Estudando o Espiritismo

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sábado, 24 de janeiro de 2015

A Paciência - Meimei


          A dor é uma benção que Deus envia aos seus eleitos. Não vos aflijais, portanto, quando sofrerdes, mas, pelo contrário, bendizei a Deus todo poderoso, que vos marcou com a dor neste mundo, para a glória no céu.
            Sede paciente, pois a paciência é também caridade, e deveis praticar a lei de caridade, ensinada pelo Cristo, enviado de Deus. A caridade que consiste em dar esmolas aos pobres é a mais fácil de todas. Mas há uma bem mais penosa, e conseqüentemente bem mais meritória, que é a de perdoar os que Deus colocou em nosso caminho para serem os instrumentos de nossos sofrimentos e submeterem à prova a nossa paciência.
            A vida é difícil, bem o sei, constituindo-se de mil bagatelas que são como alfinetadas e acabam por nos ferir. Mas é necessário olhar para os deveres que nos são impostos, e para as consolações e compensações que obtemos, pois então veremos que as bênçãos são mais numerosas que as dores. O fardo parece mais leve quando olhamos para o alto, do que quando curvamos a fronte para a terra.
            Coragem, amigos: o Cristo é o vosso modelo. Sofreu mais que qualquer um de vós, e nada tinham de que se acusar, enquanto tendes a expiar o vosso passado e de fortalecer-vos para o futuro. Sede, pois, paciente, sede cristãos: esta palavra resume tudo.
Um Espirito Amigo / Havre, 1862.
 
                                                  COMENTÁRIO
     
  O Apóstolo Paulo recomenda-nos "seguir a verdade em caridade", para que venhamos a crescer no entendimento de Jesus, e O Evangelho Segundo o Espiritismo, na advertência da
Esfera Superior, assevera-nos que "a paciência também é uma caridade", e que nos cabe pratica-la, em obediência aos ensinos do Mestre.
       
Quero crer que, na essência, estamos sendo prevenidos contra qualquer manifestação de crítica em nosso caminho.    

 Que os outros possuem defeitos, tanto quanto os temos, é inegável. Mas, perdermos tempo na fixação deles, esquecendo que a vida evolui com a bênção de Deus, é futilidade e perturbação.
   
 Maledicência não resolve problema algum. Além disso, é sempre um corredor para a vala das trevas.
   
 Destacando os males alheios, olvidamos aqueles que são nossos.
   
 E, censurando, adotamos invariavelmente, perante a pessoa reprovada, a posição desagradável do aguilhão que lhe agita, no corpo, a parte ulcerada, sem dar-lhe remédio.
   
 A crítica é semelhante à soda cáustica sobre a ferida ou ao petróleo no incêndio.
   
 Só a loucura utilizaria uma e outro, à guisa de bálsamo para sanar uma chaga ou à feição da água para extinguir o fogo.
     
 A palavra maliciosa não ajuda nem mesmo aos nossos irmãos caídos no crime, visto que a acusação apenas lhes agrava o desprezo para consigo próprios e a revolta para com os outros.
     
 Quem faz a crítica de alguém, adotando semelhante procedimento, decerto indica a si mesmo para fazer algo melhor que o criticado.
 
 Ora, como fazer é mais importante que falar, faça o melhor quem se disponha à reprovação.
   
 Sabemos que as idéias são corporificadas em obras por nós mesmos.
       
 Se tivermos, portanto, que condenar esse ou aquele companheiro de trabalho ou de luta, ao invés de amargura-lo ou complica-lo, usando irritação e azedume, ajudamo-lo com o nosso próprio exemplo.
     
 Se uma criatura de nossas relações parece preguiçosa, não precisamos atrair-lhe a antipatia, ironizando-lhe a conduta.
 
 Trabalhemos nós mesmos, de maneira a acorda-la silenciosamente para o serviço.
 
 Surgindo viciado esse ou aquele amigo, não é justo que lhe busquemos a aversão com palavras cruéis, mas sim que lhe doemos, na demonstração de nossos exemplos, uma idéia nova da vida, para que se restaure.
   
 E não nos esqueçamos de que, às vezes, tudo resulta de mera suposição, porquanto, em muitos sucessos, o que se nos afigura preguiça ou viciação pode ser doença ainda oculta.
     
 Nós, os cristãos, não vêem Jesus exercendo a função de crítico em hora alguma.

 Aliás, empenhou-se em mostrar as qualidades nobres de todas as criaturas que lhe desfrutaram a convivência, aproveitando-as, sem se deter no que haviam sido, para ajuda-las a se encontrarem, como deviam ser.

 E, por fim, achou mais justo concretizar os seus princípios de perfeição na renúncia suprema, que clamar, ante o povo, contra os juízes de sua causa.
     
 É indispensável satisfazer à sábia fórmula do Evangelho, buscando "seguir a verdade em caridade", porque a verdade, sem amor para com o próximo, é como luz que cega ou braseiro que requeima.
       
Xingamentos, maldições, pragas, desesperos e exigências, não auxiliam. Servem apenas à intolerância e à separação que, em muitos casos, precedem a enfermidades e o crime.
   
Cultivemos o bom exemplo. Nele deixou-nos o Cristo a única solução para os problemas de soerguimento e conduta.
 
 Quanto mais unidos a Jesus, mais amplas se nos fará a integração espontânea na caridade, em cujo clima toda censura desaparece.


Texto retirado do livro:- Evangelho Em Casa / Meimei/ Psicografia Francisco Candido Xavier.*