jamais ousem discordar de nosso ponto de vista. Em outras palavras, se alguém divergir da nossa opinião, teremos a certeza de que não é nossa “alma gêmea” e, por consequência, nunca poderá nos proporcionar o amor real, o que será um grande equívoco.

Amar não significa esperar que alguém nos satisfaça todos os anseios e necessidades que cabe a nós satisfazer.


Afetividade

No futuro, a religião superior ou natural só será fundamentada na mais afetuosa fraternidade e professada individualmente pela criatura que superou o “ser religioso” e desenvolveu em si o “ser religiosidade”.

A vida é um processo evolutivo e todos somos “seres caminhantes” nesse processo. Ainda nos falta longo trajeto a percorrer para atingirmos o desenvolvimento total de nossas potencialidades inatas. As Mãos Divinas nos criaram perfectíveis, isto é, fomos concebidos potencialmente perfeitos. Já estamos pro9ntos concluídos; a Vida Providencial apenas espera nosso despertar, ou seja, agora só nos resta sair do sono da inconsciência de nós mesmos.

Na maioria das vezes, por ser tão vasto o campo do potencial humano, direcionamos nossa visão somente às informações, aos conceitos e às ideias pessoais e particulares.Não vemos claramente os processos interligados que fazem parte de uma mesma rede de relações invisíveis que ocorrem em nossos mundos interno e externo.

É oportuno recordarmos trecho do discurso do chefe indígena norte-americano Seattle: “Tudo o que acontece com a Terra acontece com os filhos da Terra. O homem não tece a teia da vida; ele é apenas um fio. Tudo o que faz à teia ele faz a si mesmo.”

Esse pequeno texto sintetiza os pilares do que podemos chamar de “ecologia divina”. Todo e qualquer ser vivo tem seu valor intrínseco, sendo os seres humanos somente um dos fios da imensa série de elos da vida. Essa foi a mais exata e essencial definição de fraternidade – como devemos nos relacionar no mundo.

É preciso termos uma “visão holística” (do grego holo: todo) de tudo o que nos rodeia. “O Criador está em tudo e em todos”, mas Ele não pode ser circunscrito a nada. Assim como assinatura do artista está em sua obra, Deus, igualmente, está presente nas suas criações através de suas leis divinas ou naturais. (questão 621 LE)

A fraternidade é o entrelaçamento sagrado entre as criaturas. Ela possui a condição de afetividade fecunda e frutífera; é a única e verdadeira forma de união humana.

Uma tomada d consciência dessa natureza exige de cada um de nós uma mudança radical quanto ao modo de encarar as criações e criaturas. Essa maneira de ver e perceber a existência produz uma profunda conscientização de religiosidade sobre a realidade de quem somos e de como vivemos.

Se nós, criaturas humanas, considerarmos que o Universo é uma imensa malha interligada e agirmos de conformidade com esse princípio, não estaremos fazendo nada mais do que reforçar e vivenciar a essência da palavra religião ( do latim religare; ligar novamente). Aliás, o Cristo veio ao mundo para religar os homens a Deus, e Ele assim se referiu à autêntica religião do porvir: “(…) Deus é espírito e aqueles que o adoram devem adorá-lo em espírito e verdade.” João, 4:24

No futuro, a religião superior ou natural só será fundamentada na mais afetuosa fraternidade e professada individualmente pela criatura que superou o “ser religioso” e desenvolveu em si “o ser religiosidade”.

O amadurecimento e o crescimento do indivíduo se fazem por meio da sucessão das existências corporais. Ela “estabelece entre os Espíritos laços que remontam às existências anteriores. Daí, muitas vezes, decorrem as causas da simpatia entre vós e certos Espíritos que vos parecem estranhos.”.

“Uma vez que temos tido várias existências, a parentela remonta além da nossa existência atual” (questão 204) e, como resultado, cada vez mais aumenta a afetividade entre as criaturas, sedimentando nelas os laços da fraternidade.

O que é fraternidade? É ter afeto por todos, considerando-os como irmãos; é o nome que se dá ao sentimento que une irmão a irmão. Palavra oriunda do latim, frater, tris – ´irmão pelo sangue ou por alianças”. Fraternizar, na real acepção da palavra, não é apenas comungar das mesmas ideias, dos mesmos ideais ou convicções, mas acima de tudo respeitá-los.

