Estudando o Espiritismo

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quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

O amor e o desapego

O amor e o desapego
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- Patrícia, por que não falamos um pouco sobre o amor? - Disse Heloísa. - Sobre o amor e o desapego.

O assunto era deveras fascinante, tentei elucidar a turma.

- Amar, mesmo que seja de forma egoísta, todos os seres humanos o fazem, nem que seja a si mesmos. Amar de forma verdadeira, sem egoísmo e posse, demonstra o que se aprende. Amando verdadeiramente, anulamos erros e irradiamos alegrias em nossa volta.

Amar e desapegar-se dos seres que amamos não é fácil. Encarnados, quando aprendem a se desprender do que Ihes é caro, chegam a ter sensações de dor, porque sufocam a ilusão de ter. Amar a tudo, dando valor, mas sabendo que nos é emprestado. E por quem? Pelo nosso Criador. Com objeto emprestado, cuidado dobrado. Sim, realmente, tudo nos é emprestado, já que não somos donos de nada material, não possuímos nada. Nosso amor pelas coisas deve ser incondicional, usar o que nos é permitido, sem abusar. Dar valor à casa que nos serve de lar, às roupas que vestem o corpo, ao local em que trabalhamos, onde recebemos o dinheiro para o sustento material, enfim, a todos os objetos que nos são úteis. Porém, teremos um dia que deixar tudo para outros, e que o deixemos da melhor forma possível, para que eles possam desfrutar dos objetos emprestados tanto quanto nós. Até o corpo físico temos que devolver à natureza. E como essa devolução é difícil para muitos!

Até aí, parece fácil, embora saibamos que muitos, possuídos pelo desejo de ter, se esquecem desse fato, apegam-se às coisas, objetos, julgando ser deles, e quando desencarnam não querem deixá-los e a eles ficam presos. Há uma parte mais difícil, que é amar nossos entes queridos sem apego. Quase sempre nos julgamos insubstituíveis junto daqueles que amamos, que ninguém os ama mais que nós e que somos indispensáveis na vida deles. Apegamo-nos assim a estes, esquecendo que eles também são amados por Deus e que somos companheiros de viagem, cabendo a cada um caminhar com seus próprios passos. E muitas vezes, nessas caminhadas, somos levados a nos distanciar um do outro, mas afetos sinceros não se separam. Podem estar ausentes, não separados. Deixar que nossos afetos sigam sozinhos, sem nós, é algo que devemos entender. É o desapego. Ao desencarnar, ausentamo-nos do convívio de nossos entes queridos e, se não entendermos, isso, consideraremos essa ausência como separação definitiva. Precisamos aprender a amar com desapego, ampliar o número de nossos afetos, sem a ilusão da posse. Se formos chamados a nos ausentar, pela desencarnação, continuemos a valorizá-Ios, respeitando-os, ajudando-os. Estaremos no caminho do desapego, mas continuaremos a amá-los da mesma forma.

Livro: O Vôo da Gaivota. Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho, pelo Espírito Patrícia. Petit Editora