Estudando o Espiritismo

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sábado, 24 de janeiro de 2015

PACIÊNCIA 2 - Hammed

0 despertar da religiosidade proporciona a paz de espírito. Paciência é um estado de
alma em que a criatura não é atingida pelas inquietações ou irritabilidades, visto que
se libertou do desassossego e da agitação do ego.


Quem atingiu a essência do sagrado entendeu que a autêntica religião é, acima de
tudo, uma "realidade interna", porque expressa as nossas mais íntimas relações com
Deus.

O despertar da religiosidade proporciona a paz de espírito. Paciência é um estado de
alma em que a criatura não é atingida pelas inquietações ou irritabilidades, visto que
se libertou do desassossego e da agitação do ego.

Carl Gustav Jung desenvolveu uma teoria fascinante, uma análise notável que
contribui efetivamente para aperfeiçoar o comportamento e pensamento humanos.
Desde a infância, ele foi influenciado de forma marcante por questões religiosas e
espirituais porquanto seu pai e vários parentes eram pastores luteranos. Estudou e
investigou profundamente a natureza humana, dedicando-se também à análise das
filosofias orientais e da mitologia.

Jung é considerado um sábio instrutor; estudou medicina, mas jamais abandonou o
compromisso de manter o interesse pelos fenômenos psíquicos e pelas ciências
naturais e humanas. Foi um psiquiatra por excelência, um missionário que pesquisou
os "distúrbios da personalidade", contribuindo para o entendimento dos diversos
aspectos do comportamento humano e colaborando para o crescimento e
enriquecimento das criaturas em sua trajetória de iluminação individual.

Dr. Carl Jung, como todo indivíduo que utiliza a lógica, a coerência e a razão, sentiu-se
distanciado da devoção religiosa alicerçada no pietismo - afirmação da superioridade
da fé sobre a razão. Afastou-se das experiências teológicas e das prescrições litúrgicas de seu pai e de outros parentes, que preconizavam a permanência incondicional pela
letra da convenção e foi em busca do Espírito de Deus como uma realidade viva (2)

A religião vai muito além dos limites do intelecto, no entanto não o refuta nem o
contesta. A genuína religiosidade não se vincula a nenhuma organização externa; ela
nos remete ao despertar íntimo, ao relacionamento com a própria alma.

Da mesma forma, Allan Kardec, como homem de ciência que era, educado em
Yverdon, na Escola de Johann Heinrich Pestalozzi - célebre pedagogo suíço e discípulo
de Jean-Jacques Rousseau -, asseverou: "(...) não há fé inquebrantável senão aquela que
pode encarar a razão face a face em todas as épocas da Humanidade". "(...) para crer,
não basta ver, é preciso, sobretudo, compreender. A fé cega não é mais deste século;
ora, é precisamente o dogma da fé cega que faz hoje o maior número de incrédulos,
porque quer se impor e exige a abdicação de uma das mais preciosas prerrogativas do
homem: o raciocínio e o livre-arbítrio."3

Por isso, o Espiritismo "não tem a pretensão de ter a última palavra sobre todas as
coisas, mesmo sobre aquelas que são da sua competência"4
.
Os Guias da Humanidade disseram a Kardec que "(...) não há para o estudioso, nenhum
sistema filosófico antigo, nenhuma tradição, nenhuma religião a negligenciar, porque tudo
contém os germes de grandes verdades (...) graças à chave que nos dá o Espiritismo para uma
multidão de coisas que puderam, até aqui, vos parecer sem razão e da qual, hoje, a realidade
vos é demonstrada de maneira irrecusável."

Para Jung, toda criatura traz uma aptidão para a autotransformação, o que ele chamou
de individuação, e definiu-a como um processo de desenvolvimento pessoal em que a
criatura se torna uma personalidade unificada, ou seja, um indivíduo, um ser humano
indiviso e integrado.

A individuação está inteiramente voltada para o equilíbrio entre o ego (centro da
consciência) e o Self (centro da psique) e para o aprimoramento e interação constante e
criativa entre eles.