A convocação da nossa época é mais para “atos de fraternidade” do que para “atos de beneficência”. Se os primeiros existirem, com certeza os segundo serão mais naturais.

No “mundo ético”, a busca é a do bem comum e da fraternidade. No “mundo moralista” não há afetividade de irmãos; a busca é por se enquadrar nas leis sociais, que possuem um manto fictício de direitos humanos, mas que, quase sempre, constituem regras ou normas partidárias, cruéis e desumanas. A humanidade atual é mais moralista que ética.

Hoje, muitos indivíduos estão presos à “robotização dos costumes”. São excessivamente ajustados aos “hábitos impensados”; até realizam atos de caridade – colocam em prática os ensinos de Jesus – , sem perceber porém, qual é o verdadeiro significado do amor fraterno.

São criaturas que utilizam constantemente a palavra fraternidade, nomeando as pessoas de “queridos irmãos”. Todavia, não possuem a convicção real de que, quando um ser humano chama o outro de irmão, é porque já validou em si mesmo um senso de valor segundo o qual o bem coletivo e o progresso da humanidade estão acima da religião que professa.

Os seres que desenvolveram uma afetividade fraternal aprenderam que a humanidade inteira faz parte de um todo interligado, regido por uma só lei, natural ou divina. No entanto, nada os impede de cooperar fraternalmente com toda e qualquer pessoa do planeta, pois tem plena compreensão da maneira pela qual as raças e os povos vivem e entendem a religiosidade. Sabem que há inúmeros meios de ver a realidade – nós próprios, as outras pessoas, o Universo, a vida e Deus. Por isso, aceitam de forma pacífica as diferenças.

Reconheceram que cada um de nós vê parte da verdade diante do Universo, e que todos nós temos uma “visão de mundo” proporcionalmente reduzida ao tamanho da nossa cegueira espiritual ou distorção da realidade.

Na ética ou na fraternidade, a vida social do planeta se transforma numa melodia executada por muitos instrumentos afinados na mesma tonalidade; todos vibram em conjunto, embora uma só nota seja tocada.

Afetividade

Tudo o que existe tem sua origem no amor – essência fundamental de todas as coisas que vivem sobre a Terra. A busca do amor é o principal anseio de todo ser humano.

A história da vida de cada criatura é um relato sobre seus antecedentes vivenciais; o conjunto de suas experiências pretéritas somadas às de sua existência atual. Quando um indivíduo conta sua história pessoal e única, estamos apenas ouvindo sua própria interpretação, filtrada por suas crenças, valores, argumentos, pressuposições, cultura, elementos de que ele se utiliza para nos apresentar seu modo de pensar e de ver o mundo.

Podemos contar muitos fatos e ocorrências sobre nós, dando maior importância a alguns aspectos e ignorando outros, ou mesmo selecionando diferentes atos e comportamentos que tivemos nas mais diversas ocasiões. Sc, mos seletivos por natureza, e tudo o que falamos, pensamos ou fazemos tem certa relatividade quando comparado com outros momentos, situações ou fases evolutivas.

Cada um de nós possui uma individualidade original e exclusiva. Utilizando-nos de uma singela metáfora, podemos dizer: “Toda vez que Deus cria um Espírito, Ele quebra o molde”.

A alma passa por um grande número de encarnações no curso dos séculos, sendo diversificadas suas experiências na área da afetividade. Como resultado disso, adquire um conjunto peculiar de conhecimentos, pelas inúmeras situações e ocorrências que vivenciou.

Não somos o que pensamos, somos o que sentimos. A busca do amor é o principal anseio de todo ser humano. Ele é legítimo e saudável, e nos incentiva ao despertar da inteligência e dos talentos inatos, a fim de criarmos, renovarmos e crescermos, que no campo da religião, da filosofia, que no campo da ciência, da arte ne em outros tantos setores do conhecimento.

Tudo o que existe tem sua origem no amor – essência fundamental de todas as coisas que vivem sobre a Terra.

