Estudando o Espiritismo

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terça-feira, 30 de dezembro de 2014

O VERBO SE FEZ CARNE

O VERBO SE FEZ CARNE [*]

No princípio era o verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi dito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens; (JOÃO, 1: 1-4).

O Verbo se Fez Carne

João, o Evangelista, a quem Jesus se referia como o “Filho do Trovão”, irmão de Tiago (Maior), filho de Zebedeu e Salomé, era o mais jovem dos discípulos do Mestre. Foi o único apóstolo que acompanhou Jesus até o calvário e a quem o Mestre confiou sua mãe, Maria.

O seu Evangelho é considerado o da intimidade de Jesus, pois, além de haver pertencido ao Colégio Apostólico, viveu com Maria, mãe do Mestre, na cidade de Éfeso, para onde a levara fugindo das perseguições sofridas em Jerusalém e depois em Betânia.

Diferentemente dos denominados Evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas), o Evangelho de João é o que reconhece a origem divina do Mestre: “No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus”.

Allan Kardec, em “O Livro dos Espíritos”, questão n.º 113, apresenta Jesus como o modelo e guia para a humanidade e nos informa tratar-se de um espírito que já percorrera todos os graus da escala espírita e que, havendo atingido o mais elevado grau de perfeição possível, desfrutava a vida no seio de Deus (1).

O Espírito Emmanuel, na obra “A Caminho da Luz”, psicografia de Francisco Cândido Xavier, nos revela, em seu capítulo I, “A Gênese Planetária”, que “Rezam as tradições do mundo espiritual que na direção de todos os fenômenos, do nosso sistema, existe uma comunidade de espíritos puros e eleitos pelo Senhor Supremo do Universo, em cujas mãos se conservam as rédeas diretoras da vida de todas as coletividades planetárias. Essa comunidade de seres angélicos e perfeitos, da qual é Jesus um dos membros divinos, ao que nos foi dado saber, apenas já se reuniu, nas proximidades da Terra, para a solução de problemas decisivos da organização e da direção do nosso planeta, por duas vezes no curso dos milênios conhecidos. A primeira, verificou-se quando o orbe terrestre se desprendia da nebulosa solar, a fim de que se lançassem, no tempo e no espaço, as balizas do nosso sistema cosmogônico e os pródromos da vida na matéria em ignição, do planeta, e a segunda, quando se decidia a vinda do Senhor à face da terra, trazendo à família humana a lição imortal de seu Evangelho de amor e redenção” (2).

O mesmo benfeitor espiritual, mais adiante, obra citada, nos assevera que “Sim, Ele havia vencido todos os pavores das energias desencadeadas; com as suas legiões de trabalhadores divinos, lançou o escopro da sua misericórdia sobre o bloco de matéria informe, que a Sabedoria do Pai deslocara do Sol para as suas mãos augustas e compassivas. Operou a escultura geológica do orbe terreno, talhando a escola abençoada e grandiosa, na qual o seu coração haveria de expandir-se em amor, claridade e justiça. Com os seus exércitos de trabalhadores devotados, estatuiu os regulamentos dos fenômenos físicos da Terra, organizando-lhes o equilíbrio futuro na base dos corpos simples de matéria, cuja unidade substancial os espectroscópios terrenos puderam identificar por toda a parte no universo galáctico. Organizou o cenário da vida, criando, sob as vistas de Deus, o indispensável à existência dos seres do porvir. Fez a pressão atmosférica adequada ao homem, antecipando-se ao seu nascimento no mundo, no curso dos milênios; estabeleceu os grandes centros de força da ionosfera e da estratosfera, onde se harmonizam os fenômenos elétricos da existência planetária, e edificou as usinas de ozone a 40 e 60 quilômetros de altitude, para que filtrassem convenientemente os raios solares, manipulando-lhes a composição precisa à manutenção da vida organizada no orbe. Definiu todas as linhas de progresso da humanidade futura, engendrando a harmonia de todas as forças físicas que presidem ao ciclo das atividades planetárias” (3).

Ora, Ele, Jesus, no princípio estava com Deus, por ser um espírito puro e perfeito, ou seja, por já haver atingido o mais elevado grau de perfeição e alcançado o topo da escala espírita. Assim é que já desfrutava a vida espiritual junto ao Criador, daí a afirmativa de João de que “Ele estava no princípio com Deus”. “No princípio” quer significar o momento inicial de criação e formação do planeta Terra.

Outrossim, conforme nos revela Emmanuel, fora Ele, Jesus, quem pessoalmente comandou e geriu a criação e formação do obre terrestre, informação esta que corrobora o relato de João de que “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez”; fora Ele também, Jesus, quem cuidou de organizar as condições para a vida na Terra: “Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens”.

Assim é que esta passagem do Evangelho de João, analisada à luz da Doutrina Espírita, nos revela, primeiro, a grandeza e o estágio de evolução do Mestre, e, segundo, qual era e ainda é a sua missão: criar um mundo compatível com o nosso estágio evolutivo e cuidar para que ele, segundo a lei de progresso, se desenvolva, nos revelar as verdades eternas e nos conduzir a todos ao progresso espiritual.

Referências:

(1) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, tradução de Salvador Gentile. 182.ª ed. Araras: IDE, 2009, p. 65;

(2) XAVIER, Francisco Cândido. A Caminho da Luz, pelo Espírito Emmanuel. 37.ª ed. – 3.ª reimpressão – Rio de Janeiro: FEB, 2010. p. 19 e 20; e,

(3) XAVIER, Francisco Cândido. A Caminho da Luz, pelo Espírito Emmanuel. 37.ª ed. – 3.ª reimpressão – Rio de Janeiro: FEB, 2010. p. 24 e 25.

[*] José Márcio de Almeida. Semeando o Evangelho, p. 33-38, Clube de Autores/SEDDE.