As criaturas ligadas excessivamente ao sistema ilusório do ego são afeitas a um zelo
religioso obsessivo que pode levá-las aos extremos da intolerância. Possuem uma fé
cega, o hábito de polemizar com exaltação, visto serem impacientes e inquietas.
Exageradamente ajustadas a uma vida "impecável", denominam-se "pessoas de
hábito". Estão presas a este padrão de pensamento: "Só eu sei como as coisas são ou
devem ser feitas."

O fanatismo é filho dileto do ego; é uma adesão cega a uma idéia, sistema ou doutrina.
Os fanáticos se irritam facilmente com tudo aquilo que possa ser contrário ao que eles
consideram tradicional, imutável e verdadeiro, defendendo um status quo rigoroso
quanto à política, à sociedade e à religião.

Religiosos intransigentes, são considerados pessoas dogmáticas. Exigem de si mesmos
e dos outros uma vida puritana e de retidão extremada como forma de compensar
suas dúvidas indecorosas e seus desejos reprimidos, que eles cultivam, de forma inconsciente ou não, no próprio mundo interior. Baseiam sua maneira de agir em
teorias e estudos arcaicos e seguem modelos e padrões obsoletos. São observadores
literais de leis consideradas como certas e indiscutíveis, e esperam que as pessoas as
aceitem sem qualquer questionamento.

Os indivíduos que estão conectados com o Self vivem as necessidades do presente e
respondem a elas através de uma análise criteriosa das pessoas, dos fatos e dos
acontecimentos. Utilizam-se do exame paciencioso e da reflexão sapiencial da
consciência Para elaborar cogitações sobre a vida e sobre si mesmos.
Por estarem mais sintonizados com o Self, conquistaram a fé raciocinada e alicerçada
na paz de espírito, na razão e na coerência.

Têm como forma de procedimento respeito aos direitos humanos - de liberdade de
expressão, de individualidade, de ir e vir, de intelectualidade, de consciência; enfim, os
direitos considerados inerentes ao homem como ser social, independentemente de
raça, país, sexo, idade e religião.

São pensadores versáteis e originais; têm propósitos definidos - buscam alcançar
pacienciosamente em seus estudos e reflexões uma síntese racional e lógica a respeito
do físico e do espiritual, do real e do imaginário, do indivíduo e da sociedade.


II Coríntios, 3:6
2João, 4:2,4
3 "O Evangelho Segundo o Espiritismo", capitulo XIX, item 7
4 "A Gênese", capítulo XIII, item 8
5Questão 628
Por que a verdade não foi sempre colocada ao alcance de todo mundo?
"É preciso que cada coisa venha a seu tempo. A verdade é como a luz: é preciso nos habituar a
ela, pouco a pouco, de outra forma ela nos deslumbra. Jamais ocorreu que Deus permitisse ao
homem receber comunicações tão completas e tão instrutivas como as que lhe é dado receber
hoje. Havia, como sabeis, na Antiguidade, alguns indivíduos possuidores do que consideravam
uma ciência sacra, e da qual faziam mistério aos profanos, segundo eles. Deveis compreender,
com o que conheceis das leis que regem esses fenômenos, que eles não recebiam senão algumas
verdades esparsas no meio de um conjunto equívoco e a maior parte do tempo simbólico.
Entretanto, não há para o estudioso, nenhum sistema filosófico antigo, nenhuma tradição,
nenhuma religião a negligenciar, porque tudo contém os germes de grandes verdades que, ainda
que pareçam contraditórias umas com as outras, esparsas que estão no meio de acessórios sem
fundamentos, são muito fáceis de coordenar, graças à chave que nos dá o Espiritismo para uma
multidão de coisas que puderam, até aqui, vos parecer sem razão e da qual, hoje, a realidade vos é demonstrada de maneira irrecusável. Não negligencieis, portanto, de haurir objetos de estudos
nesses materiais; eles são muito ricos e podem contribuir poderosamente para a vossa instrução.