O ponto de partida das ações humanas é a alma – nosso mais profundo centro amoroso – , que transmite energeticamente a afetuosidade para nossos anseios físicos periféricos, para o nível físico-sensitivo.

A aspiração do amor causa em inúmeros indivíduos uma sensação de inadequação ou medo; por esse motivo, eles a reprimem, de modo inconsciente ou voluntário. No entanto, apesar de tentarem recalcar ou “apagar” a emoção, eles nunca conseguirão silenciar por muito tempo o sentimento amoroso que flui da intimidade da própria alma.

Nosso grande equivoco é acreditar que o desejo de amar é motivo de fraqueza, vergonha, submissão ou domínio. Esse anseio, quando reprimido, acarreta conseqüências angustiantes e desastrosas, tanto na área física como na psicológica.

“Os espíritos não têm sexo “(…) como entendeis, pois os sexos dependem do organismo. Entre eles há amor e simpatia baseados na identidade de sentimentos.” Questão 200

A soma de todos os atos de nossa história de vida poderia ser resumida unicamente no fato de que não somos nem santos nem vilões, apenas criaturas em busca do amor. Por certo, poderíamos dizer que, apesar dos mais diversificados “pontos de vista” e “modelos de mundo” que possuímos, o desejo de amar ou a “identidade de sentimentos”, repetimos, é o mais sublime propósito de todo ser humano.

Usamos mecanismos de evasão: por exemplo, a robotização – serviços automáticos sem prazer ou criatividade -, para compensar nossa insatisfação no amor, trabalhando incessantemente e exaustivamente. Em outras ocasiões, aspiramos à completa aprovação alheia de tudo que fazemos ou acreditamos, para preencher a sensação de falta e incompletude que toma conta de nosso universo afetivo.

Queremos ser compreendidos a qualquer preço, parecer perfeitos, importantes, impressionar as pessoas. A máscara é a vontade de ser aceito plenamente por todos; em última análise, querer forçar a nos aceitarem, custe o que custar. A atitude de compreender e de amar só pe satisfatória quando sincera e espontânea.

A concepção junguiana de sombra representa o modelo de tudo aquilo que não admitimos ser e que nos esforçamos por ocultar e\ou valores inconscientes e qualidades em potencial esquecidas nas profundezas de nossa intimidade, os quais precisamos despertar dentro de nós.

Nesse sentido, disse Lucas: “ Pois nada há de oculto que não se torne manifesto, e nada em segredo que não seja conhecido e venha aa luz do dia”. Lucas 8;17

Quando um indivíduo vai gradativamente tomando contato com os aspectos de sua sombra, ele se torna cada vez mais consciente de seus impulsos, emoções, sentimentos e atributos que ignorava ou negava em si mesmo. A partir daí, consegue perceber claramente nos outros os mesmos conteúdos inconscientes que não via ou não admitia em si mesmo. Afinal, pensa consigo mesmo: “ Não me importo, todos somos iguais. Possuímos a mesma estrutura humana, só precisamos aprender a achar o equilíbrio, pois a virtude estás no caminho do meio”.

No amor ou afetividade está incluída a habilidade de ver e reconhecer a relatividade da vida em toda a sua validade e perfeito equilíbrio. “Entre eles (espíritos) há amor e simpatia baseados na identidade de sentimentos.”

A dignidade da pessoa humana não está fundamentada em “parecer amar”, e sim em “amar verdadeiramente”. O verniz encobre o mal, mas não o suprime; um sepulcro continuará sendo um sepulcro.

O hipócrita dissimula ser o que não é, buscando no fingimento uma cobertura para continuar sendo aquilo que de fato quer parecer aos olhos do mundo.

No lugar em que o amor reina, há imposição e repressão; onde a imposição e a repressão prevalecem, o amor está ausente. A autêntica afetividade está assiciada a uma ampliação da consciência e a um amadurecimento espiritual. Quem a possui aprende a ser cuidadoso, generoso, benevolente, deixando os outros livres não apenas para errar, para aprender, para discordar, mas também para amar, reconhecendo que as fragilidades que muitas vezes recriminamos nos outros podem ser as nossa amanhã.