Estudando o Espiritismo

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domingo, 5 de outubro de 2014

NOÉLIA RODRIGUES DUARTE

BIOGRAFIA DE NOÉLIA RODRIGUES DUARTE

Noélia Rodrigues DuarteDona Noélia Rodrigues Duarte nasceu em Salvador, no dia 24 de dezembro de 1928. Com um ano de idade ficou órfã de mãe. A tia Clara, já idosa, severa e muito rigorosa, foi quem a criou. Seu despertar para a doutrina espírita se deu ainda bem jovem, com 14 anos, quando leu os romances, Dor Suprema e Renúncia. A partir dessas leituras, tomou a decisão que mudaria a sua vida e comunicou à tia: De hoje em diante serei espírita! Meses antes de se casar, foi levada por seu noivo ao Centro Espírita Caminho da Redenção onde, sob a orientação do jovem Divaldo Pereira Franco iniciou o seu aprendizado, desenvolveu as suas faculdades mediúnicas. Esta data memorável, jamais seria esquecida: 13 de agosto de 1948 – uma sexta-feira 13, de um ano bissexto.
Aqui, um parênteses, para falar do seu grande amor, Heliano, com quem começou a namorar aos 15 anos. Casaram-se em 22 de dezembro de 1948, quando ela tinha 20 anos. Aos filhos gerados, Márcia, Heliano Marcos e João Marcos, acrescentaram a filha adotiva, Elisabete Cristina e mais os filhos de criação, Cristina – já falecida – José e Roque. As bodas de ouro foram celebradas em grande estilo, na Casa da Fraternidade. Todos conhecem a história desse amor, contada em prosa e verso para todos, sempre que uma oportunidade se lhe apresentava.
Casada, com filhos, um dia, em casa cuidando dos seus afazeres, o Dr. Bezerra de Menezes – seu pai espiritual – apareceu-lhe e disse que ela iria fundar um centro espírita, inclusive indicou o local onde seria construído, no bairro de Brotas. Com a ajuda do marido e de amigos devotados construiria a Casa de Oração Bezerra de Menezes. Isso se deu, nos idos de 1968.
O tempo foi passando, muitas coisas foram acontecendo. Coisas boas, coisas más, como é normal no decorrer da vida. Entre elas, aconteceu que D. Noélia adoeceu gravemente. Recuperou-se e, convalescendo, em agosto de 1987, na casa dos amigos-irmãos Ivanise e Ismael, estando a ler o livro Além da Morte, teve a percepção de construir um outro centro. Por vários dias a mesma intuição: Prepare-se para fazer um Centro na Boca do Rio. Largava o livro, fechava os olhos e dizia: Oh, Meu Deus! Nova tarefa? E completava: Mas, se for pela Sua vontade e com a ajuda dos Amigos Bondosos, eu farei.
E os amigos não faltaram. Tanto os amigos bondosos espirituais quanto os inumeráveis amigos feitos durante a sua trajetória espírita, cuja marca era a disponibilidade para atender a todos aqueles que a procuravam em busca de ajuda, de orientação, de uma palavra de conforto, de esperança. Comprado o terreno, deu-se início a construção do centro com recursos angariados através de doações, realizações de muitos eventos como, jantar, almoço, bazar, festas juninas e outros. A construção se seguindo, paredes sendo levantadas mas, não havia ainda um nome escolhido. Que nome dar a este centro, fruto de desígnios mais altos? Foi feita, então, uma relação dos nomes sugeridos por todos os companheiros-irmãos, procedeu-se a um sorteio e, coincidentemente, o nome contemplado foi Casa da Fraternidade que era o de preferência de D. Noélia.
Em 28 de setembro de 1987 foi fundada a Casa da Fraternidade que funcionou por 1 ano e 10 meses na casa de D. Noélia, no Jardim Imperial, bairro da Boca do Rio, enquanto ia se construindo a nova Casa. Só no ano de 1989 é que começou a funcionar nas novas instalações, tendo como primeiro evento, doutrinárias, depois uma mediúnica aos sábados à tarde, atividades que foram se ampliando e sendo acrescidas de atendimento fraterno, cursos, passes. Em 1995 teve início o trabalho de Atendimento Espiritual à Saúde – Irmão Velhinho, sob a coordenação de D. Noélia.
Ainda no Jardim Imperial, foi iniciado o trabalho de assistência social com os moradores do Alto do São João. Quinzenalmente, um grupo de evangelizadoras se reuniam na casa de D. Noélia, faziam a prece e depois se dirigiam à comunidade. Algumas evangelizadoras trabalhavam com as crianças e outras, com as mães. No final de cada trabalho distribuíam mingau e pão e, quando recebiam doações, distribuíam, também, roupas, sapatos, brinquedos, utensílios, alimentos.
No ano de 1990 este trabalho de assistência com a comunidade começou a ser feito na Casa, semanalmente. Aos poucos foi se ampliando, aumentando o número de mães assistidas, instituído o farnel mensal, enxoval para recém-nascidos. No dia 22 de outubro de 1992, foi feita a primeira sopa na Casa. Este trabalho de assistência social com atendimento às mães e a evangelização de jovens e crianças continua sendo feito, acrescido de atendimento médico a idosos carentes da comunidade.
Aquela doença que acometeu D. Noélia nos idos de 1987 deixou seqüelas. A sua saúde era bastante frágil, mas nunca foi impedimento para continuar a sua tarefa, a missão que a Espiritualidade Maior havia lhe concedido. Presidente da Casa da Fraternidade, enquanto pôde esteve à frente das inúmeras atividades, atenta a tudo e a todos. Personalidade forte, decidida, sabia como ninguém comandar e se fazer obedecida. Claro que a alguns ela contrariou, era natural. Não se agrada a todos. Era amável, educada, alegre, compreensiva. Amorosa, bondosa, solidária.
Numa manhã de uma quarta-feira – 13 de julho de 2005 – serenamente, retornou ao Pai. Partiu e deixou muitas saudades. Acreditamos que foi recebida pelo muito amado Dr. Bezerra de Menezes, que deve ter-lhe dito: “Sede benvinda, filha da minh’alma!”
E nós dizemos: Fique em paz, D. Noélia. Siga a sua trajetória com a certeza de que os trabalhadores da sua Casa da Fraternidade, continuarão sustentando a sua bandeira de amor, trabalho, harmonia e perfeita convivência.
Este foi o compromisso assumido. A melhor forma de demonstrar o quanto esta personalidade impar foi, e continuará sendo, importante para todos aqueles que laboram na Casa da Fraternidade.
Salvador, 30 de julho de 2005