Estudando o Espiritismo

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quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Dependência Emocional


por João Lourenço Navajas

Muitas vezes repete ações apenas porque se acostumou a elas. Outras vezes porque simplesmente não sabe que poderia ser.

Várias vezes percebeu que poderia ser diferente mas não sabia como fazer diferente.

Ouvimos então expressões como estas:

Quando digo não, me sinto culpado!
Eu sei que seria o melhor a ser feito, mas tenho medo de fazê-lo!
Eu convivo há tanto tempo com esse problema que já me acostumei!
E ainda pior – Deixa como está para ver como é que fica!
Essas são atitudes passivas diante da dependência emocional.

As expressões tais como: – Deixa que eu tomo conta de tudo mas tem que ser do meu jeito! Ou: – Agora que me deixou com raiva eu vou até as últimas consequências! E ainda essa: – Eu acabo fazendo tudo pois ninguém faz nada!

Estas são expressões que denunciam as atitudes agressivas da dependência emocional. Uma terceira maneira de manifestar a dependência emocional é falsear com a inteligência para obter benefício próprio em detrimento do bem alheio e do bem comum. São as atitudes passivo/agressivas, próprias do que costumamos chamar de “malandragem”: uma estrutura de personalidade montada em cima de um esquema de sobrevivência egóica conhecida como manipulação.

Representa uma maneira inadequada de enfrentar a vida adulta quando nossos mecanismos de defesa do ego não encontraram bases fortes e reais para amadurecerem. A criança e o adolescente necessitam de referências sólidas e constantes que funcionem como referência de valores éticos e morais a serem seguidos.

Naturalmente os jovens buscam o que lhes é mais atávico enquanto ser humano que é “dar-se bem”. Podemos exemplificar isso com: deixar tarefas para depois ou para o outro fazer; conseguir privilégios ou favores sem dar nada em troca;  se “safar” de responder (de ser o responsável) por palavras ditas ou atitudes inconvenientes ou erradas cometidas, utilizando expedientes ingênuos tais como desculpas “esfarrapadas” ou jogando a culpa em alguém ou alguma situação.

Os adultos devem (ou pelo menos deveriam) apresentar as delimitações, demonstrando a serenidade decorrente do fato de podermos responder pelo que fazemos seja reparando um insucesso ou gozando o prazer de um sucesso.




O jovem aprende muito mais pela observação e assim os pais devem assumir essa autoridade sobre eles em determinar o que eles não sabem decidir ainda – o que é do bem, o que é belo e o que é verdadeiro.

Num mundo de expiação e provas, a maioria e talvez a totalidade dos hominais encarnados na Terra, não tiverem boas influências de pai e mãe que pela vez deles também herdaram esse processo de “aleijamento” da espontaneidade humana. Em locais onde a sobrevivência tornou-se mais importante que a filosofia, facilmente os valores éticos e morais se tornam materialistas e imediatistas.

No alvorecer deste século, o mundo de regeneração vem nos proporcionar instrumentos, instruções e até alguns instrutores nesse processo de revisão de valores. A dor e o sofrimento que antes serviam para abrir picadas na densa floresta dos nossos instintos e emoções, dão passagem as noções mais básicas de responsabilidade que vem pavimentar os primeiros quilômetros da estrada da regeneração.

A dependência emocional é tão e apenas somente uma espécie de efeito colateral ou residual dessa etapa e da qual podemos entrar em recuperação ativa e harmoniosa, sem medos e sem culpas. A aceitação do real tamanho de cada um de nós pela alteridade (aprendendo a viver com as diferenças e aprendendo com as diferenças) associado a uma ligação em alta fidelidade com a causa primária de todas as coisas, possibilita que nos entreguemos confiantes a essa Lei Divina – a Lei do Amor – e assim apontarmos a bússola de nossa consciência para o Norte Verdadeiro de nossas vidas.