Estudando o Espiritismo

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sábado, 24 de janeiro de 2015

SABEDORIA E CONHECIMENTO Itair Ferreira

Saber não é ser. Quantas coisas sabemos e não colocamos em prática?

     O conhecimento é o somatório das informações que recebemos. É a base daquilo que chamamos de cultura. Podemos adquirir conhecimento sem viver qualquer experiência fora dos livros e das teorias.

     Ser, fazer e ter – essa a sequência real para as nossas conquistas. Primeiramente, construir o mundo interior, porque o exterior é o reflexo dele.

     No mundo existem os valores ter, ser, aparentar ter e aparentar ser. William Shakespeare, em 1603, colocou na boca de seu personagem Hamlet: “To be or not to be that is the question” (ser ou não ser eis a questão); no entanto, continuamos com esse questionamento, desconhecendo que ser é mais importante.

     Há uma história na literatura internacional de dois discípulos que procuraram um mestre para saber a diferença entre sabedoria e conhecimento.

O mestre disse-lhes:

     – Quem ouve, esquece; quem vê, entende, e quem faz, aprende. Portanto, darei a vocês uma tarefa: amanhã, bem cedo, coloquem dentro dos sapatos vinte grãos de feijão, dez em cada pé e apresentem-se a mim. Em seguida, subirão a montanha junto a essa aldeia, até o ponto mais elevado, com os grãos dentro dos sapatos.

     No alvorecer do dia seguinte, os jovens começaram a subir o monte. Na metade da subida, um deles sentia muitas dores prejudicando a caminhada. Seus pés estavam doloridos e ele reclamava muito, demonstrando em sua face o desconforto. O outro seguia o mesmo caminho em direção ao topo da montanha, com naturalidade.

     Quando chegaram ao alto, um estava com o semblante marcado pela dor; o outro, sorridente. Então, o que muito sofreu durante a escalada perguntou ao colega:

     – Como você conseguiu realizar a tarefa do mestre com alegria, enquanto para mim foi uma verdadeira tortura?

     O companheiro respondeu, com voz serena:

     – Meu caro amigo, ontem à noite me preparei para a caminhada. Cozinhei os vinte grãos de feijão e hoje de manhã, distribuí-os entre os dois pés. O mestre deu a tarefa de vinte grãos, dez em cada sapato, mas não disse em que condição deveriam estar os grãos.

     Quantas vezes temos a solução fácil e a tornamos difícil, porque recusamos pensar. Pensando, tomamos a atitude correta, treinamos a mente e adquirimos sabedoria. Não basta só viver. É preciso atenção e esforço constante. Foi o que o divino Mestre Jesus ensinou em sua despedida, no horto de Getsêmani: Vigiai e orai! Nessa ordem, vigiar é cuidar dos nossos passos buscando sempre o melhor em nossa missão principal – evoluir. O que vale a pena ser feito, vale a pena ser bem feito.

     Aquele que adquiriu sabedoria em vez de apenas deter conhecimento direciona seus passos para os valores nobres da existência, como no dizer do grande sábio Albert Einstein: Procure ser uma pessoa de valor em vez de procurar ser uma pessoa de sucesso. O sucesso é só consequência.

     Na Bíblia Sagrada, no capítulo 3, do 1º Livro de Reis, há uma passagem sobre o rei Salomão e sua sabedoria ao julgar o caso de duas mulheres. Elas disputavam o filho recém-nascido. Viviam na mesma casa e tiveram um filho, cada uma, na mesma semana. Um deles, porém, morreu e agora cada uma queria que o filho vivo fosse o seu.

     Salomão mandou que o oficial do seu palácio trouxesse uma espada e ordenou-lhe cortar a criança ao meio e dividi-la: metade para cada uma. Então a mulher, cujo filho era vivo, (porque o amor materno se aguçou por seu filho), falou ao rei: Ah! Senhor meu, dai-lhe o menino vivo, e por modo nenhum o mateis. Porém a outra dizia: Nem meu nem teu: seja dividido.

     Então respondeu o rei: Dai à primeira o menino; não o mateis, porque esta é a sua mãe.

     Em sua sabedoria, Salomão escreveu no versículo 12, do capítulo 10 de Provérbios: O ódio excita contendas, mas o amor cobre todas as transgressões.

     O rei Salomão, conforme o Espírito Áureo descreveu no livro Universo e Vida, editado pela FEB, foi Abraão, um dos sublimados Espíritos de um orbe da Capela, que renunciou à promoção para Sírius, um mundo mais aperfeiçoado, a fim de acompanhar os degredados de seu planeta, na Terra, que, nessa época, era mundo primitivo, conforme a classificação didática feita por Allan Kardec.

     Após Salomão, esse Gênio Espiritual, reencarnou como Simão Bar Jonas, o amoroso apóstolo Pedro.

     No repositório de sabedoria amealhada, o apóstolo Pedro declarou em sua 1ª epístola, capítulo 4, versículo 8, uma frase semelhante à afirmação anterior como rei Salomão: Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados.

     Muitos autores citam os discípulos de Jesus como analfabetos, por desconhecerem a lei da reencarnação, que proporciona a sabedoria, graças à repetição das experiências nobres nas multifárias existências do espírito rumo à suprema felicidade.

     Os discípulos foram escolhidos por Jesus em vista da bagagem espiritual enriquecida nos caminhos do amor e da sabedoria.

     Em sua maioria, aparentemente, eram pescadores humildes de informação e conhecimento. Gente do povo, am ha aretz, para a missão de implantar com Jesus, a segunda revelação da Lei de Deus, na Terra – a Lei de Amor. Entretanto, eram sábios em sua transcendental vivência.

     Escreve Áureo, no livro supracitado, que Isaac, o filho legítimo de Abraão com Sara, reencarnou, na esteira do tempo, como profeta Daniel e, a seguir, como João Evangelista, o discípulo amado, assim denominado, porque muito amava.

     Se Isaac, filho de Abraão, reencarnou como João, e Abraão reencarnou como Pedro, logo, Pedro havia sido pai de João em existência passada, e, ambos, eram médiuns de alta potencialidade.

     Vemos, no evangelho, Jesus convidá-los nos momentos em que a mediunidade ostensiva precisava ser exemplificada. A passagem da transfiguração, por exemplo, está assim descrita, no capítulo 17, de Mateus: Toma Jesus consigo a Pedro e aos irmãos Tiago e João, e os leva, em particular, a um alto monte. E foi transfigurado diante deles; o seu rosto resplandecia como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz.

     O verdadeiro sábio é humilde. Sem humildade não há sabedoria, tampouco bondade.

     O sábio sem bondade é comparável à flor de estufa: tem beleza, mas não tem seiva nem perfume. Enquanto o bom sem sabedoria, é comparável ao fruto do campo, não tem beleza, mas sacia a fome.

     Disse Jesus: Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus. Dizendo que o reino dos céus é dos simples, quis Jesus significar que a ninguém é concedida a entrada nesse reino sem a simplicidade de coração e humildade de espírito; que o ignorante possuidor dessas qualidades será preferível ao sábio que mais crê em si que em Deus (capítulo VII, item 2 de O Evangelho Segundo o Espiritismo).

     Muita paz!