Estudando o Espiritismo

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terça-feira, 7 de outubro de 2014

Supérfluo e necessário


Dia desses lemos num jornal de grande circulação o artigo de um professor de economia, que nos chamou atenção pela lógica e beleza da argumentação.
Em seu texto, o economista traça algumas objeções à intenção de parlamentares que defendem o aumento de impostos sobre
produtos ditos supérfluos.
E o professor inicia seu texto da seguinte forma: "A felicidade está nas emoções e nos relacionamentos, e não nas coisas. As coisas não têm valor em si mesmas; elas só valem pela capacidade de satisfazer alguma necessidade vital ou para permitir a expressão de um sentimento ou emoção.
O alimento vale porque mata a fome; a roupa, porque abriga o corpo;
a cama, porque propicia o repouso.
Essas são, todas, necessidades vitais, sem as quais o corpo físico perece.
Já uma música vale pela sensação de êxtase; um romance,
pelo prazer da leitura; uma comédia, pela alegria do riso.
Essas são emoções da mente, do espírito ou da alma.
Sem elas, o corpo não fenece, mas o ser humano se entristece.
Há produtos que atendem às duas necessidades: a vital e a emocional.
Quando alguém compra uma roupa bonita, ela abriga o corpo, mas também permite o exercício da vaidade, cumprindo, assim, as duas funções.
Volta e meia retornam as propostas de tributar, com altas taxas, os chamados "bens supérfluos", entendendo como tais aqueles de que o ser humano não precisa para manter-se vivo e que, portanto, deveriam sofrer pesada tributação."
Entre outros argumentos, muito lógicos e coerentes, o economista acrescenta: "Esse seria um imposto da raiva, ou seja, ao verem as pessoas comprando bens e serviços que, a juízo de alguns, são chamados supérfluos, porque não são destinados à manutenção da vida do corpo físico,
resolvem que eles devem ter pesada carga tributária."
Outro "equívoco é que tal visão do que seja um bem supérfluo é pequena, mesquinha e reducionista do que seja a vida na terra.
O ser humano não é um animal sem consciência, sem desejos, sem vontades, sem emoções, sem um código de ética, sem sentimentos,
sem espírito e sem alma.
Para os ateus, pode até ser sem espírito e sem alma, mas as demais características estão presentes na personalidade desse ser único.
Os bens necessários à manutenção da vida, como alimento, roupa e
abrigo, não são os únicos para a realização da condição humana.
A beleza desse animal racional está precisamente na grande variedade de aspectos, na complexidade desse ser e nas diferentes formas de viver e de ver a vida. É uma atitude de arrogância e prepotência querer atribuir,
a quem quer que seja, a condição de julgar e concluir o que é
e o que não é produto supérfluo.Ninguém tem condição de ser árbitro
das necessidades e dos produtos que fazem outrem feliz."



A respeito do necessário e do supérfluo, Allan Kardec fez
o seguinte comentário, em "O Livro dos Espíritos":
"Nada tem de absoluto o limite entre o necessário e o supérfluo.
A civilização criou necessidades que o selvagem desconhece."
E não se pretende "que o homem civilizado deva viver como o selvagem. Tudo é relativo, cabendo à razão regrar as coisas.
A civilização desenvolve o senso moral e, ao mesmo tempo, o sentimento
de caridade, que leva os homens a se prestarem mútuo apoio.
Os que vivem à custa das privações dos outros exploram, em seu proveito, os benefícios da civilização. E têm dela apenas o verniz,
como muitos há que da religião só têm a máscara."

Redação do Momento Espírita