Estudando o Espiritismo

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quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

DESAPEGO 2 - Hammed


A mente apegada a jatos, acontecimentos e pessoas é incapaz de perceber a sua
essência. Aquele que está agarrado ao "ego" está vazio do "sagrado"; aquele que se
liberta do "ego" descobre que sempre esteve repleto do "sagrado".
"Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si
mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois aquele que quiser salvar a sua vida, vai perdê-
la, mas o que perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la. De fato, que
aproveitará ao homem se ganhar o mundo inteiro mas arruinar a sua vida?" '
Quando alguém passa silenciosamente por um desfiladeiro, percebe o sussurrar de
sons distintos que repercutem através dos ventos nas pedras e árvores — são
manifestações dos "ecos da Natureza" daquele lugar. A criatura que interioriza e
aquieta a mente, silenciando sua intimidade, faz com que seu reino interior assemelhe-se a um "sereno desfiladeiro", de onde surgem as mensagens inarticuladas da alma -
são manifestações dos "ecos transcendentais" do Universo.
Nesse "estado interior", onde impera a quietude e a tranqüilidade, o indivíduo tem um
encontro consigo mesmo, com sua mais pura essência - o Espírito. Na presença da
inquietação e dos inúmeros anseios, a mente apegada bloqueia a fonte sapiencial e
polui a via de acesso pela qual se ausculta a Fonte da Excelsa Sabedoria.
As pessoas do mundo estão distraídas entre os eventos do passado e os do presente,
plenas de desejos pessoais que turvam e contagiam sua visão cósmica; isso as impede
de expandir e expressar, de forma espontânea e natural, sua religiosidade nata.
Uma vez "perdido" o Espírito, as pessoas, embora vivas, estão como mortas. "De fato,
que aproveitará ao homem se ganhar o mundo inteiro mas arruinar a sua vida?"
"Pois aquele que quiser salvar a sua vida (apegar-se ao ego), vai perdê-la (perder de
vista o Si-mesmo), mas o que perder a sua vida (desapegar-se do ego) por causa de
mim, vai encontrá-la (integrar-se ao Si-mesmo)".
Devemos quebrar todos os grilhões e expulsar as mil vozes que enxameiam nossa casa
mental. Assim, ficaremos limpos e desnudos, livres e despojados, libertos de tudo.
Então, haverá naturalmente, nesse "desfiladeiro interno", o reverberar de algo
essencial, antes oculto mas agora presente, em que se percebem com clara nitidez seus
recursos infinitos e sua capacidade de despertar potenciais inatos.
Recolhemos da antiga sabedoria oriental este trecho que bem ilustra a nossa idéia
sobre desapego e serenidade interior: "Quando o vento chega e oscila o bambu, o
bambu não guarda o som depois que o vento passou. Quando os gansos atravessam o
lago, o lago não conserva seus reflexos depois que eles se foram. Da mesma maneira, a
mente das pessoas iluminadas está presente quando ocorrem os acontecimentos e se
esvazia quando os acontecimentos terminam".
"(...) a doutrina da reencarnação (...) aumenta os deveres da fraternidade, visto que, entre os
vizinhos ou entre os servidores, pode se encontrar um Espírito que esteve ligado a vós pelos
laços consanguíneos."
2
Quando temos algo querido ou pensamos ter a posse de alguém que muito amamos,
sofremos ao nos separarmos dele.O ciúme é o resultado do apego (medo de perder). É
preciso o perceber a diferença entre o "amor real" e a "relação simbiótica", ou
mesmo o "apego familiar". A realização espiritual não está em nos apegarmos
egoisticamente aos entes queridos, e sim nos interagirmos fraternalmente uns com os
outros.
"Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me."
"Negar-se a si mesmo" é ultrapassar a transitoriedade do mundo visível e penetrar na
essência oculta das criações e criaturas. É desapegar-se verdadeiramente e viver
na integridade da vida; não querer perpetuar o "ego". "Tomar a sua cruz" é reconhecer
que este momento vai se o desvanecer e não se perpetuará. É perceber os difíceis
dilemas mentais pelos quais passamos, o que nos permitirá transitar íntegros na via de mão dupla por onde se move, de um lado, a busca imediatista do "ego" e, do outro,
a inspiração da infinita Sabedoria Divina.
O desapego nos leva a desenvolver um amplo senso de liberdade e de confiança em
nós mesmos. Nosso calabouço reside em nossos mais íntimos atos e atitudes.
Prendemo-nos nos grilhões de nossa própria criação mental, e fazemos o mesmo com
aqueles que amamos.
A mente apegada a fatos, acontecimentos e pessoas é incapaz de perceber a sua
essência. Aquele que está agarrado ao ego' está vazio do "sagrado"; aquele que se
liberta do "ego" descobre que sempre esteve repleto do "sagrado". A mente serena,
tranqüila e desapegada é a "porta estreita".
O indivíduo desapegado participa com a família e com toda a comunidade de um
relacionamento saudável e espontaneo. Não vive atado aos vínculos doentios da
"ansiedade de separação", pois crê plenamente que a lei das vidas sucessivas não
destrói os laços da afetividade, antes os estende a um número cada vez maior de
pessoas e também por toda a humanidade.
1 Mateus, 16:24 a 26
2 Questão 205 Na opinião de certas pessoas, a doutrina da reencarnação parece destruir os laços de família
fazendo-os remontar às existências anteriores.
"Ela os estende, mas não os destrói. A parentela, estando baseada sobre as afeições anteriores, os laços que unem
os membros de uma família são menos precários. Ela aumenta os deveres da fraternidade, visto que, entre os
vizinhos ou entre os servidores, pode se encontrar um Espírito que esteve ligado a vós pelos laços
consanguíneos. "